Here With You
14 Afraid
Notas iniciais
Capitulo 14 – Afraid
Annabeth sorria bobamente enquanto encarava as flores de seu jardim. Ela andava alegre desde o beijo com Percy, mas desde aquele dia também não conseguia falar com ele. Ela não sabia por que, mas quando o via, corava e virava de costas. O moreno também não vinha falar com ela, ele também parecia tímido em relação a ela. Quando ambos ficavam juntos e sozinhos depois daquele ‘’incidente’’, coravam e abaixavam a cabeça em silencio.
Aquele beijo, por mais rápido que fora, havia os deixado extremamente desconfortáveis um na presença do outro, porém, ao mesmo tempo, ambos também queriam passar mais tempo um com o outro, e, talvez, até repetir o tal ‘’incidente’’.
Mas mesmo que não se falasse, ou mesmo falassem sobre o beijo, eles continuavam pensando no mesmo. Sempre que o faziam tinham a mesma reação: sorriam bobamente, mordiam os lábios e pensavam um no outro, imaginando o que falar. Mesmo pensando tanto, eles não conseguiam ter coragem para falar com o outro, nem mesmo para dizer um simples ‘’oi’’.
Então, finalmente Annabeth decidiu tomar uma atitude. Era um outro dia normal de aula e a loira foi a procura de Percy. A aula já havia acabado e ela tinha uma noção de onde ele deveria estar. Atrás do colégio, perto do campo de futebol americano, tinha uns bancos do lado de uns arbustos floridos. Percy gostava de ficar por lá um pouco, antes de ir para casa de vez em quando. E ela tinha quase certeza que ele estaria lá naquele dia.
O sinal tocou e Percy recolheu seu material. Estava um dia especialmente quente de inverno e (por algum milagre) ele não tinha dever de casa nem tinha que estudar para testes ou provas, então resolveu passar um pouco o tempo perto do campo de futebol americano, pois ali era calmo e fresco. Enquanto se dirigia ao local, Rachel o viu e veio falar consigo.
— Hey, Pers! – ela disse.
— Oi, Rachel. – respondeu.
— Para onde está indo?
— Para aqueles bancos, sabe, perto do campo de futebol. Quer vir comigo?
— Claro. – ela disse e sorriu.
E então ambos foram juntos conversando e rindo em direção ao local. Percy gostava muito de Rachel. Não, não como ele gostava de Annabeth. Ele gostava de Rachel como amiga, no máximo melhor amiga. E ele gostava de Annabeth... bem, ele amava Annabeth. Amava ela como um homem amava uma mulher, não um amor de amigo. A loira o fazia se sentir bem, fazia se sentir querido, calmo. Ela, ele sentia, precisava de sua proteção e de seu carinho. Já a ruiva o fazia se sentir livre e descontraído, era fácil conversar com ela. Por isso logo que se conheceram, ela havia se tornado sua melhor amiga. E era só isso que ele sentia por ela.
Porem, Rachel não queria Percy só como amigo ou melhor amigo, ela queria mais. Ela queria ocupar o lugar que Annabeth ocupava no coração dele. Desde a primeira vez que o vira e conversara com ele, sentira que Percy era diferente dos outros garotos. Quando ele lhe falou que estava apaixonado pela líder de torcida Annabeth Chase, seu mundo caiu. A ruiva nunca fora com a cara da loira, por ser popular e líder de torcida. Para Dare, apenas esses dois motivos já eram motivos suficientes para mostrar que uma pessoa era fútil. Além disso, quando o viu olhando para Annabeth com aquele olhar de bobo apaixonado, teve vontade de puxar a loira pelos cabelos ou tentar voltar a atenção do rapaz para si. Muitos já haviam percebido seus sentimentos em relação ao moreno, porem este continuava a só ter olhos para a líder de torcida. Quando ela descobriu que ela estava no hospital, pensou que Percy lhe daria mais atenção, a notaria mais. Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrario, ele passou a dar mais atenção para a outra. Mesmo assim, Rachel não desistia. Sempre que podia, ia falar com ele como se não quisesse nada, ria das piadas dele, sorria para ele, com o objetivo de isso, aos poucos conquistá-lo e fazê-lo perceber que quem realmente amava era ela, não a loira.
Enquanto caminhavam, a ruiva pensava nisso. O plano estava dando certo? Será que conseguiria conquistá-lo? Era claro que ela tentava jogar charme para cima dele, porem não sabia se funcionava. Na verdade, não sabia nem se ele notava. Na verdade, ele realmente não notava. Para ele, ela só estava sorrindo como o de costume. Mas Rachel não se importava. Mas a ruiva se importava quando Annabeth jogava dava um sorrisinho ou jogava charme para Percy, e ele quase desmaiava de emoção.
— Hey, Ray! Ainda ta ai? – Percy perguntou balançando os braços, vendo se ela estava atenta.
E isso a fez corar.
— Sim, sim, Percy. Eu só estava meio distraída. Pensando em algumas coisas. – disse.
— Ah, coisas podem deixar as pessoas distraídas. – ele disse e a ruiva riu.
Eles voltaram a conversar e rir. Até chegarem no banco. Perseu adorava aquele ponto do colégio. Era tranqüilo e bonito, e ele gostava. Bem, gostava até aquele dia.
Annie andava lentamente enquanto se dirigia ao local em que achava que Perseu estava. Ela queria encontrá-lo rápido, mas ao queria fazê-lo suada, vermelha e fedida. Também não queria passar a impressão de que estava procurando-o loucamente. Não, isso não. Ela queria parecer espontânea, mas ao mesmo tempo preocupada. Riu daquele pensamento. Era tão confuso e estranho. Era tão... feminino.
Sorriu ao ouvir a voz dele vindo de não muito longe. Arrumou o cabelo e chupou uma bala que estava na sua bolsa. Então sorriu e continuou a caminhar. Porem seu sorriso murchou ao ver quem estava do lado o cadeirante. Rachel Elizabeth Dare. Por mais simpática que fosse com a ruiva, desde a primeira vez que a vira jogando charme para o seu Percy no dia em que se conheceram, sentiu uma antipatia enorme pela garota. Um minuto. Seu Percy? Desde quando ele era seu? Eles só haviam dado um beijo que nem beijo era! Fora somente um selinho! Mas mesmo assim, a loira sentia como se ele fosse seu, e ela fosse dele.
Era especial o que sentia. Perseu era, nada menos que, especial. Ele era lindo, simpático, educado, gentil, doce e... bem, ele era perfeito. Mordeu os lábios ao pensar nisso. Mas logo sentiu a raiva se apossar novamente do seu corpo quando viu Rachel segurar a mão de Percy. Mal ela sabia que aquele era só o começo.
Rachel sentou-se enquanto ria de historia que Percy havia lhe contado. De relance, viu que a mão dele estava não muito longe da sua. Aproveitando essa situação, ergueu a mão como se fosse enxugar uma lagrima e depois a pousou bem em cima da dele. Ela não percebeu, mas o moreno parecia encabulado com isso. Afinal, ele achava que estava dentro de um rolo estranho com Annabeth, pois haviam se beijado. E aquilo poderia parecer estranho se a loira visse. Percy tentou disfarçadamente tirar sua mão debaixo da mão da ruiva, mas quando o fez, a pulseira dela ficou presa em seu relógio.
— Oh, desculpa Rachel! – ele disse tentando soltar-se.
— Ah, não tem problema. – ela disse também tentando tirar sua pulseira do relógio de Perseu.
Então ela deu um puxão forte, que resultou em duas coisas: a pulseira soltou, mas a ruiva tropeçou e ia cair para trás quando Percy e segurou pela mão e a puxou de volta. Porem, ele a puxou com muita força fazendo-a cair em cima de si. Ambos se olharam nos olhos. Verde no verde. Rachel sorriu e Percy corou. Tentando não machucá-la, o moreno começou a tentar empurrá-la, mas era tarde. Garota já havia se inclinado e beijado ele.
O moreno não correspondeu o beijo, em vez disso tentou afastá-la sem machucá-la, porem ela era pesada e estava em cima do seu braço direito, o que dificultava ainda mais as coisas. Tudo que ele menos queria era que Annbaeth visse aquela cena, mas mal ele sabia que ela já havia visto.
Se quando viu a mão da ruiva em cima da de Percy já sentira raiva, quando ela caira em cima do moreno, a loira queria matá-la. Mesmo que Percy talvez não tivesse percebido, ela percebeu o olhar que Rachel jogou em cima dele. Mas mesmo assim, quando a viu beijar Percy, não conseguiu conter as lagrimas. Estava longe, então não conseguia ver se ele correspondia ou não o beijo, porem quando o viu movendo a cabeça, sentiu seu mundo desabar.
Correu daquele lugar como se algo a estivesse perseguindo e mesmo que não fosse uma coisa sólida, de fato tinha algo a perseguindo. Aquela cena. E a dor que ela trazia. Lagrimas e mais lagrimas escorriam pelo seu rosto quando entrou no carro da mãe, que, vendo o estado da filha, preferiu não perguntar nada e esperá-la se acalmar.
Ao chegar em casa, correu para seu quarto, fechou a porta e se jogou na cama, com o objetivo de chorar mais. Só de pensar em Percy seu coração já doía. Como ele poderia ter feito isso com ela? Depois de beijá-la e fazê-la se apaixonar por si dessa forma tão avassaladora, como ele tinha coragem de beijar outra? Principalmente se essa outra fosse Rachel! A loira sentia-se mal, destruída, despedaçada e incompleta.
Ela não sabia. Na verdade, talvez ninguém soubesse. Mas naquele momento Annabeth estava se sentindo exatamente igual a Percy quando ouvira sua amada xingá-lo entre as lideres de torcida. Se ela superaria? Ninguém sabia. Afinal agora ela estava ingênua e indefesa por ter perdido a memória. Aquele poderia ser um dano emocional grave para si.
Mas mesmo que ela achasse que o havia perdido, ainda tinha Percy e ele a ajudaria no que precisasse, mesmo recebendo desaforos, patadas ou qualquer coisa do gênero em troca. E isso só aumentaria mais o amor dela por ele. Por que, na verdade, ela não tinha raiva dele naquele momento, só tristeza, dor e medo. Medo de perdê-lo.
Talvez fosse esse medo o principal motivo do seu choro. Talvez? Não, talvez não. Este era o principal motivo do seu choro porque ele proporcionara os outros sentimentos. Mas ela não precisava temer, afinal Percy estaria sempre ao seu lado mesmo que não quisesse ou não precisasse. Porque era isso que o amor fazia, mantinha os apaixonados próximos, mesmo que eles nem soubessem ou notassem. Porque o objetivo do amor não é separar, e sim unir. E era isso que ele faria.
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