Here's To Us
4 Capítulo Quatro - Don’t Speak
Notas iniciais
Kitty sentiu seu rosto enrubescer. Não apenas pela dor do tapa, mas também pela raiva que lhe subia pelo corpo. Ryder não tinha o direito de agredi-la daquela maneira. Ela sabia que atacara ele primeiro, mas ela disse a verdade.
– O que você fez?! – Unique gritou.
– Eu vou acabar com você! – Kitty gritou, mas Jake a segurou, impedindo-a de avançar em Ryder. – Vou arrancar o seu brinquedinho com a mão e Unique será a ativa!
– Ah garota, não mexa no meu playground! – Unique falou a Kitty.
– Eu não sou seu playground! – Ryder gritou para Unique.
– O que está acontecendo aqui?! – Marley gritou mais alto que todos, fazendo com que se calassem.
– O que acontece é que eu descobri que esse cara aí é a Unique – disse Ryder. – E que ele tem me enganado há meses.
Jake deu uma risadinha, mas logo se conteve.
– Isso é verdade? – Marley perguntou a Wade.
– Sim – ele respondeu. – Mas não planejava que todos descobrissem.
– Eu tenho ódio de você! Nojo de você! Você é uma farsa Unique. É uma farsa por completo – Ryder disse.
– Eu te amo Ryder! – Unique gritou empurrando-o contra a parede. – Eu te amo tanto que dói cada vez que penso em você e que penso em como você nunca ficaria comigo depois que descobrisse como eu era de verdade. Eu posso ter te enganado por meses, sim! Mas você não imagina o quão doloroso era isso pra mim. O quão doloroso era saber que no minuto em que você descobrisse como eu sou, você seria mais um a me julgar e me odiar. Eu só quero que saiba, Ryder, que por mais doloroso, esses meses foram os melhores da minha vida porque eu estava ao seu lado. Porque eu estava ao lado do amor da minha vida! Mas eu acho que isso acabou agora. Uma última coisa: Se você decidir ser homem o suficiente pra admitir o que sente, eu estarei aqui para recebe-lo. Mas se você decidir o contrário, você é que estará perdendo, pois não encontrará ninguém tão maravilhosa quanto Unique em lugar algum.
Unique falou e correu em direção ao Colégio. Kitty a seguiu. Ryder, Jake e Marley permaneceram ali. Todos ainda processando tudo o que acabara de acontecer.
•••
Kitty tentou encontrar Wade, mas após o ocorrido ela não o encontrou em lugar algum na escola. Dirigiu-se, então ao grande auditório da McKinley. Ela não sabia o porquê, mas aquele lugar a confortava de uma maneira estranha. Ela se sentia em paz ali. Em paz e tranquilidade. Ela chorava. Já não sabia mais o porquê, simplesmente precisava chorar.
– Será que todos os nossos encontros serão depressivos e nesse auditório?! – ela ouviu a voz de Artie perguntar do palco. Um pequeno sorriso se formou em seu rosto. Ela estava sentada em uma cadeira distante, no centro da plateia.
– Eu espero que não – respondeu-lhe com a voz chorosa.
– Porque está chorando agora? – ele perguntou. – E nem adianta dizer que está bem, pois uma pessoa chorando dois dias na escola, não pode estar.
– Eu acabei de levar um tapa na cara – respondeu-o. – De um cara, o que é pior ainda.
– Quem foi o imbecil?! – Artie perguntou, sua expressão séria. – Porque eu vou dar uma surra nele mentalmente... Já que sentado nessa cadeira ficaria meio difícil.
– Você é um bobo! Mas eu não quero que aconteça nada a ele... Ele é o namorado da minha melhor amiga. Ryder Lynn, também é um novato.
– Lembro dele na festa – Artie falou. – Não tem cara de fazer este tipo de coisa... Ele parecia ser um cara bem decente... Tenho certeza que estava nervoso por alguma razão.
– Ele estava nervoso por minha culpa – explicou Kitty. – Eu falei umas coisas não muito legais pra ele. Esse é o meu problema: Sou uma imbecil com as pessoas. Por isso me odeio.
– Nunca diga isso.
– Dizer o quê?
– Que você se odeia – ele explicou. – Você não tem motivo pra se odiar. Por mais que não nos conheçamos tão bem, eu sinto isso. Você é uma ótima pessoa Kitty.
– Obrigada – Kitty disse, ficando vermelha. – Também sinto isso vindo de você.
– Fico feliz em saber – Artie falou. – Infelizmente nosso encontro terminará aqui. Preciso ir ajudar a Treinadora Beiste.
– Tudo bem, Artie. Obrigada pelo apoio.
– Estarei aqui sempre que precisar.
E então ele saiu. E Kitty voltou à seu estado melancólico. Sozinha no enorme auditório.
•••
Ryder ficou sentado no estacionamento por um tempo que pareceu interminável. A dor em sua cabeça era gigante. Seus olhos também doíam de tanto chorar. Mas a pior dor era a que estava alojada em seu coração. Ele disse coisas horríveis a Unique. Ela não merecia ouvir aquilo. A cabeça de Ryder era um turbilhão de pensamentos. Ele estava confuso. Ele... Ele gostava de mulheres. Sim, gostava. Mas então porque ele não consegue para de pensar em Unique nem por um segundo?! Porque ele simplesmente não consegue deixar de amá-la...
Ele se levantou, entrou em seu carro e dirigiu até sua casa. No rádio, tocava Don’t Speak e ele não pôde evitar o choro. Lembrou-se de todas as conversas que teve com Unique. De como ele se sentia quando falava com ela... Como ele se sentia feliz... Como ela era a única pessoa que ele poderia confiar no mundo. Ele a amava. Ele a amava de verdade. E depois de ter percebido isso, o arrependimento atingiu-o. Ele seguiu em direção à sua casa. Já sabia o que deveria fazer... Amanhã Unique voltaria a confiar nele.
Estacionou o carro e subiu em direção ao seu quarto jogando-se na cama. Ele dormiu por uma hora e quando acordou recolheu tudo que estava em seu alcance no quarto. A essa hora o McKinley já estaria vazio... Entrou no carro e antes de chegar à escola, parou em uma joalheria. Comprou um pingente em forma de coração onde havia colocado a foto de Unique. Sorriu, sabendo que estava fazendo o certo. O certo para o seu coração. E então dirigiu ao McKinley. Ele estava feliz. Feliz demais.
Saiu do carro, pegou as sacolas no porta-malas e entrou na escola. O corredor estava escuro e vazio. Era estranho ver o McKinley daquela maneira... Sem alunos andando de um lado a outro, Sem a Professora Sue gritando com suas Cheerios, Sem os alunos do coral cantando naquela mesma sala. Era como se você entrasse em uma parte da sua vida e tudo fosse arrancado de você.
Ryder se assustou quando viu uma sombra ao longe, no fim do corredor.
– Quem está aí? – perguntou, mas teve a resposta ao ver a pessoa. – O... O quê?
A pessoa andava em sua direção lentamente e com um sorriso no rosto. E então ele viu que ela segurava um revólver...
– Foi... Foi você! – Ryder falou, jogando as bolsas ao chão e correndo, tentando salvar sua vida. Mas ele ouviu. Ouviu o primeiro disparo. E em segundo sentiu a dor alojada em suas costas. Caiu ao chão. Sua visão estava turva. Ouviu os passos. Eles se aproximavam. – Não! Não faça isso, por favor.
– Você merece – Foram as últimas palavras que ouviu. E então mais um disparo foi dado, dessa vez na sua cabeça.
O seu último pensamento foi “Eu te amo” e então apertou o pingente em sua mão.
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