Notas iniciais
As musicas do capítulo são Fix You e Yellow do Coldplay. Acho que vocês vão gostar desse capítulo, ta muito fofo :3

“Frank era tão fofo, minha vontade naquela hora era de abraçá-lo e contar tudo o que me afligia, todas as minhas preocupações e idiotices. Eu confiava nele.”

Ficamos nos olhando em silêncio por alguns minutos, acho que quando uma pessoa faz você se sentir confortável mesmo em silêncio, deve significar algo, não sei.

—Quer conhecer um lugar? —Ele disse a final.

—Hum... não sei, que lugar?

—Mas tarde eu te mostro, tem que ser quando todos estiverem dormindo, é meio que ‘o meu esconderijo’.

—Ta bom então. —Eu disse sorrindo.

Eu estava um pouco com um pouco de medo de pra onde ele ia me levar, mas eu não conseguia dizer não a ele, e também acho que ele não me faria nenhum mal.

Passei o resto do dia no quarto, Frank me emprestou alguns livros. Não acredito que eu estava lendo Harry Potter eu sempre achei isso coisa de criança, mas eu não conseguia parar, agora entendo por que o Frank gosta tanto de ler, é que te leva pra outro mundo, acho que era disso que eu precisava.

Por um momento consegui tirar meus pensamentos dos meus problemas, esquecer a heroína e qualquer outra droga que eu já tenha usado.

—E então, pronto pra ir, Gee? —Frank disse abrindo a porta, eu quase morri de susto.

—Porra, Fronkeh quer me matar?

—Vejo que está gostando do livro. —Ele disse rindo.

—É, to sim.

—Vem comigo, quero te mostrar aquele lugar que eu te falei. —Ele disse pegando na minha mão e me puxando.

—Ok, espera... ai! Você ta me machucando, cara.

—Desculpa. —Ele disse agora parecendo triste, eu não aguentava ver o Frank daquele jeito, era uma tortura. —Vamos, mas não faz barulho, se alguém acordar agente vai ter sérios problemas. —Ele disse enquanto passávamos pelo corredor.

—Claro, se alguém nos pega aqui serão 20 pontos a menos pra Grifinória.

Nós dois rimos.

Nós chegamos à recepção onde uma senhora velha de bigodes dormia (e roncava).

—Gee, espera aqui eu vou pegar a chave.

—Ok.

Frank foi devagar até o mural de chaves e pegou a chave da porta. A velha se mexeu e roncou alto, mas não acordou.

—Dessa vez foi fácil. —Disse ele enquanto destrancava a porta.

Nós fomos em direção ao jardim, eu só o seguia em silêncio. Passamos por um arbusto grande, até chegarmos á um lugar que parecia mais uma clareira. Afinal, aquele tal instituto ficava no meio de uma floresta ou o que?

—É aqui! —Ele disse se deitando na grama. —Eu venho aqui ás vezes pra olhar o céu, pensar.

—E como você descobriu isso aqui? —Eu disse me deitando ao seu lado.

—Foi na primeira semana que eu cheguei aqui, eu estava assustado e então sai correndo, acabei vindo parar aqui.

—Você nunca me disse é... sobre... qual é o seu problema, quero dizer o por que de estar nesse lugar.

—Quer mesmo saber?

—Sim.

—Ta bom, vou te contar. —Ele disse com um longo suspiro. —Eu nunca tive muitos amigos na escola, as pessoas me xingavam e me batiam, e eu nem sabia o por que. Eu tentei mudar de todas as formas possíveis pra que eles gostassem de mim, mas nada deva certo. Então um dia, eu tomei todos os remédios para depressão da minha avó, junto com vodka e algumas drogas, me acharam desmaiado no banheiro. Depois disso, minha mãe colocou pessoas pra me vigiar em todo o lugar que eu fosse, ela tinha medo de que eu tentasse suicídio ou algo assim, mas eu não queria cometer suicídio, eu queria fazer aquela dor parar, queria descobrir o que tinha de errado comigo, tudo o que eu tinha feito era mais um grito de socorro, entende? —Ele parou por um momento, acho era doloroso pra ele contar aquilo.

—Frank se você quiser parar, eu... eu não me importo, ok? Se você não estiver bem com isso...

—Não, não. Acho que eu preciso contar isso pra alguém mesmo.

O olhar ele me fez querer chorar, parecia tão vazio, eu queria poder fazer algo por ele, o confortar, até por que naquele momento ele era meu único amigo, acho que o único amigo verdadeiro que eu já tive.

—Eu não aguentava mais... —Ele continuou. —era sempre um passo pra frente e dois pra trás, eu não sabia quem eu era, e mesmo com todo o apoio da minha mãe eu ainda me sentia sozinho, como se ninguém realmente se importasse. E Então eu cortei meus pulsos o mais fundo que pude dessa vez a minha intenção era mesmo me matar, para mim a morte era a melhor saída. Eu perdi muito sangue, me levaram pro hospital. Infelizmente eu não tinha morrido. Foram tempos difíceis pra mim, tudo o que eu consegui ver era tristeza e a solidão me cegava. Os médicos sugeriram pra minha mãe me trazer pra cá, acho que ela gostou da idéia porque assim ninguém teria de saber sobre o filhinho ‘anormal’ dela. Eles disseram que eu tenho... depressão e bipolaridade. Eu sorrio o tempo todo porque talvez assim algum dia, um desses sorrisos vai ter realmente felicidade por trás dele. Eu quero mesmo me curar, sabe Gee, quero ser feliz de novo, acho que até esqueci como é... ser feliz.

—Eu vou te ajudar a ser feliz de novo, pode contar comigo, Frankie.

Eu me sentia horrível, eu achava que meus problemas eram terríveis e que não poderia haver ninguém que sofresse mais que eu. Só agora, aqui com o Frank eu pude perceber o quanto meus problemas eram insignificantes, o quanto eu era ignorante.

—Obrigada, Gerard. —Ele se virando para me olhar.

Lights will guide you home and ignite your bones, and I will try to fix you. —Comecei a cantar enquanto passava minha mão pelo rosto dele. Acho que é mesmo como dizem: ‘Quando as palavras falham, a única coisa que nos resta é a musica’.

—Vai cantar Coldplay pra mim agora, é?

Eu pude perceber as lagrimas brotando em seus olhos.

—Ei, Frankie não chora, isso é muito gay.

—Eu não to chorando, ok? —Ele disse rindo e enxugando os olhos.

Look at the stars, look how they shine for you. —Eu cantei de novo olhando pro céu.

Frank se aninhou em meu peito e fechou os olhos, eu o abracei. Acho que eu estava começando a me sentir em casa.

Notas finais
E então, mereço reviews?