Heroes
29 028 - Monarquia II
Estar olhando para ela depois de tantos anos era algo surreal. Por mais que fosse difícil para qualquer pessoa reconhecê-la debaixo de todo aquele disfarce negro, eu sabia bem que aquela garota era a minha Emylle. Eu conhecia cada pedacinho daquela mulher. Eu sabia que aquela era a minha Emylle.
A princípio eu estranhei o fato dela não estar usando roupas cor-de-rosa e sendo chamada por Butterfly. Mas me toquei alguns segundos depois que ela não tinha mais aquele título. Butterfly agora era uma garota baixinha, asiática nascida na Califórnia.
Os olhos cinzentos de Emylle encontraram os meus por alguns segundos e a observei mordiscar o lábio inferior. Me perguntei se ela havia me reconhecido. Talvez ela ainda procurasse por uma versão mais velha do Robin.
Após um breve discurso feito por Diana e Bruce, os membros da liga retiraram-se deixando os novos membros do esquadrão “Young”. As três garotas se entreolharam por um segundo. Lancei um olhar a Aqualad e a Miss Mars que estava próxima de mim e andamos lentamente até o trio novato.
–Sejam bem vindas ao esquadrão “Young Justice” – eu disse formalmente estendendo a mão para as garotas e cumprimentando uma a uma. Ao tocar a mão de Emylle senti um arrepio familiar percorrer minha espinha. Mesmo eu estando de luvas. Aquilo era algo realmente surreal. – Eu sou o atual líder da operação, Nigthwing.
–Sou Wonder Girl – a loira disse sorrindo sugestiva.
–Darkness – a outra murmurou com a voz cansada. Eu simplesmente sorri de lado. Aquela voz me era tão familiar quanto Bruce Wayne. Era alguém que eu tivera como melhor amiga quase uma vida inteira. Samara Quinton.
–Black Queen ... – a voz melodiosa de Emylle preencheu meus ouvidos.
–Sejam bem vindas, garotas, eu sou Miss Mars – a marciana ao meu lado se identificou e sorriu amistosa – espero que estejam confortáveis. Vou mostrar a vocês seus aposentos se não se importarem – ela sinalizou para o corredor ao sul da sala. As meninas assentiram e viraram-se para acompanhar a ruiva.
Detive Black Queen segurando-a pelo pulso e ela olhou-me confusa. Abriu a boca para falar algo mas eu a interrompi.
–Preciso conversar com a Black Queen em particular, Miss Mars. Se não se importa eu vou mostrar a ela o dormitório depois.
M’egaan apenas assentiu enquanto saiu acompanhada das outras duas mulheres. Agora o restante do esquadrão ainda assistia a cena. Tomei a mão da outra de uma forma um pouco mais confortável e a conduzi até o elevador.
–Onde pensa que está me levando? Quem autorizou você a me tocar? – ela perguntou ríspida empurrando-me para o lado. Apertei o botão para o subsolo 1 onde ficavam os meus aposentos. Me recusei a respondê-la de imediato.
Quando as portas do elevador se abriram no corredor iluminado artificialmente, eu novamente puxei a garota ao meu lado pelo pulso. Ela fazia alguma força para tentar se soltar de mim mas fora em vão. Digitei rapidamente a senha para o acesso do meu quarto e empurrei a garota pela porta.
Ouvi o som de seus saltos tilintando irritantemente pelo piso de madeira enquanto ela andava até a cama e se sentava. Um sorriso malicioso estava estampado em seus lábios.
–Posso saber quem é você e qual é o motivo de ter me trazido até seu quarto? Por acaso isso é uma espécie de teste do sofá? Você vai me inicializar ou algo assim? Saiba que as consequências por ter me tocado sem autorização podem ser mais severas do que pode imaginar.
–Bem, — eu disse sorrindo – eu trouxe você aqui por que é o único lugar que não estamos sendo vigiados pelos superiores da liga. Os quartos são os únicos não monitorados ou áudio e vídeo. E eu não tenho permissão para revelar minha identidade para os outros membros do esquadrão.
–Então quer ter uma “conversa” secreta comigo?
–Algo assim – sorri – quero saber onde esteve nesses últimos anos...
– E por que isso te interessa tanto, Nightwing?
–Responda primeiro, Emylle....
–Emylle? – ela perguntou boquiaberta – c-como...? Richard? – ela levantou-se da cama caminhando até mim. Apenas permaneci parado com os braços cruzados em frente ao peito. Ela parou diante de mim. Suas mãos estavam frias quando tocaram meu rosto. Ela cuidadosamente removeu a minha máscara. – Rich...- ela murmurou enquanto deixava a minha máscara cair aos seus pés. Ela deu alguns passos para trás completamente estupefata.
–Existem muitas coisas que precisamos por em pratos limpos agora, Emmy... Começando por você... onde esteve? – perguntei. Emylle tinha a cabeça baixa, e logo a ergueu para fitar-me. Levou as mãos ao rosto removendo com cuidado a máscara rendada que trazia no rosto e a deixando cair no tapete. Seus olhos cinzentos estavam marejados e algumas lágrimas que escorreram borraram-lhe o contorno negro dos olhos.
–Themyscira... – ela respondeu engasgada – Estive nesses últimos anos na ilha das amazonas... mas passei os últimos meses em Tokyo...
–Então foi para lá que Bruce a mandou. – não era uma pergunta. Aproximei-me de Emylle e a abracei confortando-a entre meus braços. – depois de alguns meses que você tinha partido eu quase enlouqueci. Inventei missões em todas as partes do mundo para ter uma desculpa qualquer para te procurar, mas não consegui.... você estava no único lugar em que eu não poderia entrar... uma ilha feita apenas para as mulheres...
–Desculpe – ouvi-a sussurrar com a voz embargada – eu não podia te contar eu... eu tenho muitas coisas a contar para você...
–Não precisa ser agora – eu disse afastando-a um pouco de mim e usando minha mão direita para erguer-lhe o rosto. – pode me contar tudo depois que eu matar minhas saudades de você...
Emylle me fitou, seu semblante ainda era triste, seus lábios formavam um leve biquinho. Aproximei meu rosto do dela. Rocei meu nariz por sua bochecha macia e molhada pelas lagrimas senti a respiração quente dela chocar-se contra meu rosto. Sorvi o cheiro doce que desprendia da pele leitosa e me senti completamente inebriado. Ninguém além de mim poderia saber o quanto eu senti falta daquele cheiro.
Toquei-lhe o rosto com a ponta dos dedos ainda coberto pelas luvas de couro. E a vi fechar os olhos por um segundo. Em seguida senti suas mãos segurarem minha mão livre e puxar o tecido que a cobria jogando-o no chão. A mão descoberta foi até sua nuca enquanto a outra puxou sua cintura para mais perto fazendo com que ela ficasse levemente na ponta dos pés. Nossos quadris colados me davam uma sensação gostosa de nostalgia.
Aproximei nossos rostos novamente e desta vez eu tinha um alvo. Encostei meus lábios nos dela num breve selar. Senti as mãos de Emylle segurarem-me pela nuca e permiti que aquele ato constasse como uma brecha para um aprofundamento daquele carinho.
Entreabriu os lábios permitindo meu contato. Os lábios macios ainda tinham aquele gosto bom de morangos maduros. Senti a língua aveludada tocar a minha timidamente num carinho casto.
Só percebi que estávamos andando quando me vi caindo sobre o corpo da outra que se chocava contra meu colchão macio.
O beijo se tornou algo quase selvagem. As pernas dela circundaram a minha cintura e uma de minhas mãos apertavam-lhe a carne exposta de uma das pernas enquanto a outra apoiava meu prórprio corpo para que eu não esmagasse a menina abaixo de mim.
Senti algo vibrar e soltar um”bip” eletrônico. Bufei irritado. Emylle me afastou de imediato se recompondo na cama enquanto retirava do pequeno bolso das vestes um aparelho celular.
–Luke! – ela exclamou enquanto levantava apressada da cama. Recolheu sua máscara e a colocou no rosto de qualquer jeito enquanto disparava até a porta do meu quarto. Observei-a sumir pelo corredor em direção ao elevador.
Quem diabos era Luke?
Fale com o autor