Here without you
9 Reyna III
Notas iniciais
Reyna fazia o caminho do Senado até seus aposentos pretoriais a passos largos. Acabara de sair de uma sessão de quase três horas e a cada dia Octavian tornava-se mais e mais difícil de combater. Respirou fundo e resvalou os dedos por uma das dobras de sua toga, sentindo o toque do papel que a acompanhava onde estivesse. Jason. Jason. Jason. Ela repetia seu nome como um mantra e sentia-se forte mais uma vez.
A semana tinha sido complicada, mas Reyna estava feliz por ter convencido o Senado de que declarar guerra contra os gregos neste momento não era o ideal. Todos sabiam que a luta contra os gigantes estava por vir e não poderiam se dar ao luxo de desperdiçar armamentos e legionários com um inimigo tão poderoso logo à frente.
Reyna sentou-se em sua mesa e começou a trabalhar na papelada que se acumulava. Mais uma vez estava fazendo o trabalho de duas pessoas, como Octavian fazia questão de lembra-la a cada segundo e falando da necessidade de promoverem um novo pretor. Reyna precisava de toda a sua paciência para não matar o áugure. A Segunda Coorte precisa de uma nova cama, ok. A Quarta Coorte precisa de reparo em um dos banheiros, ok. Reyna começava a ler quando ouviu algo se mexer atrás dela e viu-se encarando uma menina de cabelos ruivos.
A pretora precisou de alguns segundos para perceber que a garota não estava em sua sala. Era um vislumbre em uma névoa e Reyna assustou-se com a visão, mesmo sem demonstrar.
— Quem é você?
— Sou Rachel Dare, o Oráculo de Delfos. Você é Reyna, certo? Desculpe falar com você através de uma mensagem de Íris, mas mesmo que eu fosse até São Francisco não seria bom chegar ao Acampamento Júpiter.
Reyna levantou uma sobrancelha. O oráculo dos gregos estava em contato com ela. Não precisava saber o motivo para imaginar que não seriam coisas boas que estavam por vir.
— E por que precisa tanto falar comigo, Rachel Dare?
— Recebi um bilhete recentemente. É a letra de Annabeth. — A garota ruiva abriu um papel e o virou para que Reyna pudesse ler.
A cada linha Reyna ficava mais e mais incrédula. Primeiro que, segundo o bilhete, Annabeth e Percy haviam caído no Tártaro. Caído e sobrevivo, de modo que Annabeth escrevera o bilhete para Reyna. Ela dizia que a Athena Parthenos estava sendo guardada por Aracne e que eles conseguiram recuperá-la, mas o ninho de Aracne estava acima de um buraco para o Tártaro e, quando Annabeth caiu, Percy pulou junto com ela. Isso era tão Percy. Annabeth também dizia que era essencial que um romano devolvesse a estátua aos gregos. Isso curaria a dupla personalidade dos deuses e selaria a paz entre os acampamentos. Annabeth dizia que Reyna era a pessoa destinada a fazer isso. Eram tantas informações inacreditáveis que Reyna não sabia por onde começar.
— Mas como isso é possível? Tártato? Esse bilhete?
— Apareceu na fogueira do acampamento, após os sacrifícios. Como disse, é a letra de Annabeth, e cita você.
— Mas por que eu?
— Annabeth sabe que você é capaz, Reyna Avila Ramírez Arellano.
A pretora franziu a testa imediatamente. Como essa garota sabia seu nome todo? Ela raramente o usava e detestava ter que fazê-lo.
— Como você...
— Isso não importa, Reyna. Apenas pense: um líder romano devolvendo a mais importante estátua grega ao Acampamento Meio Sangue. Isso pode evitar uma guerra! Seu Acampamento pode não ter nos atacado ainda, mas os romanos sempre foram um povo orgulhoso. Se nada for feito, a guerra acontecerá.
— A decisão é sua. — Rachel continuou após o silencio da pretora. — Não tenho uma profecia para isso, mas existem vislumbres do futuro. Vejo a Athena Parthenos na Colina Meio Sangue e é você quem a traz, Reyna.
— A batalha contra os gigantes vai acontecer na Grécia.
— Nosso inimigo é a própria terra, Reyna. Ela vai se erguer por toda a parte! Haverá guerra em mais de um lugar, então os acampamentos precisarão trabalhar juntos.
Reyna respirou fundo, com a cabeça latejando. A garota acabara de pedir para que ela deixasse o Acampamento Júpiter para atravessar o Mare Nostrum. Algo que, além de proibido, parecia também suicida. Mas, pelos deuses, fazia muito sentido! A cada dia um senador passava para o lado de Octavian. A guerra não demoraria a ser declarada. E se havia algo que um romano deveria fazer, nada mais simbólico do que um pretor. Ela aceitaria a missão mesmo que pudesse custar seu cargo ou sua vida.
— Está bem, eu aceito a missão.
— Boa sorte em sua missão, Reyna. Se tem alguém que pode fazer isso, certamente é você. — A ruiva sorriu e depois desapareceu.
Reyna levantou-se, apertando a carta de Jason por alguns segundos e abriu a porta de seu escritório, dirigindo-se para o legionário que fazia a guarda do lado de fora.
— Quero todos os centuriões e o áugure aqui em cinco minutos. E preciso de Scipio pronto para partida em trinta minutos. — O legionário acenou e saiu rapidamente.
Octavian e os centirões pareciam absurdamente chocados com a história de Reyna. Quando o guarda voltou para informar que Scipio estava pronto Octavian pareceu descongelar e finalmente se manifestou.
— Você está louca?
— Sou a pretora, Octavian. Isso certamente é do interesse de Roma.
— Isso é um truque, Reyna! Eles estão querendo atrair você para a morte! Além disso, como você encontraria o navio? Sua busca está condenada.
— Eu sei onde encontra-los, Octavian. Existe um lugar em que Jason terá de passar para que possam enfrentar a casa de Hades.
— Isso é loucura! Os gregos inventaram isso para tirar sua atenção da declaração de guerra que fizeram contra o Acampamento Júpiter.
— Não esqueci da ofensa cometida pelos gregos, Octavian. Mas se nada for feito, todos morreremos. E enquanto eu não voltar, proíbo qualquer movimentação ou ataque ao Acampamento Meio Sangue. Caso alguém invada nossas terras, aí sim você tem permissão de enviar inimigos para o Tártaro.
— Enquanto você estiver fora, o áugure assume o comando do acampamento.
— É verdade. Mas você é o áugure, continua abaixo de mim. E minhas ordens foram claras como você bem ouviu. Todos vocês.
Reyna passou os olhos pela sala e encarou cada centurião antes de sair para pegar Scipio. Ela sabia que assim que virasse as costas Octavian começaria a preparar o ataque contra o acampamento grego. Enquanto começava a voar, deixando o Acampamento Júpiter para trás, pediu aos deuses que tivesse tempo o suficiente para evitar uma guerra.
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