Notas iniciais
Essa ideia a tempos martelava em minha mente, então resolvi convidar a Giovanna que ao meu ver é uma promissora escritora para dar vida junto comigo a essa ideia, e ela me deu a honra de escrever ao seu lado. PS: Dentro da "Lembranças e Pensamentos" a trechos em negrito e entre asteriscos são diálogos que fazem parte das lembranças do garoto. Espero que gostem ~LUMUS~

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— me diga por qual razão não posso namorar o Kellan – a jovem Melissa Malfoy bradou fitando meu pai.

— já falei que não Melissa, ele é mais velho que você – Scorpius falou calmamente sentado em sua poltrona;

— três anos de diferença, ele é quase idoso – o sarcasmo da garota podia ser sentido no ar.

— já falei que não – Scorpius elevou seu tom de voz.

— eu amo o Kellan – os olhos da menina brilhavam devido às lágrimas.

— pouco me importa – aquela resposta fizeram as lágrimas da garota escorrerem.

— o senhor nunca amou ninguém? – Melissa sem mesmo saber atingiu em uma ferida que mesmo com o passar dos anos nunca foi fechada.

— para seu quarto Melissa – Scorpius baixou a cabeça.

— pai.. –

— agora – o homem urrou, ele não queria que a filha visse as lágrimas em seus olhos, a jovem subiu as escadas aos prantos e entrou em seu quarto batendo a porta.

— não acha que foi muito duro? – Draco saiu lentamente da cozinha e sentou ao lado do filho.

— um dia ela aprende a esquecer aquele Weasley – Scorpius respirou fundo tentando conter as lágrimas.

— quando se tornou tão amargo meu filho? – Draco voltou a perguntar.

— quando fui eu o senhor fez praticamente a mesma coisa – o filho respondeu olhando para o pai.

— não venha querer colocar em mim a culpa, o que eu lhe disse assim que o sétimo ano de vocês acabou? –

— corra atrás da sua felicidade –

— de quem acha que eu estava falando? De sapos de chocolate que não era – Draco revirou os olhos antes de sair da sala.

— abaffiato, cave inimicum, repelo... – Melissa conjurava feitiços por todo seu quarto.

— alohomora – a parede se abriu revelando uma imensa estante cheias de livros.

— Bombarda – o feitiço fez vários livros se estraçalharem e voarem pelo ar, mas logo se reconstituíam e voltavam a seus lugares, porém na ultima vaga da estante um livro não era atingido, parecia repelir a magia.

— o que será isso? – a curiosidade da garota se somou a raiva.

— finite – ela conjura e tenta puxar o livro, se assemelhava muito a um diário, capas negras e apenas a letra “S” desenhada, reconheceu perfeitamente a grafia do pai ao virar a primeira pagina.

— “Espero que você que esteja lendo esse diário leve um tombo e caia com a cara em cocô de Trasgo” Atenciosamente Scorpius Hyperion Malfoy – a menina momentaneamente riu do primeiro trecho, observando mais o diário viu que faltavam algumas paginas que foram arrancadas.

— por que nada da certo... – Melissa leu a primeira linha.

~Lembranças e Pensamentos On~

­Gostariam tanto de saber aonde erramos, eu amava aquela cabeleira ruiva, será que foi só o ciúme? Será que foi o ódio de nossos pais, ao apenas desistimos de nos dois(...)

Queria tanto saber o que Victorie disse para Rose aquele dia, porque ela me fitou daquele jeito,pro que passou dias sem falar comigo, não chegava a olhar em meus olhos e eu nem ao mesmo sabia o que estava acontecendo, mas depois senti meu coração se romper,saber daquele beijo me machucou muito, ver minha ruiva beijando o idiota do Potter doeu muito, me vinguei ficando com Lise Longbotton, ficamos por dias nessa troca idiota de ciúmes, chegamos a nos entender e marcamos um jantar me família, entretanto o Senhor Weasley e o Senhor Malfoy se colocaram a nossa frente uma velha rixa deles quando mais jovens despertou assim que revelamos o namoro ainda adolescentes.

Rose, minha eterna ruiva se soubesses que dias desejei correr até sua casa e te prender em meu abraço para nunca mais soltar.

******

— me conta como chegamos até aqui? – Rose me pergunta olhando em meus olhos.

— também gostaria de saber – respondi segurando suas mãos.

— porque seus olhos não brilham mais? – ela pergunta baixando a cabeça.

— eles tinham apenas um motivo para brilhar – respondo seco

— sabíamos que nunca iria dar certo Scorp – sua voz já saia alterada devido ao choro que se acumulava.

— não chegamos ao menos a tentar – digo virando meu rosto na direção do lago.

— nossos pais – ela diz limpando uma lágrima que correu por seus olhos.

— te falei varias vezes que enfrentaria tudo – digo e ela morde o lábio inferior.

— teríamos força contra o braço-direito do Ministro e o Governador de Azkaban – Rose murmura me olhando.

— por você eu teria ido contra tudo e todos – tento segura-la nas mãos e ela se solta.

— não faz isso com a gente Malfoy – Rose já não mais segurava o choro.

*******

— então é um adeus? — ela pergunta com seus olhos em lágrimas, me neguei a responder, nenhum de nos dois queríamos chegar a esse ponto, porém nossos pais, os erros, tudo parecia ir contra algo que já não era de agora e sim de tempos atrás, de um sorriso banguela, de uma flor que lhe entreguei no segundo ano em Hogwarts, de selinhos roubados que mais pareciam permitidos, de uma "briga" não planejada por ciúmes, de sorrisos e abraços na neve fresca, da cumplicidade de seu olhar, de nossas mães a sorrir e dizer “já sabíamos, estava na cara", de nossos pais com seus olhares tortos, nos dois enamorados, de um pedido torto e envergonhados ao sim sincero e apaixonado....

*****

— me responde uma coisa Scorp – Teddy Lupin diz assim que entramos no expresso de volta para Hogwarts no sétimo ano.

— fala cabelo de algodão doce – brinco o abraçando.

— por que você e a Rose estão com essa palhaçada toda, geral sabe que vocês se amam – o Lupin sorri enquanto ajeita sua mala.

— Rose é passado – digo o mais convicto possível.

— aham, você menti muito mal – Ted gargalha alto.

— quem te disse que eu estou mentindo seu tolo – vocifero cruzando meus braços.

— primeiro, sempre que você mente suas pupilas ficam dilatas, outra coisa, você sempre pega em uma mexa do cabelo e fica girando e por ultimo e não menos importante, eu te conheço há 14 anos seu chato de galocha – Ted bufa se jogando no banco do expresso.

— me diz só uma coisa, você ainda ama a Weasley – ele pergunta me olhando nos olhos.

— sempre a... – tentei responder mas bem na hora Victorie e Lise entraram na cabine.

— cabine fechada apenas para homens – Ted bufa tentando expulsar as duas.

— vai caçar nargules seu chato – Vic reclama sentando ao meu lado.

— vou nem me dar o desprezo de te responder Delacour – Ted resmunga cruzando os braços.

— sobre o que estavam conversando? – Lise pergunta

— sobre penteados, vestidos de grife e perfumes franceses, o que acha? – gargalhei alto da resposta que o Lupin deu e da cara que a Victorie fez.

— Scorp – meu amigo me chamou antes de sair da cabine.

— fala-

— vai ser feliz com quem te ama e que você também ama – ele sorri piscando para mim e sai logo em seguida

*****

Quantos dias me maltratei por não ter seguido o que o Teddy me disse, quantas noites dormi abraçado ao travesseiro, desejando apenas um vira-tempo para voltar ao passado e não deixar você soltar minha mão naquela noite fria.

Mais nenhuma dor foi maior quando Dominique veio até minha casa naquele sábado...

*****

— olha quem é viva sempre aparece – brinco abraçando Dom

— saudades seu loiro chato – ela diz bagunçando meus cabelos.

— bom dia Luciano – cumprimento seu namorado e ambos entram, seguimos para o quintal aonde meu pai fazia um churrasco para comemorar seu aniversario.

— vou buscar um whisky – falo saindo da piscina e indo para a cozinha.

— Scorp – Victorie gritou do quintal.

— fala sua chata –

— pega o livro da Dominique que está ai em cima da mesinha – a loira gritou, olhei para a sala e ao fundo avistei o livro de capas vermelha.

— Scorp não...- Dom berrou aparecendo na porta, me assustei e assim que puxei o livro um envelope rosado caiu no chão.

— “De: Rose” – li o remetente e fitei Dominique incrédulo, aquilo não seria o que eu estava pensando.

— não faz isso – Dom pediu tentando pegar o envelope, mas fui rápido e retirei o pergaminho.

— “ É com grande emoção que eu Rose Granger Weasley convido a você para meu casamento” – o pergaminho era encantado, dele uma voz doce e suave que Scorpius reconheceu como sendo de Rose repetiu por duas vezes a frase.

— Rose vai casar? – tenho que sentar, pois as pernas já não mais me obedeciam.

— Victorie sua idiota – Dominique soltou um muxoxo

— me diz que é mentira – falo quase sem folego.

— ela está gravida Scorpius – aquelas palavras saindo da boca da Delacour mais pareciam facas sendo fincadas em meu peito.

******

Algum tempo depois conheci Caroline e acabamos casando, lembro-me daquela vez no restaurante que por uma brincadeira do destino ficamos novamente frente a frente, Rose com seu marido e filho, eu com minha esposa e filha, queria ter escutado seu coração para saber se ele estava igual ao meu, quase saindo pela garganta.

Tentei por anos me desfazer desse diário, consegui ainda arrancar as primeiras folhas que demonstravam o tanto que nos amávamos.

Hoje minha doce Melissa tem 07 anos e essa será a ultima vez que verei esse diário...

“Estou aqui sem você, amor

Mas você ainda está comigo em meus sonhos

E esta noite, somos só você e eu...”

~Lembranças e Pensamentos Off~

Scorpius acordou cedo para ajeitar as coisas de sua filha, ao entrar no quarto da filha se deparou com seu velho diário com Melissa, aonde o encontrou? Como aquele diário foi parar na biblioteca dela, só tinha uma explicação, Draco.

Scorpius pegou o velho diário e leu a ultima parte escrita, podia notar pequenas manchas nas folhas, eram lágrimas secas, não as dele e sim as da filha, Scorpius sentiu aquela dor em sua própria carne, porque faria a filha sentir a mesma coisa, saiu em silencio do quarto e na sala juntou forças para não desabar.

— bom dia pai – Melissa beijou o topo da cabeça de Scorpius e sentou a mesa junto a ele.

— come rápido que se não vamos nos atrasar para o expresso – Scorpius relata e Melissa o olha desconfiada.

— o senhor não vai trabalhar hoje? – ela pergunta curiosa.

— não, hoje vou deixar minha filha na escola – o loiro sorri terminando seu café, logo Melissa também terminou e juntos seguiram para a estação de King Cross, atravessaram a passagem e foram comprar os bilhetes.

— Mel – uma linda garota de cabelos negros e olhos verdes gritou ao ver a pequena.

— Cintia – Melissa sorriu abraçando a amiga.

—Senhor Malfoy – a garota se espantou ao ver Scorpius ali ao seu lado.

— bom dia Cintia – ele responde e acena com a cabeça, demorou alguns segundos e o expresso chegou e bem nesse momento um certo ruivo apareceu com seu malão e sua coruja, seus olhos foram direto para onde Scorpius e Melissa estavam.

— Ke..- a garota quase pronunciou porém a presença do pai assustou a ambos, Kellan só em ver Scorpius baixou a cabeça e apenas olhou na direção dos pés de sua amada.

— o senhor quer ir para outro lugar? – Melissa pergunta rouca.

— não estou bem aqui – Scorpius responde, ele queria que ambos sofressem? Não, simplesmente não.

— filha – Scorpius se abaixou para ficar da altura de sua filha.

— eu juro que nem ao menos vou olhar para o Kellan, só te peço que não me tire de Hogwarts – a garota já tremia os lábios com a vontade de chorar.

— e eu te peço para que seja feliz – aquela frase fez a garota olhar fixa para os olhos do pai que eram tão iguais aos seus.

— não consigo entender – ela sussurra enrolando seus cabelos dourados.

— papai quer sua felicidade minha filha, eu te amo muito para deixar que um passado me obrigue a fazer o mesmo o que aconteceu comigo com você – Scorpius abraçou firme a filha e chorou;

— quer dizer que o senhor deixa eu e Kellan? – a pergunta pareceu tão pura, tão inocente, tão apaixonada.

— se é o que te faz feliz – Scorpius respondeu limpando as lágrimas da filha.

— Kellan – o grito da loirinha chamou a atenção não só do Weasley, mas de todos que ali estavam, por um momento enquanto via quase que em câmera lenta a filha correr na direção do ruivo, Scorpius podia imaginar ali a ele mesmo correndo para os braços de Rose e no momento que a filha se jogou nos braços do Weasley o pai sorriu.

“Enxergar um amor antes morto e arruinado, em outras vidas ser reconstruído, crescendo muito mais belo, solido, maior e para sempre real”— Shakespeare, com adaptação de Heartless

Notas finais
~NOX~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!