Notas iniciais
Eu falei em resposta à uma review que ia postar só depois do começo do próximo ano, mas eu decidi postar esse capítulo agora. O próximo será o epílogo. Não reparem nos erros de português, eu não betei esse capítulo. Espero que gostem! Boa leitura!

Um mês.

Trinta dias.

Quatro semanas.

Seiscentas e setenta e duas horas.

Quarenta mil e trezentos e vinte minutos.

Dois milhões, quatrocentos e dezenove mil e duzentos segundos.

Fazia exatamente um mês.

Um mês desde que meu lindo céu azul se transformou em um céu cinza, com raios e nuvens horríveis.

Eu tinha acabado de completar dezoito anos. Nós não tínhamos a intenção de fazer uma festa (e quando digo nós, quero dizer eu e minha mãe). Desde que meu pai era um bêbado e quase nunca — nunca — parava em casa, eu só queria distrair a minha mãe. Nós íamos tomar o meu primeiro drinque juntas. Não era nada muito pesado, era só um pouco de vinho, já que nossa família era italiana e vinho não poderia faltar. Ela estava feliz. Nós ríamos e ela contava as histórias da minha infância, falávamos em talvez viajar e fazer compras, falávamos em fazer algumas coisas mais aventureiras como pular de bungee jumping. Queríamos aproveitar essa nova fase da minha vida e eu não poderia pedir por mais.

Mas então tudo mudou.

Nós ouvimos a porta de casa sendo arrombada por um homem bêbado e totalmente descontrolado. Fazia duas semanas que ele não tinha voltado para casa, e nós não ficamos nem um pouco preocupadas e também não procuramos por ele. Eu sabia que era uma coisa muito ruim de se fazer, já que era meu pai — sangue do meu sangue -, mas desde que ele não aborrecesse minha mãe e não me batesse ou me enojasse com aquele bafo de cerveja, estava tudo bem. Quanto menos intrigas naquela casa, melhor. Mas o que eu pensei que não aconteceria aconteceu. Ele tinha voltado.

E estava com raiva.

"Você é uma desgraça!" Ele tinha gritado pra mim, já vindo na minha direção, com a mão fechada, pronto pra me bater. Eu estava totalmente acostumada, não gostava, mas era melhor que fosse em mim do que em outra pessoa. Já tinha até fechado os olhos e prendido a respiração, esperando os socos. Mas eles não vieram.

Quando abri os olhos, vi minha mãe parada na minha frente, me protegendo.

E a partir daquele momento, tudo aconteceu muito rápido.

Eu vi o homem com cólera nos olhos, eu vi o quanto ele gritou com a pobre moça. Eu vi ele desferindo socos e chutes contra ela, eu vi o sangue jorrando de todas as partes. Eu me vi gritando para que ele parasse, cheguei até a segurar seu braço, mas ele não o fez; em vez disso, ele me empurrou para o outro lado da cozinha, pegou uma faca e atingiu minha mãe três vezes no coração. Após isso ele se matou, cortando a própria jugular. Eu vi ele caindo em uma poça de sangue, fazendo splash e respingando sangue para todo lado. Eu me vi levantando e ligando para a emergência, eu vi eles chegarem 10 minutos depois. Eu vi levarem minha mãe para um hospital, eu vi os médicos tentando reanimá-la, eu vi quando — após de 23 minutos — os médicos balançaram a cabeça negativamente.

E o mais importante, eu vi quando tiraram um feto da barriga da minha mãe.

Talvez as coisas estivessem fadadas à tragédia. Talvez uma força maior quisesse que eles morressem. O que eu não consigo acreditar é o quão injusto tudo aquilo era. Em um momento nós estávamos à um passo da felicidade, no outro estávamos nas mãos da morte. E o que mais me incomoda é que eu sei que se meu pai estivesse vivo, ele não ia ligar nem um pouco sobre o que tinha feito. Talvez ele risse da minha cara, talvez ele me matasse também. Eu não sei. Mas ele não ia se importar. Não ia se importar de saber que tinha matado a mulher com quem casou e prometeu proteger e amar, na saúde ou na doença.

Ele não ia se importar de ter quebrado uma promessa tão importante.

Naquela mesma noite fui interrogada pela polícia; me perguntaram várias coisas. E só. Depois daquilo eu virei um nada. Eles fecharam o caso com o meu pai sendo o assassino e não fizeram nada, já que ele estava morto. A polícia tirou o corpo dele dali, e tirou o da minha mãe do hospital, levando-os ao necrotério. Não perguntaram o que eu queria fazer dizendo que "eram provas do caso." Eles não se importaram comigo, não se importaram quando eu disse que tinha acabado de fazer dezoito e não tinha um rumo próprio. Eles não ligaram pra ninguém, eles não perguntaram se eu queria que alguém limpasse as poças de sangue, eles não tiraram o cheiro de morte da minha casa. Tudo que eles fizeram foi nada.

Quando eu tinha ligado para a emergência e dito "eu preciso de ajuda" achei que me ajudariam, mas não. Eu fiquei sozinha. Sozinha com as manchas vermelhas e agora secas no chão.

Eu não tinha ninguém.

Talvez tenha sido por esse motivo que eu pulei do décimo quinto andar de um prédio abandonado.

Se eles não tinham se importado, eu também não deveria.

Notas finais
A ideia da mãe da menina estar grávida veio à um fato que aconteceu recentemente na minha família. Perguntas sobre os personagens? Sugestões? Críticas? Comentem por favor!