Herdeiros: O regresso dos fundadores
1 Capítulo I - They all mean well
Notas iniciais

Isabella acordou com dificuldade de um desmaio. Seu cachorro, um filhote da raça Border Collie, lambia seu rosto animado a chamando para brincar, mas logo desistiu e saiu dali. Sua cabeça estava pesada e sua mente rodava sem parar. Na sua frente dois rostos turvos chamavam por seu nome.
—Querida, acorde!- dizia Maria, sua mãe. Uma bela mulher de olhos azuis e cabelos ruivos.
—Vamos Bell, acorde!- dessa vez era seu irmão Arthur que lhe chamava enquanto dava leves batidinhas no seu rosto, na tentativa de ajudar.
A jovem menina não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, na verdade não fazia ideia de como aquilo foi acontecer, nem ao menos parecia real. Seu irmão e sua mãe lhe ajudaram a levantar e então sua visão voltou ao normal e não se sentia mais tonta.
Seu pai, um homem moreno não muito velho de boa aparência, andava de um lado para o outro na enorme sala de estar da Mansão Genoom, a procura das palavras certas para explicar aquela situação para a filha, com a dita carta, que tomará as pressas da mão de Isabella, em suas mãos.
—Venha, sente aqui querida!- disse sua mãe com um meio sorriso ao lhe levar para uma das poltronas da sala.
—Mas o que diabos isso quer dizer pai? Escola de magia e bruxaria? Eu, uma bruxa?- perguntou a jovem Isabella confusa, enquanto se sentava em uma das muitas poltronas da sala. –Isso é algum tipo de brincadeira?- continuou ela sem parar.
Nenhuma resposta se escutou de seus pais, apenas as mesmas feições de segundos antes. Aquilo acima de tudo irritou a menina profundamente. Isabella possuía uma personalidade forte. Teimosa que só ela, não aceitava um não como resposta, ainda mais quando estava com a razão. Não que ela fosse mimada pelos pais, longe disso, a menina apenas não gostava de ser a última pessoa a saber das coisas, gostava sempre de estar informada, ainda mais sobre algo tão importante. E saber que os pais, aqueles que tanto confiava, mentiram pra ela, machucou os sentimentos da jovem garota.
—Por favor, falem alguma coisa. Minha cabeça já não está aguentando de tantas dúvidas!- implorou Isabella ao olhar agora para seu pai, que havia parado de andar e se encontrava sentando na poltrona oposta a dela.
Passaram-se alguns poucos minutos de silêncio até que o Sr. Fields começasse a falar, e Isabella não conseguia esconder o quão curiosa estava para saber a verdade.
—Bom, minha filha, por onde devo começar?- perguntou o Sr. Fields a olhar pra filha com um sorriso meio forçado.
—Quer mesmo que eu diga pai?- disse Isabella com certa ironia na voz.
Seu pai riu. O que só deixou Bella mais confusa.
—Do que está rindo James?- perguntou a Sra. Fields com um sorriso brincalhão na face, já imaginando o que seu marido iria responder.
—Como podem ser tão parecidas? Até sua teimosia ela puxou querida. — respondeu James também com um sorriso.
—Não é hora pra brincadeiras James, apesar de ser verdade!- disse a Sra. Fields dando uma piscadela para a filha, e em seguida um beijo no marido. – Ela merece saber, mesmo que eu ainda não me agrade dessa história de nos separarmos por quase todo ano, chegou a hora. Não é justo que ela não saiba de nada... Vamos deixar vocês sozinhos. —concluiu a Sra. Fields olhando no final para seu filho Arthur, que concordou com a cabeça.
—Obrigado por entender Maria!- disse James para sua amada esposa.
—Me desculpe Sr. Fields, não queria arrumar confusão. — disse Arthur triste ao olhar para James.
Ao contrário de Isabella, Arthur não era filho biológico de James e Maria. Seus pais haviam morrido num acidente de carro muito suspeito e ele estava morando num orfanato em Hogsmeade já fazia dois anos, quando os Fields o adotaram e lhe deram um lar e uma família. E Arthur os amava por isso, tudo que ele menos queria era desagradar aos pais, e mesmo que inocentemente, pensou ter acabado de fazer isso.
O incidente aconteceu poucos minutos antes de Isabella desmaiar, na verdade, foi o motivo de seu desmaio. Arthur e sua irmã conversavam na sala quando cartas chegaram. Ambos acharam estranho, eles moravam num lugar bem distante da cidade e normalmente eles mesmos tinham que ir buscar as correspondências no correio mais próximo, na cidade de Drumnadrochit, nunca haviam recebidos cartas em casa antes.
Mesmo achando estranho, foram olhar o que tinham recebido, “Talvez seja algo interessante” disse Isabella na hora. Arthur pegou as duas cartas que estavam jogadas no chão próximo a porta de entrada e leu o que dizia nos versos:
“Ao Sr. A. Fields,
Arredores do Lago Ness, próximo a Drumnadrochit, Terras Altas, Escócia.”
“A Sra. I. Fields
Arredores do Lago Ness, próximo a Drumnadrochit, Terras Altas, Escócia.”.
Na frente dos envelopes o símbolo de Hogwarts selava o papel em cera vermelha. Arthur abriu um sorriso. Sempre sonhou em estudar na escola de bruxaria mais famosa de toda Grã-Bretanha, mas como morava num orfanato, não tinha muitas esperanças quanto suas chances.
—São nossas cartas de Hogwarts! Cheguei a pensar que não nos aceitariam!- disse Arthur ao entregar a carta endereçada a sua irmã à mesma, que o olhava confusa sem entender muita coisa.
—Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts?- leu Isabella atônita antes de desmaiar.Logo que viu o que havia feito, Arthur chamou seus pais, e bem você já sabe o resto da história.
—Não me chame de senhor, sou seu pai Arthur, você é meu filho querido, nunca se esqueça disso. — disse James com um sorriso no rosto para Arthur, que acordou do devaneio que estava ao lembrar do que havia feito.
—E não precisa pedir desculpas, nos é que erramos! Agora venha, vou fazer um chocolate quente pra gente!- disse Maria ao olhar carinhosamente para o filho, que mais uma vez agradeceu por ter tido a sorte de ganhar uma família tão boa. E assim que dito isso, os dois saíram da sala e deixaram James e Isabella sozinhos.
—Bom minha filha, antes que comesse a me xingar e a me culpar ou a sua mãe por ter encoberto toda a verdade, saiba que nos fizemos isso por achar que era o certo. Sabíamos que um dia teríamos que contar toda a verdade, mas enquanto você pudesse ter uma vida normal, era assim que seria. —começou o Sr. Fields meio nervoso.
—Sei que magoar não era a intensão de vocês, mas gostaria que vocês tivessem confiado em mim para dizer a verdade. Mas depois conversamos sobre isso. E afinal, que história é essa em? Escola de Bruxaria? Explique-me tudo com detalhes!- pediu a menina agora mais calma.
—Pra começar, todas aquelas histórias sobre bruxas e feiticeiros que você estudou na escola, nas aulas de história, são verdadeiras, bom, as coisas não aconteceram exatamente como os trouxas contam, mas sim, bruxos existem. — começou o Sr. Fields, mas foi interrompido pela filha.
—Mas que grosseria pai, chama-los de trouxas!- repreendeu Bella. Os Fields eram uma família tradicional escocesa, e Isabella recebeu a melhor educação que seus pais e avós podiam lhe dar. Era uma menina muito educada com todos e não entendeu o porquê do pai, que lhe ensinara a ser gentil, estava chamado seus professores de trouxas. Era extremamente contraditório.
—Não filha, não quis dizer que eles são trouxas. Não queria ofende-los. Trouxa é a apenas a palavra que usamos para aqueles não nasceram com sague bruxo. Sua mãe é um exemplo disso. —explicou ele. –Mas não vá chama-la de trouxa, ou irei me complicar! Ela nunca gostou muito do meu mundo!—disse ele com um sorriso brincalhão para a filha, que já estava gostando do pouco que o pai lhe falara.
—Hum, tudo bem. Agora conte mais!—pediu ela curiosa.
—Bom, como disse, sua mãe é uma trouxa, mas eu vim de uma nobre e antiga linhagem de bruxos, alguns dizem que descendemos dos próprios fundadores de Hogwarts, e por falar nela, Hogwarts é a escola de magia mais famosa do nosso mundo, e você, mesmo sendo mestiça, foi aceita pra estudar lá. -
—Então era isso que dizia na carta que não me deixou terminar de ler?—perguntou Isabella com um sorriso irônico para o pai, que riu em resposta.
—Você não tem jeito!—brincou ele enquanto devolvia a carta, que havia puxado bruscamente poucos minutos antes, para ela, que a leu atentamente, fascinada com todas as novidades e o cheiro de aventura que tudo aquilo emanava.
—Então, me deixe recapitular. Sou uma bruxa, assim como você e os meus avós, mas a mamãe não, e se eu entendi bem, ela não quer que eu vá estudar lá, mas mesmo assim fui aceita. Bom, eu e o Arthur... então ele também é um bruxo? Como eu não sabia disso? — disse ela ao olhar para o pai, afim de confirmações e respostas.
—Sim, eu convenci sua mãe a procurar um filho num orfanato bruxo e então encontramos o Arthur, mas ele não fazia ideia de que você não sabia sobre nosso mundo, então não desconte nele, ok?- perguntou ele e Isabella concordou com a cabeça.
—E afinal, como sabe que ela não quer que vá pra Hogwarts?--perguntou o pai confuso, não havia mencionado essa parte para que sua mulher e a filha não ficassem chateadas uma com a outra.
—Não sou burra papai, já tenho 11 anos!- disse Bella como se ter onze anos já fosse motivo para ter maturidade. -Entendi as entrelinhas quando ela disse que não queria que ficasse longe, e aposto que foi ela que optou por esconder a verdade de mim não foi, com medo de que eu a abandonasse. Não estou certa?- perguntou Isabella ao pai, mas antes que o mesmo pudesse responder, Maria e Arthur voltaram com quatros xícaras de chocolate quente em uma bandeja e biscoitos quentinhos em outra.
—Está sim, fui eu que proibi seu pai de lhe contar a verdade. Eu mesma não sabia quando me casei com ele, e levei um susto e tanto quando descobri, quase perdi você. Sabia que quando soubesse de tudo, iria me deixar para viver sua nova vida, e não suportaria lhe perder. Mas estava errada, fui muito egoísta com você e com seu pai, e espero que me perdoe um dia. — disse sua mãe sinceramente.
Maria estava realmente arrependida de ter mentido para sua filha e por ter forçado o marido a fazer o mesmo, dava pra vê no seu olhar, entretanto outra coisa também era evidente, ela ainda guardava dentro de se, certo medo por ter que ficar longe de Isabella.
Desde que se casou com James, Maria chorava todos os dias por não conseguir lhe dar um filho. Tentaram de tudo, mas a ansiedade não permitia que Mary tivesse um bebe, e assim anos se passaram, até que veio Isabella. Era uma bebezinha linda, gorducha, brincalhona e muito esperta. Depois dela, Mary engravidou de novo, mas todos se foram em abortos espontâneos. Ela já desistiu de ter outro bebe há muitos anos, talvez nunca mais consiga e Isabella era sua única filha. Sua filha amada. E imagina-la longe, numa escola cheia de desconhecidos e perigos, numa escola de magia, era demais para a jovem Sra. Fields, ainda mais sabendo o que o marido teve que enfrentar quando estava estudando em Hogwarts.
James Fields era um bruxo brilhante e leal da Lufa-lufa, estava no seu segundo ano quando a guerra aconteceu. Ele ainda tem lembranças de todas as atrocidades e mortes que teve que presenciar naquela triste época, lembra-se principalmente das notícias de bruxos mortos pelos comensais da morte e o próprio Lord Voldmort. Mas tarde, quando se casou com Mary, contou-lhe tudo e desde então ela tem receios sobre o mundo bruxo. E esse medo à fez mentir para filha.
Mas agora que também tinha Arthur, que mesmo que não tivesse nascido dela, o amava imensamente, seu extremo medo e perder a única filha diminuiu e a fez repensar em tudo. Havia criado Isabella para ser forte, e não seria um bruxo louco que iria detê-la, afinal, nem ela consegue fazer essa proeza.
—Claro que perdoo mãe, vocês dois. Apesar de não entender porque omitiram a verdade, tudo isso parece fascinante, sei que não fizeram por mal. E não se preocupe mãe, vocês são a minha vida, minha família, eu amo vocês e não a nada mais importante pra mim. Nunca irei abandona-los, por nada. —disse Isabella sinceramente para os três.
—Ah minha querida, também te amamos. — disse Mary com os olhos cheios de lágrimas enquanto ia abraçar a filha. Não podia se aguentar de tanto orgulho. –Nossa menininha cresceu tão rápido James, parece até uma adulta falando!- brincou ela ao sorrir para o marido.
—Parece mesmo, o que me faz ter mais certeza de que ela está pronta. — disse James com um sorriso sapeca.
—Então, já temos a comida, agora quero ouvir a história. Quero saber de tudo que você sabe, me conte tudo sobre essa Hogwarts. — disse Bella com um sorriso animado estampado na face.
—Isso vai ser interessante!- disse Arthur igualmente animado ao se imprensar na mesma poltrona de Isabella. Ninguém em sã consciência poderia dizer que os dois não eram irmãos, pois mesmo que não tivessem o mesmo sangue, cuidavam e amavam um ao outro de forma extraordinária.
James e Maria sorriram ao ver os filhos abraçados. Era um sonho que se tornou realidade.
—Então, tudo começou há muito, muito tempo atrás. Quatro jovens bruxos se conheciam num festival em Hogsmeade... — começou o Sr. Fields, e assim se passou o resto da tarde, a família reunida para ouvir histórias antigas sobre bruxos velhos.
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