Here We Go Again
8 A sós com o inimigo
Quando cheguei perto do casal ternura eles estavam rindo de algo no celular de Nick.
- Toma. – entreguei a eles o copo. E Joe apareceu logo depois.
Sentei-me ao lado de Selena e fiquei sem bebida — aquele ogro não tinha trago pra mim. Até que comecei a ouvir um toque irritante, pior do que a voz do Joe.
- Que diabos é isso? – perguntei assustada.
- Hora de dar uma volta com o Fred. Querem ir? – Selena desligou aquele alarme ensurdecedor.
- Não, valeu. – apertei meus ouvidos.
- Acho que vou levar o Elvis pra dar uma volta também. – Nick se levantou e olhou pra Joe.
- To sussa aqui. – ele respondeu bebendo o MEU REFRIGERANTE!
- Ta. Você já é bem grandinho, vá embora sozinho. – Nick respondeu.
- E sem relembrar os velhos tempos... – Selena murmurou ao sair.
- O que ela quis dizer com isso? – perguntei pro ignorante – Que não é pra eu te espancar como eu fazia antes? – provoquei.
- Você é fraquinha demais. – ele sorriu e deixou o refrigerante em cima da mesa. Que sorriso mais lindo! Ok. Demi. Foco. Você quer bater nele, não beijá-lo.
- Você bate que nem uma bichinha, se não for pior. – peguei o MEU refrigerante que ele havia roubado de MIM e tomei.
- Se você fosse homem eu te batia. – nossa que papo cabeça, hein?
- Eu te venço em qualquer coisa. – coloquei o refrigerante na mesa.
- Sonha, Demi. Sonha. – o humor dele parecia ter melhorado um pouco.
Esperei alguns minutos para perguntar:
- Por que você ta bravo comigo? – olhei pra ele tentando arrumar coragem em algum lugar.
- Eu não to bravo com você. – Não, imagina.
- Só me odeia.
- Por que você voltou? – ele tocou bem na minha ferida.
- Eu já te respondi.
- Você é uma péssima mentirosa, já te disseram isso?
- Já, mas você também é um péssimo mentiroso. Você acha que eu acreditei naquela sua ‘respostinha’ na cozinha? — éramos dois cabeças duras.
- Por que não admiti que voltou só pra me ver? – aquilo me fez rir, rir alto.
- Depois eu sou a sonhadora, né? – tomei outro gole.
- Você acabou com a minha coca. – ele reclamou.
- Sua nada. Era minha. Você que se apossou dela! — ele revirou os olhos e esperou um pouco antes de perguntar:
- E você? Como ta com seu namorado.
- Quero distancias de namorados. – respondi ao tomar o último gole da coca. – Agora eu acabei com a minha coca.
- Quer se abrir comigo sobre seu problema amoroso? – que isso? Joe era uma pessoa com problema bipolar, é? Ninguém muda assim do
nada.
- Por que eu me abriria com você? – olha eu tentando me esconder
dentro da minha casca de novo.
- Por que eu sou seu amigo e consigo perceber quando você precisa conversar... – ta. Ele tinha me pegado nessa.
- Eu não gosto de falar sobre isso. Você quer falar sobre o seu problema amoroso?
- Nha. Não tem mais nada de útil pra fazer mesmo.
Então ficamos conversando horas sobre a vida amorosa de Joe e por incrível que pareça ele tinha amolecido, ele estava mais dócil. Até parecia um humano que tinha um coração.
- Só que ela disse que eu a enganei. Mas não é isso sabe... Eu percebi que pra não enganar a Taylor era melhor terminar porque eu não tava certo dos meus sentimentos por ela.
- Hum. Deve ter sido difícil não só pra ela, mas pra você também, né? – ele concordou com a cabeça.
- Mas e você? O que aconteceu com você?
- Foi bem pior que isso. – murmurei.
- Como era o nome dele? – Joe perguntou parando de fitar o horizonte e se virando pro lado pra me olhar nos olhos.
- Trace. – senti minha garganta ser cortada quando eu disse o nome dele.
- Olha também começa com ‘ T ’. – Joe concluiu por fim. E eu ri.
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