Herdeiros das Estrelas

1 Prólogo - Um encontro na Rua das Mariposas


Já passava da meia noite quando uma figura ruiva surgiu no meio da Rua das Mariposas assustando o velho Phill, um dos bêbados que costumava cambalear para casa quando o Irlandês – o único bar da cidade – fechava. Ele tropeçou para longe, murmurando que precisava parar de beber antes de dar mais um gole na garrafa quase vazia que carregava.

A ruiva revirou os olhos, dando um pequeno sorriso para a cena tão familiar.

Sarah Selwyn apertou o casaco trouxa contra o corpo caminhando tranquilamente até a velha casa cinzenta no fim da rua sem saída, a única que ainda dava sinal de vida. Os cabelos alaranjados estavam bem mais curtos que a última vez que tinha estado ali e as olheiras sob os olhos esverdeados da garota denunciavam que ela não dormia a um bom tempo – ninguém podia culpa-la. Desde que se tornara espiã da Ordem ela dormia com um olho fechado e outro aberto esperando a hora que o Lorde das Trevas descobriria a verdade –, mas fora isso parecia que nada tinha mudado...

A garota cruzou o breve jardim malcuidado e esticou a mão para a aldrava na porta. Três batidas rápidas e se afastou para ficar à vista do olho mágico. Um olho azul a encarou e em seguida a porta foi aberta.

— Finalmente – Florence sussurrou, um olhar repreensivo em seu rosto – você está atrasada, sabia?

— Tive que resolver umas coisas antes de vim – a ruiva sussurrou de volta – eu não posso simplesmente sair à hora que eu bem quiser. As meninas não podem me encobrir sempre.

— Eu sei, é só que... as coisas não parecem nada boas. – Florence suspirou dando passagem à garota antes de fechar a porta.

A mansão Shafiq parecia mais sem vida, a garota notou enquanto seguia a morena pelo corredor mal iluminado. Desde a morte dos pais de Florence, a cerca de um ano, nem ela nem a irmã chegavam perto da casa.

A ruiva podia culpar a umidade pelo frio ali dentro, mas não pela sensação ruim que o lugar trazia.

— Sarah chegou – a morena anunciou atraindo a atenção da sala.

A ruiva acenou brevemente, escaneando a sala com a precisão que só uma ex-auror tinha.

Florence tinha acabado de se sentar no braço de uma das poltronas mais próximas, de onde Sirius lhe mandou uma piscadela. Do sofá menor Alice lhe deu um sorriso gentil, a cabeça deitada no ombro de Frank. Ao lado deles, no sofá maior, James sorriu para ela enquanto abraçava uma Lily visivelmente preocupada. Remus estava em pé no canto próximo e lhe sorriu carinhosamente parecendo tão cansado quanto ela estava.

A ruiva não pode deixar de notar que apesar das três garotas terem dado à luz a pouco mais de dois meses pareciam muito melhor do que ela tinha ficado quase um ano depois que Solária nasceu... Não que seu parto tivesse sido dos mais comuns, de qualquer forma.

Seu olhar parou em Dumbledore em pé ao lado da lareira antes dela caminhar para a poltrona vazia próxima a Florence e Sirius.

— E a Sol? – Sirius perguntou parecendo esperar que ela tirasse a criança de um dos bolsos do casaco.

— Sabia que tinha esquecido algo! – a ruiva respondeu ironicamente, revirando os olhos – ela está com o padrinho, Black.

— Ninguém em sã consciência traria uma criança para uma reunião dessas, Sirius – Florence revirou os olhos também.

Dumbledore pigarreou retomando a atenção da sala.

— Acho que podemos começar agora – falou, a voz calma como sempre – imagino que queiram saber por que estão aqui.

— Isso é meio óbvio – Florence resmungou baixo o suficiente para apenas Sirius e Sarah ouvirem.

— Há alguns meses estive procurando uma nova professora de adivinhação para Hogwarts e uma das candidatas acabou fazendo uma profecia – os outros o encararam confusos, mas Sarah se empertigou, parecendo saber do que se tratava.

— Você não pode estar falando sério Dumbledore, uma profecia? – Florence encarou-o, cética – Você acredita mesmo nessas coisas?

— Ele eu não sei, mas Voldemort sim – Sarah falou – eu não sei como ele sabe da profecia, mas parece acreditar nela o bastante para avisar os homens de confiança dele.

— Como você sabe? – Lily a encarou – Até onde eu sei seu posto não é tão alto lá dentro.

— Bellatrix tem a boca solta – ela deu de ombros.

A sala ficou silenciosa por alguns instantes enquanto os outros pareciam absorver a informação. Sarah sabia que todos estavam pensando a mesma coisa que ela: O suposto traidor.

Do mesmo jeito que eles tinham infiltrado Sarah entre os Comensais, eles tinham certeza que algum dos membros da Ordem era um traidor. Sarah morreria por todos ali e tinha certeza que eles fariam o mesmo, não conseguia aceitar a ideia de entre seus amigos... não, entre sua família haver um traidor, mas não havia como ter certeza.

A quase um ano Voldemort sempre parecia um passo à frente, sempre parecia saber o que eles fariam a seguir, informações cruciais sobre algumas missões e isso tinha custado algumas vidas a eles.

Primeiro os gêmeos Prewett, depois Edgar Bones, então Caradoc Dearborn e Dorcas Meadowes. Os últimos tinham sido os McKinnon e boa parte dos aliados que ainda estavam vivos preferiram se afastar para continuar assim.

Sarah não podia culpa-los.

Tudo que tinha sobrado a Ordem eram as pessoas presentes naquela sala, Alastor Moody, Minerva McGonagall, Benjamin Fenwick e Peter Pettigrew. E agora, ao que tudo indicava, a cabeça deles estava a prêmio.

— A profecia é sobre algum de nós? – Alice perguntou preocupada.

— Sobre seus filhos, na verdade – Dumbledore respondeu.

Alice arfou e Lily pareceu perder a cor. Florence só o encarou, a postura puro sangue camuflando a preocupação que sentia. Os garotos não pareciam muito melhor que elas.

— A profecia diz que uma criança nascida no fim de julho desse ano pode derrotar Voldemort – Sarah resumiu quando os sete pareciam ter se recuperado um pouco – Neville nasceu no dia 30, Cassie e Cyrus na virada de 30 para 31, e Harry no dia 31. São os candidatos mais prováveis.

O silêncio se prolongou por mais alguns instantes enquanto eles pareciam assimilar a notícia.

— Tá, mas como vamos saber quem é a criança da profecia? – Florence perguntou.

De todos ela era quem parecia mais calma, quase tão calma quanto Dumbledore aparentava estar. Sarah não pode deixar de pensar que só a amiga – uma sonserina nata – para manter o sangue frio numa situação daquela.

Dumbledore encarou-os com pesar.

— Isso só Voldemort pode definir.

.

Dumbledore estava certo.

E ele definiu.

No Halloween de 1981, quando o pequeno Harry mal tinha completado um ano, Voldemort encontrou o esconderijo dos Potter. Lily e James foram assassinados naquela noite, mas para a surpresa de todos, Harry sobreviveu. Não que o Lorde das Trevas não tivesse tentado, mas por um motivo desconhecido pela maioria, no momento em que ele lançou a maldição da morte no garoto, desapareceu. Harry saiu ileso a não ser pela estranha cicatriz em forma de raio marcando sua testa onde a maldição o acertou.

Harry Potter ficou conhecido como “o menino que sobreviveu”, não tinha uma criança no mundo bruxo que não soubesse seu nome e seus feitos, a não ser ele mesmo. Mas falaremos sobre isso depois. Afinal essa história não é só sobre ele.

Harry não foi o único a perder tudo naquela noite...

Depois que seu mestre caiu, alguns comensais acharam que podiam continuar o trabalho. E enquanto Bellatrix e os irmãos Lestrange torturavam os Longbottom até a loucura, os Carrows foram atrás de Florence. Por um milagre, Neville estava com a avó, mas os gêmeos não tiveram tanta sorte.

Para todos os efeitos, Cassiopeia e Cyrus Shafiq morreram com a mãe naquela noite e seria assim por dez anos até nossa história começar.

Notas finais
Hello! Então, eu não sei se essa história vai pra frente, porque eu escrevi esse prólogo uns 4/5 anos atrás. Se alguém quiser ler e quiser que eu continue comenta para eu saber (e para que eu tenha vontade de escrever a continuação). É isso. Espero que gostem. Bye ♥