Herói ou Vilão?

7 Herói - Capítulo 6


Notas iniciais
Uhuul, trouxe mais um capítulo para vocês!!!! Espero que gostem.

Envolver mais gente nessa história de “super-herói” não é uma ideia tão inteligente, afinal, quanto maior o número de pessoas que sabem, maior a chance de ser descoberto. Mas é indiscutível que nós precisávamos da ajuda de Cora.

— Os meus pais têm uma casa vazia no sul da cidade que não está sendo usada, ela precisa de muitas reformas para ser alugada e eles não têm tido tempo para isso. O lugar não é imenso, mas é bem afastado então a gente pode fazer o que quiser em chamar atenção, e a casa é bem acessível para você, Oliver. Vai conseguir transitar pelo lugar com facilidade. – Cora mostra as fotos do lugar para nós.

Estamos os três sentados na área externa da Academia, o dia está agradável e a grama faz cócegas nos nossos pés descalços.

Estamos fora do horário de trabalho deles, por tanto os dois não usam seus jalecos. Estou acostumado com essa imagem de Oliver, vejo-o mais fora da Academia do que dentro, mas Cora sem sua armadura roxa e sua prancheta-escudo é uma grande novidade.

Ela veste uma blusa vermelha de gola alta e mangas compridas e uma calça jeans. O vermelho da blusa destaca seus olhos castanhos hipnotizantes e parece o meu paraíso. É quase impossível de desviar o olhar.

— O que foi? – Ela pergunta quando a encaro pela décima vez. Fico sem graça com a pergunta, enquanto Oliver morde os lábios tentando disfarçar a risada.

Nesses momentos tenho vontade de derruba-lo.

— Hum... Seu relógio está me distraindo. – Minto.

— Ah eu me esqueci desse detalhe, desculpe.– Ela apoia o celular na grama e tira o relógio pulso, colocando-o no bolso.

Sinto-me mal, pois, hoje, a última coisa que eu prestei atenção foi no relógio dela.

— Você não precisava tirar. – Digo, mas ela dá de ombros e pega o celular novamente. – Obrigado. – Murmuro, porque apesar de ter sido uma mentirinha, o gesto dela significou muito, pois normalmente relógios são mesmo um caos para minha cabeça, mas, assim como qualquer outra pessoa, ela não tem a obrigação de fazer nada em relação a isso.

— Voltando... A casa não está mobiliada o suficiente para alguém morar, mas tem móveis o suficiente para montarmos uma versão menor e um pouco menos sofisticada do que temos aqui na Academia.

— Acho que consigo alguns equipamentos antigos emprestados, tem muitos no depósito daqui...

— Vocês acham realmente necessário isso? Quero dizer, o aplicativo do Oli funciona e eu estou sempre fazendo os testes da Academia. -

— O aplicativo está rodando em algum dos computadores daqui. Você não disse esses dias que o supervisor está te perturbando? Tenho certeza que não vai conseguir manter o aplicativo com ele em cima. – Ela diz, se direcionando ao meu amigo.

— É verdade, o aplicativo precisa de atualizações há uma semana, mas não consegui fazer porque ele fica o tempo todo me vigiando.

— Viu? – Ela vira pra mim.

Convencida.

— Além disso, — continua – o que você está fazendo não está dentro dos nossos livros. Os diretores estão morrendo de medo de você fazer alguma coisa que estrague tudo o que acreditamos, por eles, você nem saía da sede. O meu avô não pode nem imaginar que Oli e eu estamos te ajudando a por sua própria vida em risco.

— Ok, ok. Nós precisamos desse lugar, entendi.

— Estamos num seriado de super heróis! – Oliver balança os braços muito animado. – Sabe o que isso significa Cora?

Ela balança a cabeça negativamente para ele, que sorri maleficamente.

— Isso significa que você é a garota que vai ficar com o mocinho no final.

— Oliver! – Cora e eu jogamos grama nele que gargalha com força. Acabamos rindo com ele, já que é impossível não se contagiar.

Com o tempo parecendo mais devagar, consigo capturar o exato momento em que Cora olha na minha direção rindo, mas com as bochechas ruborizadas e um brilho diferente no olhar.

É nesse momento que meu coração se joga da ponte em direção à loucura.

☺ ☹

Atchim.

Encaro Cora, que põe o braço sobre o rosto para conter outro espirro. Seu nariz está levemente vermelho, mas ela não parece abatida.

— Saúde. – Desejo e ela agradece balançando a cabeça enquanto coloca o braço sobre o rosto novamente.

— Podemos começar logo essa limpeza? – Outro espirro. – Ou acho que minha alergia vai me matar.

— Vocês podem ir limpando que eu vou levando algumas caixas para dentro. – Oliver grita do lado de fora de casa.

— Pega os baldes que eu já volto. – Digo à Cora que imediatamente faz uma careta.

— Você vai me deixar fazendo tudo... – Ela começa a reclamar, mas já desapareci de vista. Corro até uma lojinha não muito longe, o atendente toma um susto porque esqueço de me transformar do lado de fora. Felizmente ele pensou que tinha apenas se distraído por um momento.

Pego o que preciso na loja, pago e vou em direção à outra, para aproveitar a viagem e comprar um lanche para nós. Peço várias opções, sem saber o que Cora gosta. Oliver e eu não teremos problemas com a quantidade.

Em menos de cinco minutos estou de volta à casa que será nossa nova cede secreta. Paro em frente a uma Cora brava com uma vassoura na mão.

— Você me deixou falando sozinha. – Ela reclama.

— Desculpa, eu fui comprar isso. – Levanto as sacolas. Consigo ver a interrogação em seu olhar enquanto ela pega as sacolas da minha mão. Ponho os lanches em uma caixa de isopor que trouxemos para podermos comer quando quisermos.

Cora tira o material da sacola: luvas, máscaras e óculos de proteção.

— Pensei que talvez isso facilitasse a limpeza, já que você é alérgica.

Cora sorri para mim, ainda segurando as sacolas.

— Obrigada. – Ela distribui o material entre nós. Enquanto ela leva alguns para Oliver também, eu tento por uma luva na mão esquerda, já que a mão e direita já carrega uma luva.

Começamos a limpeza da casa. Felizmente o lugar não está deteriorado, as reformas que Cora havia se referido eram mais visuais, para favorecer no mercado imobiliário, mas não fariam diferença para nós. Limpamos a sala de um jeito mais rápido para Oliver conseguir colocar as caixas que carregava, todas as entradas da casa têm rampas, logo ele não teve dificuldade com as caixas.

Passo uma vassoura nas paredes para tirar as teias de aranha e Cora limpa alguns poucos móveis. Ela está focada em tirar uma mancha engordurada da mesa. Uma das janelas recém limpa lança uma luz quase mágica sobre a garota. Seu cabelo castanho, preso em um coque meticulosamente bem feito, brilha sob luz quase como ouro.

Ela tem uma beleza que deveria estar em um museu para todos apreciarem. Absolutamente encantadora. Se eu soubesse, faria um pequeno favor à sociedade e pintaria um retrato fiel, para que todos possam apreciar devidamente.

— Alec. – Oliver chama alto, do outro cômodo.

Despertado, dou um rápido passo para trás. Para o meu azar, exatamente atrás de mim está um balde de água suja. Esbarro no balde, derrubando-o e escorregando na água. Vejo-me caindo em câmera lenta, mas não consigo mudar a posição da minha perna de forma que eu consiga me equilibrar. Aterrisso de tudo com a bunda no chão.

Cora se vira rapidamente, assustada. Ela me encara em silêncio.

Encaramo-nos em silêncio.

Então ela estoura em uma gargalhada. Ri a ponto de se curvar e apoiar as mãos nos joelhos.

— Ai meu Deus, o seu cabelo. – Ela aponta e continua gargalhando.

Não consigo ficar bravo por ela estar rindo, seu sorriso enorme me contagia como mágica. Acabo rindo também.

Quando finalmente paramos de rir, ela estende a mão para me ajudar a levantar. Não preciso de ajuda, mas aceito a sua mão pelo simples fato de ter uma desculpa para tocá-la.

Não sinto sua pele por causa das luvas, mas sua mão é macia como a de uma princesa e firme como a de uma cientista que passa horas fazendo experimentos minuciosos. Nossos olhos se encontram e ficamos os dois parados, eu a meio caminho de levantar e ela inclinada me ajudando.

Nesse momento, eu agradeço por tudo se passar mais devagar à minha volta, pois assim posso estar no momento por mais tempo. Tempo suficiente para gravar tudo em minha mente. Meu cérebro criou uma pasta para todos os detalhes de Cora. Acho que conseguiria visualizá-la mesmo de olhos fechados.

— Que barulho é esse? Vocês já estão se matando? – Oliver aparece na porta quebrando completamente o encantamento do momento. Termino de levantar e solto a mão de Cora, que a esconde atrás das costas. O rubor no seu rosto é fofo e tenho vontade de apertá-la.

— Escorreguei. – Dou de ombros sem olhar na direção dele.

— Você ofende o seu poder. – Ele balança a cabeça divertido e volta para o outro cômodo.

Cora e eu continuamos limpando tudo. Em algum momento Oliver coloca música em uma caixa de som e a arrumação se torna um pouco mais animada. Paramos apenas para comer, sentados em cadeiras que tiramos do pequeno caminhão que alugamos – este foi dirigido por Cora, já que ela é a única que sabe como fazer.

Depois do lanche, conseguimos organizar as caixas em cada cômodo. Oliver e eu montamos alguns dos equipamentos – ele instruindo e eu fazendo a prática. Mas, no final do dia, quando nos preparamos para ir embora, ainda há muitas caixas para organizar.

— Acho que podemos vir organizar separados. Quem tiver um tempo extra, vem e faz o que der pra fazer. – Cora sugere. Oli e eu concordamos com ela.

Meu amigo parece preste a fazer uma sugestão, entretanto, o estranho volta a acontecer. Ele para completamente a frase que se formava em sua garganta e encara minha mão enluvada. Faço o mesmo. As partículas de poeira voltaram e a pedra está um pouco mais quente, é como no dia da Academia, porém mais amena.

— Ele está me procurando. – Digo baixinho. Os meus amigos arregalam os olhos e se aproximam de mim, olhando em volta. – Acho que não sabe que estou aqui, mas se ficar passando, ele vai descobrir por causa da pedra.

— Precisamos ir embora. Não podemos correr o risco de ele descobrir nossa nova base.

Se eu não estivesse tão preocupado, com certeza teria pulado de empolgação ao ouvir isso. Sinto-me cada vez mais em um quadrinho de heróis.

— Sim, mas não juntos. – Digo e eles me olham com interrogação. – Vocês dois vão com o caminhão pela estrada normal. Caminhões nessa área são comuns demais. Vão usar bonés também, assim não criam nenhuma memória visual na cabeça dele caso ele os veja. Eu vou me afastar ainda mais e depois fazer uma volta, para me aproximar pelo outro lado e despistar ele. Vou fingir que estou entrando em algum prédio afastado da zona norte, talvez isso o deixe encucado com aquela parte por um tempo.

— Você não acha que ele vai tentar te seguir?

— Eu tenho um GPS das sombras, imagino que ele também não tenha. De qualquer forma precisamos tentar.

Ele não pode chegar ainda mais próximo de mim.

O que vai acontecer?

Ele já sabe que são meus pais, onde eles moram. Foi uma péssima ideia ir direto para a casa deles.

Será que ele vai usar isso a seu favor?

O que vai acontecer com meus pais?

É nessa hora que descobrimos que os maiores pesadelos vêm daquilo que não conhecemos.

Eu não sei nada sobre ele.

Ele sabe tudo sore mim.

— Vamos logo, Oli. – Cora ajuda Oliver com a cadeira de rodas até o caminhão. Eu tranco as portas do lugar e coloca a chave dentro do caminhão. Após ajudar meu amigo, a garota corre para o lado do motorista. – Traga os bonés.

Ela dá partida no caminhãozinho e sai pelo caminho. A rua é asfaltada, mas ainda tem muito mato nos dois lados, então as pessoas não gostam muito de passar por aqui.

Corro em alta velocidade até a mesma lojinha de antes, dessa vez lembrando de me transformar antes do lado de fora. O homem atrás do balcão me observa pegar dois bonés pretos em um porta-chapéus ao lado da porta. Existe uma pequena camada de poeira em cima dos bonés.

— Pode me emprestar um espanador, por favor? – Peço, enquanto ando até o caixa com os objetos, passando pela pequena fileira de bebidas alcóolicas de origem duvidosa. O homem da de ombros e me entrega o espanador pendurado na parede.

Ele usa um chapéu de abas estilo explorador, um óculos redondo grande e uma camisa escrita “salvem os coalas”. Não entendo muito o visual, levando em conta o lugar. A vila onde ficam as lojinhas sequer tem árvores. É quase como ver uma diva pop vestida para o palco entrar num senado cheio de pessoas engravatadas.

— Obrigado. – Entrego o espanador e o dinheiro para os bonés.

— Alguma aventura para hoje? – O cara pergunta tentando ser legal.

— Uma das grandes. – Respondo. – Fuga arquitetada. Deveria ser um esporte olímpico. – Sorrio pra ele e saio da loja.

Corro pelas ruas até alcançar o caminhão, entro na janela e transformo apenas os bonés em cima do rádio. Tenho tempo de ouvir a risada dos dois ao perceberem os objetos parecendo magicamente.

Depois disso, acelero com tudo na direção oposta, me afastando ainda mias da cidade. O mato se fecha cada vez mais e eu me aventuro dentro dele. Passo perto de uma cobra que assusta com minha forma e se afasta num deslize acelerado. Dou a volta num morrinho onde algumas vaquinhas se aventuram.

Então começo a dar a volta, paro algumas vezes para olhar o Google Mapas no celular – a internet parece feita na época das cavernas e eu tenho vontade de bater a cabeça em uma pedra para ver se o tempo passa mais rápido.

Finalmente chego ao outro lado. A pedra na minha mão volta a soltar poeiras, que aumentam cada vez mais. Quando vejo que a poeira se tornou muito grande, ajeito a luva de forma que não dê pra perceber nada e ando normalmente pela rua.

De repente, sinto-me observado. Ele está aqui.

Consulto meu celular algumas vezes e me aproximo de um prédio meio abandonado. Olho para os dois lados, tentando parecer o mais suspeito e me transformo – totalmente ciente que ele está vendo – para entrar debaixo da grade. Corro para uma parte muito bem escondida e o espero entrar.

O outro portador espera alguns segundos antes de emergir por debaixo da grade também. Ele percorre o grande salão principal do prédio em alta velocidade, me procurando. Faz isso por uns dois minutos, mas quando percebe que não estou em lugar nenhum, ele se transforma.

Seguro a respiração instintivamente, surpreso.

O homem que surge é ainda mais alto que eu, deve ter quase dois metros. Sua pele é muito pálida e o cabelo muito preto. Não consigo ver seu rosto, já que ele está de costa para mim. Ele usa um grande sobretudo preto que vai quase até o seu calcanhar. E o mais bizarro de tudo: ele não usa luvas.

Ele não as usa porque não há absolutamente nenhuma pedra em suas mãos.

Notas finais
E ai? O que acharam dessa primeira aparição de verdade? Admito que quis surtar um pouco KKKKK. To empolgadona pro próximo, então não devo demorar pra voltar. Comentem o que estão achando. Beijinhos S2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.