Notas iniciais
"The law won't arrest you The world won't detest you You never did anything Any man wouldn't do"

Estava andando pelo meio da floresta, procurando uma clareira. Havia acontecido mais um bombardeio na Terra, e essa é uma ótima oportunidade para arranjar comida fácil. A guerra estava chegando na Noitosfera, e caçar estava cada vez mais difícil. Eu ouvi um choro baixo e o segui. Crianças são extremamente saborosas. Lá estava ela, escondida atrás de uma pedra. Havia um velho. Ele parecia estar sob o comando de uma das pedras. Eu tinha uma no meu pescoço, havia aprendido a controla-la, mas o velhinho não parecia ter a mesma sorte. Me aproximei da pequena, ela chorava compulsivamente.
– Ajuda ele – ela sussurrou ao me perceber.
Eu agachei e tentei encostar em seu rosto. Ela não devia ter mais do que dez anos. Carne fresca. Mas, por que eu não matei naquela hora? Um raio gelado passou por cima do meu ombro esquerdo. Eu olhei para a direção de onde ele havia vindo. O velho estava com o braço estendido e a cabeça baixa.
– Não – ele disse baixo – Ajude a ela. Eu não posso mais... – Ele não parecia conseguir continuar, então eu peguei a menina e sai de lá.
O choro cessava e ela ia caindo no sono à medida que nos distanciávamos. Quando ela dormiu eu a coloquei no chão e cacei um veado. Levei os dois para o meu mundo flamejante e me alimentei. O sangue ainda estava quente em minha garganta quando ela acordou.
– Onde eu estou? – Ela perguntou, esfregando os olhos.
– Em casa – eu estava mesmo pensando em ficar com ela? Bem, tem sido muito solitário...
– Eu não tenho casa. Ela foi destruída.
– Agora essa é a sua casa.
Percebi que ela segurava um ursinho de pelúcia esfarrapado e destruído.
– Ele está com fome.
Fiz uma fogueira e “assei” a carne. Ela comeu e eu olhei pelos escombros. A batalha parecia ter terminado, e então eu a guiei para o palácio. Haviam restados poucos guardas, mas o suficiente para me manter seguro. Deixe-a explorar a casa. Agora eu deveria me preocupar com o crescente canibalismo. A guerra estava descendo e meus monstros estavam morrendo, se alimentar era um desafio. Eu precisava ensiná-los a bela arte do cultivo antes que eu me torna-se um rei sem um reino.

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Alguns anos se passaram. A criança agora era uma adolescente de temperamento difícil. A guerra lá em cima estava acabada, e a população começava a procriar. Alguns reinos surgiram, alianças foram feitas e o velho havia perdido totalmente o controle. Marceline havia tomado aulas de músicas e era uma princesa exemplar. Ou quase. Estava na hora de fazer a mudança.
– Marcy?
– Sim? – Ela perguntou, sentada em sua cama, brincando com baquetas.
– Acho que chegou a hora. Se sente pronta?
– Pronta? Acho que sim, parece uma boa hora. É, eu gostaria de ficar assim para sempre. Vai ser um tipo bizarro de ritual ou você vai simplesmente sugar todo o meu sangue?
– Eu vou sugar todo o seu sangue, depois colocar sangue novo em você. Assim que estiver feito, podemos dar uma festa.
– Detesto as suas festas.
– Ok, sem festas.
– Eu quero uma festa do meu jeito.
– Ótimo. Uma festa do seu jeito.
– Sem você.
– Sem mim?
– Eu não gosto de você.
– Tudo bem.
– Vai doer?
– Acho que sim.
– Eu gosto de dor. Faça.
Ela virou o pescoço. A jugular pulsante de uma garota de dezessete anos. Eu abocanhei e bebi o sangue. Delicioso. Ela gemia, parecia que ela realmente gostava da dor. Coloquei a mão sobre o seu colo quando ela fechou os olhos. Quanto mais fraca ela ficava mais ela se entregava. Eu esfregava seu corpo inocente e explorava cantos proibidos. Ela estava quase desfalecendo quando eu fiz um corte grande na minha língua. A beijei e deixei que ela bebesse o sangue de volta. Trocamos algumas vezes até eu sentir que ela estava pronta. Sua pele estava cinzenta, o pescoço parara se sangrar. O pulsar estava fraco, ela quase não respirava.
– Isso é bom.
– Morrer?
– Também. Mas eu estava falando disso.
Ela colocou a minha mão por dentro de seus jeans. Ela jogou a cabeça para trás e deixou que eu fizesse. Depois de algum tempo ela estava dormindo, o coração muito fraco. Enquanto ele parava definitivamente eu a deixei só no quarto.

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Finn o humano estava na sala, tocando alguma música qualquer no pandeiro enquanto Marceline estava no quarto, trancada. Jujuba acompanhava com a letra. Alguma canção humana pré-guerra.

How old are you?

I'm older than you'll ever be

I've been dead a thousand years

And lived only two or three

I don't mind telling you

My life was ended by your hand

The kind of murder where nobody dies

But I don't suppose you'd understand

A letra me parecia muito familiar, poderia jurar que Marcy havia escrito se eu mesmo não tivesse encontrado um cd qualquer com ela gravada, em seu quarto. Jujuba parou de cantar e esperou alguma reação de Marceline, que não falava com ninguém há dias. A resposta veio. Era a continuação da música.

If I am Lolita

Then you are a criminal

And you should be killed

By an army of little girls

Sua voz era baixa, não era para nós ouvirmos. Jujuba subiu as escadas e bateu na porta. Finn ficou em silêncio, encarando o chão. Seus ouvidos humanos frágeis talvez não ouvissem o que estava acontecendo dentro do quarto, mas não pude deixar de ficar constrangido por ele. Jake saiu do banheiro.
– Você demorou, cara.
– Desculpa. Foi intenso. Aquele hambúrguer não me caiu bem. Ele era do quê, Hunson?
– Carne de demônio bovino mutante. Eu mesmo matei.
– Ah...
Eu sorri e vi a ânsia subir pelos olhos azuis de Finn. Ele engoliu a seco. Jujuba desceu acompanhada da minha filha. Elas foram rápidas. Ou então eu tenha apenas imaginado coisas.
– Eu ainda estou com raiva.
– E faminta?
Ela assentiu. Esquentei mais hambúrgueres e servi. As garotas se fartaram, mas os meninos não quiseram repetir a dose.

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Marceline entrou na sala. Eu havia terminado uma reunião importante (sobre o que foi mesmo?) com alguns duques, e estava bebericando um chá forte.
– Simon foi me visitar.
Estendi os braços e deixei que ela se aninhasse no meu colo. Ela não precisava falar nada, e eu não queria ouvir. Às vezes o Rei Gelado aparecia em sua caverna, como se algo do passado ainda existisse dentro dele. O episódio da Betty havia passado, e o velho continuava o mesmo demente de sempre. Ela chorou com a cabeça enterrada em meu pescoço, como no dia que nos conhecemos. Eu acariciei suas costas enquanto ela soluçava. Quando ela parou, a peguei no colo e a levei para o meu quarto. Coloquei-a na cama e me ajustei por cima dela. Beijei seus lábios frios.
– Papai, eu estou com medo.
– Todos nós temos medo, Marcy.
Tirei a sua blusa e beijei seus seios. A imortalidade caia bem nela. Acariciei seu corpo e aproveitei cada pedaço de pele. Algumas horas depois, ela estava sentada na beira da cama tocando seu baixo. Nua e reluzente, cantava uma música, bem baixo.

Kiss me in the d-a-r-k, dark tonight

(D-a-r-k, do it my way)

Kiss me in the p-a-r-k, park tonight

(P-a-r-k, let them all say)

Eu fumava um charuto e olhava pela janela. As chamas, os gritos de agonia, tudo em ordem. O desespero dos plebeus, eu sentia dentro de mim. Somos demônios, fomos feitos para sofrer e causar sofrimento. Não tenho ressentimentos.

Notas finais
A troca de sangue foi inspirada nas obras de Anne Ricce. Espero que você tenha gostado. Deixe um comentário; isso é muito importante ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!