Hereafter
13 Cap. 12: Até que essa banheira é divertida.
Notas iniciais
Já estávamos em frente à grande porta da casa dos Pritons esperando que fossemos atendidos depois que meu pai tocou a campainha umas duas ou três vezes. Não demorou para que uma mulher com uma roupa de empregada e de aparência um tanto velha nos atendesse com um sorriso nos lábios e com cortesia nos deu passagem para que entrássemos e disse para que seguíssemos para o jardim onde os Pritons nós esperavam.
Talvez ainda com um pouco de receio pelo o modo que minha mãe falou sobre em dar um beijo no Adam mais cedo, fazia com que algo em mim pressentisse que não seria uma boa idéia entrar. E por que não ir para casa das minhas repetidas que era logo à frente? Ah é... Porque hoje elas saíram para uma visitinha ao museu de história natural. Eu ainda me pergunto, por que em um dia tão bonito onde elas poderiam está curtindo a própria piscina o Sr. Maxthon decidiu levar as filhas em um museu? É acho que não sou só eu que tenho pais estranhos.
Enfim sem ter qualquer idéia que fosse para dar meia voltar e ir direto para casa, segui meus pais até o jardim onde lá se via uma linda piscina tão grande que chega me dava arrepio na espinha.
Logo da entrada já dava para se notar alguém se batendo – nadando – naquela banheira grande. Segurei uma careta enquanto olhava aquela imensidão de água.
– Jullie porque não vai falar com o Adam, ele está ali nadando. – Com um sorriso no rosto Erik fez sinal para que eu fosse até onde o seu filho estava, e seria esse o lugar que eu não parava de olhar. Sim, por medo.
Sorri para ele e sua mulher e com um pequeno aceno com a cabeça minha mãe sinalizou para que eu fosse. E assim — mesmo que eu não estivesse lá muito afim- eu fui.
Me sentei em uma espreguiçadeira ao lado da piscina e já com os óculos nos olhos esperei o momento que o garoto cansasse de dá suas longas braçadas na água.
Depois de um tempo ele emergiu para fora, com água escorrendo por todo o seu corpo extremamente definido, e com pequenas gotas do seu cabelo pingando no chão.
Ele vinha em minha direção sem nem ao menos sorri – Adam sendo normal – e em um movimento rápido se abaixou em minha direção depositando um beijo em meu rosto que eu recebi com a cara de maior idiota do mundo. Não tipo boba apaixonada, não... Mas sim de surpresa por ele me tratar, digamos como um garoto simpático, o que de certo modo não faz muito a cara dele. E quando eu achei que ele irei se afastar com um sussurro próximo do meu ouvido ele disse.
– Sorria, e depois me siga. – Bem, digamos que eu não seja a melhor atriz do mundo, mas até que consegui fazer o que ele mandou com muita naturalidade.
Com um sorriso me levantei e ele logo foi em direção a porta onde a mesma empregada que nos atendeu o esperava com uma toalha na mão.
O segui até o seu quarto que já não era mais grande novidade para mim e enquanto ele fechava a porta eu permaneci com minha expreção de ... “ Mas que merda está acontecendo aqui?”
– Toma! – Ele me deu um folha de papel sem dizer mais nada.
Tentei analisar a folha antes que soltasse uma de minhas brilhantes idiotices. E enquanto a lia só ficava ainda mais confusa...
– Eu iria agradecer se pudesse me explicar. – Lhe devolvi a folha e ele a jogou na cama.
– Eu vou te levar ai amanhã. – Disse enquanto passava a toalha no cabelo e distribuía vários respingos no quarto.
– Tenho pena da Laura – é esse é o nome da empregada que nos atendeu. – Ele revirou os olhos. – Mas por que diabos eu iria ai com você? – Perguntei enquanto tentava evitar o seu corpo. Sei que não disse, mas a única coisa que tinha para tapá-lo era uma bermuda térmica de natação.
– Porque assim você vai descobrir porque somos assombrados pelo seu amiguinho.
– Não trate o Nathaniel como um dos fantasmas caçados pelos caças fantasmas. – Para minha surpresa ele riu.
– Okay. Desculpa. – ele jogou a toalha em um canto. – Mas imagino que talvez indo lá possa nos ajudar em alguma coisa. – Deu de ombros e vestiu uma camisa regata tirando a belíssima visão que eu tinha doeu peitoral.
– Você acredita mesmo nisso. – Suspirei. É por ele ter botado a camisa mesmo. Ah poxa ele é estranho, mas é um gato.
– Jullie não duvido de mais nada depois que eu vi um fantasma. – Sorri de lado concordando.
– Que horas você me pega.
– Às 17h, não se atrase, eu odeio atraso. –De novo, Adam sendo Adam.
– Estarei esperando.
– Okay, então vamos descer logo porque estou com fome, e se demoramos mais sua mãe pode achar que estou te estuprando. – O olhei um pouco chocada, certo eu nunca espera ouvir isso da boca dele.
– Ela iria ficar feliz. – Disse baixo em um suspiro.
– Disse alguma coisa? – Balancei a cabeça negativamente e forçando um sorriso e assim o segui para fora do quarto.
Quando chegamos de volta ao jardim tive que me segurar para não rir ao ver nossos pais brincando de jogar água um no outro dentro da piscina. É isso mesmo os meus pais e os do Adam brincando como quatro crianças. Enquanto eu segurava uma gargalha o Adam revirava os olhos indo até a mesa com as carnes.
– É acho que eles não tiveram infância. – Comentei indo até ele e pegando um pedaço de queijo grelhado.
– Está enganada. – Se virou e sorriu. – Eles nunca saíram dessa fase da infância, apenas cresceram e tiveram outras crianças para os fazerem companhia. – Arquei uma sobrancelha ao ouvi a dedução do rapaz, mas devo dizer que até fazia um pouco de sentindo.
– Você é estranho nerd. – Sorri o dando um leve empurram fazendo que metade de sua carne que estava no prato caísse no chão.
– E você é louca loira. – Sem se zanga, apenas disse e sorriu pegando novamente carne para completar as que eu o fiz derrubar.
–-x--
Já fazia uma duas horas que estávamos sentados conversando. Nossos pais já tinham saído da piscina e eu desde a hora que cheguei ainda não havia nem ao menos tirado meu vestido e muito menos pensando em ver como estava a temperatura da água da piscina. Mas acho isso não iria durar muito. Pois diversas vezes minha adorada mãe me lançava olhares, olhando para mim e para a piscina. — Ela sabia que eu não sabia nadar, e eu sabia qual era a intenção maligna daquela cabecinha.
– Adam você é um ótimo nadador. – Disse ela me fazendo revirar os olhos.
– Obrigado Senhora.
– Hey, nada de senhora. Até essa ai me chama de Loren. – Fiz uma careta e ele me olhou. – Então me chame de Loren querido.
– Okay Sra. Loren. – Tive que rir enquanto minha mãe revirava os olhos.
É acho que essa mania eu puxei dela.
– Só Loren querido. Mas se quiser pode ser sogra também. Não ligo.
– MÃE!! – Gritei completamente vermelha fazendo com que todos rissem até mesmo o infeliz do Adam. – Para de rir idiota. – Falei para ele que parecia que iria cair da cadeira de tanto que ria.
Droga eu tinha pedido para que ela não me fizesse passar vergonha.
– Relaxa garota, eu sei que é só brincadeira. E devo dizer que você é realmente muito engraçada Loren.
– Quem disse que era brincadeira? – Minha adorável mãe tinha um sorrisinho sacana no rosto o que me fazia cada vez mais ficar vermelha de vergonha.
– MÃE PARA! – Supliquei enquanto ela dava de ombros.
– Você até parece a Abbe. – Disse Adam rindo de lado. Fazendo que todos o olhassem e eu ficasse igual boba sem entender nada.
– Estava brincando, ok. Não precisa ficar tão vermelhinha assim. – Gargalhou e foi acompanhada por todos, menos eu, claro. – Porque você não dá um pulinho na piscina e relaxa um pouco.
– Isso querida. Desde que chegou não vi você tirar esse vestidinho. Vamos tira isso e vai nadar. – Disse a mãe do Adam.
– Obrigada Halley, mas eu não sei nadar.
– A quanto a isso o Adam pode te ensinar. Certo filhão? – Dessa vez foi a vez do Erik enquanto o moreno dava apenas de ombros.
– Vai princesa, você sempre quis aprender a nadar não é? – Meu pai sorria e eu tentei fazer o mesmo, mas não era fácil, aliás é verdade que sempre quis aprender a nadar... Mas queria que meu suposto instrutor fosse o Nathaniel. E mais uma vez seu nome veio em minha mente, mas nada mudou e ele não apareceu.
Não sei se minha expressão tenha sido tão obvia, pois logo Adam me puxou pelo braço me levando até próximo a piscina.
– Vamos tira isso que vou te ensinar.
– Não Adam, prefiro ficar ali. – Apontei para aonde estávamos sentados e notei que não era assim tão perto da piscina, evitando assim que eles ouvissem nossa conversa.
– Jullie, porque você fez aquela cara quando seu pai disse que você sempre quis aprender a nadar? Serio ser for por achar que eu não te ensinaria relaxa eu sou seu amigo e não gostaria de te ver se afogando mais uma vez como naquela aula na escola. – Sorri de lado e devagar tirei meu vestido deixando a mostra meu biquíni lá brasileira de tirinha.
– É que o Nathaniel que prometeu me ensinar antes de morrer, mas acho que devo me conforma com esse meu amigo aqui. – Bati em seu ombro o fazendo da um pulo. Espera o que ele estava olhando? – Você estava olhando meus peitos? – Disse rindo o fazendo corar.
Uauu não esperava presenciar um Adam cafageste no qual olha para mim tão descaradamente.
– Desculpa. Só não sabia que você fosse... – Deu uma leve tossida me fazendo rir de novo. – Bem, bonita. S-sabe, o maiô da escola não dá para notar tudo isso. – Bati em seu braço mais uma vez, mas dessa vez com força.
– Você fica me olha nerd?
– Hey, eu uso óculos, mas não sou cego. – Como aquele sorrisinho de lado era impossível não ficar vermelha.
– Idiota, vai ficar me secando ou me ensinar a nadar? – Bufei o fazendo rir.
– Com certeza seca é o que você não irá ficar. – E foi ai que ele me abraçou por trás e comigo em seus braços se jogou na piscina.
Juro que bebi muita água com o nosso “pequeno” mergulho, mas devo confessar que foi bem divertido.
–-x--
Enquanto ele me ensinava eu pensava a todo momento se seria assim se o Nathaniel estivesse me ensinado. E não era só isso que não sai da minha cabeça, mas também quem seria a Abbe.
– Adam. – O chamei enquanto me escorava ao lado da piscina tomando fôlego.
– Fala.
– Quem é Abbe? – Estranhamente ele me lançou um sorriso antes de se virar e sair da piscina.
– É você aprende rápido. – Ignorou minha pergunta e jogou uma toalha em sua cabeça.
Ele estendeu uma mão para que eu saísse, e com um puxão tive meu corpo bem próximo ao dele onde pude ver toda a imensidão dos seus olhos que sempre ficam escondidos atrás dos óculos.
– Abbe é minha irmã. Ou foi. – Disse dando de ombros. E foi ai que eu percebi que até agora ele não havia me dito como sua falecida irmã se chamava. E em um milésimo de segundo eu me vi me aproximando cada vez mais dele e o dando um beijo no seu rosto. – O que foi isso?
Ele tinha sua mão aonde eu tinha o beijado, e por sorte nossos pais não estavam mais no jardim para ver essa cena.
– Um beijo. – Sorri e ele ainda parecia confuso. – Mas não pense que estou com pena de você. – Peguei sua toalha e me virei indo até onde estava meu vestido. – Isso foi apenas um beijo para te agradece por me ensinar a nadar nerd.
– Você vai mesmo ficar me chamando desse apelido? — Disse ainda com a mão parada aonde o tinha beijado.
– Amigos sempre gostam de chamar os outros por apelido. – Dei de ombros vestindo o meu vestido e por estar ainda molhada o fazendo ficar colado no corpo.
– Não sei se gosto muito disse.
– E quem disse que você precisa gostar? – Sim eu estava zuando com ele e estava sendo engraçado. Poxa só eu que fui zuanda hoje, e logo pela minha mãe.
– Isso é bullying sabia?
– Oh jura? Me processa. – Fiz língua.
Infantil? Eu sei, mas o fez rir.
– Vou fazer melhor. – E foi ai que ele simplesmente me jogou novamente na piscina, mas dessa vez não pulou junto, só ficou da borda se acabando de rir.
– Nerd idiota! – Gritei batendo a mão na água.
– Me ame menos, ainda depois a gente conversa. – Disse sorrindo e saiu me deixando sozinha naquela banheira enorme, que já nem era mais tão assustadora.
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