Heroes
18 017 - Reencontro com Despedida
Notas iniciais
Boa leitura!
-você deveria ter permanecido em repouso. Você se machucou feio, Emylle... – ouvi a voz rouca chegar aos meus ouvidos. Uma voz que eu conhecia bem. A voz cujo o dono me fizera chorar durante três anos.
-O que você...? Onde eu estou? – perguntei já sentindo meu corpo tremer involuntariamente de raiva. Eu precisava me controlar antes que eu explodisse alguma coisa.
-Você está na torre dos Titans .Eu trouxe você pra cá. Você está machucada... deveria voltar pro quarto e dormir um pouco mais. Você...
-Então era aqui que você estava se escondendo, Richard? – eu o interrompi cuspindo as palavras – Esteve bancando o covarde dentro de uma torre?
-Emylle, eu não vou discutir com você – ele disse suspirando e em seguida se aproximando de mim. A cada passo que ele dava, eu recuava um. Ele acabou por me encurralar num canto. Minhas costas se chocaram contra a parede fria, e ele já estava com o peitoral colado a mim. – você precisa descansar, pequena. você não tem ideia do quanto eu estava preocupado.
-Você não estava muito preocupado comigo quando eu fiquei SOZINHA em Gotha, Richard Sammers. Você não estava preocupado quando eu quase morri por sua causa! – eu quase gritei.
-Emylle, não diga uma coisa dessas por favor... – ele segurou minhas mãos com força e as trouxe até o peito – Se você o motivo de eu ter vindo pra cá...
-Não me interessam os seus motivos, Richard! Não tinha motivo pra você ir. Você foi embora por que é um COVARDE! Eu tinha 15 anos, Richard! Eu era completamente apaixonada por você, você entende isso? Eu quase ME ENTREGUEI PRA VOCÊ! E o que você fez? FOI EMBORA COMO UM COVARDE. Por que é isso que você é, Richard, Um COVARDE! – eu já estava furiosa. Empurrei-o com toda força e saí da frente dele. Eu precisava encontrar uma saída.
Acabei esbarrando em uma garota ruiva. Ela me analisou com os olhos verdes e me deu um sorriso amigável.
-Oi! Meu nome é Starfire– ela sorriu – e você é..?
-Oi...- eu respondi um pouco confusa – é... Butterfly...
-Ah! Estou feliz que você tenha acordado. Você parecia muito mal. Robin ficou andando em círculos o dia todo achando que você estava morrendo.
-Não me importa o que ele tenha feito. – eu disse emburrada. Mas eu não queria ser grossa com ela. Ela parecia ser uma boa pessoa. – onde é a saída?
-Você vai sair daqui assim? – ela me perguntou apontando para mim. Foi só ai que eu percebi. Eu usava um pijama.
-Droga! – preguejei – não tenho roupas! Vou embora assim mesmo...
-Não... vem aqui... eu te empresto uma roupa minha. Amigas fazem isso não é? – ela sorriu.
-Amigas?
-é... Vem!
A garota ruiva saiu me arrastando pelo corredor. Me empurrou pra dentro de um quarto e me entregou uma muda de roupas. Eu nunca tinha visto tanta roupa roxa na minha vida. Mas aceitei o vestido que ela me ofereceu. Era melhor que ficar expondo as faixas dos curativos.
-Então... de onde você conhece o Robin? – ela me perguntou curiosa me fazendo sentar na cama. Os olhos dela brilhavam em curiosidade.
-Ele era parceiro do meu pai...
-Do Sr Batman?
-É.
-Ah! Ele nunca falou de você pra nós... por isso achei estranho quando ele ficou todo preocupado com você.
-É um pouco estranho mesmo – eu disse azeda – ele nunca se preocupou comigo. Talvez seja apenas peso na consciência.
-Compreendi. Bem... acho que agora posso te mostrar a saída não é verdade?
-Eu agradeceria. Quanto mais rápido eu for embora mais rápido eu pego aquele maluco que me explodiu.
-Você fala do Slade não é mesmo? Se você pensa em ir atrás dele desista. Nós perseguimos ele a um bom tempo e até agora nada.
-Isso é mau. Mas eu preciso cumprir meu dever ...
-Se quiser um conselho meu, é melhor você ficar e descansar mais um pouco então. Se você precisa tanto pegar o Slade vai precisar da ajuda do Robin. Além disso você está machucada.
-Não quero a ajuda dele.
-Por que?
-Longa história... e é meio pessoal.
-Não acho que ele vá se importar se você me contar. Robin e eu somos amigos... eu sou a Girlfriend* dele.
-Girlfriend? — Eu perguntei chocada. Então era isso. Ele já tinha uma namorada aqui, por isso ele nunca havia voltado nem dado notícias. Eu precisava viver com isso. Mas se quer saber, assim é bem melhor, quanto mais longe eu ficar dele melhor.
- Sim – ela sorriu.
-bem... acho que já fiquei tempo demais. Obrigada pela hospitalidade, Starfire...mas eu vou voltar pra Gotham.
-Se é o que você quer...
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Depois que Starfire me mostrou a saída, e eu já estava novamente vagando pelas ruas da cidade, eu resolvi que iria ficar mais uma noite. Alugaria um quarto de hotel, e descansaria um pouco. O corte que eu tinha doía um bocado, e eu precisava tratar disso antes que ficasse pior. Por um misero segundo eu desejei ter permanecido na torre. Starfire parecia ser uma boa pessoa. Mas eu não queria permanecer sobre o mesmo teto que ELE.
Se já era difícil pra mim sem ele, imagine com ele? Eu não suportaria ser abandonada novamente. A partir de agora eu me concentraria em pegar o tal do Slade.
Eu aluguei um quarto perto da praia. Era confortável, eu ficaria bem lá. Alfred me enviou uma mala com algumas roupas. E como eu estava machucada resolvi não colocar nada muito extravagante. Depois de tomar um banho e refazer os curativos, eu vesti uma saia preta e uma t-shirt com o logo da Nirvana.
Alguns minutos depois ouvi o apitar da minha pulseira. Havia algum problema. Sempre que Alfred detectava algum ataque de um possível inimigo próximo a mim ele me enviava um sinal e este vinha na forma de um bip irritante vindo de um pingente.
Vesti um uniforme que Alfred havia enviado na mala. Saí pela janela de modo que ninguém me visse e rezei para que fosse Slade novamente. Eu queria dar uma lição naquele filho da puta.
Não precisei andar muito para saber onde é que o problema estava. Barulhos de coisas sendo demolidas e pessoas correndo assustadas são os melhores sinais. Fui na direção oposta aos que fugiam. E me deparei com alguém que eu não queria encontrar.
Nos últimos anos eu havia descoberto que por alguma razão, eu não conseguia me defender dos ataques de Aphrodite, e isso sempre me irritara e me trazia um pouco de medo. E naquele momento ela estava ali parada com seu vestido minúsculo e acompanhada do homem de lata com chifres. Mas a cena que eu presenciara não era bem o que eu esperava. Diante da louca de rosa estava Robin. Ajoelhado enquanto a outra acariciava seus cabelos.
-Eu pensei que tivesse te alertado,Robin, querido... eu não queria ter que machucar você, meu amor. Mas ela voltou não é? Você trouxe ela pra perto de você. Me sinto traída. Mas infelizmente, meu querido agora as coisas vão ser resolvidas com o meu chefe.
-Por que não faz logo o que tem que fazer, Aphrodite? – ele perguntou sendo rude.
-Não seja impaciente, meu amor – ela deu um selinho nele e entregou-lhe um objeto que eu não pude identificar. – agora é melhor você ir cumprir o seu dever... antes que eu arranque as asinhas daquela ali – ela apontou pra mim.
Naquele momento eu senti meu sangue congelar. Robin olhou pra mim surpreso. A boca aberta em puro espanto e desespero.
-Vá, Festus... dê um jeito nesse inseto. Preciso levar o meu amor pro chefinho. – ela riu maliciosa.
-NÃO!- ele berrou – me deixe falar com ela... eu vou sem questionar ... só me deixe falar com ela... ela nunca mais vai aparecer aqui.
-Pedido negado – ela estalou os dedos e em seguida o homem-touro veio correndo na minha direção.
Eu tentei ataca-lo como podia, mas meus poderes não estavam funcionando bem. Minhas costas se chocaram com força contra os escombros quando o homem gigante me lançou. Meu vestido estava empapado de sangue novamente, as feridas estavam abertas e eu me sentia mal. Senti mãos me agarrando e me carregando pra longe dali. Eu estava nos braços de Robin novamente.
Minha respiração estava ficando difícil, e eu sentia que meu cérebro estava pouco oxigenado, eu iria desmaiar a qualquer minuto.
-Me desculpe por isso, Emylle. Espero que me perdoe, mas eu não tenho escolha a partir de agora. Eu só quero manter você segura. – Dito isso ele removeu com um cuidado excessivo a mascara que cobria meu rosto. E em seguida ele fez o mesmo com a dele.
Fitei aqueles olhos azuis elétricos por um instante antes de fechá-los para guardar aquele momento.
Senti os lábios dele pressionarem os meus num selar doce e dolorido. Era dolorido beijar Richard, era como se minhas cicatrizes se abrissem.
-Só espero que possa me perdoar depois disso.
E dito isso ele saiu novamente me deixando sozinha. Mais uma vez eu era abandonada por ele.
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