Herói Anônimo

13 Facas e espadas


Notas iniciais
Aqui vamos nós, mais um capítulo!

Capítulo 13

*Narrativa*

— Não vai dizer por onde andou? – Peggy estava parada diante de Ernest com as mãos na cintura, inconformada.

— Eu fiz minha viagem, eu te avisei – O rapaz ergueu as mãos – Não posso te dizer mais que isso, eu jurei.

— Eu sei que me avisou, mas eu queria saber para que foi essa viagem – A garota estava na ponta dos pés e com a cabeça erguida, tentando igualar sua altura à de Ernest, mantinha a expressão fechada – Estava preocupada, você acabou de se recuperar!

— Ei, relaxe, eu estou bem – O semideus tocou a testa da filha de Apolo com o indicador – E uma hora eu precisaria sair, não adianta me tratar como ferido para sempre.

— Humf – Peggy cruzou os braços – Certo, vá arrumar seu chalé, em breve os outros campistas vão chegar e tudo precisa estar limpo e no lugar.

— Parece a mãe que eu nunca tive, falando desse jeito.

— Droga Ernest, vai logo! – A garota deu um leve empurrão na direção dos chalés.

— Certo, certo, calma – O rapaz se afastou rindo, enquanto a menina ia para o treino de arco e flecha.

Ao abrir a porta do chalé, incrivelmente, tudo parecia no lugar – Ótimo, menos trabalho – Ernest se animou, poderia ir para a arena treinar com as facas ou algo do tipo, só precisava trocar sua roupa, então pegou um shorts de corrida para ficar mais confortável e foi para o banheiro trocar-se, encontrando a porta trancada.

— Olá? – Arriscou o rapaz, já que os poucos campistas de Atena que estavam no acampamento deveriam estar em suas atividades.

— Um minuto – Uma voz feminina respondeu, destrancando a porta e saindo do banheiro logo em seguida – Ah, é você.

— Ei, belo jeito de receber seu irmão – O garoto sorriu para Annabeth – Chegou cedo, não?

— Vou dar uma volta na cidade, vim deixar minhas coisas e... – Ela fitou o irmão – Tenho coisas para contar, não são boas notícias.

O mestiço suspirou, mas resolveu colocar a garota a par do último assunto pendente:

— Consegui algumas coisas sobre Nico, conto mais tarde então.

Os olhos da garota de arregalaram.

— Espere, por que não disse nada? Nem uma mensagem de Íris? Passei toda essa temporada preocupada com isso, São Francisco está uma bagunça!

— Eram notícias para conversarmos face a face, tem alguns detalhes a serem explicados.

— Bom, vou até a cidade agora, falamos disso depois – Annabeth já ia saindo do chalé, quando se virou – E preciso de um favor.

(...)

— É o que? – Ernest soltou um grito indigno ao entrar na arena, quase caindo para trás de susto quando um escudo de bronze seguido de um cão infernal gigantesco vinha na direção dele.

— Sra. O’Leary, junto! – Uma voz falou, tendo como resposta um cão infernal com um escudo de bronze na boca correndo em sua direção – Desculpe, não queria assustar você, ela ainda está se adaptando ao acampamento... Brincar ajuda.

— Tudo bem – O filho de Atena olhou para o dono da voz enquanto batia o pó da roupa: Um homem de meia idade forte, portava uma espada e não muito mais – Mas não todo dia que temos um cão infernal correndo em nossa direção.

— Ela é um doce, não se preocupe – O homem sorriu e estendeu a mão direita – Sou Quintus.

— Prazer, sou Ernest – O rapaz apertou a mão de Quintus – O que alguém como você faz aqui?

— Sou o novo instrutor de esgrima, pelo que sei o antigo abandonou o barco.

— Bem, abandonou o barco e pegou um cruzeiro.

— Entendo – A sombra de um sorriso passou pelo rosto do instrutor – Gostaria de praticar? Acho que foi por isso que veio, não é?

— Adoraria – O mestiço se animou novamente, sacando a faca maior, segurando-a com a mão direita, enquanto se posicionava.

O espadachim desembainhou a lâmina de bronze celestial e investiu, um corte rápido na direção das costelas do lado esquerdo do rapaz, que aparou o golpe com a parte chata da lâmina, lançando o corpo contra o adversário visando abrir a guarda de Quintus com uma ombrada, porém o homem era rápido e deu um passo com o pé esquerdo de forma a alinha-lo com o direito, esquivando-se do golpe do jovem.

Foi a vez do filho de Atena atacar: Aproveitando o embalo, afastou-se e atirou uma das facas menores na direção da perna do instrutor, que pouco tempo teve de girar a espada e desviar a pequena lâmina, já partindo para cima do campista com a espada acima da cabeça, como se fosse rachar o crânio do garoto em dois. Ernest em um momento de puro reflexo firmou a base das pernas e, ao invés de tentar desviar, sacou a outra faca menor e cruzou-a com a maior acima da cabeça, formando um “x” e interceptando a lâmina de Quintus, quase cedendo com o peso do golpe.

— Muito bom garoto – Nesse momento o instrutor girou a espada como uma chave de fenda, forçando-a entre as duas facas, arrancando-as das mãos de Ernest com a pressão – Mas ainda precisa treinar mais.

O garoto olhava para a lâmina apontada para seu peito enquanto arfava, foi um duelo de poucos passos, mas a intensidade dos movimentos e a energia gasta foram o suficiente para cansa-lo em poucos segundos.

— Certo, desisto – Erguendo as mãos em sinal de rendição – Deixe-me pegar minhas facas de volta.

Os dois continuaram o treino por mais um bom tempo, que mais pareceram horas, onde Quintus aconselhou Ernest para a melhoria de vários movimentos, o que foi muito proveitoso para o jovem, porém, logo mais uma das crianças de Atena apareceu e chamou:

— Irmão, é hora da inspeção dos chalés, Annabeth pediu para te chamar!

— Ah sim, ela já voltou?

— Preciso responder?

— Justo – O rapaz tornou a olhar para o instrutor – Agradeço as dicas, foi divertido, nos vemos por aí.

Quintus apenas acenou com a cabeça e deu um sorriso, logo em seguida virando-se para dar um mega biscoito de cães para Sra. O’Leary.

(...)

— Já é hora de estarmos nos quartos, sério que precisamos ter essa conversa ainda hoje? – Percy olhava feio para Annabeth.

— Sim! Ernie disse que tem novidade sobre Nico – A sabidinha parecia impaciente.

— Ernie? – Ernest repetiu incrédulo – Desde quando tem a liberdade de me chamar assim? Quase prefiro ser chamado de mestiço.

— Tanto faz – A garota revirou os olhos – Só nos atualize irmãozinho.

— Certo... Bem, a primeira coisa que tenho a dizer é que encontrei o garoto, estava no mundo inferior junto do papai – O filho de Atena cruzou os braços e olhou para o reflexo da lua no mar, recordando-se de tudo o que se passara desde sua missão – Acho que convenci ele a não se juntar aos titãs, pelo menos.

O rapaz preferiu omitir a parte de sua quase morte e dos juramentos, não parecia sensato confiar tanta informação, ainda mais por esses juramentos terem levado à um encontro com Luke.

— Algo mais? – Percy olhava inquieto, as mãos tamborilando nervosamente sobre seus tênis – Parece que faltam umas informações aí.

— Acredite em mim, contei tudo o que posso, sem omitir informações... Eu sei que é pouco, mas conformem-se com o fato de que Nico não ajudará os titãs, tenho a palavra do garoto.

Ernest olhou para os dois companheiros que estavam sentados na areia à sua frente, pareciam estar tentando decifrar suas expressões, enxergar algo além do olhar que depois correu pela praia até focalizar o mar, fazendo o semideus divagar e perder o foco com sua beleza.

— De qualquer forma – Annabeth recomeçou a conversa – Precisamos descansar, assim temos tempo de decidir o que fazer com essas informações. Melhor sermos cautelosos, não sabemos quanto vale a palavra de Nico.

— Não se preocupe – Ernest garantiu – Não vale a pena, apenas cuidem de si para chegarmos ao fim dessa guerra todos inteiros.

O trio voltou sorrateiramente para seus devidos chalés em silêncio, cada qual pensando em seus projetos, teorias e afazeres.

— Ei – Percy sussurrou quando quase alcançavam o chalé de Poseidon – Todos somos meio-sangue e temos TDAH e dislexia, certo?

Os irmãos apenas olharam para ele, erguendo as sobrancelhas.

— Então por que eu não consigo ler nada e vocês leem todos os livros do mundo? – O rapaz agitou as mãos – Tipo, não que eu queira ler muito, mas vocês não sofrem com isso?

Annabeth tocou a própria bochecha com a mão esquerda, como se estivesse pensando.

— Bom, acho que por sermos filhos da deusa da sabedoria talvez não tenhamos esse problema na hora de estudar e obter conhecimento...

— É uma teoria interessante – Ernest se manifestou – Apesar que eu apanho bastante para ler o grego comum, latim é um pouco mais fácil...

— Latim? – O cabeça de alga franziu a testa.

— Talvez semideuses tenham algo com as línguas mortas, sei lá...

— Por que estamos discutindo isso? – A garota de Atena cortou o papo.

— Ah – O mestiço deu de ombros – Pareceu um tema interessante, mas podemos parar.

— Parem, por favor, estou cansada desse dia e preciso dormir, não poluam minha mente com mais coisas.

O trio finalmente se separou: Percy foi para o chalé de Poseidon, enquanto a dupla de irmão adentrou a construção de Atena, apenas uma coisa se passava na cabeça de Ernest, que fora lembrada pelo filho do deus do mar nos últimos momentos da conversa: Na noite seguinte teriam alguma atividade do tipo “captura à bandeira”.

— Uma última coisa, irmã – O mestiço virou-se para Annabeth, que caminhava rumo ao banheiro – Sobre aquele favor....

— Hm – A garota o fitou com aqueles olhos cinzas intensos.

— Preciso de um tempo, mas acho que posso ajudar.