Heros
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Caos instaurava-se em torno da região do prédio em chamas. Desde os choros dos moradores do bloco aos murmúrios dos vizinhos e curiosos. Mas os gritos começaram quando a última moradora salva despertou abruptamente. Sua expressão era marcada pelo desespero e de sua voz, carregada de angustia a cada sílaba, ela clamava por seu filho.
Izuku sentiu seu consciente pesar com a constatação de que ela não se encontrava sozinha no prédio.
Ele se pôs a observar a construção à sua frente; a condição do mesmo era duvidosa, o risco evidente. Impediam a mulher de avançar e hesitavam em agir de forma imprudente. Mas Izuku não mantinha controle sobre seu corpo quando subitamente avançava adentro do prédio e os gritos de seus colegas se tornavam inaudíveis em meio ao som penetrante das chamas ao seu redor enquanto subia pela escadaria cheia de escombros.
E foi um choro agudo que fez seu coração falhar uma batida.
Apesar de impulsivo, não deixava de ser cauteloso. Desviava de algumas regiões de perigo, mas não era fácil com a estrutura degradada pela combustão. Conseguiu desviar a tempo de evitar um acidente grave com um pedaço da parede que desabava, mas não o suficiente para impedir o grande machucado que formou no braço direito pelo atrito do concreto. Mas ignorou a dor e seguiu em frente.
Adentrou o apê sem hesitação, a porta já arrombada. O fogo devastava sem contenção, o calor impregnava a pele e parecia sufocar apesar do uniforme adaptado. O crepitar ressoava inquietamente com o choro da criança. Izuku avançou com tudo em direção ao quarto que a voz fina de soluços e tosses ecoava e não pensou duas vezes antes de pegar a criança no colo com devido cuidado por conta da queimadura exposta em seu pequeno braço.
Tempo era tudo e não havia muito.
Então retirou-se imediatamente. Atravessava ou desviava das chamas ao passo que em seus braços segurava a criança como o ser mais precioso, enquanto de sua voz se expressava apenas as mais positivas frases.
"Está tudo bem, eu estou aqui."
Seus passos enfim alcançaram o térreo, um som familiar nada agradável o alertou a aumentar sua velocidade e quando seus pés alcançaram o asfalto, a explosão atrás de si foi exorbitante, a pressão do ar quente o empurrou com força, mas seu colegas marcavam presença para evitar uma queda.
Suspirou de alívio ao certificar o estado de segurança que se encontravam.
Foi em passos calmos até a mulher e entregou delicadamente a criança trêmula de seus braços para os da mãe. A cena à sua frente aqueceu seu corpo, porém não o calor incômodo de um incêndio, mas aquele calor cômodo de ternura.
O olhar da mulher dizia tudo. As lágrimas limpavam a mágoa e já não transbordava desespero, mas alívio. E com um sorriso estampado no rosto, ela levou a mão ao braço do jovem em um toque atencioso, e apesar do barulho ao redor — inclusive palmas pelo ato do jovem bombeiro -, Izuku compreendeu perfeitamente o que ela proferia com a voz estremecida antes de alguns colegas do corpo de bombeiro chegarem com os equipamentos necessários.
"Muito obrigada por salvar meu filho."
Ele sabia que receberia sermão da própria mãe, dos colegas e de sua superior. Contudo a gratidão daquele toque e palavras não o dava brechas para qualquer arrependimento.
Mas os maiores heróis são assim.
Afinal, seu corpo havia se movido sozinho antes que ele pudesse perceber.
Notas finais
(se alguém souber o/a artista da fanart da capa, me avise please)
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