Hermanos Continuação
1 Capítulo 3 - Overdose
Notas iniciais
Essa continuação veio por conta de alguns pedidos, a história tá indo por um caminho que me surpreendeu, espero que vocês gostem!
Pov. Lucrecia
Eu sabia bem o que estava fazendo ainda que os outros não soubessem. Talvez se Valério estivesse aqui ele teria percebido, mas o resto dos meus "amigos" não notou nada, mas uma prova de como não me conheciam. Eu estava 100% exausta de tudo e de todos, só queria que tudo terminasse e sabia exatamente o jeito de fazer com que minha escolha parecesse um acidente.
Ninguém estranhou quando eu apareci na boate pela milésima vez daquele mês, de novo completamente sozinha, já era um hábito eu frequentar o mesmo lugar que todos e não falar com nenhum deles. Então, quando eu não dirigi a palavra a ninguém não foi uma surpresa, era uma noite qualquer para eles e se tudo desse certo a última da minha vida.
Eu não queria morrer, mas se a morte fosse o único modo de acabar com esse vazio e essa solidão eu estava disposta a tentar. Eu só queria acabar com tudo, misturei três drogas completamente diferentes, porém numa quantidade tão discreta que eu sabia que quando tudo acabasse todos pensariam ter sido um acidente: álcool, cocaína e ecstasy, drogas que eu vinha usando nos últimos meses com frequência, mas que nunca tinha usado juntas.
A primeiro momento nada parecia estar errado, a sensação boa causada pelas drogas veio com força e eu agradeci por ter escolhido essa maneira para partir. Se não existisse mais nada do outro lado ou se eu fosse condenada ao inferno pelo menos ainda teria esses últimos minutos de felicidade. E ainda que ela fosse falsa, para quem nunca conheceu a de verdade, era real o suficiente. Eu pulei, dancei, cantei, sorrindo como não fazia desde criança.
Mas da mesma maneira como essa sensação surgiu, ela começou a ir embora. A paranoia veio primeiro com uma raiva acumulada absurda, eu comecei a achar que as pessoas estavam me encarando e rindo de mim, o que eu sei hoje que não estavam, mas na hora não. Naquele momento eu tinha certeza que todos zombavam de mim e eu comecei a gritar e brigar com quem estava no meu entorno. Não me pergunte quem eram essas pessoas, eu não faço ideia.
Quando duas mãos masculinas me seguraram tentando me acalmar, eu não as identifiquei, já estava nauseada demais para focar em qualquer outra coisa. Uma fraqueza fora do comum me tomou, comecei a ter dificuldade de manter em pé e consciente. Me apoiei nele, apesar de não ter ideia de quem era, meu olhos não conseguiam mais ficar abertos, meu corpo estava mole demais...
— Lucrecia... Lucrecia, abre os olhos! Lu... — Samuel repetia incessantemente e eu ouvia, mas não conseguia abrir meus olhos. Foi a sensação mais estranha que eu já tive na vida, eu não estava sentindo dor, mas era como se tudo estivesse acontecendo rápido demais e eu não conseguisse processar. Respirar era particularmente difícil, abrir os olhos era impossível.
—Lucrecia... Alguém sabe o que diabos ela usou? — Até a música tinha parado, eu só ouvia a minha própria respiração e sentia o corpo de uma outra pessoa me segurando.
— Alguém liga pra emergência, ela tá tendo uma overdose... Puta que pariu Lu ... O que você fez? — Ouvi Samuel dizer desesperado e queria dizer para ele não se preocupar, que estava tudo bem, mas não consegui.
— Se você estiver me ouvindo aperta minha mão... por favor. — Com toda força que eu tinha eu fiz o que ele pediu. Um aperto fraco, quase imperceptível.
— Isso Lu, vai ficar tudo bem... Vamos te levar para o hospital. — Eu queria dizer a ele que não precisava, que eu estava bem ali, que morrer nos braços dele não seria tão ruim.
Pov. Samuel
Eu estava dançando com a Rebeka quando eu vi a confusão começar, achei estranho, já estava de olho na Lucrecia tinha um tempo e quando ela parou de pular e sorrir e começou a discutir com todos, eu soube que tinha algo errado.
Já tinha visto esses sinais outras vezes, e fui eu que me aproximei para acalmá-la, mas antes que eu pudesse de fato fazer alguma coisa, ela já estava nos meus braços completamente desacordada. Fiz o que eu sabia que tinha que fazer, tentei fazê-la recobrar a consciência, mas o máximo que consegui foi um aperto de mão tão fraco que me deixou mais preocupado que aliviado. Perguntei a todos se sabiam o que ela tinha usado, mas ninguém respondeu. Liguei para emergência desesperado.
— Qual o motivo da emergência?
— Minha amiga ... está tendo uma overdose. — Passei o endereço de onde estávamos e chegou a vez da pergunta que eu sabia que eles fariam.
— Que drogas ela usou?
— Eu não sei, não estava perto dela.
— Senhor, saber a droga é essencial para o tratamento, você não será denunciado...
— Alguém sabe que caralho ela usou? Isso é sério gente ela pode morrer... — Falei encarando todos os rostos conhecidos, alguém deve ter visto alguma coisa.
— Eu vi ela bebendo e fumando. — Disse a Cayetana.
— Ela tava cheirando cocaína no banheiro.— Falou Carla já com medo da mistura.
— Acho que eu vi ela comprando ecstasy... — Murmurou Rebeca baixo.
— Puta que pariu Lucrecia... Aperta minha mão de novo, Lu, por favor.
— Tudo... ela usou tudo, moça.
— Ela está consciente?
— Não, mas estava apertando minha mão quando eu falava com ela até minutos atrás.
— Uma ambulância já está a caminho.
— Se afastem por favor. — Peguei ela nos braços e a levei para o lado de fora, não queria perder tempo quando a ambulância chegasse, a respiração dela estava fraca e seu pulso mais ainda, não tínhamos muito tempo.
Já do lado de fora, coloquei ela de lado no chão e segurei sua cabeça. Sem perceber comecei a rezar, ainda que nunca tenha sido amigo da Lu, ainda que desgostasse dela a maior parte do tempo não queria que ela morresse assim. E a única coisa que eu conseguia fazer entre lágrimas era pedir para ela esperar mais um pouco, que logo tudo ficaria bem. Quando a emergência chegou foi um alívio, eu não sabia quanto tempo mais ela resistiria sem socorro.
Eles a atenderam e eu fui junto com eles, Carla sugeriu ir no meu lugar, mas eu nem prestei atenção na sua sugestão, menti aos paramédicos dizendo que era seu namorado, e a acompanhei. Não a deixaria sozinha com quem se dizia sua amiga, mas só a ignorou. Se o pior acontecesse eu queria estar com ela, Lucrecia andava muito solitária ultimamente e me pareceu injusto que morresse assim também.
— Samuel...— Eu não respondi nada, não havia nada a ser dito. Já estava chorando, já vi isso acontecer outras vezes, Lucrecia estava em perigo real, ela estava pálida e não respirava bem e na última vez que senti o pulso estava muito fraco. E ainda que eu não gostasse dela não queria que ela morresse assim completamente só. Continuei chamando por ela enquanto os socorristas faziam seu trabalho, eu estava chorando desesperado, as coisas não pareciam melhorar, ela não estabilizava de modo algum, os próprios socorristas pareciam preocupados.
— Lucrecia...
Eu passava minha mão no meu cabelo e tentava fechar os olhos para fugir dessa realidade, seu coração parou de bater e eu fui obrigada a soltar a mão dela. Fechei meus olhos, e rezei como nunca, pedindo para ela voltar. Aquele barulho único ressonante foi sem dúvida o pior som que já ouvi na vida, foram minutos desesperadores, só ouvia os movimentos rápidos e certeiros deles tentando reanimá-la. Somente na terceira vez ela reagiu, e eu sem nem perceber voltei a respirar. Eu não conseguia nem pensar na possibilidade dela não sobreviver, mas era possível, bem provável até, e com essa notícia restou a mim a missão de avisar os pais delas e Valério do acontecido. Como se liga para alguém as 3 da manhã de um sábado para dar uma notícia dessas?
Carla chegou no hospital logo em seguida com Rebeka a tira colo.
— Como ela está?
— Nada bem. Ela teve uma parada no caminho para o hospital.
— Precisamos avisar aos pais dela. Carla você pode fazer isso? Acho que eles receberiam melhor a notícia vindo de você.
— Claro. — Carla se afastou com o seu celular e eu suspirei, restava para mim a missão de contar para o Valério.
— Rebeka você avisa ao restante dos nossos amigos? Vou ligar para o Valério.
— Claro, pode deixar. — Me afastei de todos e telefonei, tentei pensar nas melhores palavras, mas não existiam, não tinha como eu dizer o que eu tinha para dizer e não destruí-lo. Não queria ser eu a pessoa a contar isso pra ele, mas Valério precisava saber. O telefone tocou várias vezes antes de ser atendido.
— Samuel? — Valério disse sonolento. Merda... eu acordei ele para dar a pior notícia da vida dele...
— Aconteceu alguma coisa?
— Cara, desculpa te ligar pra falar isso, mas aconteceu algo.... Com a Lu.
— Ela tá bem? O que houve? — Murmurou ele agora completamente desperto. Conseguia sentir sua preocupação de onde estava.
— Não... Lu misturou coisas demais, teve uma overdose...
— Para de brincadeira, isso não faz nenhum sentido. Lu não usa drogas...—Sua descrença e desespero eram nítidos, ele não queria acreditar e honestamente nem eu queria.
— Ela vinha usando, Valério desde que você foi embora. Mas hoje ... bem... ela exagerou, misturou coisa demais... — Explicar é difícil, nunca tinha visto Lu desse jeito antes dele ir embora e associar o uso de drogas a partida dele não é algo difícil de deduzir.
— Diz por favor que ela tá viva... — Do telefone eu o ouvia chorar e era simplesmente devastador, nada que eu dissesse realmente melhoria a aflição dele.
— Lu está viva, mas não está nada bem. Ela teve uma parada no caminho para o hospital, os médicos estão fazendo o melhor, mas ela passou da conta Valério... Queria te dar esperança, mas realmente não sei se tudo vai ficar bem...
— Não faz sentido, Samuel. Não faz...
— Só vem pra cá Valério, ela precisa de você! — Ele sequer me respondeu de volta, apenas desligou, e me restou imaginar a aflição que ele devia estar sentindo.
— Que merda você fez Lucrecia? — Murmurei em voz alta mais desesperado que irritado.
Voltei para a sala de espera, Guzmán e Nadia já tinham chegado, todos estavam arrasados e extremamente preocupados. Só conseguia pensar aonde essas pessoas estavam quando ela começou a usar?
Eu nunca fui amigo dela, mas eles eram, e a deixaram chegar nesse ponto. Minha vontade era mandar todos embora, porém qual era o meu direito? Eu também não era nada dela e não tinha feito absolutamente nada para impedi-la, não era segredo pra ninguém como ela vinha usando nas festas, só que ninguém nunca se preocupou, nunca cogitou que ela poderia chegar nesse estágio.
Fiquei ali o resto da noite, Valério chegou quase uma hora depois, estava acabado, com olheiras, olhos inchados e vermelhos, ele correu na minha direção, queria ter novidades para ele, queria poder dizer que ela estava fora de perigo, mas não tínhamos nenhuma informação.
Com uma única olhada eu sabia bem que a pessoa que mais se importava com a Lu naquela sala era ele, o modo como suas pernas nunca paravam e como seu olhar nunca saía de um mesmo lugar dizia muito. Ele não conversava, não comia, não tinha forças para pensar em mais nada além no estado da Lucrecia e só de olhar pra ele eu sabia que se algo desse errado seguir em frente seria a coisa mais difícil que ele faria na vida.
Quando os pais dela chegaram já era de manhã, os dois pareciam extremamente nervosos, mas ninguém como Valério. E quando o pai deles o viu, sua expressão mudou na hora, o senhor Montesinos correu na direção do Valério irritado. Pegou Valério pelo pescoço e começou a gritar que ali não era lugar para ele, que tudo aquilo era culpa inteiramente dele. Ao contrário do que era esperado, Valério não disse nada, deixou que seu pai dissesse e fizesse o que quisesse com ele e se não tivéssemos o impedido, não tenho ideia do que teria acontecido. Arrastei Valério embora, mas mesmo de longe ainda era possível ouvir os gritos do senhor Montesinos:
— Isso é culpa sua, você a envolveu nas suas perversões e nesse seu mundo de drogas. Se minha filha morrer hoje eu nunca nunca vou te perdoar.
No lado de fora do hospital Valério se sentou no meio fio, tirou um cigarro do bolso e começou a fumar compulsivamente.
— Ele está certo, Samuel, é minha culpa. Ela não usava nada há anos, e mesmo quando usava nunca perdeu o controle desse jeito. Lu nunca foi assim, não faz sentido, Samuel.
— Não é sua culpa, não só sua pelo menos, ela não tem estado bem, Valério, tem algum tempo. Tem estado muito sozinha, e sou tão culpado quanto você por não ter feito nada. Nenhum de nós fez nada, ela se isolou e a gente deixou...
— Você não sabe. Eu a humilhei na frente de toda nossa família, revelei nosso caso e simplesmente fui embora. Ela precisava de mim e eu a abandonei. Mas mesmo assim nada disso faz sentido, a Lu que eu conhecia nunca faria isso.
— Você disse bem, a Lu que você conhecia.
— Quero ir embora daqui, não aguento ficar esperando, preciso fazer alguma coisa. — Ele começou a andar de um lado para o outro completamente desesperado, fumando um cigarro atrás do outro. Valério tirou a chave do bolso e foi em direção ao seu carro.
— Você não vai dirigir assim, deixa que eu dirijo, para aonde você quer ir?- Perguntei me sentindo um idiota de ter feito ele vir dirigindo até aqui. Qualquer coisa poderia ter acontecido.
— Pra casa, quero ficar perto dela de verdade.
Em silêncio nós dois fomos para casa dos Montesinos, os únicos sons audíveis eram os soluços e lágrimas dele misturadas ao barulho do carro. Eu só conseguia rezar mentalmente para Lucrecia ficar bem.
— Eu sempre pensei que isso aconteceria comigo, não faz sentido, Samuel. Viver isso parece um pesadelo, mas não importa o quanto eu feche os olhos nunca acordo.- Disse ele assim que chegamos na casa, mas antes de sair do carro.
— Tenho medo de entrar nessa casa e essa ser a última vez que eu entre com ela viva.
— Podemos ficar do lado de fora, se você preferir.
— Não, eu preciso entrar.... — Dessa vez sem pestanejar ele saiu do carro e devagar foi andando pela casa, olhando cada canto como se Lucrecia estivesse em cada um deles e nas memórias deveria estar mesmo.
Eu nunca tinha estado na casa deles, mas conseguia sentir pelo modo como Valério andava que eles tinham vivido momentos muito especiais naquela casa. O único lugar onde ele entrou foi no quarto dela, sentou na sua cama e começou uma nova crise de choro. Dessa vez ainda mais desesperado, como se estar no quarto da Lu sem ela pudesse ter dado a certeza de tudo que estava acontecendo. Me encostei na penteadeira desconfortável, ali não era meu lugar, mas deixá-lo sozinho também não parecia a melhor opção, então eu fiquei. Foi fugindo do campo de visão dele que eu vi a carta, manchada e com o nome do Valério em cima.
— Eu acho que isso é pra você...— Eu não li a carta, só entreguei para ele e não tinha ideia do que estava escrito, mas soube que era algo ruim quando ele começou a andar como um maluco pelo quarto, chutando e jogando as coisas.
— Não foi um acidente, Samuel... Ele estava certo é minha culpa, Samuel, aquele maldito estava certo... — Valério gritou, demorei a processar o que realmente ele estava dizendo. Ele me entregou a carta, parecia não ter disposição para me explicar o que tinha lido.
— Foi sim, ela exagerou...- Falei antes de ler, honestamente não achava que Lu fosse gostar que eu lesse.
— Lu fez de propósito....
— Não...
— Ela queria morrer, Samuel. Ela queria ir embora, por isso fez o que fez. Não foi um acidente. Por que diabos eu inventei de ir embora? Me sinto um idiota agora, deveria ter ficado... Nunca vou me perdoar.
—Não é sua culpa, Valério, você sabe disso, né? Não de verdade... — Eu disse entregando a carta de volta ainda sem ler, não era da minha conta saber o que provocou essa decisão nela, se um dia Lu quiser compartilhar comigo ouvirei de bom grado, mas assim não é justo. Eu não gostaria de ter minha intimidade exposta desse jeito.
Valério não respondeu nada, tirou um saco de cocaína que tinha no bolso e começou a usar.
— Quer morrer também por acaso? Larga essa merda! — Disse jogando o saco no chão.
— Talvez seja o melhor.
— Não fala merda, Valério. Ela vai precisar de você quando se recuperar.
— Se se recuperar. Você não sabe se ela vai...
— E você também não sabe se ela vai morrer. Não vamos dar uma de Romeu antes da hora Valério. Acho melhor voltarmos para o hospital, eles já devem ter notícias.
Saí do quarto, mas tive que voltar atrás dele.
— E se ela morrer? O que eu faço Samuel?
— Ela não vai morrer. — Respondi querendo acreditar naquilo, ignorando a parada que ela teve na ambulância e a dificuldade que eles tiveram em reanimá-la.
— Você não sabe disso.
— Se ela morrer eu vou estar aqui.
Nós dois nos levantamos e voltamos para o hospital, no caminho inteiro Valério não derramou mais nenhuma lágrima, mas seu rosto não negava sua apreensão e desespero. Era como se ele só não tivesse mais lágrimas para derramar. Chegamos lá em menos de meia hora e para evitar uma nova confusão liguei para Guzmán antes de entrar, que veio a nosso encontro.
— E aí alguma novidade?- Perguntei enquanto Valério relia pela milésima vez a carta que Lu tinha deixado pra ele.
— Os médicos vieram há meia hora, ela está estável, ainda corre algum risco, mas não como antes.
— Graças a Deus! Posso vê-la?- Perguntou o Valério.
— Acredito que não, ele só permitiu duas pessoas, e os pais delas já entraram. — A fisionomia dele mudou de novo, só de olhar pra ele eu sabia que ele precisava vê-la.
— Ele realmente precisa vê-la. Não conta pra ninguém Guzmán, mas isso não foi um acidente. Ela tentou...
— Lu nunca faria isso...
— Mas fez e ela precisa dele, mais do que qualquer outra pessoa.
— Onde você está querendo chegar?
— Precisamos colocá-lo lá dentro.
Notas finais
Beijo e espero que gostem!
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