Hermione e Vitor. Amor além do tempo...
1 Não posso me casar
Notas iniciais
Espero que gostem.
Será que é realmente possível esquecer um grande amor? Perguntei-me.
Aqui estou eu, vestida em um vestido de noiva estilo princesa escolhido pela minha mãe, pronta para me casar com aquele que sempre achei que amava, mas por alguma razão isso não parecia coerente para mim neste momento. Não sei se fora o sonho da noite anterior (maldito subconsciente, tentando me pregar uma peça) Harry entra no quarto de Gina onde eu me arrumara para o casamento, olhei dentro dos olhos do meu amigo e ele me encarou de volta como se lesse meus pensamentos. Ele me abraçou, sem dizer sequer uma palavra e eu desabei. Chorei tentando controlar-me, mas não teve jeito. Minutos depois eu estava sentada na cama de Gina e Harry me encarava preocupado.
— Harry. Não posso fazer isso.
— O que houve Mione? — Perguntou ele.
Levantei-me da cama e fui até a janela, pude ver os jardins, a tenda armada, os preparativos sendo feitos.
— É difícil imaginar que este é meu casamento.
— Como assim? — Disse Harry e sorriu.
— Tive um sonho ontem à noite... Nunca cheguei a contar a vocês sobre meu baile com Vitor quando estávamos no quarto ano. Harry assentiu, o sorriso se desmanchando, ele provavelmente já sabia onde tudo isso ia dar.
Sentei-me novamente com um suspiro.
— Durante muito tempo, me perguntei " quem realmente é esse Vitor Krum" queria saber quem ele era, não a capa que puseram nele de jogador de quadribol, mas não tinha como me aproximar sem as muitas garotas que o seguiam. A princípio admito, quis isso para dizer que ele não era o que todos pensavam, fazer Ronald parar de surtar por conta dele. Então um dia consegui permissão para ir à sessão reservada da biblioteca...
As memórias me voltaram enquanto eu falava e por mais estranho que fosse dividir aquilo tudo, continuei narrando minha história.
— E como ele era de outra escola não tinha permissão para entrar lá, mas pouco depois que entrei, ele também o fez e quando me viu disse que estava perdido e entrara naquela sessão sem querer. Eu expliquei a proibição àquela sessão, disse que ele deveria sair, então ele me disse que estava querendo conversar comigo há algum tempo.
“Por eu ser sempre uma boa aluna, disse que ele poderia ficar um tempo comigo, que não teria problema. Vitor me disse que admirava a quão dedicada aos estudos eu era e ainda mais minha falta de admiração por ele foi engraçado ouvir isso, mas então ele me disse que era difícil fazer amigos na posição dele, pois sempre vinham até ele com algum interesse. Nós conversamos por algum tempo sentados embaixo da única janela da sessão. E percebi que ele não era o que eu julgava quando precisei ir embora ele me convidou para o baile. Fiquei meio sem reação na hora e disse a ele que pensaria no assunto, ainda estava esperando Rony me convidar, mas depois de uns dias percebi que ele me via como um amigo e não como uma garota.”
“Então aceitei o convite de Krum.”
— Passei o dia me arrumando e tive todo aquele trabalho com os muitos frascos de poção para alisar os cabelos e quando encontrei com Vitor naquela noite. Ele sorriu e pude ver um brilho admirável em seus olhos. Perguntei se exagerei, mas ele apenas disse que eu estava linda, antes de tocar meu cabelo e dizer que gostava muito dele antes, ele sorriu e disse que como fazia parte de mim gostaria dele de qualquer maneira admito que foi terrível sentir meu coração acelerar daquela maneira isso nunca tinha acontecido, nem mesmo com Rony.
Harry permanecia em silêncio, ele não me olhou torto ou pareceu me julgar então continuei.
— Durante o baile, quando estávamos entrando, eu estava nervosa demais com relação ao que todos pensariam, Hermione Granger um sangue ruim indo ao baile com Vitor Krum. Vitor olhou para mim como se soubesse exatamente o que eu estava pensando, segurou meu rosto entre as mãos, ainda posso sentir o toque dele em meu rosto naquele momento. E então ele me disse que meu sorriso era capaz de curar toda a tristeza dele, mas para isso eu precisaria sorrir. E não pude conter um riso... Então nós entramos e quando todos nos encararam apertei mais o braço dele sentindo meu sorriso vacilar e ele tocou minha mão, olhei nos olhos dele e foi como se tudo voltasse ao lugar, eu não era mais um sangue ruim e ele não era um apanhador, éramos apenas um casal indo a um baile de escola, nós dançamos, conversamos. Admito que nunca me diverti tanto em toda minha vida. – Eu sorri.
“Harry. Sempre gostei do Rony e achava que o amava, mas naquela noite, com Vitor, senti um amor que nunca senti com Rony, nosso casamento está para acontecer e ter estas lembranças me fez questionar se isso é a coisa certa. Gosto muito do Rony, mas tenho medo de casar com ele e condena-lo a uma vida inteira ao lado de alguém que pode não o corresponder da mesma forma, mas também me sinto presa, pois sei que se eu o abandonar agora ele nunca vai me perdoar. E se eu o fizer? O que vai acontecer? Será que Vitor vai estar me esperando na Bulgária? Será realmente que ele se lembra daquela noite e ainda sente tudo que me disse estar sentindo?”
Harry levantou-se e caminhou pelo quarto, ao olhar para fora ele suspirou e voltou a me encarar.
— Não posso te dizer o que fazer Hermione. Rony é meu melhor amigo e você também. Peço que você pense um pouco em tudo que está acontecendo nesse momento. — Harry se ajoelhou perto de mim e pôs as mãos sobre as minhas que estavam em meu colo. — Será que seu medo de perder a amizade de Rony vale condenar vocês dois a uma vida infeliz?
Harry falou tudo aquilo de modo gentil, mas com suas palavras meu coração doeu... Encarei o chão e minha mente vagou, vivi momentos incríveis com Rony, mas será que esses momentos compensariam uma vida sem amor?
— Tem razão... — Sussurrei, o ar demorava a preencher meus pulmões e por um momento não tive suficiente para pôr para fora as palavras que estavam presas em meu coração. — Não posso fazer isso Harry...
— Acho que você está sendo muito amiga dele em tomar essa decisão... — Harry rebateu, ele levantou-se. — Vou mandar cartas para você na Bulgária, — Completou dando as costas para mim e caminhando em direção a porta
— Vou cobrar essas cartas. — Falei. Harry parou perto da porta, mas não se virou.
— Rony está no quarto dele, sugiro que você vá até lá e explique toda essa situação antes de ir. – Ele saiu fechando a porta atrás de si.
Fiquei sozinha no quarto, o alívio momentâneo que eu senti passou e o baque de ter de conversar sobre tudo isso com Rony me atingiu como um soco no estomago.
Treinei mentalmente vários possíveis discursos, mas nada parecia convencer. Gina entrou no quarto sorrindo.
— Hermione, você está... — Ela encarou meu rosto. — Você esteve chorando? Ah, deve ser a emoção do momento, vou arrumar sua maquiagem.
— Não vai ser necessário Gina. — Suspirei. Realmente encarei-a nesse momento. — Você é minha melhor amiga sabia? Espero que nunca deixe de ser.
— Por que eu deixaria Mione? — Perguntou-me ela com ar confuso.
— Preciso falar com Rony.
Saí do quarto, deixando Gina para trás e caminhei pelo corredor da toca que me levaria às escadas até o quarto de Rony.
Bati a porta e Gui a abriu.
— Hey, Hermione, você está linda, mas por que está aqui? Não disse que seus pais te proibiram de deixar Rony te ver assim antes do casamento?
— Foi, mas preciso falar algo importante com ele. — Falei. Rony veio até a porta e sorriu maravilhado com vestido de casamento. — A sós, por favor.
— Nos vemos depois Rony. — Disse Gui, ele saiu e os irmãos de Rony saíram atrás dele.
— Você viu o Harry? Ele deveria estar aqui, mas saiu para te ver e não voltou mais. Pedi para ele ver se você não tinha desistido. — Rony riu da própria piada, mas fiquei séria.
— Rony, pode se sentar? — Falei. Ele caminhou até a própria cama, fechei a porta atrás de mim...
— Você está me assustando Mione, me diz o que aconteceu?
— Rony, eu quero que você me ouça. Preciso que escute tudo que tenho para te falar antes de qualquer coisa.
— Certo. — Disse ele depois de um momento.
— Rony, antes de tudo quero que saiba que eu sinto muito mesmo. Não posso seguir em frente com o casamento, estou apaixonada por Vitor. — Falei antes de perder a coragem.
Rony levantou-se, seu rosto ficou completamente vermelho de raiva
— Então você o ama? Simplesmente o ama? E percebeu isso agora? No dia do nosso casamento. Sério Hermione? Se isso for alguma piada, não tem a menor graça.
— Rony, eu não percebi isso agora. Estamos juntos há bastante tempo e durante todo esse tempo, me perguntei o que estava acontecendo com ele. Todos os anos no aniversário do baile, me tranco em casa e choro até o dia amanhecer... estou empurrando com a barriga esse relacionamento com você, porque fui covarde demais para tentar uma vida com Vitor quando tive a chance
— Então eu fui seu prêmio de consolação? Você foi covarde de não ir atrás de Krum e está comigo. Sério, Hermione? Nem sabe se ele ainda lembra da sua existência. O que eu aposto que ele não lembra, Vitor Krum é o apanhador mais famoso que existe, ele provavelmente pode sair com qualquer bruxa puro sangue por aí... — Ele se interrompeu percebendo o que havia dito.
— Ele me escreve cartas o tempo inteiro Rony, mas em considerarão ao meu relacionamento com você, eu as queimava antes mesmo de abrir e para que? Para ser chamada de sangue ruim por você?
— Por que nunca me contou sobre essas cartas? — Perguntou ele baixando levemente o tom de voz.
— Porque era doloroso demais para mim, deixa-lo para trás.
— Vá embora Granger.
— Rony eu sinto...
— JÁ DISSE PARA VOCÊ IR EMBORA. – Gritou ele.
Corri para fora do quarto e desci as escadas, quando cheguei ao andar térreo a sra. Weasley veio até mim, ela sorriu e pôs a mão sobre a boca.
— Você está linda querida. – Falou. Meu coração apertou e olhei nos olhos dela.
— Sinto muito, não posso me casar com o seu filho.
Dei as costas para ela e saí da casa. Levantei o vestido e peguei a varinha que estava presa em minha cocha, afastei-me da casa e aparatei, fugindo dos gritos de todos que chamavam o meu nome.
Aterrissei em frente à minha casa, entrei e subi as escadas, quase tropecei no vestido algumas vezes, mas o segurei.
Assim que entrei em meu quarto caminhei até minha cama e peguei a caixa embaixo dela onde estavam as cinzas das cartas de Vitor. Murmurei um contrafeitiços, agradecida por tê-las queimado com um feitiço, então lá estavam as varias cartas. Uma por mês durante todos esses anos.
— Hermione? – Chamou minha mãe batendo a porta. Ela não esperou resposta e a abriu, para ver-me sentada no chão com uma caixa de cartas nas mãos e lágrimas descendo por meu rosto.
— Como chegaram aqui tão depressa? – Perguntei.
— Molly nos deu pó de flúor e viemos pela lareira. – Disse ela. – O que houve Hermione?
— Mãe, sabe quando a senhora vê o papai e sabe que ele é com quem deveria estar. Quando a senhora faz o prato favorito dele no dia em que ele trabalha até tarde? – Perguntei e ela assentiu. – Eu nunca senti isso com Rony, mas já senti, uma vez.
Baixei os olhos para as cartas, minha mãe suspirou e sentou-se ao meu lado.
— Você realmente ama o Vitor não ama? – Ela perguntou.
Minha mãe sempre soubera do meu baile com Vitor, algo que gostava era o fato de sempre poder contar tudo a ela.
— Amo.
— Sempre soube disso. – Ela afirmou e a olhei espantada. Com um sorriso ela continuou. – Sei que você ama o Vitor desde quando me falou dele. Fiquei espantada quando me disse que estava namorando Ronald.
Minha mãe pegou uma das minhas mãos e olhou em meus olhos antes de continuar.
— Se você acha que esse Vitor vale a pena, então vá atrás dele. Leia essas cartas e então se decida. Você é minha filha Hermione, vou te amar e apoiar seja lá qual for sua decisão.
— Obrigada mãe. – Falei abraçando-a e quando me afastei vi-a limpar uma lagrima do próprio rosto.
— Vou te deixar sozinha. – E com isso ela saiu, deixando-me para trás com as cartas.
A primeira era de pouco depois da batalha contra você-sabe-quem. A peguei e respirei fundo antes de abrir.
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