Herdeiros: O regresso dos fundadores

2 Capítulo II - Severe possibility


Notas iniciais
Olá pessoas, como vão? Demorou mais chegou um capítulo novinho da fanfic. Espero que gostem. Um beijo e um queijo da tia Daily ;)

Ao pé da enorme janela de seu quarto, estava Isabella, não a Fields, e sim a Bouborn-Stuart. Aparentemente Isabella é um nome muito comum na Grã-Bretanha. A menina de longos cabelos negros, pele branca como a neve e olhos azuis como o mar, estava sentada sobre as pernas olhando o vasto e limpo horizonte que era os terrenos da mansão de sua família, a procura de algum sinal, qualquer um, de sua coruja e do que ela traria em seu bico. Os gêmeos, seus irmãos mais velhos, se é que devem ser chamados assim, invadiram seu quarto e como sempre começaram a fazer bagunça e a soltar piadas.

—Olha pra ela Will, tão calada que nem parece ela mesma!- disse Henrique, o que nasceu primeiro, para seu irmão.

—Tem razão Henry, acho que o passarinho comeu a língua dela!- respondeu William com um risinho sem graça.

—Tenho que agradecer a esse passarinho irmão!- brincou Henry ao ironizar o fato de sua irmã caçula falar de mais.

E assim continuaram. Mas diferente das outras vezes, Isabella os ignorou, nem ligou para o barulho que faziam, e continuou a olhar através do vidro de sua janela, deixando a imaginação tomar conta de sua mente.

Desde muito pequena, seus pais lhe contavam histórias sobre seus anos na escola de magia e bruxaria. Eram tantas aventuras que a jovem Isabella não podia contar. Mas não somente as aventuras, como também os estudos. O Sr. a Sra. Bouborn-Stuart amavam seus filhos, isso era evidente, entretanto os dois vinham de três gerações de corvinos e sempre os pressionaram para que fossem os mais inteligentes e os mais estudiosos, até mesmo nos anos regulares da escola trouxa. Não que Isabella não gostasse de estudar, na verdade ela adorava, aquilo era sua vida, sua vocação, mas fazer isso todos os dias, repetidas vezes, era cansativo. A menina sonhadora queria se divertir, fazer novas amizades e viver aventuras sem ter os olhares dos pais a repreendendo. E Hogwarts era seu passe livre para conseguir tudo o que queria.

—CHEGOU!- gritou Isabella animada ao dar um pulo súbito de onde estava.

—Quase me matou de susto Isa!- repreendeu Henry. –Afinal, o que chegou para te deixar tão animada de repente?-

—Einstein finalmente chegou!- respondeu ela com um enorme sorriso estampado na face, enquanto olhava, ainda pela janela, sua coruja se aproximar da casa.

—O que está esperando? Vá lá ver o que é!- disse William com um sorriso esperançoso no rosto. Apesar de viverem brigando, os gêmeos amavam sua irmãzinha caçula, e quando não estavam sendo idiotas a tratavam extremamente bem.

—Quem sabe hoje não é o seu dia de sorte!- continuou Henry dando uma piscadela para a irmã.

Fazia dias que Isabella esperava pela sua carta. Todos os dias, no mesmo horário, ela ficava ao lado da janela de seu quarto, onde a vista era mais ampla, a esperar sua coruja trazer o que tanto desejava. Dia à pos dia e sua carta não havia chegado. Já estava perdendo as esperanças. Mesmo assim não desistiu. Aquele era seu sonho.

—Vocês tem razão! Vamos comigo buscar?- perguntou Isabella ao olhar para os irmãos mais velhos.

—Quem chegar por último é a mulher do padre!- disse William rapidamente com um sorriso sapeca na face, mas não conseguiu a reação que queria dos irmãos. Henrique e Isabela o olharam sem entender a piada.

—Mulher do padre?- repetiu Isa ao franzir o cenho.

—Da onde você tirou isso Will?- indagou Henry com um risinho irônico.

—Vocês nunca ouviram essa expressão?- perguntou o mais novo dos gêmeos sem acreditar. –É algo que os trouxas dizem, conheci um garoto esses dias e ele me contou como brincava com os irmãos quando era mais novo, é apenas pra vê quem chega primeiro!- explicou Will, corando quando mencionou que conheceu um garoto.

Isa e Henri olharam um para o outro e sorriram maliciosos ao ver o rosar nas bochechas do irmão. Desde muito pequenos os três sofrem com a educação severa dos pais. O Sr. e a Sra. Bouborn-Stuart não admitia erros ou polêmicas sobre a família, que era muito respeitada em toda sociedade bruxa. E depois que começou a estudar em Hogwarts, William descobriu que não gostava de garotas, até teve um pequeno romance com um garoto da sua casa, a Corvinal, mas ninguém além de Henry e Isa sabia disso. Seus pais o matariam se soubesse das traquinagens do filho.

—Parem com isso já, vocês dois!- repreendeu Will, com vergonha, fazendo os irmãos caírem na gargalhada.

—Vamos logo Romeu! Einstein já deve estar estressado de esperar!- disse Henry ao colocar a mão no ombro do irmão e fazer o mesmo com a pequena Isabela, que dava pulinhos de excitação com toda aquela situação.

Chegando no Hall de Entrada, os três irmãos tiveram uma surpresa inesperada, logo os alegres e descontraídos sorrisos sumiram de suas faces. A sua espera estavam Mark e Helena, seus pais, com as mesmas feições de sempre, sem sorrisos ou sinais de felicidade ao ver os filhos. Nas mãos de Mark, um homem não muito velho de cabelos pretos e alguns fios grisalhos, havia duas cartas de cores diferentes. Uma era azulada e bastante delicada e a outra era apenas um pergaminho amarelado. Isabella olhou para a mão do pai e sorriu ao ver as cartas na esperança de que uma delas fosse sua carta de aceitação em Hogwarts, e ela estava certa, mas aquela não foi à única escola a aceita-la.

—Meninos, não deveriam estar estudando? As aulas vão começar em breve!- disse Helena, uma mulher de pele branca, olhos azuis e longos cabelos negros, assim como Isabella.

—Já terminamos mãe!- disse Will.

—Estávamos conversando com a Isa quando... — começou Henry, mas foi interrompido.

—Conversando? Sei!- disse Mark já conhecendo os filhos e já sabendo se suas travessuras para irritar a irmã. Os gêmeos abaixaram as cabeças na mesma hora.

—É verdade pai, estávamos conversando e eu lhes contei o quanto estava ansiosa para ir logo para Hogwarts.- mentiu Isabella em defesa dos irmãos, o que não era de todo mentira. A menina, mesmo sendo a mais nova, era a única que tinha coragem para enfrentar os pais ou para se impor na família, e como era a caçula, os pais relevavam esse comportamento.

—Que seja minha filha, mas sobre ir para Hogwarts, temo que não seja possível!- disse Mark indiferente, como se aquilo não significasse nada para a filha, ao olhar para as cartas em suas mãos.

—O que? Mas como assim?- perguntou Isa sem entender.

—Ela não foi aceita? Mas como?- perguntou Henry.

—Não, ela foi aceita sim, isso não novidade.- disse Helena, e então pegou a carta de cor azul da mão do marido e mostrou para os filhos. –A novidade é que ela também foi aceita em Beauxbatons!- continuou ela com um sorriso triunfante na face, algo raro de ser ver.

—Mas não entendo, não quero ir pra lá, quero ir pra Hogwarts, como vocês!- disse Isabella ainda confusa, sem entender o porquê de não poder ir pra escola que os pais estudaram e que tanto queria aprender.

—Hogwarts é uma ótima escola, mas Beauxbatons é uma escola só de meninas, e não vai ter nenhum rapazinho esperto pra mexer com você!- disse Mark, com certo ciúmes na voz, já que Isa era sua única filha.

—E lá você poderia se destacar, ia ser a mais inteligente de todas!- concluiu Helena, como se aquilo fosse realmente importante, o que para ela era verdade.

—Mas eu não quero ser a mais inteligente, só quero ir pra Hogwarts, sinto que devo estudar lá, quero fazer novas amizades, e não só com garotas... vocês não podem tirar isso de mim!- disse Isabella com raiva. –Não vou para Beauxbatons!-

—Mas filha, isso é o melhor pra você!- disse Mark.

E antes que Isabella abrisse a boca para argumentar, seus irmãos se encheram de coragem e pela primeira vez nas suas curtas vidas de 14 anos, enfrentaram os pais e tomaram a frente, protegendo os desejos da menina.

—É o melhor pra ela? Ou pra vocês?- disse Will sério ao olhar para os pais, que ficaram atônitos com o comportamento repentino do filho.

—A vida é dela, não pode força-la a seguir um futuro que vocês não foram capazes de conseguir. — disse Henry confiante, fazendo sua mãe baixar a cabeça e corar envergonhada. Estudar na Academia de Magia Beauxbatons sempre foi o sonho de Helena, mas não foi aceita quando tinha 11 anos, e ela acabou transferindo esse desejo para a filha.

—Se a Isa quer estudar em Hogwarts, é lá que ela vai estudar, e ponto final!- concluiu ele, e então se aproximou dos pais e pegou a carta de Hogwarts. –Vocês deviam sentir vergonha. Querer acabar com meus sonhos e os do meu irmão é uma coisa, mas os dela? Passaram dos limites!- sussurrou para que Isa não escutasse, e então se virou, deixando os pais estupefatos para traz.

—Tá aqui Isa!- disse Henry ao entregar a carta para a irmã, que sorriu em resposta.

—Agora vamos, temos muita coisa pra lhe contar sobre sua nova escola. — disse William com um sorriso sapeca para a irmã, segurando sua mão em seguida.

—Vão na frente, queremos conversar com o Henry!- disse Mark, sem demonstrar nenhuma feição.

O coração de Henry congelou no mesmo momento. Suas mãos começaram a suar e enquanto seus irmãos seguiam para os quartos, ideias sobre os castigos que teria lhe vinham à mente.

—Sim pai?- disse ele com um pouquinho da coragem que ainda lhe restará.

—Obrigado meu filho!- disse o Sr. Bouborn-Stuart. Somente agradeceu o filho. E logo um sorriso orgulhoso surgiu em sua face. –Nunca pensei que ficaria tão orgulhoso de vocês, principalmente de você Henry, mas mais uma vez me surpreendeu. -

Henry não falou nada, pasmo com o que acabara de ouvir.

—Sei que sou severo de mais com vocês... – começou Mark.

—Não só ele né, tenho minha parcela de culpa. — brincou Helena, coisa que Henry nunca a viu fazer.

—Pois é, mas tudo que fizemos foi para que vocês se tornassem mais fortes e sábios, e agora eu sei que fiz bem meu trabalho, demorou um pouquinho, mais do que pensei mas o sangue forte dos Stuart falou mais alto. — continuou Mark a fazer piada com o filho mais velho.

—Não sei nem o que dizer!- disse Henry ainda perplexo com tudo, mas feliz e realizado ao mesmo tempo.

—Não diga nada, vá ajudar sua irmã a se preparar. Ela irá pra Hogwarts!- disse Mark com um brilho diferente no olhar, talvez fosse alegria, talvez orgulho, ou uma mistura dos dois.

—Muito obrigado, a vocês dois!- disse Henry e então abraçou os pais, os dois ao mesmo tempo, o que há alguns minutos antes, seria impossível até de imaginar, mas agora era real, e Henry adorou aquilo mas do que tudo. Ter o apoio e orgulho dos pais era o seu maior desejo, e não poderia estar mais feliz.

Henry seguiu para seu quarto ainda atônito com o que acabara de acontecer, e quanto encontrou os irmãos, sentados na sua enorme e confortável cama, com medo estampado nas faces, ele riu.

—Agora é oficial, você vai para Hogwarts maninha.- disse Henry com um largo sorriso, pulando na cama logo depois.

—Sério? Ah obrigado, obrigado... – disse Isa repetidas vezes ao dar vários beijos nos irmãos mais velhos.

—Mas como? Pensei que você não voltaria, o que eles disseram?- perguntou Will sem entender.

—Aparentemente, por baixo de tudo aquilo ainda existe seres humanos e os nossos pais. Eles só nos tratavam daquela maneira para ficarmos mais fortes, e quando enfrentamos eles hoje, viram que o trabalho tinha acabado... eu até vi a mãe sorrir e o pai brincar.- disse Henry para os dois, que desconfiaram se a última parte era mentira.

—Nossa mãe? Sorrindo?- disse Isa com um sorriso.

—E nosso pai brincando? Sério?- perguntou William.

E antes que Henry respondesse, seus pais entraram no quarto com sorrisos enormes estampados nas faces cansadas de tanto escrever livros. Os irmãos se calaram no mesmo estante.

—Não acredito, eu libero as rédeas um minuto e vocês já estão fofocando sobre nos!- disse Mark a brincar.

—Mas que coisa feia!- completou Helena ao fingir repreende-los. –Só por causa disso, não vamos mais leva-los para tomar sorvete!-

—Mas mãe... – disse William e Isa ao mesmo tempo, ao fazerem uma cara de cachorro com fome.

—Tá, mas vamos logo, tenho muita coisa pra resolver ainda hoje!- concordou Mark em fim, recebendo um abraço apertado de Isabella, o que para ele já era o bastante para valer seu dia.

—Obrigado pai!- disse a menina, mas grata do que nunca por ter os pais que tinha, mesmo com toda a severidade.

E juntos os Bouborn-Stuart seguiram para o centro de Londres pra comemorar não só a aceitação de Isabella em Hogwarts, mas também o novo clima que pairava sobre eles, algo parecido com união. Ainda não era uma família perfeita, mas estavam bem perto disso. E enquanto tomavam os mais deliciosos sorvetes de toda Londres, na sorveteria Florean Fortescue’s, a família contava mais histórias sobre a velha escola de magia para a bela Isabella, o que só aumentou a ansiedade e curiosidade da jovem.