Hey, Ho. Let's Go!
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Onze
Nos beijamos. Com calor, com necessidade um do outro, como se antes estivéssemos evitando o inevitável, adiando o inadiável, negando a nós mesmos. Nos beijamos como se um “finalmente” saísse de nossas almas, dos nossos pulmões, das nossas veias.
Nós dois ali, na sala dele, nos beijando sem pensar em mais nada. Sem pensar na camisa que estava na minha mão, sem pensar que não podia _afinal, podíamos_, sem pensar que era cedo demais. Ele me puxou para o mais perto possível dele e me beijou novamente, e eu apenas sentindo seu poder, sua dominação sobre mim. Eu não queria negar, não queria intervir nem mesmo questionar: me sentia segura com ele. E, conforme tudo aquilo acontecia, eu “finalmente” percebi que precisava tão urgentemente dele quanto ele de mim.
Já era um pouco tarde, mas se estivéssemos vendo o filme, ainda estaríamos no cinema. A pizza ficou dentro do carro, afinal, a camisa molhada de cerveja era mais importante, e agora as coisas haviam tomado um rumo que nem mesmo a camisa importava mais.
Entre puxadas de blusa e beijos, fomos para o quarto dele. Ele já havia tentado, mas só conseguiu tirar a minha blusa quando já estávamos sentados na sua cama, no quarto. Eu podia perceber, mesmo concentrada em outras coisas, o quão preocupado comigo ele estava.
_Você está bem? Digo... comigo... assim?_ ele falava enquanto tirava o cinto da calça e o tênis.
_Estou, claro. Miguel, a gente vai...
_Não, se você não quiser.
Olhava para ele, tão quente e ao mesmo tempo cauteloso, com os olhos verdes pousados no decote do meu sutiã, doido para tirá-lo. Ele ali, daquele jeito, me fazia querer me atirar em cima dele. Intimidada pelos seus olhos e envergonhada pelos meus pensamentos sujos, tirei o meu sutiã de uma forma lenta, à fazê-lo concentrar-se somente nos meus olhos.
_Por que eu não iria querer?
Eu ri de um jeito diferente, enquanto ele nem se movia: estava hipnotizado, olhando nos meus olhos, em mais lugar nenhum, como se as outras coisas que viriam importassem apenas para mim.
Miguel, então, ainda invadindo todos os tons de castanho dos meus olhos, tirou a calça e empurrou seu corpo sobre o meu, calmamente. Ele era forte, obviamente, mais forte que eu. Me trouxe para cima dele e pôs uma mão no meu rosto, me olhando. Eu me empurrei mais para cima dele e o beijei. O beijo foi ficando cada vez mais intenso. Era impossível não se entregar aquela sensação gostosa de estar no comando, de amá-lo como eu quiser.
“Duas almas fugindo de seus corpos, entrelaçando-se no (...) quarto, derramando-se insanamente.(...) Meus pensamentos e ilusões refletem em tua cabeça. A tua cor é a minha. As tuas mãos? Agora são minhas também. Teus movimentos nos meus. Tua força se transforma em sons que parecem sair de mim. Mostra-me as estrelas que só aprendi a ver contigo? A tua forma de me amar em minha forma de ser amada. Teus beijos, teus abraços... Tudo é tão gracioso e espontâneo...”
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De madrugada, estávamos morrendo de fome. Na verdade eu estava mais com sono...
_Quem vai pegar a pizza dentro do carro?
_Eu!_ ri e sai correndo do quarto dele, de cobertor, em busca da chave do carro, que estava na sala. Vou ao carro, pego a pizza e volto para dentro de casa_ pois do lado de fora estava frio.
Esquentamos a pizza e ficamos lá, no quarto dele. Pra acompanhar, pegamos umas cervejas da geladeira e trouxemos para a cama.
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De manhã cedinho, Miguel me acordou com um sorriso largo e bobo, e me deu um beijo na bochecha.
_Hm...
_O que?
_Beijo na bochecha? Depois disso tudo?
Ele riu e me deu um beijo de verdade. Coloquei uma blusa dele_ que ficou super larga em mim_ e fomos tomar café. Fomos para a cozinha e me deparo com uma mulher baixinha e gorda, com as bochechas rechonchudas, de uniforme, com uma vassoura na mão. Miguel, percebendo o susto que eu levei, me puxa pela mão e diz:
_Bem, à partir de hoje, Fatinha, a Magda também manda aqui_ ele riu_ Amor, ela é a nossa empregada._ ele apertou mais a minha mão, de um jeito bom...
A “Fatinha”, recém-conhecida minha, olhou para mim, sorridente, e disse:
_Ah, mas que gracinha vocês dois!_ ela apoia o queixo no cabo da vassoura, “admirando” o casal. Eu sorri pra ela, e acho que ela realmente achava que a gente combinava.
Fatinha havia feito para nós, com frutas e biscoitos, uma linda mesa de café da manhã.
_Magda, eu tenho que ir pro hospital agora... você vem comigo?
Olhei para mim mesma, com a blusa dele, toda despenteada e sem vontade nenhuma de ir pro hospital. Era de manhã, eu estava com sono e estava feia.
_Não, acho melhor eu ir com a Talita, se não ela me mata_ sorri pra ele.
_Então tá_ ele saiu da mesa, calmo, e, com um pedaço de melão em uma de suas mãos, veio em direção a mim e me deu um beijo_ você pode ficar aqui quanto tempo quiser.
Miguel saiu da cozinha e foi andando pelo longo corredor até entrar no banheiro, onde pude vê-lo tomar banho_ não descaradamente, eu apenas encarava o espelho do banheiro, já que ele deixou a porta aberta_ e colocar suas roupas “de médico”_ brancas.
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