Hesitate
6 Death of me
Notas iniciais
Tudo bom com vocês? Espero que sim...
Bem, eu sei que era para eu ter postado o capítulo ontem, porém acabou que não deu, porque a menina que eu tenho a Duality junto não pode ostar anteontem e o tempo que eu ia usar para a postagem da hesitate eu tive que postar a Duality... [falando nisso, dêem uma passada lá =D]
O Cap de hoje tem flashback, mas não é quase inteiro como nos outros...
Vamos descobrir o que aconteceu para a Sam finalmente decidir parar de amar o Gates?
Capítulo dedicado a:
Steph e Revak7x por recomendarem a fic! ^^
Beeijos galera!
Sentei-me na cama e esfreguei o rosto, feliz pelo recesso escolar finalmente chegar, lembrando-me que mais quatro meses e eu estaria fora daquele inferno chamado escola.
Levantei e arrastei até o banheiro, liguei uma música alta e fui tomar banho e gastar um tempo comigo mesma, lavei o cabelo, fiz as unhas, e todas essas coisas de “beleza”. Infelizmente as olheiras estavam gigantes e eu não conseguia fazê-las sumir, então passei um corretivo e fiz careta para o espelho, esperando que eu não estivesse muito zumbi.
Depois do meu “tempo de beleza” que durou muito mais do que o esperado, desci as escadas em busca de comida, estranhamente encontrei Brian assim que pisei no primeiro andar.
– Oi Ruby. — Ele disse frio e passou para o sofá, onde eu percebi Matt e Johnny jogando algo.
– Oi gente. — Cumprimentei e logo entrei na cozinha, vendo Jimmy e Zacky resolverem se beberiam vodka ou rum. — Olá. — Eu disse sorrindo e eles se viraram e sorriram para mim.
– Oi amor.
– Oi mana, eu tentei te chamar mais cedo, mas seu quarto parecia apocalíptico e eu resolvi não entrar.
Ri e abracei-o — Não era o apocalipse, era meu momento de fazer coisas de mulher, tipo a unha, olha que lindo. — Eu disse soltando uma das mãos e mostrando as unhas pra ele.
– Amh, achei legal, mas não é como se eu soubesse algo sobre unhas.
– Só fala que ta lindo.
– Tá lindo Sam! — Disse e eu ri.
– To com fome Jim. Tem alguma coisa pra comer?
– Deve ter. Olha ai.
Me soltei dele e abri a geladeira, não encontrei muito mais do que amontoados de garrafas de cerveja, mas peguei uma pizza que estava escondida e fui esquentar para comer.
Jimmy puxou Zacky para fora da cozinha assim que Matt os gritou e eu fiquei sozinha encarando meu prato rodar no microondas.
– E ai Sam? — A voz de Matt preencheu o lugar pouco antes do apito que me avisava que minha pizza já estava quente.
– Oi Matt. Quer pizza?
– Não valeu, a gente já almoçou. — Ele disse sorrindo e pegando os talheres na gaveta para mim.
– Ok.
Sentei-me na mesa e ele pegou cervejas na geladeira, assim que ia sair, Brian entrou e foi até ele, pegando uma das garrafas.
– To com fome cara, sabe se tem alguma coisa aqui?
– Você acabou de comer idiota. — Matt disse rindo.
– Mas nem todo mundo comeu um boi e meio que nem você, e a gente comeu há umas três horas atrás.
Ri — Quer pizza Brian? — Ofereci e ele virou o rosto por cima do ombro, mudando o tom de voz completamente
– Não obrigado. — Disse entre seriedade e frieza, trazendo um sentimento ruim para mim.
Matt sorriu forçado — Vamos ver na despensa. — Disse puxando o moreno para o pequeno cômodo e fechando a porta.
Não tinha muita certeza, mas achava que eles não percebiam que um lugar pequeno produzia eco, porque começaram a sussurrar, porém eu os ouvia plenamente.
– Que merda é essa? — Matt perguntou um pouco irritado
– O que?
– Por que você está sendo tão babaca com a Sam?
– E que babaquice que eu fiz Shadows? Tá ficando paranóico agora?
– O que aconteceu cara?
– Aconteceu com o que Matt?
– Eu cheguei lá e você estava dormindo abraçando ela cara, e no outro dia parece um idiota completo não querendo ir no banco de trás com a garota, e agora não fala nada sem ser imbecil!
– Não aconteceu nada, você tá viajando.
– Você sabe que não estou Gates, eu te conheço. — Ele disse e ouvi alguém bufar.
– Isso é coisa minha.
– Só até o Jimmy e o Zacky perceberem. Que merda você fez agora Gates?
– Não… Eu não fiz nada Shadows.
– Então o que é que…
– Deixa pra lá!
– Gates!
– Eu sonhei com ela cara, foi muito… Sei lá. Só que agora eu to com a consciência pesada e acaba que eu não consigo ser legal. É como seu eu estivesse traindo meu irmão.
Franzi a testa me interessando no sonho que ele poderia ter tido comigo.
– Sonho? Que tipo de sonho?
– Não sei bem, só lembro que a gente se beijava. E isso não é legal cara.
– Mas se foi só uma porra de sonho…
– Esquece isso tá? Nunca aconteceu nada e pronto.
– As vezes é só um sonhos daqueles em que você lembra de algo que já aconteceu.
– Anh?
– É, tipo, você ta sonhando, mas na verdade é uma lembrança e…
– Que lembrança Matt? Que porra é essa agora? E não! A gente tava naquela cama mesmo e ela me beijou, ai não sei que porra que deu em mim que eu beijei de volta… Ai eu não lembro mais do sonho.
– Tá, mas…
– Esquece isso cara. Sério mesmo. E ta muita viadagem a gente trancado dentro dessa despensa.
A porta abriu e eu olhei para eles enquanto Brian saía olhando para o chão, Matt sorriu para mim e sentou na mesa à minha frente.
– Não tive tempo de te perguntar Sam, mas e ai, curtiu o show?
– Aham. — Respondi meio aérea.
Brian se lembrava do beijo, mas achava que era um sonho, então isso não era ruim, ou será que era?
– Escuta, ignora o Gates, ele está estranho por causa de umas coisas na cabeça.
Ri — Tanto faz Matt. Não me importo muito com ele. — Eu disse e Johnny entrou na cozinha e veio me abraçar, deixando-me confusa. — Tudo bem Joh?
– Tudo ótimo minha linda ruiva que eu amo tanto!
– O que você quer?
– Te agradecer, tirei total em química graças a sua beleza e inteligência.
Ri — De nada, sempre que precisar de cola estamos aí.
– Valeu!
Acabamos indo os três para a sala, eu sentei no chão e encostei no sofá, olhando a TV enquanto eles atiravam em zumbis que esguichavam sangue para todos os lados.
Franzi o nariz para a cena estranha e nojenta, então resolvi sair dali e voltei para a cozinha, sendo seguida por Zacky.
– Tudo bem Sammy?
– Só não gosto dessa nojeira de sague espirrando para todos os lados.
– Qual é Sam, é só um jogo.
– Tá, mas eu não gosto mesmo assim.
– Deixa de frescura e volta pra sala amor.
Fechei a cara o olhando irritada — Não é frescura Zachary, eu não gosto e não quero assistir ao jogo. Se faz tanta questão, assista sozinho, nós não compartilhamos os mesmos olhos!
– O que deu em você Sam? Precisa brigar por causa disso?
Bufei e saí pela porta dos fundos dando a volta na casa, mas assim que pisei no gramado da frente resolvi que entraria de novo, pois encontrei as irmãs xerox na porta da minha casa.
– Sim? — Perguntei irritada.
– Olá Ruby. — Uma delas, não sei diferenciar, disse.
– Olá. O que querem aqui?
A porta abriu e Matt sorriu para elas.
– Oi amor, oi Mich…
– Oi Mattie. — Valary, agora eu sei quem é quem, disse beijando o namorado e eu fiz cara de nojo.
– Ué Sam, você não estava na cozinha?
– Estava Matt, mas resolvi vir aqui fora um pouco, sem passar pela sua nojeira sangrenta.
Ele riu — Qual é Sam, é super divertido decapitar zumbis.
– Claro que é Matthew.
As irmãs doppelganger entraram na minha casa e eu rolei os olhos, começando a andar pelo gramado até chegar na garagem.
Ouvi a porta da frente bater e franzi a testa, olhando curiosa para Brian que saía da casa irritado, pouco depois Michelle saiu atrás dele, que não se importou muito e entrou no carro, ligando-o sem nem olhar para a garota e arrancou, acelerando pela rua.
Michelle olhou o lugar em que ele desaparecera por todo o tempo em que eu colocava o capacete e subia na moto, verificando se levava a chave e o celular, então ela me olhou chorosa.
– Sam. Você me dá carona?
Tirei o capacete e a olhei com uma sobrancelha erguida.
– Você não acabou de chegar?
– Sim, mas depois dessa não estou muito em clima de ficar com a galera.
Suspirei e concordei, mas apenas porque eu estava sentindo algo parecido.
Entreguei-lhe o outro capacete e ela subiu na moto, segurando minha cintura enquanto eu acelerava pela rua.
Sabia onde elas moravam puramente por já ter sido obrigada por Jimmy e depois Zacky a ir em aniversários e festas lá.
Parei em frente à casa e ela desceu da moto me entregando o capacete, percebi que chorava e rolei os olhos, tirando o meu e descendo da moto.
– Tudo bem?
Ela sacudiu a cabeça em negativa e me abraçou — Ele terminou comigo.
– Terminou? — Perguntei confusa — Mas achei que vocês não namoravam.
– É, mas… Agora não temos mais nada. E… E eu amo tanto o Bri! — Disse em um tom agudo que me fez fazer careta.
– Escuta, eu não sou muito boa com essas coisas, você devia conversar com a sua irmã.
– Mas ela não me entende!
– Por que não?
– Porque pra ela, como nós não estávamos juntos, ele tinha todo o direito de fazer o que fez.
– E o que ele fez? — Perguntei sentindo meu interior revirar, tanto de curiosidade, quanto de tédio, se é que pode ser possível.
– Ai Sam… Deixa pra lá… Mas escuta. Você conhece alguém chamada Libby?
Pisquei sentindo-me eufórica por um segundo — Não. — Respondi fraco, agradecendo por ela não se lembrar. — Mas o que essa garota fez?
Ela mordeu os lábios — Não sei, mas acho que o Bri está tendo um caso com ela, ou quer ter, não sei.
– Por que pensa isso? — Perguntei sentindo as mãos suarem e ela fez careta.
– Deixa pra lá Sam, obrigada por me ouvir. — Ela disse e me abraçou de novo.
Demorei um tempo para corresponder, mas o fiz e ela logo me soltou e entrou na casa.
Guardei um capacete embaixo do assento da moto e coloquei o outro, acelerando até a praia, onde eu guardei o outro capacete e resolvi ir caminhar pela areia.
Todas as células do meu corpo estavam entrando em colapso e tudo o que eu queria era sufocar a mim mesma.
Maldita hora que eu resolvi brigar com Zacky e sair de casa, se isso não tivesse acontecido eu podia estar lá em casa, zoando com os garotos, comendo… Sei lá, qualquer outra coisa que não sentindo minhas mãos suarem frio e meus órgãos rodopiarem sem rumo dentro de mim.
Olhei para a água azul e respirei fundo, tirei os chinelos e andei até a beira d’água, enterrando os dedos na areia e sentindo a água proveniente das pequenas ondas molharem minha pele.
Respirei fundo fechando os olhos e tentando me convencer de que existiam várias garotas chamadas Libby no mudo, ou que Brian gostava de apelidar todas as loiras daquele jeito, e não apenas a antiga eu.
Flashback
Estava correndo para a aula, já estava atrasada e o segundo período começaria em dez minutos, a probabilidade de eu chegar para assistí-lo era muito baixa, mas eu tentava.
Um carro preto passou por mim e encostou, não olhei e continuei a correr, isso até a buzina a a voz conhecida me chamar.
Parei e olhei para trás confusa enquanto o carro se aproximava de mim.
– Hey Libby.
– Que coisa é essa Brian? Tá bêbado? — Perguntei e ele riu, abrindo a porta pra mim.
– Não Sam, entra logo que eu te levo pra aula.
– Por que ta me chamando de Libby esses dias?
– Porque eu quero. É um apelido para loiras fofas. Ou alguma coisa assim. Tava na revista ridícula do meu irmão.
Ri sem graça e olhei pelo vidro — Então agora eu sou fofa?
– Sempre foi Sam. — Ele disse sorrindo e meu rosto esquentou.
Virei o rosto para a janela e fiquei assim até ele entrar no estacionamento.
– Obrigada Brian.
– Que isso Libby. Sempre que precisar.
Ri — Pode parar de me chamar de Libby?
– Só quando você deixar de ser Libby. — Ele disse e piscou.
Saí do carro e andei calmamente até a sala de álgebra, me encostando na parede perto da porta, graças a carona de Brian tinha uns cinco minutos de sobra para olhar para o nada antes de o sinal bater.
Estava distraída olhando o nada quando ouço um grito estridente que me assustou, desencostei da parede e percebi que o grito era de Michelle, irmã da namorada de Matt.
Comecei a andar para lá para ver se ela estava bem, mas então Brian apareceu e segurou seus ombros.
Ela começou a chorar e socá-lo, ouvi outra voz de garota falar algo, mas ela estava no corredor que cruzava o que nós estávamos, então não podia vê-la.
– Você me traiu! — Michelle girou alto
– Não, eu não traí. Você não é minha namorada.
– COMO VOCÊ PODE DIZER ISSO? — Gritou soluçando.
Sem perceber já estava quase ao lado deles, os olhando estranho.
– Tudo bem?
– Fica fora disso Libby.
– Mas…
– ME LARGA BRIAN!
– Escuta…
– ME SOLTA! — Ela gritou e ele a chacoalhou.
– Para de dar ataque! — Ele disse sério e ela bateu em seu rosto. — Vadia. — Murmurou soltando-a.
Michelle correu pelo corredor chorando e ele rolou os olhos.
– O que aconteceu? — Perguntei o olhando e sentindo algo murchar dentro de mim.
– Michelle dando ataques desnecessários. Você a conhece.
– Sim, mas o que você fez?
– Nada Libby.
– Brian…
– Vai pra aula tá? — Disse afagando meu cabelo e saiu pelo corredor.
Não sei se foi logo depois ou se demorou, mas ouvi o sinal soar e eu fui até minha sala, sentando lá e deitando a cabeça na mesa.
Johnny entrou na sala e começou a tagarelar sobre seu novo baixo, mas eu não tinha paciência para ouví-lo.
O baixinho se irritou pela minha indiferença e chutou minha perna de leve.
– Que merda aconteceu com você Sam?
– Mh? Nada Joh, desculpa, to dormindo ainda.
Ele riu — Tudo bem, escuta, a Nicky tava te procurando no primeiro horário… Já falou com ela?
– Não, o próximo período eu tenho com ela, lá a gente conversa.
– Tá. Mas einh! Me escuta! Eu coloquei um espelho dele, tá lindo, você tem que ver.
– Viu Johnny, eu vejo depois. Agora deixa eu dormir.
Fechei os olhos e fui puxada para o dia do black out, não conseguia esquecer da sensação de beijar Brian, não conseguia desvincular meus pensamentos dele, tudo acabava me arrastando até aquela noite e depois me afundava na dor de não saber exatamente o que acontecera, sem contar na rejeição.
Ouvi o professor começar a falar e me sentei, olhando para os números no quadro sem nenhum interesse.
Álgebra passou em alguns segundos para mim que praticamente dormia de olhos abertos e então caminhei até minha aula de química.
Nicky me cercou assim que dei dois passos para dentro.
– Aonde é que você estava que não foi na aula de Inglês?
– Dormindo, cheguei atrasada.
– Mh. Escuta, temos uma festa hoje a noite, então você vai falar para o seu irmão que vai dormir na minha casa.
– Tá bom. — Disse sem ânimo e sentei na minha mesa.
Ela começou a tagarelar que dava duro pra conseguir nos colocar nas festas boas porque éramos novatas e do primeiro ano, mas eu não conseguia prestar atenção nela, até porque eu poderia ir em todas as festas do último ano com o meu irmão.
O resto da aula passou num flash para mim, já que não conseguia pensar direito, também não prestava nenhuma atenção.
Saí da sala de Geografia sem prestar muita atenção e senti alguém me puxar, olhei confusa para Brian que apenas sorriu de lado.
– Você vai embora comigo hoje.
– Por que?
– Eu saí de casa e Jimmy estava desmaiado no meu sofá, agora ele me ligou e me pediu pra levar você pra lá.
– Então tá. — Concordei e o segui pelo corredor.
As pessoas costumavam me olhar estranho quando eu andava com os amigos do meu irmão no corredor, mas era ainda mais estranho estar andando sozinha com Brian me puxando pela mão.
Cheguei ao estacionamento e sorri para Zacky que estava encostado no carro do irmão.
– Oi Sam!
– Oi Zacky, achei que você não tinha vindo hoje.
– Vim, só que eu vim mais cedo, de carona com o Matt.
Ri — Você não é irresponsável e perde aula como o Brian.
– Calada Libby. Você também perdeu o primeiro período.
Fiz careta e entrei no banco de trás, escutando os dois decidirem sobre o CD que colocariam para tocar.
Olhei o carro, percebendo garrafas vazias aos meus pés, mas ignorei isso e prendi minha atenção ao motorista que batucava feliz o volante enquanto cantarolava a música do Metallica que tocava.
Ele estacionou na garagem de um prédio desconhecido e eu franzi a testa.
– Você nunca veio aqui né Sam? — Zacky perguntou sorrindo e eu neguei com a cabeça — Não assusta com o estado do lugar.
– Nem com o estado do seu irmão. — Brian acrescentou apertando o botão do elevador — Porque ele não está nada bonito.
Ri e concordei passando pelas portas metálicas, vendo Zacky apertar o número nove.
Subimos em silêncio até o nono andar e eles me levaram até o 901, destrancando a porta e abrindo-a, o cheiro de álcool exalava do lugar, junto ao aroma de cigarro.
Brian foi na frente e assim que deu três passos arrancou a camisa, jogando-a no ombro, Zacky riu e me puxou para dentro do apartamento, caminhei apreensiva pelo local, que obviamente tinha sido o lugar de uma festa na noite passada.
Caminhei atrás dos dois pela casa cheia de coisas jogadas e cheguei a sala, onde vi Jimmy jogando video game.
– Ô viado, sua irmã tá ai. — Brian disse se jogando ao lado dele.
– Sam! Escuta, eu dormi em casa essa noite ok? Porque eu estava de castigo e tal.
– Mas pai e mãe chegam amanhã, não hoje, porque eu vim pra cá?
– Ah é amanhã?
– É.
– Oh… Então tá beleza. Quer que te leve em casa?
– Eu posso ir a pé.
– Ou pode ficar. — Zacky disse sorrindo — Quer alguma coisa?
– Não obrigada. E também, eu vou para a casa de uma amiga.
Jimmy me olhou desconfiado — Como assim? Que amiga?
– Nicky, e eu vou dormir lá.
– Você não me perguntou se podia.
– E você não dormiu em casa, então não pode exigir nada de mim.
Ouvi os dois rirem e Jimmy levantou me olhando feio.
– Tá me ameaçando mana?
– Não estou Jim, mas você não manda em mim. E também, é só dormir na casa da minha amiga. O que tem de mal nisso?
Ele bufou — Tá bom, pode ir.
Sorri e pulei em seu pescoço, o abraçando — Obrigada Jimmy.
– E o discurso de ele não mandar em você? — Brian perguntou com as sobrancelhas erguidas.
– Cala a boca Gates. Agora vai levar minha irmã em casa.
– Ta me achando com cara de motorista particular Rev?
– Vai logo!
– Não.
Zacky riu e se levantou do sofá — Eu levo, tenho que comprar umas coisas mesmo.
– Isso ZV, seja útil, coisa que seu irmão viado não é.
– Se foder Rev!
Ri e dei um tchauzinho para eles enquanto seguia Zacky pelo mesmo caminho até o corredor.
– Obrigada Zacky, não precisava me levar.
– Ah que isso Sam. Até parece que eu vou deixar você andar tudo isso só porque seu irmão é burro.
– Obrigada. — Repeti e ele afagou meu cabelo.
Entrei no elevador e ele apertou o botão da garagem, cruzei os braços e me encostei na parede do elevador, olhando para o chão, ouvi Zacky batucar nas próprias pernas e sorri, levantando os olhos.
– Vocês não conseguem mesmo parar de batucar nas coisas… Só não são piores que o Jimmy.
– Mas o Jimmy é baterista. Ele tem que batucar.
Ri — É, mas nem você nem o Brian são, não deviam ficar batucando.
– Então você não gosta que a gente batuque? — Perguntou sério
– Não é isso… Só…
Ele riu — Relaxa Sam, estou te zoando… Mas escuta, quer comer alguma coisa antes de eu te deixar em casa?
– Não valeu, eu estou bem, vou direto pra casa da Nicky.
– Prefere que eu te leve lá?
– Vou arrumar minhas coisas primeiro. Obrigada por ser tão útil.
– Sempre que precisar.
Entrei no carro prateado e olhei pela janela sem prestar atenção em nada em particular, o assunto com zacky tinha acabado e eu não conseguia pensar em outro.
Ele estacionou em frente a minha casa e eu lhe dei um beijo na bochecha, saindo do carro e entrando em casa.
Arrumei minhas coisas e já fui para a casa de Nicky ouvindo música no último volume.
Toquei a campainha e ela logo veio atender a porta, tagarelando sobre como iríamos para a festa, qual roupa usaríamos e com quem iríamos conversar.
– Nick, dá um tempo. Você já vai escolher tudo mesmo. Me deixa ter um segundo de paz mental.
Ela fez careta — O que que aconteceu?
– Nada.
– Anda logo, você está estranha o dia inteiro Sam.
– Não é nada Nicky.
– Como não? O que o Brian fez agora?
Bufei — Não quero falar disso e ponto!
Nicky percebeu meu mau humor e me deixou em paz, mudando para um assunto idiota, séries de TV.
Ficamos conversando sem que eu prestasse atenção até a hora de ir para a tal festa.
Sinceramente não me interessava mais nisso e quase fui para casa, mas ela me fez ir mesmo assim, me enfiando em roupas dela e me maquiando.
Saímos de lá e descemos em uma casa lotada de pessoas, andamos juntas por um tempo, até que ela sentou no bar e começou a beber, aquilo não me atraía, na verdade me causava calafrios, então resolvi andar um pouco.
Caminhei pelo lugar lotado de pessoas, olhando os diversos conhecidos e alguns completamente desconhecidos pulando e bebendo, gritando a música ou uma conversa abafada pelas batidas.
Tive a pior ideia do dia e saí da casa, esbarrando em um cara. Quando levantei o olhar, meu sangue gelou nas veias vendo o sorriso de canto.
– Achei que você só ia dormir na casa da sua amiga Libby.
– Por favor Brian, não conta pra ele.
O moreno riu e me puxou pela mão até um canto, ele estava incrivelmente estranho, provavelmente chapado.
– Relaxa, não vou contar, mas o Shadows tá aqui também, então se eu fosse você ia embora.
– Mas a Nicky não vai querer ir agora.
– Então vai pra sua casa.
– O Jimmy tá lá e ele sabe que essa roupa não é minha. — Eu disse apontando para mim e ele sorriu sacana.
– Muito gata por sinal. — Comentou e eu senti meu rosto corar — Mas escuta, o Shadows te entrega. Então pensa bem.
– Me ajuda?
Ele fez uma cara pensativa e voltou a me puxar, levando-nos até o banheiro e entrando comigo lá dentro.
– Fica aqui um pouco, eu vou ligar pro seu irmão e tirar ele de casa, aí você vai pra lá.
– Não, esse plano é péssimo Brian.
– Tem um melhor?
– Tenho, você fica quieto e não conta nada pra ele, fim.
Brian riu e encostou na parede, olhando o teto com uma expressão estranha.
– Eu to muito chapado cara.
– Posso ver. — Disse e ele me olhou sorrindo.
– Você tem namorado Sam?
Franzi a testa confusa pela pergunta — Não, por que?
– Sei lá cara. Eu entendo que tem uns caras que tem medo do Rev, mas por você eu me arriscaria.
– Como assim?
– Claro que não no contexto atual, visto que nós somos amigos, e seu irmão é tipo… Meu irmão. — Disse e riu, olhando para o lado. — Você viu a Michelle?
– Não.
– Mh, merda. Do jeito que eu to chapado não vou ter capacidade de elaborar uma conversa pra pegar mais ninguém além dela.
– Ruim pra você. — Disse um pouco irritada.
– Péssimo. Eu to com um tesão da porra e ela some.
Bufei e saí do banheiro, o ouvi me chamar, mas ignorei e andei pela multidão irritada.
Não tinha paciência para ouvir como ele queria que Michelle estivesse lá para poder pegá-la, aquilo não apenas me irritou, mas me machucou também, então me sentei em uma das poltronas e senti meus olhos marejarem.
Aguentar aquilo estava demais para mim, tudo o que eu queria era esquecê-lo, mas sempre que eu tentava, ele dizia algo idiota como o que acabara de dizer, que ele correria o risco por mim.
As lágrimas desceram pelo meu rosto por um tempo grande de mais, resolvi voltar para casa, mas antes eu lavaria meu rosto.
Caminhei até o banheiro e entrei sem me lembrar que alguém poderia estar ali, e me esquecendo completamente que era aquele o lugar onde Brian estava quando eu saí.
Meu olhar caiu sobre os dois se pegando violentamente no banheiro e eu virei para sair, mas acabei chutando a lixeira e eles pararam de se pegar, saí do banheiro e ouvi Brian me chamar.
Continuei andando entre as pessoas até sentir alguém me puxar.
– Libby, tudo bem? Por que você ta chorando?
– Eu to bem. — Disse tentando me desvencilhar de seus braços, mas ele só me apertou mais.
– O que aconteceu? Alguém fez alguma coisa com você?
– Eu já disse que estou bem!
Brian me puxou para fora da casa, longe das pessoas que se aglomeravam.
Tudo o que eu fazia era chorar e ele me apoiou na parede da casa vizinha para olhar meus olhos.
– Sam, tudo bem?
– EU JÁ DISSE QUE TO BEM! — Gritei irritada e ele pareceu confuso.
– Então por que tá gritando comigo e chorando?
Toda a mágoa, dor e ressentimento explodiram enquanto eu empurrava seu peito arranhado para longe de mim.
– Me deixa em paz e vai atrás da sua vadia Brian, você não é responsável por mim.
– Mas eu sou seu amigo e você está me deixando preocupado.
– Devia se preocupar com a Michelle Brian, não comigo. Não é a mim que você come quando não consegue pegar outra pessoa.
Ele fez uma expressão estranha e um pouco magoada — É isso que você pensa de mim então?
– É isso que você é Brian. — Disse irritada me desencostando da parede e olhando fundo nos olhos castanhos — Você é um idiota que gosta de brincar com o sentimento alheio. E a Michelle só pode ser muito idiota de continuar com você mesmo depois do que aconteceu hoje.
– Achei que você fosse minha amiga Sam.
– Não muda o fato de você não ter coração. — Eu disse séria e virei as costas, andando pela rua o mais rápido possível.
Cheguei em casa e respirei aliviada por Jimmy não estar na sala.
Tomei banho e procurei coisas sobre mudanças radicais na internet. Sim, era coisa treze anos, mas eu estava cansada de ser quem eu era. Cansada de Brian dominar o que eu fazia e pensava.
Eu queria ficar livre, livre dele, livre da antiga Sam, da menininha apaixonada pelo idiota destruidor de corações.
I should have seen those signs all around me,
But I was comfortable inside these wounds
You aren't the one that I thought you were;
And so I learn to embrace this illusion
You tear me down and then you pick me up,
You take it all and still it's not enough,
You try to tell me you can heal me,
But I'm still bleeding and you'll be
The death of me!
Eu deveria ter visto todos os sinais ao meu redor
Mas era confortável dentro dessas feridas
Você não é aquele que eu pensei que fosse,
E então eu aprendi a abraçar essa ilusão
Você me derruba e depois você me ergue,
Você toma isso tudo, e ainda não é o bastante
Você tenta me dizer que pode me curar,
Mas eu estou sangrando e você vai ser
A minha morte.
Notas finais
Espero que sim!
Música Death of me, do Red
http://letras.mus.br/red/1436426/#traducao
Particularmente a que eu mais achei que dava com o capítulo até agora.. Provevelmente porque as outras foi mais seleção do que identificação...
Enfim, me digam o que acharam, nos vemos nos reviews! =D
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