Here's To Never Growing Up
1 Apenas um desejo
Notas iniciais
??”Kisses ♥
Mas por quê? Pelo o quê tanto meus pais gritam na sala? Será que fiz algo de errado?
A minha cabeçinha girava a mil, procurando respostas em que nem ideia teria. Afinal, o que sabe da vida uma garotinha de 7 anos como eu?
Já estava tarde da noite, o barulho das cigarras do jardim eram sinos abafados pelos gritos e berros vindo do andar de baixo. A janela aberta bufava ventos gelados para minhas cortinas, que dançavam como bailarinas desajeitadas. Uma pequena borboleta entrou pela janela e pousou em cima do abajur da minha mesinha de colorir, se misturando com as borboletas de mentira que decoravam o quarto todo, ainda me lembro exatamente a frase que minha madrasta disse quando recebi o quarto de presente:
"Decorei para que se sentisse num mundo mágico, mas a verdadeira magia só irá se realizar quando você querer, Thalia."
Andei até a mesinha, peguei meu pequeno caderno de desenho e rabisquei o que me vinha em mente. Um menino.
Eu não conseguia ter muitos amigos na escola. Todos me achavam esquisita por ter uma cicatriz na mão, mas a culpa não foi minha. A única amiga que eu tinha era a Annabeth, ela nunca ligou pra as coisas bizarras e estranhas que falavam sobre mim.
Mas mesmo com a Annabeth, eu me sentia um pouco solitária.
Os ruídos de coisas quebrando e gritos ficavam cada vez mais altos e enfurecidos. Temia que meu pai se machucasse, ou até mesmo minha madrasta, eles não deixaram eu descer, talvez seja por esse motivo ou por outro, talvez nunca saiba.
O vento começou a se enfurecer a medida que eu terminava de desenhar. Preto, branco, cinza, azul, vermelho. As únicas cores que minha mão se permitia usar para pintar o menino, mas o mais estranho era não conseguir enxergar meu desenho nitidamente, como se estivesse borrado, como se eu não pudesse vê-lo.
Um último rabisco negro.
Um último sopro do vento.
Um último grito da sala.
Nada. Nada se movia, nada vivia mais.
A janela se abriu por completo num estrondo, o céu se encheu de estrelas imensamente brilhantes, as cigarras adormeceram no jardim.
Andei até o batente da janela, procurando respostas. Era como se o céu estivesse mais perto de mim, mais grande e carinhoso pra receber minha presença. Uma luz se manifestou em minha frente, uma estrela cadente.
Diferente de qualquer outra que tinha visto em filmes, esta passava devagar, desfrutando de cada pedaço de céu que tocava. Lembro-me do meu pai me dizer que quando visse uma, pediria o desejo mais profundo e puro que eu tinha.
E foi exatamente o que fiz.
Um clarão me cegou e senti minha mão formigar, não percebi que o desenho estava firmemente sendo segurado por minhas mãos; ele brilhava em luz dourada. Finalmente pude vê-lo, era um menino com olhos profundamente negros, mas brilhavam mais que o clarão que me cercava, cabelos pretos lisos, pele quase brancas e roupas quase como a dona morte.
Não sei quanto tempo durou, mas a tontura chegara.
Antes de apagar, ouvi uma risadinha fina e acanhada.
"Guarde este desenho, criança. Não tenha medo. Teus desejos foram concebidos de uma só vez, esperança! Às bençãos do Guardião"
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