Heróis Cônjuges

2 ❥ 02 — Vamos fugir.


Notas iniciais
Olá, queridos. ♥ Queria agradecer os reviews do primeiro capítulo da minha fanfic :) Fiquei muito feliz, SÉRIO! Particularmente, eu não esperava que iria conseguir algum comentário, por ser a primeira história da categoria, mas descobri que realmente haviam pessoas esperando por fanfics brasileiras de Miraculous Ladybug... então, muito obrigada! Vocês são uns amores! ♥ ♥ ♥

Joaninhas são sinal de sorte”, disseram. “Algo bom está por vir”, repetiram.

Tudo besteira.

Ladybug pulava de telhado em telhado, tentando esquecer os acontecimentos medíocres daquele dia horrível. Seu destino? Qualquer lugar, desde que estivesse longe do contato com a civilização. Estava sendo uma criança birrenta sim, mas quem se importa? Pois ela não ligava. Encontrava-se irritada a ponto de explodir.

Acordou atrasada, o que deveria ser o usual, entretanto, dessa vez estava mais atrasada do que nunca esteve. Faltavam dez minutos para a aula começar, e Marinette ainda estava na cama. Mal dera tempo de escovar seus dentes ― o que era nojento, aliás. Com a falta de tempo e a pressa insana, mal notara que vestira sua camisa ao contrário. Sim, ridículo de todas as formas, e algo que seria motivo de piada para Chloe.

Depois do constrangimento, a professora passou um trabalho de história em dupla ― as quais eram sorteadas ― para a turma. Com sorte, Marinette ficou com Alya, o que era bom pois da última vez fora obrigada a fazer um trabalho junto com Sabrine e a loira azeda, o que não foi tão agradável. Mas, claro, como já repetido, estava num péssimo dia, portanto, a felicidade durou pouco.

Adrien e Chloe formaram uma dupla, e ela insistia em esfregar isso na cara da morena. Alya teve de segurar ela para que não voasse no pescoço daquela garota metida.

No meio da aula, Marinette pediu para ir ao banheiro. Queria conversar um pouco com Tikki, normalmente isso a animava e seria a única maneira de alegrar seu dia. Infelizmente, sem querer, ao lavar suas mãos, a torneira estourou e molhou suas calças. Novamente as piadinhas voltaram.

Para fechar com chave de ouro o seu dia, esqueceu de fazer suas atividades de matemática, o que lhe trouxe um lindo ponto negativo para a próxima prova.

Finalmente, depois de horas exaustivas, a noite chegou, e com ela a alegria de poder se transformar em Ladybug e poder relaxar. Decidiu ir para a Torre Eiffel, onde poderia lhe proporcionar uma bela visão de toda a Paris. Era calmo lá em cima. Sentia o vento da noite esfriando suas bochechas e levando para longe o que lhe tinha de raiva e nervos. Não haviam nuvens no céu, portanto a lua iluminava todos os cantos escuros das ruas e as estrelas brilhavam como nunca. Pelo menos o clima estava à seu favor.

Gostava de sentar-se na torre. A iluminação fazia com que Ladybug se sentisse num festival de cores, o qual não queria abandonar nunca. Era bom ficar lá e não ter o medo de cair.

― Perdida em seus devaneios, my lady?

Virou seu rosto e encontrou os olhos esverdeados e o sorriso malicioso de Chat Noir. Estava em pé a alguns passos de distância, fitando-a. Seus fios dourados brilhavam com intensidade por conta das lâmpadas fortes: estava charmoso, mesmo que ela nunca fosse admitir isso em voz alta. Não sabia há quanto tempo ele estava ali.

Assim como Marinette, Adrien não tivera um dia tão bom. Primeiro, sua dupla no trabalho de história. Não desgostava de Chloe por completo, afinal, a conhecia desde os cinco anos, mas sua extrema admiração por ele o irritava. Era grudenta demais.

Claro, não era isso que iria estragar o seu dia. Estava ansioso, Nathalie dissera que hoje seu pai iria almoçar junto ao rapaz, o que o deixou alegre na hora. Ao menos dez minutos de atenção que Gabriel poderia oferecê-lo.

“Seu pai teve uma reunião de última hora.”

Isso o destruiu por dentro.

Como podia um próprio pai não sentar à mesa e perguntar sobre o dia de seu filho? Isso deixava Adrien indignado, mas principalmente triste. Ele não era assim antes. Pelo menos não antes da morte de sua mãe.

Ah, como as coisas seriam melhores com ela por perto.

― Você parece abatida. Algo ocorreu? ― Ele perguntou, com seu sotaque francês puxado. Ladybug suspirou.

― Meu dia não foi um dos melhores, Chat ― respondeu, e encarou o maior que continuava em pé, no entanto, agora parecia entristecido.

― Parece que somos dois. ― Ele disse, quase em um sussurro, que, se não estivessem sozinhos, ela nunca teria escutado. Não queria revelar sua verdadeira identidade nem descobrir quem era Chat Noir por trás de sua máscara negra, mas ele é seu melhor amigo, portanto ficava curiosa sobre a vida pessoal dele. O que o fez ficar tão desanimado?

Deu tapinhas leves no ferro onde estava sentada e sorriu.

― Quer se sentar?

E o fez. Ambos ficaram calados, pois palavras não eram necessárias, apenas aproveitando a companhia de um e do outro. Não era o tipo de silêncio constrangedor onde você pensa em mil assuntos apenas para quebrar aquele clima estranho. Era confortável estar ali com ele. Aquela serenidade trazia justamente o que ela estava procurando o dia inteiro: um momento de silêncio. Uma maneira indireta de dizer: “Eu sei como você está se sentindo”.

Suspiraram simultaneamente. Seria engraçado se não fosse trágico.

― Sabe, nós deveríamos fugir.

Ladybug virou para encará-lo.

― Desculpe, o que disse?

― Nós dois. Fugir dessa... pressão de super herói. Fugir dos amigos, da escola e de nossos pais ― dizia fitando as estrelas com um olhar sonhador. Seus olhos eram como duas esmeraldas brilhando à luz da lua. A garota sorriu.

― Sim, deveríamos ― murmurou melancólica. Subitamente, Chat Noir levantou, estendendo sua mão à ela.

Disse com uma voz baixa e maliciosa:

― Vamos fugir, my lady?

O sorriso de Ladybug aumentou, ela segurou a mão de seu companheiro num sinal de concordância, e ele lhe puxou para que ficasse em pé. Dançaram, mesmo que nenhuma música estivesse tocando, rodopiando de um lado para o outro, rindo sem o medo de cair.

― Nantes, o que acha? ― Falou no meio da dança animada e improvisada dos dois. ― Agora mesmo podemos mostrar nossas verdadeiras identidades, percebendo que estamos loucamente apaixonados, e fugir para Nantes. Uma boa ideia, não?

― Claro! Que tal nos casarmos, também?

― Você é cheia de ideias brilhantes, querida.

Gargalharam, e depois de um tempo criando um falso futuro juntos, pararam de rodopiar. Se encaravam com rostos sorridentes.

― Obrigada, Chat ― disse, dando-lhe um beijo no rosto. Ele arregalou os olhos, indignado, todavia, logo a expressão foi substituída por um rosto apaixonado.

― Disponha, my lady ― falou numa reverência. ― Te vejo amanhã?

― Com certeza, gato tolo ― piscou e se jogou da torre. Chat pôde ver sua donzela pular de telhado em telhado.

Ficou ali parado por alguns minutos, tentando racionar o que havia acontecido. Conseguia prever Plagg dizendo coisas do tipo: “Você estava bem charmoso lá em cima” num tom sarcástico, mas não se arrependia de nada.

Colocou uma mão no rosto, tentando esconder a vergonha.