Heroes

22 021 - Parede de Vidro




Aquele homem de lata maldito só podia estar de brincadeira comigo, certo? Estou neste momento com lama ate nos joelhos, completamente molhada e morrendo de frio em uma ilha deserta no meio do oceano pacífico. E adivinha quem está comigo? Richard!

–Quando é que vamos chegar à maldita da base? – perguntei já impaciente enquanto ele me guiava no meio da mata densa usando um GPS fajuto que parecia não funcionar muito bem ali.

–Espere, Srta impaciência, acredito que já iremos chegar- ele disse trincando os dentes e voltando a fitar o aparelhinho nas mãos.

–Mas afinal de contas, que merda a gente veio fazer aqui? – perguntei enquanto tentava livrar meus cabelos de um maldito galho seco que havia grudado nele.

–Slade quer que a gente monte guarda aqui. Tem alguma coisa que ele quer “proteger” ou sei lá. Ele só mandou a gente fique aqui até segunda ordem...

–Que grande merda! – suspirei nervosa – será que tem como arranjar logo essa base? Tô realmente afim de tomar um banho e trocar de roupa...

–Será que você pode parar de reclamar pelo menos por um segundo? Acho que estamos perdidos por sua culpa. Cale a boca, Butterfly! Eu também quero achar a porra do caminho pra base.

Depois de mais uma hora inteira discutindo e de dar um belo chute no estômago do Robin, nós seguimos caminho por uma trilha na floresta. Me arrependi totalmente de não ter solicitado sapatos baixos para Slade, por que meus saltos estavam afundando na terra úmida da trilha, e as botas começavam a me machucar.

Não sei exatamente quanto tempo gastamos naquela longa caminhada, mas quando finalmente chegamos a tal base – que na verdade era uma cabana de madeira coberta de hera – já estava anoitecendo.

–Só podem estar de brincadeira comigo! – eu resmunguei depois de ter dito uma enxurrada inteira de palavrões em todas as línguas que eu conhecia.

Se a base parecia apenas uma cabaninha de madeira por fora, era por que não se sabia o que tinha lá dentro. Eu realmente imaginava que por dentro fosse algo mais “esconderijo do mal” ou alguma coisa assim. Mas nem pra isso o Slade fodido servia. O lado de dentro se parecia mais com uma ... adivinha? Cabana de madeira! Só que por dentro não haviam paredes exceto uma caixinha minúscula que eu julguei ser onde se localizava o sanitário. Fora isso era como estar num Big Brother.

No canto mais próximo á porta havia uma pequena cozinha onde havia um frigobar, algumas bancadas, um fogão e outros eletrodomésticos que eu provavelmente não sabia para o que serviam. Do lado oposto havia uma porção de monitores de computados dispostos em volta de uma mesa semelhante a que tínhamos na batcaverna. E cada monitor mostrava-nos uma parte da ilha. Neste momento era possível ver apenas o que a capacidade noturna delas poderia nos mostrar.

Numa outra parte da cabana havia uma cama de casal King-size coberta com uma colcha branca, uma penteadeira com um espelho envolto de lâmpadas de led e um pequeno armário onde eu julguei estarem as roupas – que nós não havíamos trazido por que o imbecil do Slade disse que haveria tudo aqui. E então veio a parte mais desesperadora da casa. O banheiro.

A única coisa que separava o banheiro do resto da casa era uma parede de vidro transparente. Isso mesmo, queridos, transparente! Eu podia ter mais sorte? Vou ter que retirar toda essa lama do meu corpo por mágica agora!

Dentro daquela caixa de vidro havia uma banheira em estilo vitoriano tão bonita que eu quis afundar ali de uma vez.

–Acho que temos um problema ... – eu disse baixo enquanto removia as botas que eu usava e as jogava em um canto qualquer. Senti tanto alívio em tocar os pés no chão frio que até soltei um suspiro de alívio.

–Problema? – Richard perguntou sem entender. Acho que o estágio com slade afetou seriamente a falta de neurônios dele, por que os poucos que ele tem não estão funcionando bem. – Não tô vendo problema nenhum por aqui... o chalé é bem bacana até.

–Eu só não te dou porrada agora mesmo por que tenho medo de você ficar ainda mais retardado. – eu respondi ríspida – acha mesmo que está tudo bacana? Você vai dormir no tapete. Nem fodendo eu vou dividir a cama contigo. E... você vai dar uma voltinha enquanto eu tomo banho por que se não percebeu além de eu estar cheia de lama aquela porra é de vidro.

–Continuo não vendo problemas... exceto por eu dormir no tapete. Eu vou dormir na cama quer você queira ou não.

–Eu vou arrancar a sua cabeça, garoto! – eu resmunguei antes de retirar o cinto alaranjado e jogar na cabeça dele. – agora vá dar uma voltinha por que eu realmente preciso de um banho.

–Eu não vou sair... não há nada aí que eu já não tenha visto... e...

–Isso foi a três anos atrás. E não, você não viu porra nenhuma por que fugiu como uma garotinha depois que eu descobri seu segredinho – eu provoquei. Mas eu devia ter desconfiado de que aquilo não era lá uma boa ideia. Richard era homem e mais forte que eu. E usando dessa vantagem ele me empurrou até uma parede onde me imprensou contra a mesma colando nossos quadris.

–Não vou fugir como uma garotinha desta vez, Emylle – ele sussurrou de uma forma tão sexy que eu quase me entreguei. Depois de todo esse tempo eu não havia desenvolvido um escudo anti-Richard. As mãos dele removeram cuidadosamente a minha máscara e eu pisquei algumas vezes. – como foi que você conseguiu se tornar ainda mais bonita? – ele sussurrou tão próximo ao meu rosto que a respiração dele fazia cócegas contra a minha pele. Senti-me ficando ofegante. Então o rosto dele se aproximava ainda mais do meu. Nossos lábios se roçaram num quase beijo. E então eu lhe apliquei um dos meus golpes favoritos. Um “quebra nozes” e o vi cair ajoelhado no chão.

–Não vai me ganhar assim tão fácil, loser. – eu disse de forma debochada. – Agora vá dar uma voltinha sim?

–Não vou sair dessa cabana nem fodendo, Emylle... façamos o seguinte. Eu me sento na mesa de vigia, e fico olhando apenas para os monitores. Quando eu for tomar banho você faz a mesma coisa, certo? Se eu espiar você pode me bater de novo e...

–Se você olhar... vou queimar seu amiguinho... – eu ameacei criando uma pequena bolinha de fogo com a mão direita e a apagando em seguida. – Babaca!

Observei Richard se sentar em frente aos monitores. Ele havia removido a máscara e a capa do uniforme de Robin e a largado sobre a mesinha de centro que havia perto da cama. E só quando tive certeza de que ele estava mais preocupado em rastrear a ilha que eu retirei minhas roupas.

Não antes de reclamar um bocado do quanto elas eram apertadas. Enchi a banheira com água morna e adentrei o mais rápido que pude. Não iria demorar muito naquele banho para não correr nenhum risco. Sabe como é...

Depois de remover com cuidado toda a lama que envolvia meu corpo e até mesmo lavei meu cabelo. Depois de me secar devidamente e me enrolar na toalha eu gritei para que Richard fosse tomar o banho dele. Se iriamos dividir uma cama eu não iria querer dividir com uma pessoa cheirando a suor.

Abri o armário onde supostamente deveriam haver roupas, e novamente uma enxurrada de palavrões veio boca-afora. Por que só tinha aquele tipo de roupas ali? Tudo bem que fazia calor aqui mas... Deuses!

Acabei optando por uma camisola preta com alguns detalhes em branco. Era a coisa menos erótica e mais coberta que tinha por ali. Eu não me sentia confortável com o fato de dormir com uma roupa que não favorecia em nada a minha defesa contra Richard. Mas infelizmente era o que tinha pra hoje...

Depois de vestida e devidamente penteada, eu me sentei na cama, bem a tempo de assistir o showzinho particular de Richard que trajava apenas uma calça de pijama e secava os cabelos com uma toalha sem nem ao menos se preocupar com as gotinhas taradas que escorriam pelo seu abdome.

Acho que eu não vou dormir essa noite...

Notas finais
http://www.polyvore.com/cgi/set?id=87926711&.locale=pt-br <- pijama da Emylle e do Richard

Bem crianças eu estou meio que voltando ativa com essa fic e espero que essa inspiração continue durando né?
comentem ok? is comentarios ajudam a me incentivar a escrever pra vocês...
me alimentem com revieeeews!!!