Here Comes The Sun
1 Here Comes The Sun
Notas iniciais
Era um lindo dia de verão. Eu, com meus 8 anos, caminhava na praia, rindo com meus amigos, brincando de fazer castelinhos de areia e nadando no mar. Um dia lindo naquelas férias que eu queria aproveitar ao máximo. Um dia onde o Sol parecia rir e mandar uma energia feliz e calorosa. O dia em que ela apareceu...
– Hey, menino. Me empresta uma pá? É rápido, preciso dar os toques finais no meu castelo – disse ela, me mandando um sorriso simpático. Não hesitei em emprestar uma, enquanto ela acrescentava pequenos detalhes em seu pequeno castelinho de areia. Ela tinha os olhos mais lindo que eu já tinha visto: Um tom esmeralda profundo e brilhante, complementado por fartos cílios. Longos e ondulados cabelos loiros, uma pele pálida sem imperfeições. Eu a olhava e ela continuava a trabalhar delicadamente com seu castelinho. Devia ter a mesma idade que eu.
– Obrigada – falou ela, me devolvendo minha pá – Aliás, meu nome é Heloísa, qual é o seu?
– Ma- Marcos – gaguejei.
– Que nome bonito! – riu ela – E aí, do que você gosta?
E assim a conversa começou. Ficamos papeando sem parar, até meu pai me chamar. Tínhamos tanto em comum! Ela gostava de sorvete de baunilha, eu também. Ela adorava doces, eu também. Eu tinha um Golden Retriever, ela um Labrador. Eu insisti para meu pai que queria conversar mais com Heloísa, e ele me respondeu:
– Temos que ir para casa do amigo do papai! Ele vai nos acomodar na casa de praia dele, então é melhor não o deixarmos esperar!
Abaixei minha cabeça. Fiz uma carinha triste e dei tchau para ela, saindo com meu pai e minha mãe. Olhei para trás enquanto andava. Heloísa acenava alegremente com a mão, sorrindo. Ela me disse algo que não pude escutar e virou as costas para correr pela praia. Com o sol se pondo atrás dela, Heloísa mais parecia uma estrela radiante.
Passei o caminho inteiro pensando nela. Naqueles olhos tão profundos, naquele sorriso tão sincero, naqueles cabelos que mais pareciam ouro derretido.
Quando cheguei na casa do amigo do papai, ainda pensava na menina. Nem percebi que tínhamos chegado, até que meu pai falou:
– Se comporta direitinho na casa do Sérgio, hein? Ele me disse que tem uma filha da sua idade, você pode brincar com ela!
Sorri com aquelas palavras. Alguém pra brincar!
O amigo do papai, Sérgio, tinha cabelos castanhos e olhos verdes da cor exata dos da menina que eu conheci na praia. Ele me cumprimentou com abraço um pouco antes da esposa dele descer as escadas. Ela, Marisa, tinha olhos castanhos e cabelos loiros... Tudo me lembrava a Heloísa!
– Olá – cumprimentou-me Marisa com um sorriso – Minha filha já está vindo, ela estava na praia com o tio. Quer brincar com a Layla por enquanto?
E ela me mostrou um grande cachorro da raça Labrador, latindo e abanando a rabo.
Brinquei com a cachorra até ouvir o som de um carro. Corri para olhar, e saindo da porta do carona, lá estava ela.
Heloísa!
Assim que ela me viu, saiu correndo e meu grande abraço. Logo em seguida, olhou em meus olhos e falou:
– Marcos! Que bom! Você é o “convidado especial” que meu pai tanto falava? O que veio para brincar comigo? LEGAL!
Ela deu aquele lindo sorriso. Eu sorri com ela e nos abraçamos mais uma vez...
Aquele foi o começo de uma grande amizade. Sérgio trabalhava com papai, o que significa que eu e ela poderíamos nos ver mais vezes!
Quando as férias acabaram, continuamos nos vendo aos sábados e domingos. Sem falar das férias, que eu contava ansiosamente os dias para chegarem! Quando podíamos brincar o dia todo, sem preocupações. Lá pelos meus 15 anos, pedi ela em namoro. Com meus 25, pedi-a em casamento. Era tudo alegria, com ela por perto. Conseguimos comprar uma modesta casinha perto da praia onde nos conhecemos. Heloísa esperava um bebê. Tudo ia bem até o dia 19 de abril...
– Você tem certeza? – perguntei á beira das lágrimas para o policial – Certeza ABSOLUTA?
– Meu bom homem, sinto muito, mas sua mulher realmente faleceu em um acidente de carro. O bebê foi junto. Sinto muito, mas é verdade.
– NÃO! NÃO! HELOÍSA NÃO ESTÁ MORTA! NÃO PODE ESTAR! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! – gritei, enquanto uma chuva de lágrimas caia dos meus olhos...
O enterro dela foi como todos os outros: silencioso e triste. Como todos os enterros, as pessoas choravam. Eu chorava. Apenas uma pessoa não chorava: Uma mulher de sobretudo negro e botas de salto alto da mesma cor. Seus cabelos estavam ocultos por um chapéu e ela não olhava para o túmulo. Olhava para mim, com olhos verdes foscos e sem vida. Apesar de não chorar, tinha uma expressão grave e triste enquanto me observava. Balançou a cabeça em um sinal negativo antes de virar as costas e sumir entre a multidão...
Todos os dias eu me levantava, sem vontade de viver. Cada dia era um fardo insuportável que eu carregava em minhas costas. As pessoas diziam:
– Um dia ele supera essa perda cruel...
Mas eu não superava. Eu nem sabia como conseguia me levantar, sabendo que Heloísa não estaria lá em baixo, com seu típico sorriso, com seus típicos olhos... Com seu brilho.
Até que não aguentei mais. Fui até o penhasco da cidade, e quando cheguei no topo, pensei:
Heloísa adoraria essa vista.
Era mesmo uma linda vista. Ainda era noite, mas logo os primeiros raios solares iriam começar a sair, adornados pelo mar. Olhei e pensei:
Até logo, minha amada.
Eu ia me jogar para céu, me livrando dessa dor amarga que eu carregava havia dez anos. Dez anos sem que um único sorriso saísse de meus lábios. Dez anos longos sem a beleza da luz. E já estava com meu pé posicionado, pronto para me jogar, quando ouvi um estranho grito. Ele parecia estar sendo levado pelo vento até mim e dizia:
– NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! MARCOS, PARA!
Olhei de um lado para o outro, sem avistar uma pessoa sequer. Só a solidão daquela noite sem estrelas, sem lua.
– Não... – desta vez ouvi a voz atrás de mim. Quando me virei, lá estava ela! Lá estava minha amada, minha vida, minha razão...
Heloísa!
– Pare! Por mim! Por favor! Pare!
Sorri. Há quanto tempo não ouvia aquela voz! Parecia ainda mais doce que antes, apesar da nota de desespero nela... Seus olhos estavam lindos: pareciam ainda mais verdes e ainda mais cintilantes. Parecia que tinham acendido uma vela em seu interior, fazendo a pela brilhar suavemente. Estava mais bela que nunca...
– Pare! Você deve viver!
– Não posso encarar uma vida sem sua luz...
– Você deve viver! PARE!
– Me dê um motivo para eu não te ver novamente...
– Você deve viver. Um dia nos reencontraremos, naturalmente, mas não é o momento! Você apenas causará dor para aqueles que te rodeiam! Não pule...
– Mas eu te quero...
– Não é o momento. Pare.
Refleti por vários minutos enquanto ela me olhava, ansiosa. Em certo momento, lembrei do rosto deles: Meu pai, minha mãe, Sérgio, Marisa... Minha família. Me lembrei deles...
– Você está certa como sempre, meu amor – eu disse, abaixando minha cabeça – Não é o momento...
Ela sorriu. Fiquei deslumbrado com aquilo. Se antes ela parecia uma estrela, agora parecia o próprio Sol iluminando meu caminho. Meu Sol...
Sorri pela primeira vez em dez anos. Meu sol. Aquele sol que demorou tanto para voltar!
– Você vai iluminar meu caminho, meu Sol? – perguntei.
– Sempre.
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Here comes the sun, here comes the sun,
and I say it's all right
Aqui vem o sol, aqui vem o sol,
E eu digo está tudo bem
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right
Queridinha, tem sido um longo, frio, solitário inverno.
Queridinha, parece que faz anos desde que esteve aqui.
Aqui vem o sol, aqui vem o sol,
E eu digo está tudo bem
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
and I say it's all right
Queridinha, os sorrisos estão voltando para os rostos,
Queridinha, parece que faz anos desde que esteve aqui.
Aqui vem o sol, aqui vem o sol,
E eu digo está tudo bem
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sol, sol, sol, aqui vem ele.
Sol, sol, sol, aqui vem ele.
Sol, sol, sol, aqui vem ele.
Sol, sol, sol, aqui vem ele.
Sol, sol, sol, aqui vem ele.
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
and I say it's all right
It's all right
Queridinha, eu sinto que o gelo está derretendo lentamente,
Queridinha, parece que faz anos desde que esteve claro.
Aqui vem o sol, aqui vem o sol,
E eu digo está tudo bem
está tudo bem
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