Notas iniciais
Não demorei muito para absorver os conteúdos das cartas, assim que o fiz tirei o vestido de casamento jogando-o de qualquer jeito num canto do quarto. Peguei papel, tinta e uma pena. Minha mão corria sobre o pergaminho a uma velocidade tremenda, rabiscando rapidamente.
Diga-me onde está e irei até você.
Ainda te amo.
Hermione.
A coruja voou para fora do quarto, levando a carta consigo. Enquanto esperava ela voltar com a resposta dele, arrumei apressadamente uma pequena bagagem em minha bolsa com feitiço de expansão.
Vesti uma calça, uma blusa de mangas longas e coloquei um casaco por cima o mais apressadamente que pude, queria ter uma resposta mais rápido do que achava possível uma coruja voar até a Bulgária.
Desci as escadas da casa dos meus pais. Eles estavam sentados na ilha da cozinha, suspirei desconfortável em ter de encará-los, mas ergui a cabeça demonstrando uma confiança que eu não tinha e fui até eles. Minha mãe foi a primeira a ver-me e baixou a própria xícara. Meu pai se virou para mim, por um momento esperei ver em seu rosto o sorriso familiar, mas não foi isso que vi. Tudo que ele fez foi suspirar e encarar minhas roupas.
— Vai atrás dele? – Perguntou em sua voz grave. Não tive voz para responder com palavras, à voz escapara-me, então apenas assenti. – Espero que esteja fazendo a escolha certa.
— Eu também. – Disse minha mãe. – Mas seja ela certa ou errada vamos te apoiar.
— Vou aparatar daqui a pouco. – Falei. – Vou até Gringotes preciso trocar algumas moedas bruxas por Lev búlgaro. Não sei quanto tempo vou ficar por lá então é bom ter dinheiro, posso demorar a encontra-lo... – Ainda não tinha concluído minha fala, mas um piado baixo chamou minha atenção para a janela.
Corri até lá e a abri, peguei o pergaminho e o abri esperando uma resposta dele, mas só encontrei meu próprio bilhete. Lágrimas rolaram pelo meu rosto e pensei que tinha acabado, ele cortou minha ligação com o seu esconderijo.
— O que foi? – Perguntou minha mãe.
— Minha coruja não o encontrou. – Respondi. – Ele me disse na última carta que eu teria um tempo para responder, mas depois ele baniria até minhas cartas. E ele o fez.
O silêncio instaurado na cozinha nesse momento era perturbador, pensei em todas as minhas dúvidas, por que tive tanto medo? Perguntei-me. Tudo isso é culpa minha.
— E você vai desistir? – Perguntou meu pai. Levantei os olhos para ele. – Minha filha não é de desistir. Não foi você quem apagou nossas memórias e fez-nos esquecer sua existência para enfrentar um vilão? Vai deixar que o fato de não saber onde Vitor está a impeça de ir atrás dele?
— Não! – Afirmei. – Vou encontra-lo nem que tenha que procurar em toda a Bulgária.
— Era isso que eu queria ouvir. – Disse minha mãe. – Espero que você o encontre e que tudo isso tenha valido a pena.
— Vai valer. – Falei com confiança. Talvez mais confiança do que eu tenha no momento.
Após me despedir dos meus pais fui para fora de casa e aparatei, a sensação familiar de ter o corpo retorcido me atingiu e pela primeira vez senti-me livre. Meus pés pousaram suavemente a alguns metros do Gringotes.
Não demorei muito dentro do banco, os duendes trabalham rápido então isso me poupou bastante tempo, em seguida aparatei novamente e ressurgi em Sófia capital da Bulgária, meu coração saltou um pouco com a emoção de estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe dele.
Caminhei pelas ruas e comprei um mapa. Após resolver os meus problemas como alugar um quarto de hotel, então andei apressada pelas ruas procurando qualquer coisa que pudesse ser do mundo bruxo os trouxas me olhavam com curiosidade por minha pressa.
Sentei-me num banco e avaliei o mapa da cidade. No canto do mapa tinha uma pequena floresta, mas no meio dela havia um espaço sem nada desenhado, nem mesmo árvores, será que isso seria uma arena de quadribol? Perguntei-me. Então comecei a andar, aparentemente a pequena floresta era uma reserva ambiental e estava cercada. Um homem aproximou-se de mim enquanto eu estava próxima à cerca.
— Posso ajudar? – Perguntou ele em búlgaro. Ele era alto, tinha cabelos e olhos escuros, um sobretudo preto.
— Ah... – Meu búlgaro não era muito bom, mas eu sabia algumas palavras. – O senhor é um bruxo? – Perguntei, se ele não fosse eu poderia apagar a memória dele.
O homem me olhou espantado, então previ que ele fosse trouxa, puxei a varinha do casaco pronta para apagar a memória dele, mas o homem sorriu.
— Sim, eu sou um bruxo. – Respondeu ele. Eu sorri aliviada e guardei a varinha.
— Estou procurando um amigo. – Falei.
— Se eu puder ajudar...
— Não sei onde ele está exatamente, mas sei que ele está aqui em algum lugar da Bulgária e ele é jogador de quadribol. – Eu não sabia se esse homem iria realmente acreditar que eu sou amiga de Vitor, então não disse o nome dele.
— Talvez eu o conheça, afinal também jogo quadribol. Estava indo a um treino agora. – Ele apontou para a floresta.
— Entendo. O nome dele é Vitor Krum. – Falei, o homem riu como se eu estivesse mentindo, depois passou ao ver-me séria.
— Então você é amiga de Vitor? – Perguntou ele.
— Sou.
— E qual seria o seu nome?
— Hermione Granger.
— Você é a Hermione? – Perguntou ele com ênfase em meu nome.
— Meu nome é Hermione.
— Meu Deus. Vitor passou muito tempo falando de você. Ele até me socou duas semanas atrás porque soube que você ia se casar.
— Não entendi algumas de suas palavras. Meu búlgaro não é muito bom.
— Ah, desculpe. – Disse ele. – O que a trás aqui Hermione?
— Vim atrás de Vitor.
— Não sei onde ele está, mas conheço alguém que pode saber. – Disse ele. Ele pegou um papel e uma pena dentro do sobretudo e rabiscou alguma coisa, em seguida me entregou.
Era um endereço, de uma casa aqui em Sófia.
— De quem é? – Perguntei.
— Da casa da mãe dele. Diga que eu te mandei que ela vai te receber. – Ele pulou a cerca.
— Eu não sei o seu nome.
— Peter Korvin.
— Obrigada pela ajuda.
Estava confiando em um estranho sobre um possível endereço da mãe de Vitor. Então eu voltei para cidade. Olhei no mapa o possível endereço e percebi que ficava na parte nobre da cidade, voltei para o hotel, comi, tomei banho e escolhi um vestido.
Então eu estava mais uma vez nas ruas de Sófia com um mapa nas mãos e andando com sapatos de salto, não demorei muito para encontrar o endereço, a casa dos pais de Vitor não é do tipo que passa despercebida. A casa deveria ter um três andares, um muro alto e portões de ferro impediam minha passagem, havia um interfone que eu suspeitava só ter sido posto por causa dos trouxas. Toquei a campainha.
— Sim. – Disse uma mulher em búlgaro.
— Oi, eu gostaria de falar com a senhora Krum.
— Quem gostaria? – Respondeu a mulher.
— Eu me chamo Hermione Granger. – Falei. Não houve resposta, então o portão se abriu.
Entrei cautelosa, caminhei lentamente pelo caminho estreito até a varanda da casa, o gramado verde até lá lembrava-me os jardins de Hogwarts. Uma mulher baixa saiu de dentro da casa, ela vestia uma roupa que assim que vi percebi que não se tratava de uma trouxa.
— Você é Hermione? – Perguntou assim que pisei no primeiro degrau da varanda.
— Sim, senhora. – Ela tinha os mesmos olhos de Vitor, o cabelo grisalho nas laterais e presos em um coque, rugas marcavam os cantos de seus olhos.
— Vitor me falou muito de você. É um prazer finalmente conhece-la.
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