Herói Anônimo

15 Harpia inconveniente


Notas iniciais
Sem enrolação! Só vamos!

Capitulo 15

*Comentários do registro*

— Vou resumir os acontecimentos seguintes pra vocês: Eu e Peggy voltamos para o acampamento e encontramos com Clarisse e Lee Fletcher no caminhos, os sortudos que conseguiram as coroas, batemos um papo até chegar no acampamento e nos reunirmos com a maioria do pessoal. O problema foi que nem Percy e nem Annabeth voltaram, não tivemos sinal de ninguém, então saímos para fazer uma busca nos bosques.

— Depois de um bom tempo procurando, Clarisse encontrou os dois praticamente sendo ejetados do Punho de Zeus... Isso deu um B.O. que vocês não imaginam, todos fomos dormir e na manhã seguinte foi feita uma reunião onde decidiram realizar uma missão e entregaram a liderança para Annie, coitada...

*Narrativa*

— Ei, você está bem? – Ernest perguntou de seu beliche quando Annabeth passou pela porta do chalé de Atena e se dirigiu à biblioteca no fundo.

— Estou... Só... – A garota parecia abatida, mas respirou fundo e completou enquanto remexia em livros e pergaminhos – Preciso fazer umas pesquisas e, bem, descansar... Está sendo um longo dia.

— Uhm – O rapaz apenas de remexeu na cama, achando uma posição mais confortável – Qual o objetivo da pesquisa?

A filha de Atena voltou para a escrivaninha com uma pilha de documentos e livros nos braços, abrindo o primeiro livro e folheando-o.

— O Labirinto de Dédalo... Ele é nossa missão. Agora com licença, tenho muito a preparar.

— Quer ajuda?

— Não, só saia.

O rapaz se levantou, pegou o cinto onde estavam presas as bainhas com as facas e saiu do chalé, deixando a menina sozinha.

(...)

— Certo, então quer dizer que vocês vão até o Labirinto...

— Exato.

— Procurar a oficina de Dédalo...

— Prossiga.

— E convence-lo a não ajudar Luke, pegando o fia de Ariadne?

— Eu não poderia ter dito melhor – Annabeth deu um fraco sorriso para Ernest.

— Não quer que eu vá?

— Já estou transgredindo as regras levando duas pessoas a mais, melhor não abusar...

— Certo – O rapaz tocou a testa da irmã com o dedo indicador – Cuide-se certo? Se precisar de alguma coisa dê um jeito de entrar em contato, ok?

A filha de Atena sorriu um pouco mais determinada e se virou chamando por Percy, que conversava com Quíron em um canto mais afastado, assim, em pouco tempo a última coisa que o mestiço viu foi os amigos desaparecendo no Punho de Zeus, engolidos pelo Labirinto.

(...)

Durante o resto do dia Ernest releu as pesquisas de sua irmã, buscando algo que fosse útil para a atual situação, mais conhecida como “não sabemos de nada, vamos apenas esperar”, porém, sem conseguir nada de muito relevante, afinal era como Annabeth havia comentado: Muitos mapas que levavam do nada a lugar nenhum, as histórias e informações não eram coerentes umas com as outras, então eram inúteis para um preparo de estratégias, lógico.

— Você não tem nada para me contar em relação a isso? – O garoto murmurou para Cronos, já cansado depois de revisar algumas coisas da pesquisa.

— Não – A voz fria surgiu – Talvez você deva buscar saber mais sobre o construtor, não sobre a construção...

O jovem refletiu, era algo que faria sentido, mas um gênio como Dédalo não seria fácil de decifrar, o Labirinto crescia por si só, ou seja, a chance de ser algo aleatório era grande demais... Talvez a única maneira fosse encontrar uma maneira de se orientar, que infelizmente era o plano do inimigo.

— Cuidado! – Ernest despertou de seus pensamentos quando viu uma bola de basquete atravessando a janela aberta do chalé e atingindo-o em cheio na testa, fazendo-o cair na cadeira.

— Droga, desculpe cara! – Um campista de Hermes entrou para pegar a bola, um pouco acanhado – Estávamos brincando e, bem, acidentes acontecem.

O semideus sentou-se no chão com a mão na cabeça, tentando processar o acontecimento repentino:

— Relaxa, só não roube nada por favor, ou vou ter que enfiar meu pé no seu traseiro.

— Não se preocupe, só quero a bola de basquete, estamos indo pra quadra, os pessoal de Apolo nos chamou para jogar.

— Claro, divirtam-se – O filho de Atena sorriu para o outro semideus.

— Obrigado! Desculpe de novo, você é legal!

O dia estava bonito, um céu azul com nuvens brancas que pareciam ter sido pintadas lá, passando lentamente conforme o vento soprava, não estava um calor tão intenso e o sol brilhava de forma a deixar todas as cores extremamente vivas, era quase um insulto à missão no Labirinto onde estavam os amigos de Ernest.

O jovem levantou-se do chão e resolver ir para a canoagem, não era sua atividade predileta, mas estava calor e poderia aproveitar um lugar mais fresco se fosse para lá.

(...)

— Ernest, posso te fazer uma pergunta? – Malcolm virou-se para o garoto com a boca cheia de comida.

O mestiço levantou uma sobrancelha, geralmente nem seus irmãos falavam muito com ele durante as refeições, sua companhia dentro do chalé de Atena se resumia à Annabeth.

— Diga...

— O que acha da Annie e do Percy?

— Uhm... – O semideus se recostou e cruzou os braços, fechando os olhos como se estivesse pensando, porém, a resposta já estava pronta logo quando a pergunta foi feita – Acho que formariam um bom casal, quer dizer, Percy claramente se importa com ela, mas é burro demais para perceber isso, fora que ,se alguém pode manter ele vivo, é nossa irmãzinha... E tem o fato que ela também se importa com ele, mas parece um pouco confusa...

— Confusa?

— Talvez seja impressão minha – O rapaz não queria prolongar aquela conversa, estava entrando em uma zona que não queria discutir.

— Acho que sim – Malcolm deu de ombros e voltou a comer ferozmente.

*Comentários do registro*

— Nossa, me lembrando disso agora realmente faz parecer que os dois eram mais idiotas ainda, caramba! E olha que eu sou devagar pra caramba quando se trata de relacionamentos que não sejam com titãs sociopatas selados em meu corpo.

*Narrativa*

Já haviam se passado dois dias desde que a equipe de Annabeth saiu em missão, o relógio do chalé de Atena marcava 3h da manhã e Ernest continuava sem dormir, olhando fixamente para a cama de cima do beliche e pensando em como seus amigos estariam lidando com a missão, se haviam encontrado alguma direção ou se simplesmente estavam vagando aleatoriamente, da mesma maneira que o Labirinto se expandia. Finalmente a inquietação venceu e o garoto se levantou, colocou uma calça de moletom preta com uma listra branca nas laterais, chinelos pretos e uma camiseta branca com as escritas “Beaver’s Song”, saindo para dar uma volta sob o luar.

O lado de fora do chalé parecia outra realidade, a lua cheia iluminava todo o acampamento, as construções brancas pareciam brilhar, vagalumes se destacavam como pequeninas e coloridas lanternas no ar, uma brisa refrescante vinha do mar de forma a agitar a grama e as árvores, fazendo-as balançar lentamente, como se dançassem em seu próprio ritmo. O semideus olhou ao seu redor, observando toda a beleza do acampamento, até que seu olhar se prendeu no chalé de Apolo – Por que não? – Pensou antes de se dirigir para lá, com cuidado para não ser percebido pelas harpias.

Chegando à construção o rapaz deu a volta enquanto olhava pelas janelas, até que percebeu uma fraca luz de lanterna iluminando um livro, o rapaz sorriu e bateu de leve no vidro, fazendo a garota que estava encostada contra a parede, de costas para a janela, dar um pulo de susto. A menina se virou e olhou para a janela, fechando a cara enquanto abria o vidro e sussurrava:

— Você é idiota? Sorte sua eu não ter gritado!

— Relaxa Peggy, você não gritou...

— O que você quer? São 3h da matina!

— Ah, to sem sono, tenho pensado no pessoal que saiu em missão... E você também não está exatamente dormindo pra reclamar tanto.

— Certo, espere aí fora, vou por uma roupa...

(...)

— Como sabia que eu estaria acordada? – A garota sentou-se na areia, observando o mar. Vestia uma calça de tactel cinza, um moletom camuflado padrão militar fechado sobre a camiseta azul do pijama e chinelos brancos, o cabelo estava preso em uma única trança.

— Não sabia – O rapaz sentou-se ao lado da menina – Tentei a sorte.

— E pelo jeito isso você tem de monte.

— Um pouco, talvez...

— Ah, deixa disso! Você tem a minha companhia, quer sorte maior que essa?

Ernest olhou para a filha de Apolo, que já não olhava mais para o mar, mas o fitava com um olhar intenso, algo parecia envolve-los, o tempo parecia parar, os ruídos ao redor diminuíam e tudo perdia o foco, com a exceção da imagem um do outro.

— Acho que não poderia ter sorte maior – Em uma situação corriqueira provavelmente a resposta seria “Chama isso de sorte?”, mas ali, onde só os dois estavam, daquele modo, a resposta simplesmente fluiu pelos lábios do semideus.

A jovem sorriu, aquele sorriso que parecia iluminar mais que a própria lua, digno de deixar Afrodite enciumada, os olhos dos dois semideuses pareciam ter se perdido um no outro, quando se deram conta ambos estavam perto o suficiente para sentir a respiração um do outro, até que Peggy sussurrou:

— Ernest, eu... – Um barulho de asas tirou a atenção dos dois, uma das harpias se aproximava.

“Droga de harpia!” – Ernest segurou a mão da garota e correram para sair do campo de vistoria, parando em outra parte da praia, ambos ofegantes sentaram-se mais uma vez, dessa vez sobre uma rocha.

Os jovens observaram o mar por alguns minutos, mas não tornaram a olhar um para o outro, a garota apenas repousou a cabeça no ombro do rapaz, as mãos se entrelaçaram inconscientemente, ficando assim até o sol começar a surgir, momento em que voltaram para seus chalés sem dizer uma palavra sequer.

Ao deitar-se em sua cama a única coisa que passava pela cabeça do filho de Atena era:

— Essa harpia me paga – Um bocejo começou a puxar o garoto para um sono sem sonhos, mas não antes de um último pensamento surgir naquele novo dia – Peggy... Quem diria?

— Eu diria! – Cronos respondeu na mente do rapaz – E disse!

É claro que aquilo não importava, nem o titã conseguiria tirar o sono do jovem, aquilo não importava, ao menos nas próximas horas, tudo que o mestiço precisava se lembrar era dos olhos e do sorriso da filha de Apolo, dignos de uma descendente do sol.

Notas finais
E aí? Esperado ou não?