Notas iniciais
E então pessoas, vocês estava esperando um capítulo da Leona, mas como o Snow não postou a parte dele até a presente data entramos em acordo de postar outro capitulo no lugar para não haver atrasos. Terá um capitulo do James em seguida até a proxima semana, então fique atentos. Comentem, divulguem, falem pra sua mãe, pro seu irmão, pro seu vizinho pro seu canhorro!

O mundo é realmente um lugar fascinante, é repleto de novos lugares e descobertas. Tudo que tenho visto me faz pensar que a terra firme não é tão diferente assim do fundo do mar, sempre existem mistérios ocultos, lugares a ser vistos e o lições a serem aprendidas.

Diário de Benjamin Francis Drake, 11 de julho de 2004.

Acampamento Meio-Sangue, o nome era ridículo, num mundo totalmente miscigenado como ainda alguém podia usar esse tipo de termo para definir quem mestiço. Esse foi meu pensamento inicial sobre esse lugar, afinal não gostava muito desse termo “meio-sangue” me fazia parecer excluído socialmente ou que era portador de um vírus.

Essa impressão foi desfeita em alguns dias, aquele lugar era incrível. Nunca imaginei encontrar tantos garotas e garotas que como eu eram filhos de deuses, não era nada fácil absorver tudo aquilo, mas nasci com o coração de um aventureiro e essas mudanças era como o mar para mim.

Quando deixei a enfermaria logo fui levado para conhecer Quiron, em um primeiro momento eu achei que seria algum veterano, um herói que deveria estar no acampamento a muitos anos, para minha surpresa descobri que ele era um centauro, apesar que na ocasião eu possa ter errado o tipo de animal que ele era da cintura para baixo.

–Ah! Minha nossa, você é metade mula! –Annabeth e Luke riram discretamente, mas o centauro não gostou muito.

–Não sou metade mula, sou metade cavalo. –Ele tinha um tom cordial, mas dava para sentir uma certa crispação de raiva, ótimo tinha irritado o cara. –Sinceramente eu esperaria isso de garotos como os Stoll. Enfim seja bem-vindo ao acampamento meio-sangue, aqui é um local seguro para pessoas como você que são filhos e filhas dos deuses.

–Tinha esperanças de encontrar minha mãe por aqui, mas não estou vendo outros adultos... ou pelo menos metade de um a não ser você. –O centauro me encarou enrugando a testa e trocando um olhar com Annabeth, ela segurou meu ombro e pediu para entrar na grande casa que havia no acampamento.

A casa grande ironicamente tinha o nome de A Casa Grande, quando entrei no local fui recebido por um homem meio gorducho que bebia coca light e parecia bem mal-humorado.

–Outro? Já não basta aqueles outros dois desordeiros que me trouxeram hoje? Antigamente não chegava essa quantidade de pentelhos no acampamento, esses monstros de hoje não servem para nada.

–Ah! Esse é o Sr. D o chefe do acampamento. Ele é um deus. –Olhei incrédulo para Luke e depois para o homem, realmente não parecia que era preciso muita coisa para ser um deus. Senhor D este é Benjamin o novo recruta, pelas regras do acampamento temos que apresentá-lo ao senhor...

–Tudo bem, já apresentaram! Muito prazer Leonin, eu sou Dionísio, o deus que foi castigado a cuidar deste monte de fedelhos. Preferia é claro estar no olimpo, mas não ao que parece Zeus acha que ainda tenho que sofrer com esse bando de remelentos. –Fiquei sem saber o que falar, primeiro por que ele tinha me chamado de “Leonin” que nem vagamente lembra o meu nome e depois porque para um deus ele realmente não estava fazendo uma boa imagem de si próprio.

–Simpático. –Os outros me olharam parecendo um pouco surpresos com minha reação. –O que? Eu fui criado com piratas, nós nos insultamos o tempo todo.

–Você disse que tinha se separado da sua mãe. O que aconteceu? –Quiron não me olhava diretamente enquanto falava comigo, parecia ter o olhar fixado em algo no meu ombro.

–No dia do meu aniversário de onze anos, fomos atacados por uns zumbis esquisitos em nosso navio. Durante a luta o navio acabou explodindo e depois disso eu não a vi, quando acordei estava com uma mochila cheia de coisas para viagem e comecei a andar até achar uma pista desse acampamento por uns monstros em um cruzeiro. –Annabeth ficou pensativa e me encarou, seus lábios se moviam rapidamente no que parecia uma conversa silenciosa.

–Sua mãe faleceu. –O tal de Sr. D falou do seu canto sem nem pestanejar, fiquei sem saber o que dizer. Aquilo não era verdade, eu não iria aceitar. –Posso sentir que ela não está mais entre os vivos, sinto muito.

–É melhor eu ir mostrar o acampamento para ele. –Quiron aceitou as palavras de Luke e fui guiado para fora daquela casa, não conseguia acreditar no que tinha ouvido. –Eu sinto muito por sua mãe, de verdade.

Luke tinha um jeito familiar difícil de descrever, ele parecia da família. Sua voz parecia carregada de uma tristeza profunda e pude sentir que ele realmente entendia, queria ir para um lugar escuro e chorar, mas não tinha certeza se havia um lugar assim naquele acampamento.

–Se quiser podemos deixar para depois essa coisa de mostrar o acampamento, isso pode esperar. –Fiquei agradecido, mas se minha mãe havia morrido ela não iria querer me ver chorando.

–Quero encontrar minha mãe, temos uma política interna muito restrita sobre como lidamos com nossos entes queridos que morrem, ela era um pirata, tenho que encontrá-la. Ela deve ter um enterro como tal.

–Admiro sua coragem, mas não sei se isso vai ser possível. As missões são entregues por nosso oraculo e você sendo um novato duvido muito que iriam autorizar. –Não dei ouvidos aquelas palavras, se fosse preciso iria fugir daquele lugar.

Quando saímos da casa Annabeth de despediu dizendo que tinha que mostrar o lugar para outro dos recém-chegados. Então Luke ficou encarregado de mostrar o lugar, ele me mostrou o lugar e ia explicando tudo à medida que andávamos.

Haviam os chalés que representavam os deuses que tinham tronos no limpo, Luke me explicou que como haviam muitos deuses era complicado ter tronos para todos. O estranho era que muitos daqueles garotos eram filhos de deuses que não tinham chalés e por isso eles não teriam um lugar no acampamento. Ele me explicou que os filhos de deuses que não tem trono ficam no chalé de Hermes, assim como os indeterminados.

–Então eu sou indeterminado? E isso significa o que exatamente?

–Que nenhum deus ainda o reclamou como seu, no caso seu pai divino ainda não o reclamou. Enquanto isso não acontecer você ficará conosco no chalé de Hermes, aliás eu sou o líder do chalé.

–Eu já sei quem é meu pai. –Luke me olhou surpreso, depois sorriu achando que eu estava falando alguma bobagem.

–Vamos para o pavilhão tomar café, você deve estar faminto. –Ele não estava levando muito a sério as minhas palavras, então quando entramos naquele lugar cheio de garotos e garotas comendo e divertindo eu o segurei pelo ombro.

–É sério! Eu sei quem é meu pai! É o.... –Ele parou e arregalou os olhos para mim, vários garotos e garotas próximos fizeram o mesmo, algo luminoso havia acendido no local iluminando todos os rostos, levei alguns segundos para perceber que o clarão vinha de cima da minha cabeça.

–Hermes... –Ele sorriu e fez uma reverencia em seguida, vários garotos e garotas secundaram o cumprimento. –Senhor da Velocidade e dos Mensageiros. Senhor do Ladrões e viajantes. Mestre das serpentes. Salve Benjamin Frances Drake, filho do deus Mensageiro.

Foi um pouco estranho ver aquele monte de pessoas me olhando, eu já sabia quem era meu pai então tentei ficar na minha, alguns garotos que sem sombra de dúvida eram os mais feios que já tinha visto em minha vida deram risadas. Alguns me cumprimentaram e Annabeth apareceu sorrindo para me cumprimentar.

–Olha só quem diria. Somos irmãos! –Luke parecia de fato feliz com a notícia, era verdade que a forma do meu irmão se comportar me fazia sentir como se fossemos mesmo da mesma família então tentei ficar feliz com o que tinha acontecido.

–Por que aqueles caras que sinceramente parecem a cruza de monstros com pessoas estavam rindo? –Olhei na direção da mesa em que eles estavam, por um momento fiquei confuso porque tinha uma garotinha na mesa dos feiosos com roupas rosas exalando um ar de “hello kitty”, ela parecia um pouco desconfortável no meio deles.

–São os filhos de Ares, o deus da guerra. Eles se acham os melhores, mas na verdade não tem nada na cabeça. São bons guerreiros, mas tem zero discernimento em situações que algo além dos músculos são necessários.

–O que aquela garota de rosa está fazendo no meio deles? Ela é a única garota ali. –Luke me mostrou outras garotas na mesa dos filhos de Ares, fiquei chocado, elas conseguiam ser mais feias que os homens. –Aquela é a Leona, chegou aqui no acampamento no mesmo dia que você e foi determinada a pouco tempo, todos ficamos chocados, achamos que ela seria filha de Afrodite e não de Ares.

–Tem muita gente nova chegando?

–Não muitos, os últimos foram vocês dois, garoto de Hécate e uma garota de Deméter. –Ele deu uma olhada na mesa e então apontou para um garoto que estava mais afastado do outro lado do refeitório na companhia de uma garota. –Olha eles ali. É muito raro chegar tantos novatos de uma vez, acho que da última vez foi quando cheguei aqui com Annabeth e uma amiga nossa. Apesar do sorriso ele parecia chateado então não me aprofundei no assunto, passei a maior parte do dia conhecendo o lugar e a noite Luke me mostrou onde ficaria no chalé.

Conheci um pouco sobre cada chalé, como os de: Zeus, Poseidon e Hera que ficavam vazios, sendo respectivamente os de número um, dois e três. Zeus e Poseidon eram dois dos três grandes deuses, o terceiro era Hades, por um decreto eles eram proibidos de terem filhos, era algo relacionado a uma grande profecia. Hera era a deusa do casamento, então seria esquisito se ela tivesse filhos mortais fora do casamento, seu chalé era honorário porque ninguém queria irrita-la. Outro chalé vazio era o oito que pertencia a Ártemis a deusa da caça, ela era uma deusa donzela e, portanto, nunca teve filhos era outro chalé que ficava sempre desocupado. Hades apesar de ser um dos três maiores deuses, não tinha lugar no trono do olimpo e por isso não tinha chalé.

Conheci um pouco sobre as atividades do acampamento, como aulas de arco e flecha com os filhos de Apolo do chalé sete, treinamentos de combate que de acordo com Luke não ficavam por conta apenas dos filhos de Ares porque eles tinham um histórico de querer matar os recrutas nos treinos. O chalé cinco dos filhos da guerra era vermelho e parecia a visão de um monumento a guerra e lutas desenfreadas. Conheci os sátiros e as ninfas, novamente cometi um erro ao dizer que os sátiros eram metade jumentos, as ninfas deram muitas risadas, mas os sátiros ficaram profundamente ofendidos.

O chalé dez pertencia aos filhos de Afrodite parecia a casa da Barbie e seus filhos não eram combatentes e nunca saiam do acampamento, o chalé nove de Hefesto era legal, havia muitos garotos e garotas trabalhando em armaduras e equipamentos, eles tinham expressões sérias e pareciam adorar o trabalho.

Havia também o chalé doze dos filhos de Dionísio, os filhos do deus das festas pareciam ser as pessoas mais carismáticas do lugar, sempre sorrindo e de bom humor, não tinham nada parecido com o pai, a não ser que alguns tinham certa barriga como o pai. O chalé que vimos em seguida foi o seis de Atena a deusa da guerra e das artes, seus filhos eram um pouco assustadores, com aqueles olhos cinzentos e expressão de que estão pensando em várias maneiras de esfregar a sua cara no chão. E após conhecer os filhos de Deméter do chalé quatro que gostavam de mexer com agricultura e faziam plantas crescerem do nada é que paramos no chalé de Hermes.

O chalé de Hermes o onze era lotado e é claro com filhos de vários deuses diferentes era uma confusão, todos pareciam ter certo respeito por Luke, mas seus olhos cheios de malicia estavam direcionados em minha direção.

–Tome cuidado com seus pertences e com possíveis “brincadeiras”, nós filhos de Hermes temos o hábito de “pegar emprestado” sem avisar os pertences um do outro e esconde-los. –Isso explicava aqueles olhos cheios de malicia, já estava treinado. –Cada um de nós costuma ter armadilhas nos beliches de forma a proteger nossas coisas.

–Tudo bem, sempre gostei de planejar armadilhas. Aposto que posso levar alguns projetos para meu espaço. –Luke me deixou no quarto e foi cuidar de um treinamento de combate, sabia do risco em deixar meu beliche e ir até o chalé de Hefesto, mas precisava de alguns componentes e tinha quase certeza de que já havia alguma armadilha ali.

O pessoal do chalé nove ficaram mais do que felizes em me ajudar, alguns garotos discutiram como era a melhor forma de montar um sistema de detecção de armadilhas e movimentos. Como eles não poderiam de fato instalar nada no local que fosse chamativo trabalhamos com algumas coisas simples como cubos mágicos, travesseiros, lençóis e detectores pequenos.

Quando retornei para o chalé estava começando a escurecer, alguns dos meus meios irmãos pareciam na expectativa ao me verem seguir para o meu beliche. Parei alguns passos analisando o espaço, eles eram bem habilidosos, encontrei catorze armadilhas e quando terminei de desarmar a última todos me olhavam pasmos. Levei apenas alguns minutos para colocar coisas que pareciam normais no espaço, mas que na verdade eram surpresas para novos invasores.

Luke apareceu logo em seguida para levar todos para o jantar em volta da fogueira. Era estranho, todos colocavam comida nos pratos e depois jogavam uma parte do que tinham colocado na fogueira que crepitava feliz ao receber as oferendas. Logo me explicaram que tínhamos que oferecer aos deuses uma parte da nossa refeição, era um momento que tínhamos com eles.

Após encher meu prato com peixe cozido com batatas fiquei parado diante daquele fogo, meus pensamentos ainda estavam em minha mãe, não tive tempo para realmente pensar sobre o que tinha acontecido.

–Pai, isso é tão esquisito. Preciso dizer adeus a minha mãe, se você está ouvindo me ajude. –O jantar era um tipo de evento importante, os garotos cantavam e se desafiavam. Quiron interrompeu o evento apenas para alguns avisos, como não ir para a floresta, evitar sair dos limites da proteção do acampamento e sobre a Caça a Bandeira. O último item era de especial interesse dos campistas de Ares que falavam sofre esfaquear e matar os outros, tudo muito dentro dos padrões.

Estava decidido a sair do acampamento a noite e voltar a Nova Orleans, iria procurar minha mãe e faria o seu enterro, enquanto não fizesse isso não poderia seguir em frente. Tinha muitas contas a acertar e não tinha certeza de como me sentia a respeito do meu pai, essa coisa de ser um filho de um deus grego não era o que queria. Não tive trabalho para deixar o chalé, usei uma passagem aos fundos e sai pelo telhado, minha única surpresa foi encontrar um garoto ali.

–Você não está fugindo está? –Eu o reconheci como o tal filho de Hécate ao qual Luke tinha me falado antes, era um pouco mais baixo, a pele clara com algumas sardas, cabelos escuros e olhos azuis. Parecia muito desconcertado, reconheci aquela expressão em mim mesmo.

–Tem algo que preciso fazer. Não posso ficar no acampamento, talvez se não morrer posso voltar.

–Legal, se você morrer eu fico com seu beliche. –Dei um sorriso com a piada, ele devia ter visto o que tinha acontecido. –A proposito meu nome é Zachary, mas pode me chamar de Zack.

–Benjamim, mas pode me chamar de bonitão. –Ele ergueu uma sobrancelha e riu da minha piada.

–Sem chance. Que tal Leonin? –Tive que sorrir, aquele era o nome que o Sr. D havia usado para me chamar. –É melhor você ir logo, se as harpias te acharem elas vão tentar fazer um lanchinho noturno com seus pedaços.

Passar pelo acampamento durante a noite era realmente complicado, as harpias pareciam sentir minha presença e mais de uma vez tive que jogar em arbustos para não ser visto. Segui até a praia onde havia chegado, talvez alguma ninja me desse uma ajuda ou houvesse algum barco que eu pudesse usar. Quando cheguei na praia havia alguém lá, um homem observava o mar, ele estava com roupas casuais e segurava um enorme cajado que lembrava aquele símbolo que se via nas farmácias.

–É muito bom te ver meu filho. Já faz mais de dez anos desde a última vez que o vi, você se tornou um grande pirata. –Reconheci meus traços naquele homem, até mesmo o dos meus irmãos.

–Pai? –Ele fez um aceno afirmativo, caminhei até ficar ao seu lado. Ele tinha um brilho natural na pele que destacava suas feições que naquele momento pareciam tristes. –É verdade? Minha mãe está mesmo...

–Sim. Sua mãe era corajosa, uma grande pirata. Ela era tão valente quanto qualquer herói que já conheci. Eu a amei tanto...

–Então porque não a protegeu? Você é um deus! –Ele balançou a cabeça tristemente.

–Existem coisas que nem nós deuses podemos evitar. Não podemos mudar o que as Parcas já decidiram.

–As Parcas são idiotas! Eu vou fazer meu próprio destino! –Parei para respirar, me sentia sufocado. Meus olhos arderam. –Por que você está aqui!?

–Vim para atender ao seu pedido. –O navio da minha mãe surgiu no mar a nossa frente com a rampa baixada. Sentia tudo dentro de mim sendo consumido quando subi a bordo, havia um caixão azul claro com símbolo dos dragões e o brasão de Hermes. Meus olhos estavam fixos naquele ponto e quando finalmente desviei os olhos e vi James ali parado fiquei sem saber o que dizer.

Ela estava linda, parecia alguém que estava dormindo e enquanto a olhavam as lagrimas queimaram meu rosto. Não sei quando tempo ficamos ali, mas quando finalmente voltamos a praia Hermes estava ali esperando.

–O navio vai permanecer aqui na costa do acampamento, estará submerso, mas pedi um favor a Poseidon e ele me garantiu que o túmulo de Maria não será tocado por nada que viva no mar. –Apenas concordei, não conseguia pensar, estava atordoado. Fiquei assistindo o navio afundar e com ele a pessoa que mais amava, também estava grato pelo gesto que Hermes teve.

–Obrigado. –Ele desapareceu no momento que agradeci. –Este é o nosso último para sempre, meus pensamentos sempre estarão com você... mãe.

Fiquei na praia por muito tempo em silencio com James, não conversamos até o navio desaparecer. Ele me contou depois como esteve me ajudando em minha viajem, mas que não poderia ter me acompanhando que minha chegada ao acampamento deveria ser por meus próprios meios. Ele me disse que era um meio sangue como eu e que minha mãe sempre soube, ele era filho de Ares o que me deixou surpreso afinal os que eu conhecia eram todos uns gorilas sem cérebro.

Quando decidimos voltar ao acampamento já estava claro, por alguma razão não me sentia cansado ou com sono. Quando chegamos ao pavilhão encontramos Luke parecendo um pouco preocupado, quando me viu ele pareceu aliviado.

–Ben! Que alívio, quando você saiu a noite não achei que iria embora de verdade. Venha Quiron disse precisava falar com você. –Ele parou e olhou para James, com certeza ele parecia mais velho que a grande maioria dos campistas. –Quem é esse?

–James... Hook, filho de Ares. Eu era da mesma tripulação que o Benjamim, nos reencontramos há algumas horas. –Luke não parecia muito convencido, mas nos levou até a Casa Grande. Ele não entrou e foi embora, quando chegamos na sala de estar reconheci Zack sentado em das cadeiras com a garota chamada Leona tão rosa quanto da outra vez que a vi e um homem estranho que se vestia de motoqueiro.

–Finalmente! –O homem tinha uma voz de trovão pesada e cheia de sarcasmo, me lembrava um pouco James quando ficava com raiva. –Achei que iriam ficar se lamentando a vida toda. Enfim, eu tenho uma tarefa para minha filha aqui e para realizar a tarefa ela vai precisar de dois companheiros. Um tem que ser esse aí. –Ele apontou para mim –O outro tem que ser aquele garoto esquisito de Hécate, ela mesma me pediu para que mandasse o garoto.

–Que missão exatamente é essa?

–Eu sempre envio meus filhos recém-chegados para um teste, é um bem especial. Ainda não tive nenhum vencedor, apesar de que Clarisse se saiu muito bem com aquele touro, mas os colegas dela nem tanto. –Estava prestes a protestar quando ele falou. –Não pensem que isso é um pedido, estou dando uma ordem. Subam até o sótão conversem com a droga do oraculo e em seguida vou mandá-los, nada de levar suprimentos, apenas armas que vocês tenham.

Quiron apenas sacudiu a cabeça exasperado e fez um gesto indicando as escadas, o Sr. D parecia agir como se tudo aquilo fosse rotina e James apenas ficou encarando o motoqueiro com uma expressão carrancuda.

O sótão era um lugar velho e com um cheiro estranho, perdi a maior parte do tempo olhando várias das coisas que haviam por ali, Zack e a garota rosa seguiam em frente. Até nos deparamos com o que eu achei que fosse um defunto ressecado com uma roupa florida, devo dizer que ele era assustador e ficou pior quando fumaça verde saiu de sua boca e seus olhos brilharam fantasmagoricamente.

Ela estava flutuando quando uma fumaça roxa espiralou em seu corpo e o grito mais agudo que já havia escutado na vida atingiu meu tímpano, os outros também tamparam os ouvidos no reflexo e em seguida o som parou.

–... o filho dos dragões sua astucia mostrará, para na terra onde o tempo não passa chegar. –O voz vinha do defunto, era tão tenebrosa que fez os cabelos da minha nuca ficarem arrepiados. Então a fumaça roxa desapareceu e tudo voltou ao que era o defunto ainda estava parado. –Três herdeiros do olimpo serão reclamados, por tragédias seus caminhos foram marcados. A morte anda ao lado do sangue amaldiçoado e afasta todo aquele que for amado. Suas glórias os campistas jamais conhecerão, pois só pela fúria da Morte se libertarão.

–Tudo bem, isso certamente vai entrar para minha lista de coisas estranhas. –Zack concordou comigo e a garota também.

–Qual foi daquela fumaça roxa? A voz disse alguma coisa de força e dourado... eu não entendi nada. –A garota tinha uma voz meio melosa e infantil, mas não tinha ouvido nada sobre força...

–Isso foi esquisito e eu conheci uns bichos que pareciam cachorros combinados com focas. –Quando voltamos para a sala James ainda estava ali encarando o motoqueiro.

–Aquilo foi esquisito, aquele defunto faz isso sempre?

–Só quando alguém vai em uma missão. –Quiron respondeu e ficou nos olhando. –E então o que ela falou?

Tentamos explicar tudo e era estranho porque eu conseguia me lembrar do defunto com fumaça roxa, mas não conseguia falar isso, parecia um bloqueio na minha cabeça. Quando olhamos uns para os outros percebemos que o problema era mútuo, aquela parte do que o defunto falou não era para ser dita. Falamos da outra parte o que deixou todos surpresos, bom, menos o motoqueiro que parecia alguém que o natal tinha chegado mais cedo.

–Então vamos agilizar tudo isso. Tenho coisas para fazer, lembrem-se de não morrer nos testes e de que quando acabarem serão trazidos de volta para o acampamento até mais. –Ele estralou os dedos e uma fumaça vermelha cobriu minha visão, num momento estava na sala de visitas de Quiron e no outro um tipo de formação rochosa.

–Eu odeio aquele cara!

Notas finais
Final de mais um capítulo do Ben! Lindo e loiro como sempre... eu sei que ta meio triste algumas coisas e que o Ben não parece abalado, mas essas questões dele serão mostradas aos poucos. Então tenham calma. Até a próxima, comentem e tals não sejam fantasminhas!