Heróis Não Morrem Assim
4 Capítulo 3: Pressão Interna
A SAÍDA DA PALESTRA
Os portões do grande auditório se abriram com um estalo metálico, e uma onda de estudantes começou a sair para o enorme corredor principal da Academia Beriam.
A luz era forte. O teto parecia não ter fim. E banners gigantes com o rosto dos heróis mais famosos pendiam pelas paredes, como se observassem cada passo daquela nova geração.
Bartiriam caminhava junto com Kael, Lyria e Grom — embora seu olhar estivesse mais preso no chão do que na grandiosidade ao redor.
Primeiro dia... já parece outro mundo.
Mas Kael parecia viver outro tipo de realidade.
— Caraaaa... vocês viram aquela parte sobre o 'Teste de Sincronização'?! — Kael falava rápido, esbarrando nas pessoas sem nem perceber. — Eu ouvi que, se você falhar feio, pode até desmaiar! Isso não é um aviso... isso é uma ameaça, mano!
Lyria deu um tapa leve na cabeça dele.
— Desmaia não, Kael. Vão achar que você morreu e vão botar culpa em mim.
— Ei! — Kael reclamou, ajeitando os óculos tortos.
Grom, como sempre, só soltou um resmungo:
— Vocês dois falam demais...
Lyria sorriu com canto da boca, provocando:
— Grom, se você falar mais três palavras hoje, acho que a parede cai.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Duvido.
Lyria riu.
Mesmo assim, Bartiriam estava quieto. Muito quieto. Ele tentava absorver a energia do lugar, o cheiro metálico do corredor, o barulho dos passos, o tom animado de centenas de adolescentes cheios de sonhos... e ignorar aquilo no peito que apertava.
Lyria percebeu.
Ela andou até ele devagar, empurrando levemente o braço dele com o cotovelo.
— Ei...
Ela falou com uma voz um pouco mais suave.
— Você ficou pálido lá na palestra. Tá tudo bem mesmo?
Ele respirou fundo, escondendo a verdade de forma experiente — afinal, esconder dor era quase um dom dele.
— Tô sim... só processando tudo. É muita coisa, né?
— É — ela concordou. — Mas você parece forte. Um tipo de forte diferente.
Bartiriam desviou o olhar, meio sem jeito.
— Não sou tudo isso, não...
— Hm. — Lyria o observou como se enxergasse além do rosto dele. — Veremos.
Kael voltou pulando quase, animado demais para seu próprio bem.
— Gente, gente, vocês viram o painel ali na frente?! Vai mostrar agora QUE DORMITÓRIO cada um de nós vai ficar! Eu tô torcendo pra não cair com alguém que ronca. Minha vida já é difícil demais.
Grom bufou:
— Você ronca, Kael.
— EU!? Eu ronco?? Isso é calúnia grave, Grom Tarris!
Lyria riu alto. Bartiriam também — pela primeira vez desde que saiu da palestra.
Foi leve. Pequeno. Mas real.
O PRIMEIRO TESTE
Eles se aproximaram da multidão diante de um enorme painel digital azul que começava a piscar, pronto para revelar:
DORMITÓRIOS — TURMA INICIANTE 2016
• Setor A – Talentos de Combate
• Setor B – Estratégia e Suporte
• Setor C – Habilidades Especiais
• Setor D – Poderes Instáveis e Raros
O coração de Bartiriam bateu mais forte ao ver o último setor.
Poderes instáveis...
Ele engoliu seco.
Seu poder... seu Fluxo Interno... Aquele que corria como pressão viva dentro do corpo... Aquele que já quase o matou mais de uma vez quando criança... Aquele que ele mal entendia.
Será que ele cairia ali?
Kael colocou a mão no ombro dele como se lesse seus pensamentos.
— Cara... seja onde for que você cair, a gente vai tá junto. Nem que seja pra te visitar escondido no setor dos malucos perigosos! — ele riu.
Lyria cruzou os braços.
— É... achei que só eu tivesse essa impressão. — Ela olhou Bartiriam por um segundo. — Seu poder... parece forte. E perigoso.
Grom completou, simples e direto:
— Perigoso não é ruim. Só significa que você tem mais pra dominar.
Bartiriam respirou fundo.
Era isso. O começo de tudo.
AVALIAÇÃO DE PODERES
O pátio central estava cheio. O ar tinha cheiro de metal e vento frio — a assinatura da Academia Beriam.
Do portão metálico surgiu um homem musculoso, com uniforme preto, o símbolo da Academia brilhando em dourado no peito. O cabelo raspado, o olhar duro demais para ser de um professor comum.
Era o Instrutor Haldren Voss, conhecido como "O Julgador". Dizem que ele já reprovou candidatos pelo jeito de respirar.
Todo mundo ficou quieto.
— Vocês estão aqui porque acreditam que merecem ser heróis. — Haldren começou, caminhando entre eles. — Mas acreditar não é suficiente. Hoje vocês vão mostrar do que são feitos. Força, resistência, controle, lógica, coragem... e principalmente: limite.
O vento soprou forte, carregando poeira pelo pátio aberto.
— Primeiro teste: Apresentação de Poder.
Ele apontou para um semicírculo metálico com sensores brilhando em azul.
— Entrem um por vez. Usem seus poderes. Nada de exageros. Quem perder o controle... está fora.
Um sussurro nervoso percorreu o grupo.
Kael foi o primeiro.
Magro, tímido, mas com aquela postura de alguém que sabe muito mais do que demonstra.
— Nome: Kael Drunford.
— Habilidade: Cintilação Cinética.
Ele respirou fundo, levantou a mão... e pequenas faíscas luminosas começaram a tremer no ar ao redor dos dedos. A luz parecia se quebrar em linhas finas, vibrando como se fossem nervuras de energia pura.
De repente — PÁ!
Um clarão rápido percorreu o semicírculo, projetando um impulso que fez o chão vibrar levemente.
Haldren anotou algo no tablet.
— Controle adequado. Intensidade baixa. Ainda cru... mas promissor. Próximo.
Kael voltou para o grupo com um meio sorriso, e Bartiriam fez sinal de positivo. O garoto retribuiu tímido.
Lyria tomou a frente.
Ela andava com confiança, mas tinha aquele olhar de quem observa tudo. Prendeu o cabelo para trás, inspirou profundamente.
— Nome: Lyria Sevarin.
— Habilidade: Tessitura Sombria.
Uma sombra fina escorreu dos seus dedos, pairando pelo ar como tinta negra flutuante. A escuridão se esticou, formando formas... lençóis de trevas, como véus líquidos dançantes.
E então — shuuu — ela recolheu tudo no mesmo instante, sem que uma gota tocasse o chão.
O silêncio foi respeitoso.
Haldren ergueu o olhar.
— Refinado. Calmo. Perigoso se mal usado. Excelente controle.
Lyria soltou um sorrisinho convencido.
Agora foi Grom.
O grandalhão respirou fundo como se estivesse prestes a explodir. Se ajeitou. Cerrou os dentes.
— Nome: Grom Tarris.
— Habilidade: Colosso Ressonante.
Ele bateu o pé no chão uma única vez.
Um TUM profundo ecoou como trovão subterrâneo. O chão vibrou. O ar vibrou. Até o semicírculo vibrava como se tivesse sido atingido por uma fera gigante.
— FORÇA LIMITADA, TARRIS! — Haldren rosnou.
Grom ergueu as mãos imediatamente, desesperado.
— Foi mal! Foi mal! Eu sempre exagero quando fico nervoso!
O grupo riu baixinho. Até Bartiriam.
E então, todos olharam para ele.
Bartiriam sentiu o peito contrair. Ele avançou devagar.
— Nome: Bartiriam... apenas Bartiriam.
— Habilidade: Fluxo Interno.
A respiração dele mudou.
Ele virou a palma da mão para cima... E o corpo começou a pulsar por dentro. Luz, não visível — mas perceptível. A pressão interna aumentava como um motor acordando. Veias vibrando. Energia vital comprimida tentando escapar.
O chão sob os pés dele fez um estalo, como se estivesse sendo empurrado levemente.
As máquinas detectaram IMEDIATAMENTE:
⚠️ Atenção. Nível de pressão interna acima da média. Ajustando sensores.
Haldren ergueu uma sobrancelha.
Bartiriam respirou fundo... E apagou a luz interna.
Tudo voltou ao normal.
— ...isso é tudo. — disse ele, baixinho.
O instrutor ficou alguns segundos analisando-o.
— Interessante. Extremamente perigoso se usado sem disciplina...
Haldren inclinou o rosto.
— Mas você o domina com firmeza. Isso é raro.
Bartiriam apenas assentiu.
Os outros o olharam com surpresa. Ele nunca falava muito, mas agora perceberam que algo naquele garoto... era diferente.
Kael cochichou para Lyria:
— O que ele fez ali? Pareceu que... não sei, o ar ficou mais pesado.
Lyria estreitou os olhos.
— Ele comprimiu a própria energia vital. É como segurar uma explosão dentro do corpo. Se perder o controle...
— Explode? — Kael arregalou os olhos.
— Pior. Implode. O corpo colapsa de dentro pra fora.
Kael engoliu seco.
— ...Caralho.
TESTE DE COMBATE
Instrutor Haldren bateu palmas.
— Muito bem! Próximo teste: Combate em Arena.
Ele apontou para um portão de ferro que começou a se erguer com um estrondo que ecoou por todo o pátio.
Atrás dele havia uma arena enorme, circular, cercada por paredes metálicas de dez metros, cheias de sensores e painéis que se moviam como criaturas vivas. O chão mudava de textura, criando obstáculos, rachaduras e plataformas elevadas.
Era um campo de batalha artificial.
E ninguém ali parecia pronto.
Haldren avançou para o centro da arena.
— Aqui vocês vão usar seus poderes sob pressão. Quero ver estratégia, não brutalidade. Controle, não desespero. Frieza, não arrogância.
Os alunos se entreolharam, tensos.
— Primeira formação...
Haldren encarou Bartiriam e seus três novos amigos.
— Vocês quatro. Entrem.
Um silêncio pesado caiu.
Grom abriu um sorriso animado.
Lyria ergueu uma sobrancelha, confiante.
Kael parecia prestes a vomitar.
Bartiriam apenas respirou fundo.
Eles entraram.
Assim que a porta fechou, uma voz robótica soou:
"CONFIGURAÇÃO: ARENA MÓVEL — DIFICULDADE MÉDIA."
O chão se dividiu em placas metálicas que mudaram de posição, criando plataformas, colunas retráteis e corredores estreitos. As luzes ficaram mais intensas.
Haldren ergueu o punho.
— O combate será em duplas. Primeiro...
Ele olhou para Bartiriam.
— Bartiriam e Kael.
Depois para os outros dois:
— Contra Lyria e Grom.
Kael arregalou os olhos.
— Quê?!
Grom bateu os punhos com um sorriso enorme.
— AGORA A COISA FICA INTERESSANTE!
Lyria apenas deu um passo à frente, o olhar afiado e tranquilo.
Bartiriam... se posicionou. Nenhuma reação. Mas por dentro, sua energia começava a pulsar.
FASE 1: FORÇA BRUTA
A buzina soou:
BEEEEEEEEEP!
Grom avançou primeiro.
Correndo como um touro, cada passo dele fazia o chão vibrar.
Kael gritou:
— BARTIRIAM, ELE VEM NA MINHA DIREÇÃO!!
— Eu percebi.
Grom pulou, erguendo o punho.
Bartiriam deslizou para o lado, agarrando Kael pela camisa e o puxando junto.
BOOOOOOM!
O soco de Grom explodiu no chão, rachando a plataforma inteira.
Kael respirou rápido:
— Cara, ele tá tentando MATAR alguém!
— Ele só é intenso demais. — Bartiriam respondeu.
Grom sorriu:
— CHAMEM DO QUE QUISER! EU TÔ ME DIVERTINDO!
FASE 2: CONTROLE DO CAMPO
Lyria apareceu atrás deles.
Sem som. Sem passos. Sombras escorriam pelo chão como tinta negra líquida.
Ela levantou a mão.
— Tessitura Sombria: Véu Enforcador.
Linhas de sombra surgiram ao redor do pescoço de Kael e Bartiriam como laços tentando puxá-los para trás.
— Bartiriam!! — Kael gritou.
Bartiriam cerrou os dentes. A energia vital explodiu por dentro do corpo dele, invisível, mas tão intensa que fez o véu escuro estremecer.
CRAACK—SHUUU!
A sombra se desfez.
Lyria arregalou os olhos.
— Conseguiu romper?
Bartiriam não respondeu. Ele só avançou.
Grom voltou à luta. Com um salto absurdo, ele caiu como um meteorito entre Bartiriam e Kael.
DOOOOOOM!
A onda de impacto jogou os dois para trás. Kael rolou pelo chão, gemendo. Bartiriam caiu de joelhos, o corpo vibrando de dentro pra fora.
— Kael, levanta! — Bartiriam gritou.
— Eu tô tentando...! Isso dói, tá!?
Lyria e Grom recuaram, preparando um ataque coordenado.
Eles estavam encurralados.
FASE 3: O MOMENTO DA DÚVIDA
Lyria ergueu as mãos e criou uma sombra enorme, serpenteante.
Grom carregou a força no punho, o braço tremendo.
— TESSITURA SOMBRIA: COBRA-ANEL!
— RESSONÂNCIA: SOCÃO DEVASTADOR!!
Kael tremia, mãos fracas. As faíscas ao redor dos dedos dele piscavam irregularmente.
— Eu não consigo... não sou forte o bastante.
Bartiriam segurou o ombro dele. Seus olhos eram calmos. Firmes.
— Você não precisa ser forte sozinho.
Algo no olhar dele fez Kael respirar fundo.
— ...Ok. Ok, eu confio em você.
Bartiriam sorriu levemente.
— Então solta tudo. Eu amplifico.
FASE 4: A VIRADA
Lyria lançou a sombra.
Grom lançou o golpe junto.
E então Bartiriam abriu os olhos.
A energia interna dele explodiu com força suficiente para rachar o chão sob seus pés.
Ele segurou Kael pelo braço.
— Solta tudo. Agora.
Kael gritou, liberando a maior rajada cinética do dia.
Ao mesmo tempo, Bartiriam canalizou sua energia vital como um amplificador, fazendo a rajada de Kael triplicar em potência.
FOOOOOM!!!
A explosão de luz saiu como um canhão.
A sombra de Lyria se dissolveu instantaneamente.
Grom foi atingido em cheio e jogado para trás como se tivesse levado um tiro de bazuca.
BOOOOOOOOM!
O gigante rolou pelo chão, parando com um gemido.
Lyria caiu de joelhos, ofegante pela contra-força.
E então...
A buzina tocou.
BEEEEEEEEEP! — FIM DO COMBATE.
O JULGAMENTO
Silêncio total.
Haldren caminhou até a arena. Parou diante dos quatro.
O instrutor analisou os sensores, depois olhou para eles.
— Resultado:
Ele respirou.
— Combate intenso. Risco calculado. Estratégia improvisada. Trabalho em equipe... eficiente.
Bartiriam segurou o ar.
Kael tremia de adrenalina.
Grom estava deitado sorrindo.
Lyria parecia irritada... mas impressionada.
Haldren fechou o tablet.
— Vocês passaram.
Um alívio coletivo percorreu os quatro.
Haldren então apontou para Bartiriam.
— E você...
Ele fez uma pausa longa.
— Vamos conversar depois. Seu controle é impressionante demais para um iniciante.
O coração de Bartiriam gelou.
Mas antes que pudesse falar, Haldren virou de costas e saiu.
DEPOIS DA BATALHA
Os quatro saíram da arena cambaleando. Grom precisou de ajuda para se levantar. Kael respirava como se tivesse corrido uma maratona. Lyria ajeitou o cabelo, mas não tirava os olhos de Bartiriam.
— Você... — ela começou. — O que foi aquilo?
Bartiriam desviou o olhar.
— Só usei meu poder.
— Não. — Lyria se aproximou. — Você não só usou. Você amplificou o poder do Kael. Como?
Kael olhou entre os dois, confuso.
— Espera, o quê?
Grom, massageando o ombro, comentou:
— Eu senti também. Quando aquela rajada me acertou... não era só luz. Tinha algo mais. Algo... vivo.
Bartiriam respirou fundo.
— Meu poder funciona com pressão interna. Energia vital comprimida. Eu consigo... canalizar ela pra fora. E quando eu faço isso perto de outro poder...
Ele hesitou.
— ...eu posso intensificar ele.
Silêncio.
Kael arregalou os olhos.
— Cara. Isso é INSANO.
Lyria cruzou os braços, pensativa.
— É mais do que insano. É estratégico. E perigoso.
Grom assentiu.
— Você podia ter amplificado demais e me matado.
Bartiriam baixou a cabeça.
— ...Eu sei.
A expressão dele ficou pesada.
— Por isso eu tenho medo de usar. Se eu perder o controle...
Ele não terminou a frase.
Lyria tocou o ombro dele, suave mas firme.
— Então a gente vai te ajudar a não perder.
Kael concordou imediatamente.
— É. Somos um time agora, né? E times não deixam ninguém cair.
Grom bateu no peito.
— Pode contar comigo.
Bartiriam olhou para os três. Pela primeira vez em anos, sentiu algo que havia esquecido:
Não estava sozinho.
Ele sorriu. Pequeno, mas genuíno.
— ...Obrigado.
A CONVERSA COM HALDREN
Mais tarde, Bartiriam foi chamado ao escritório do instrutor.
A sala era pequena, cheia de troféus antigos, fotos de heróis aposentados e um ar pesado de história.
Haldren estava sentado atrás da mesa, os dedos entrelaçados, o olhar penetrante.
— Senta.
Bartiriam obedeceu.
Haldren ficou em silêncio por longos segundos, apenas observando.
— Seu controle é bom demais. Preciso demais. — Ele se inclinou para frente. — Ninguém chega aqui dominando um poder instável desse jeito sem ter passado por algo.
Bartiriam engoliu seco.
— ...Eu treinei sozinho. Desde criança.
— Por quê?
A pergunta veio como uma lâmina.
Bartiriam hesitou.
— Porque... eu tinha medo de machucar alguém.
Haldren estreitou os olhos.
— Ou porque alguém que você amava machucou outras pessoas com o poder deles?
O sangue de Bartiriam congelou.
— Como você...?
— Eu conheço esse olhar. — Haldren se recostou. — Já vi antes. Em heróis que carregam culpa que não é deles.
Ele abriu uma gaveta e puxou uma ficha antiga. Colocou na mesa.
Bartiriam viu os nomes.
[ARQUIVADO] — Heróis Falecidos: [REDACTED] e [REDACTED]
Filho: Bartiriam [SOBRENOME OCULTADO]
Lágrimas começaram a arder nos olhos dele.
— Você sabia?
— Eu desconfiei. — Haldren respondeu. — E agora confirmei.
Ele fechou a pasta.
— Seus pais foram heróis de verdade. E morreram por isso.
Bartiriam apertou os punhos.
— Eles foram assassinados. E o mundo chamou de suicídio.
Haldren não negou.
— Eu sei.
Silêncio.
— E você está aqui pra provar que eles estavam certos. — Haldren continuou. — Que ser herói ainda vale a pena.
Bartiriam assentiu, a voz presa na garganta.
Haldren se levantou e caminhou até a janela.
— Então escuta bem, garoto. Esse caminho vai doer. Vai arrancar pedaços de você. Vai te fazer questionar tudo.
Ele olhou para trás.
— Mas se você aguentar... você pode se tornar o tipo de herói que esse mundo esqueceu.
Bartiriam limpou os olhos e ergueu o rosto.
— Eu não vou desistir.
Haldren sorriu. Pela primeira vez, um sorriso genuíno.
— Bom. Porque eu não pretendo te deixar.
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