Herdeiros das Estrelas
4 Capítulo 3 - O chapéu seletor
Notas iniciais
Solária tinha acabado de fechar a gaiola de Black quando o trem finalmente parou. O estômago da garota se revirava pela ansiedade e só de olhar para os irmãos a ruiva podia perceber que eles estavam na mesma situação. As pessoas no corredor se empurravam para chegar à porta e, sem a mínima vontade de entrar naquela multidão, os três esperaram um pouco, sendo uns dos últimos a descer, bem a tempo de ouvir:
— Mais alguém do primeiro ano? – um homem gigantesco gritava.
Os três correram até ele.
— Primeiro ano? – ele perguntou.
— Eles dois sim – Solária apontou para os mais novos – eu estou sendo transferida. Vou com você ou...
— Ah, sim! Digo, não... Siga os alunos mais velhos – o meio-gigante disse – Um dos professores estará esperando você na entrada do castelo.
— Obrigada – a ruiva sorriu virando-se para os irmãos – vejo vocês daqui a pouco.
— Boa sorte – Cyrus murmurou.
— Vocês também.
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Cassie observou a irmã sumir entre os alunos que seguiam para o outro lado antes que ela própria seguisse o homem gigantesco.
O caminho era íngreme, estreito e escorregadio. E estava tão escuro que era impossível não tropeçar ou esbarrar em alguém. Foi em um desses esbarrões, tendo quase derrubado o ruivo de cara no chão, que ela encontrou Harry e Rony.
— Merlin, achei vocês! – ela sorriu, segurando no ombro de Harry após outro tropeção – esse é meu irmão, Cyrus – ela apontou para o gêmeo ao seu lado – Cyrus, esses são Harry Potter e Rony Weasley.
O moreno murmurou um “oi” baixo que foi retribuído pelos dois. Ninguém falou muito. Hermione, Dean, Seamus e Neville logo se juntaram a eles, o último tinha os olhos vermelhos, como se tivesse parado de chorar a pouco. Fungou algumas vezes pelo trajeto – o tal sapo não tinha aparecido ainda.
— Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo – o meio gigante que, a morena descobriu por Harry, chamava-se Hagrid gritou por cima do ombro –, logo depois dessa curva.
— Uau – Cassie não conseguiu conter a admiração. E não foi a única. A turma toda tinha se agitado a visão do grande lago escuro e do imenso castelo na margem oposta.
— Incrível – Cyrus disse recebendo um aceno de concordância dos que ouviram.
— Só quatro em cada barco! – gritou Hagrid, apontando para os barquinhos parados à margem.
Harry, Rony, Neville e Hermione entraram em um deles. Os gêmeos, Seamus e Dean em outro.
— Todos acomodados? – Hagrid gritou novamente. Tinha um barco só pra ele – Então... VAMOS!
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Solária desceu da carruagem junto com os outros alunos – não conhecia eles e no momento estava ansiosa demais para tentar conhecer. A multidão de alunos seguia para o castelo se dividia levemente em certo ponto e então tornava a se juntar. O motivo, até onde a ruiva podia perceber, era um homem alto de cabelos escorridos e capa preta.
— Com licença – a ruiva se aproximou dele – o senhor é professor? Eu estou sendo transferida e o homem na plataforma me disse que...
— Sim, sim, vamos logo – o homem a interrompeu começando a andar na direção do castelo.
A ruiva franziu a testa seguindo-o.
— Meu nome é Solária Selwyn – ela disse alcançando o homem, que a ignorou – o senhor ensina o que?
— Poções – ele respondeu a contra gosto.
— Minha tia era professora de poções também – Solária comentou. O homem não disse nada e a ruiva desistiu de continuar a conversa.
Eles passaram o resto do caminho até o castelo em silêncio e enquanto os demais alunos seguiram para o Grande Salão, indo se sentar em suas mesas, a ruiva seguiu o professor até uma porta próxima a mesa dos professores.
— Bem-vinda Srta. Selwyn – uma voz calma e forte a recebeu assim que entraram.
Ela reconheceu o homem antes de se quer olhar todos os outros presentes. Aquela barba branca e o cabelo prateado brilhante eram inconfundíveis.
— Obrigada Prof Dumbledore – a ruiva sorriu.
— Como sabe são raras as vezes que Hogwarts recebe um aluno transferido – o diretor começou –, mas a senhorita já tinha uma vaga aqui desde que nasceu e eu acredito que ninguém deve ser privado de uma boa educação. Agora, acredito que a professora McGonagall tenha que recepcionar os alunos novos em poucos minutos então teremos que ser rápidos. – Solária assentiu, sem saber bem o que responder – Esses, Srta. Selwyn, são os diretores das casas de Hogwarts. Profª Minerva McGonagall, diretora da Grifinória...
Ele indicou uma mulher alta de cabelos negros e vestes esmeralda.
— Seja bem-vinda – ela disse com um aceno breve.
Solária murmurou um “obrigada” antes do diretor continuar.
— Profª Pomona Sprout, diretora da Lufa-Lufa – ele indicou uma mulher baixinha de sorriso amável. Solária sorriu de volta – Prof Fillius Flitwick, diretor da Corvinal – ele indicou o homem mais baixo, um anão que parecia se segurar para não ir apertar a mão da ruiva. Solária sorriu para ele – e creio que já conheceu o Prof Severo Snape, diretor da Sonserina.
O diretor indicou o homem que tinha levado-a até ali e a ruiva assentiu. Ao menos agora ela sabia o nome dele. Tinha a impressão que se dependesse do tal Snape ela morreria sem saber.
— Esse é o chapéu seletor – o mais velho continuou indicando um velho chapéu de bruxo em cima de um banco que, só agora ela tinha notado – ele vai definir em qual casa estudará pelos próximos cinco anos.
Solária assentiu novamente – parecia que era a única coisa que ela podia fazer. Já sabia sobre o chapéu, sua mãe tinha lhe dito que o usariam. Ilvermorny, a escola que estudou no segundo semestre do primeiro ano, tinha casas também, mas não tinham um chapéu seletor lá então não sabia bem o que esperar.
A diretora da Grifinória segurou o chapéu e indicou que ela se sentasse no banco. Solária se sentou e a professora colocou o chapéu em sua cabeça, que afundou um pouco, cobrindo seus olhos.
— Hum... Faz tempo que não seleciono alguém com seu dom. É raro, mesmo nesse mundo. Mas não há muitos que sabem sobre ele, não é? E você prefere continue assim, então assim será, mas lembre-se, nenhum segredo premasse assim para sempre – Solária se remexeu desconfortável – Tem uma mente astuta e bastante sabedoria também. Tem coragem, sim... Se daria bem na casa do seu pai, tem muito dele sabia? – a ruiva sorriu minimamente – Mas não é para lá que devo manda-la, é? Sua lealdade é voraz aos seus e tem um enorme senso de justiça. Se daria bem nas outras casas, mas sua mente grita LUFA-LUFA!
A última palavra foi anunciada em voz alta na sala silenciosa. A ruiva sorriu tirando o chapéu e entregando a McGonagall. Estava na mesma casa que sua mãe estivera.
— Bem, bem, se tudo já foi decidido, creio que devemos voltar para o salão – Dumbledore sorriu – Tenho certeza que os primeiranistas já estão ansiosos o suficiente e ainda devemos apresentar a Srta. Selwyn.
Solária sentiu seu estômago se revirar. McGonagall foi a primeira a sair, seguida de Flitwick e Snape. Sprout e Dumbledore seguiram lado a lado com a ruiva.
O Salão barulhento se calou quando Dumbledore, Sprout e ela pararam em frente à Mesa Principal.
— Antes da nossa Seleção desse ano devo informar que Hogwarts teve o prazer de receber uma nova aluna – murmúrios foram ouvidos. Solária manteve a cabeça baixa – a Srta. Selwyn entrará no terceiro ano, ela acabou de passar pelo chapéu seletor e foi selecionada para Lufa-Lufa – a casa aplaudiu, sendo seguida das demais
— Espero que todos a recebam bem – a Profª Sprout concluiu e então sorriu para ela – pode se sentar, querida.
Solária sorriu caminhando rapidamente até sua mesa. Ignorando os murmúrios que a seguiam. Tinha acabado de se sentar ao lado de garoto de cabelos castanhos claro quando ouviu um assobio na mesa da Grifinória.
Ela se virou encarando os gêmeos Weasley acenando para ela. Ela sorriu acenando de volta e eles se aproximaram junto com Angelina e Lee.
— Uma pena garota transferida... – um deles, Fred ela achava, disse.
— ...agora vamos ter que descobrir se você é melhor que o capitão no quadribol – George concluiu sorrindo maroto.
— Eu só preciso entrar no time – Solária sorriu do mesmo jeito, dando de ombros.
Ela encarou a mesa da Grifinória em busca do moreno. Logo o encontrou. Oliver, assim como boa parte do salão, a encarava. Ele o viu formular um “Parabéns garota transferida” sem som, sorrindo. Ela sorriu de volta formulando um “Obrigada capitão” antes de se voltar pros amigos observando a cena.
— Não pense que vai se livrar da gente tão fácil só porque caiu em outra casa, ruiva – Angelina brincou.
— Eu não sonharia com isso – Solária sorriu.
Sprout pigarreou atraindo a atenção dos cinco.
— Acho melhor a gente ir, vemos você depois – Angelina piscou para ela saindo com os garotos.
— Você joga quadribol? – o garoto ao seu lado perguntou atraindo a atenção da ruiva. Solária assentiu – Legal, qual posição?
— Geralmente como artilheira, mas sou uma boa batedora também – respondeu.
— Acho que você chegou na hora certa então – o garoto sorriu – ah proposito, sou Cedrico Diggory.
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Os primeiranistas chegaram até uma a porta do castelo onde uma mulher que Cyrus – em um grandessíssimo eufemismo – só podia definir como uma pessoa bem séria. A Profª McGonagall, como o garoto ouviu Hagrid chama-la, os guiou até vazia ao lado do saguão.
—Bem-vindos a Hogwarts – a professora falou – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas...
— Sim, sim, já sabemos – Cassie, ao lado do garoto, revirou os olhos – ela não pode fazer um discurso menor? Eu tô começando a ficar com fome.
— Se ela ouvir você tenho certeza que o discurso vai ficar maior – Cyrus murmurou no mesmo tom da irmã que lhe deu um empurrão discreto fazendo rir baixinho.
— As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. – a professora continuava falando – Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça das casas...
— Se formos para casas diferentes, é bom você saber que minha casa vai ganhar – Cassie murmurou novamente.
— Isso é um desafio? – Cyrus ergueu a sobrancelha. A morena sorriu marota.
Havia uma regra não oficial na casa dos Shafiq-Selwyn: um herdeiro de um maroto nunca recusa um desafio... por mais idiota que seja.
— O vencedor leva o que? – o moreno perguntou baixinho, encarando a professora que mandava eles se arrumarem para a Seleção.
— Decidimos isso mais tarde – Cassie respondeu fazendo o garoto assentir.
— Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês – disse a professora – Por favor, aguardem em silêncio.
Cyrus achava improvável que um bando de crianças ansiosa ficasse quieta, mas não queria acabar com as esperanças da mulher.
O garoto olhou em volta analisando o local. Cassie estava ao lado de Hermione, que murmurava uma serie de feitiços enquanto a Shafiq tentava acalma-la – mesmo que ele soubesse que ela devia estar tentando decorar os feitiços que a cacheada murmurava.
Harry e Rony, próximos a morena, conversavam sobre como era a cerimônia – tudo que Cyrus conseguiu ouvir foram as palavras “teste” e “dói”, o que não era muito reconfortante em sua opinião.
Neville, ao lado do Shafiq, segurava Trevo – o sapo tinha aparecido quando estavam nos barcos – com uma cara de quem estava prestes a passar mal. Seamus estava estranhamente calado e Dean encarava tudo ao redor como se fosse a última vez que estivesse vendo aquilo.
Claramente um grupo bem otimista. Pensou, tentando focar os pensamentos em qualquer outra coisa que não a maldita cerimonia que seleção.
Estava tão focado nisso que só notou os fantasmas quando a irmã o cutucou indicando o fantasma gorducho que falava com os alunos.
— Vamos andando agora – a Profª McGonagall tinha voltado – A Cerimônia de Seleção vai começar. Agora façam fila e me sigam.
Rapidamente os gêmeos entraram na fila atrás de Harry e Rony. Seamus ia a frente deles dois junto de Dean. Hermione e Neville entraram atrás dos gêmeos, e todos saíram da sala, atravessaram o saguão e entraram no Grande Salão.
Tudo que o garoto conseguiu pensar foi incrível.
A professora os guiou até a frente – ou fundo, ele não sabia bem – do salão, de modo que eles pararam enfileirados diante dos outros, os professores às suas costas.
Cyrus encarou o teto... bem, onde devia está o teto, encontrando o céu noturno.
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Hogwarts, uma história – Hermione cochichou para ele.
— Cyrus, você tá vendo a Sol? – Cassie perguntou escaneando as mesas em busca da ruiva.
O moreno fez o mesmo achando-a poucos segundos depois na mesa da Lufa-Lufa acenando e sorrindo para eles. O garoto ao lado dela falou alguma coisa e a ruiva concordou apontando para os dois.
— Ali, ela foi pra Lufa-Lufa – o moreno sorriu de volta mostrando a irmã mais velha a Cassie.
— Sarah vai surtar quando souber – Cassie riu.
Os dois desviaram o olhar da ruiva quando a professora silenciosamente colocou um banquinho diante dos alunos e então um chapéu bruxo tão velho quanto o próprio Merlin. O que diabos eles fariam com aquele chapéu? Então, quando achava que aquela cerimonia não ficaria mais estranha, o chapéu começou a cantar.
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Cassiopeia ainda estava boquiaberta quando o Grande Salão rompeu em palmas. Onze anos naquele mundo e a magia ainda conseguia surpreende-la.
— Quando eu chamar seus nomes, vocês porão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção – a professora McGonagall atraiu sua atenção, tinha um pergaminho nas mãos e estava ao lado do chapéu – Hannah Abbott!
Uma garota de marias-chiquinhas loiras tropeçou até o banco. Ouve uma pausa e então o chapéu anunciou:
— LUFA-LUFA!
Cassie sorriu batendo palmas junta dos lufanos enquanto a garota ia se sentar, bem ao lado de sua irmã. Susan Bones – uma ruiva que parecia bem ansiosa – foi a próxima, também indo para a Lufa-Lufa. Então Terence Boot e Mádi Brocklehurst – que foram para Corvinal –, Lilá Brown – que acabou na Grifinória –, Emilia Bulstrode – da Sonserina –, Justin Finch-Fletchley – novamente Lufa-Lufa – até finalmente chegar a alguém conhecido.
— Seamus Finnigan! – McGonagall chamou.
Eles aguardaram quase um minuto, onde Cassie se balançava ansiosa, antes do chapéu anunciar:
— GRIFINÓRIA!
O garoto abriu um sorriso enorme fazendo um “toca-aqui” com Dean enquanto quase corria até a mesa da sua nova casa.
— Ao menos ele caiu na casa que queria – Cyrus murmurou sorrindo. Cassie ia responder, mas então a professora chamou outro nome que atraiu sua atenção.
— Hermione Granger!
A garota saiu quase correndo até o banquinho e enfiou o chapéu ansiosa. E se esperar quase um minuto pela decisão do chapéu na vez de Seamus tinha feito ela ficar ansiosa, esperar quase cinco com Hermione era uma tortura.
— GRIFINÓRIA! – o chapéu anunciou e Cassie soltou um gritinho animado comemorando... não pela casa em si, mas por finalmente ela está em uma das casas.
Alguns outros foram chamados até outro nome conhecido aparecer:
— Neville Longbottom!
Cyrus apertou o ombro do amigo encorajando-o. O castanho se apressou, levando um tombo no meio do caminho. E foi após outros quase cinco minutos de espera que Cassiopeia teve a certeza que o chapéu estava fazendo aquilo de propósito, porque não havia outra explicação para que ele demorasse tanto na vez de seus amigos e fosse tão rápido nas dos outros alunos...
— GRIFINÓRIA! – Neville parecia meio atônito e saiu correndo ainda com o chapéu na cabeça, tendo que voltar para devolver.
—Parabéns, cara – Cyrus sorriu dando uma batidinha nas costas do garoto quando ele passou.
Draco Malfoy, um garoto loiro de nariz em pé, foi outro que atraiu a atenção da garota. Pelo nome só podia ser filho da Narcisa Malfoy e, até onde sabia, isso fazia deles parentes... O chapéu mal tinha tocado a cabeça do garoto e gritou “SONSERINA!”
Então metade já tinha ido. Celina Moon foi pra Corvinal, Theodore Nott e Pansy Parkinson para a Sonserina, as gêmeas Parvati e Padma Patil foram para a Grifinória e para a Corvinal, respectivamente, e Sara Perks para a Lufa-Lufa antes de a professora chamar outro conhecido:
— Harry Potter!
O salão se encheu de burburinhos. Cassie olhou para o irmão revirando os olhos. Aquilo era ridículo. O garoto colocou o chapéu e, milagrosamente, o salão silenciou. Eles mal respiravam até que o chapéu anunciou:
— GRIFINÓRIA!
O salão inteiro parecia está comemorando a vitória numa final de quadribol. Cassie podia jurar que viu dois gêmeos ruivos da Grifinória gritando “Ganhamos o Potter!” e teria rido não fosse a professora chamar o nome que estivera esperando a noite inteira:
— Cassiopeia Shafiq – a morena fez uma careta, sentindo o estômago se revirar.
Viu a maior parte dos professores parecerem confusos – e alguns poucos alunos também. Não era difícil de entender o porquê: para o mundo bruxo a família Shafiq tinha morrido no dia da queda de Voldemort. Sua tia não usava mais o nome de solteira e os parentes mais distantes estavam apodrecendo em Azkaban – e que assim ficassem.
Sarah ainda guardava o Profeta daquele dia “Morta a professora de Hogwarts, Florence Shafiq, em um ataque de comensais... Nada se sabe sobre o paradeiro das crianças Shafiq, mas segundo fontes, o Ministério está presumindo o pior”.
A morena ignorou os olhares.
— Ela tinha que me chamar de Cassiopeia – resmungou para o irmão antes de seguir para o banquinho. A última coisa que viu antes do chapéu cobrir seus olhos foi Cyrus sorrir encorajando-a.
— Ora, uma Shafiq... ou seria uma Black? – Cassie deu de ombros. Ela era os dois, ele podia chama-la pelo que quisesse – Pode se parecer com sua mãe, mas puxou muito do seu pai... Tem coragem e a lealdade dele e pelo visto a tendência dele a ir contra as regras também – a morena conteve um sorriso – seria uma ótima grifinória, mas não é para lá que deve ir, não... Sua ambição é grande menina e a vontade de se provar também. Talvez você consiga fazer o muro de preconceitos que cerca sua casa cair, mas vai ter um longo trabalho na SONSERINA!
A última palavra ecoou pelo salão. A mesa das cobras aplaudia alto e a morena viu seus irmãos, Harry e Hermione aplaudirem também. Rony, Neville, Seamus e Dean demoraram um pouco para segui-los, mas Cassie não ligou. Ela não conseguia conter o sorriso. Tinha ido para casa da mãe.
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Cyrus apertou a mão da irmã quando ela passou por ele, um sorriso gigantesco em seu rosto, e quase correu até a mesa da Sonserina.
— Cyrus Shafiq – a professora chamou traindo sua atenção de volta para o chapéu.
Novamente os olhares que ele tinha visto quando a irmã foi chamada. Ele respirou fundo se sentando e o chapéu lhe cobriu os olhos.
— Outro Shafiq-Black? – Cyrus gostou de como aquilo soava, ele esperava poder usar o sobrenome daquele jeito um dia – Você é o oposto de sua irmã, não é? E ainda assim, não podiam se parecer mais... A lealdade e a coragem em sua família é algo a se considerar, selecionei três de vocês hoje e é um traço bem presente – o garoto sorriu minimamente – A paciência que falta na sua irmã em você transborda. Tem muita astúcia também e vai precisar dela... bem, criança, você vai seguir os passos de seu pai e quebrar a tradição dos sobrenomes que carrega: GRIFINÓRIA!
O garoto ouviu antes de ver a mesa dos leões aplaudir, Sol e Cassie faziam o mesmo e, quando olhou pra gêmea na mesa do outro lado do salão, viu ela formular um “desafio” e depois sorrir marota. Ele retribuiu o sorriso indo se sentar ao lado de Neville.
— Acho que vamos ser colegas de quarto – ele comentou fazendo o castanho sorrir.
Lisa Turpin tinha acabado de ser mandada para a Corvinal quando Rony foi chamado. O garoto parecia prestes a vomitar e Cyrus achou que se o chapéu não tivesse gritado GRIFINÓRIA menos de um minuto depois de ser colocado na cabeça do ruivo ele teria desmaiado ali mesmo.
Ele literalmente se largou na cadeira ao lado de Harry, recebendo os parabéns dos irmãos, enquanto o chapéu selecionava o último aluno: Blásio Zabini, Sonserina.
Então Dumbledore se levantou e o salão se calou novamente.
— Sejam bem-vindos! – ele disse – Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Destabocado! Beliscão! Obrigado.
Cyrus riu enquanto o salão batia palmas e comemorava.
Aqueles anos seriam no mínimo estranhos.
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