Herdeiros - Interativa
7 Segredos e infernização
Notas iniciais
POV Cristiana
Corria desesperada pelos corredores, tentando achar algum professor ou outro aluno que pudesse me ajudar, mas parece que quando mais se precisa, mais todo mundo some.
Quando alcancei as escadas vi de longe Kim, Angel, Noah e Dylan, mesmo que não estivessem se falando só andando, eles seriam os que iriam me ajudar.
– Pessoal! – gritei os fazendo me olhar. – Outro atentado!
Parece que quando os outros estudantes ouviram a palavra atentado todos eles se viraram para ver de onde vinha a voz que dizia isso, mas eu já estava bem longe com os 4 em meu encalço.
Chegamos a um corredor escuro, onde eles puderam ver o corpo do Ian, pela pequena luz que as varinhas faziam. Em menos de 2 dias outro atentado acontecera, mas porque?
Essas eram perguntas que nem mesmo os professores sabiam responder. Somente um boato circulava pelos alunos. Algo maligno queria se apossar da escola e fizer os alunos de escravos para que algo que era mantido na escola fosse retirado de lá.
O boato não tinha origem, mas a cada vez ele ficava mais cabeludo e grande quando alguém contava para outros, mas o problema era que se esse boato fosse realmente verdade eles mandariam todos para casa, não mandariam?
Não tive tempo para pensar mais, fiquei responsável por carregar as coisas do Ian até a enfermaria. Parece que madame Jullians teria mais trabalho, afinal.
– Saiam da frente deixe que eu ajude o menino! – ela ordenou o fazendo levitar para uma maca. – todos vocês para a sala de espera agora! – antes que eu me movesse ela me chamou. – Cristiana?
– S...Sim?
– Chame o Diretor Neville por favor, vou precisar conversar com ele. – pediu.
– Claro. – afirmei e sai de lá indo pra sala do diretor.
Enquanto andava rapidamente até a sala, pensei mais uma vez no boato. Como eles teriam inventado isso? Alguma mente jovem? Ou talvez alguém querendo botar a culpa em May? Espera... A May apareceu com um colar estranho a um tempo... Será que ele pode estar influenciando ela a isso?
Parei a centímetros da águia que ficava a frente das escadas da sala do diretor Neville, quase tive um encontrão com ela. Recuperei-me do choque e apertei o botão ao lado da águia.
– Cristiana La Fontaine, mandada por madame Jullians. Ela chama o diretor na enfermaria.
Aquele botão havia sido instalado ali a alguns ano, quando o Neville já não agüentava mais alunos na sua porta esperando algum professor aparecer e os deixar passar. Muitas coisas serias haviam acontecido enquanto ele não estava disponível. O interfone foi a melhor maneira disto ser resolvido.
Neville desceu as escadas fazendo a águia girar. Sua roupa era um terno cinza com uma gravata Azul, o tempo havia favorecido o diretor e as roupas dos trouxas o deixavam mais bonito.
– Bom dia Cristiana. – cumprimentou. – O que Madame Jullians quer conversar?
– houve outro ataque aos alunos Professor Neville. – expliquei. – dessa vez foi Ian Lahey, da Sonserina.
– Então o que fazemos aqui? – se perguntou. – Rápido!
O diretor saiu andando o mais depressa possível, quase tropecei em minhas vestes ao tentar acompanhá-lo, mas bem, aquilo me dizia que se eu o acompanhasse, ganharia respostas e infelizmente era o que mais precisávamos agora.
POV Hanna
– Será que dá pra calar a boca Hanna?! – Harry, um sonserino se exaltou comigo só porque cantarolava minha musica preferida.
– Os incomodados que se mudem. – respondi sem muita paciência com ele. – o corredor é publico posso cantar se quiser.
– Como você é chata garota! – reclamou.
– e como você me tira do serio! – bufei de raiva levantando e começando a andar, mas logo um puxão me fez ficar onde estava. – droga... – resmunguei. – me esqueci disso.
A minha ultima traquinagem com a sonserina não deu muito certo, já havia me esquecido que tinha um estoque de bombinhas nos armários masculinos dos sonserinos. Mas também com toda a informação que tivemos nessa semana, nem mesmo tinha como se lembrar delas.
Infelizmente Harry, o monitor da sonserina, foi avisado quando outros meninos foram pegos com as bonbinhas. Eu tentei concertar minha traquinagem antes que ela acontecesse, por isso quando ele chegou começamos a duelar.
O zelador Charles chegou bem na hora em que Harry ironizava o que eu havia acabado de dizer, então os dois pagaram pela destruição do quarto. A idéia magnífica de ficarmos presos um ao outro por correntes mágicas foi de nada mais nada menos do que os dois diretores de nossas casas.
Eu quase tive um ataque de pânico quando vi Tobias, o castanho que todas as meninas piram, se virar pra mim e dizer:
– A escolha entre mim e a Professora Agatha é que os dois fiquem presos um ao outro por 2 semanas.
Simples assim, em um passe de mágica minha vida virou um inferno. Não que Harry não fosse bonitinho, mas ele era a pessoa mais insuportável do mundo! Acho que eu enlouqueceria antes mesmo de acabar a detenção.
Só de pensar que terei que dormir mais 12 dias 21 horas 46 minutos e 23,22,21,20 segundos contando, na ala dos monitores e ficar caminhando com ele pelos corredores é uma tortura! Se ele pelo menos fosse legal...
– Hello?! – Harry estalou os dedos na minha frente. – precisamos ir pra enfermaria.
– Por que?
– O Ian foi atacado. – resumiu o acontecimento. – vou visita-lo, ele era meu melhor amigo.
– Ok... – me dei por vencida sabendo que era triste ter pessoas ausentes.
Começamos a caminhar, ele sorriu parecendo feliz por eu ter compreendido. Parece que às vezes ele pode até ser legal.
POV Dylan
– Você o que?! – Noah berrou e eu cobri sua boca.
– Não grita criatura ruiva! – sussurrei em tom bravo. Ele mordeu minha mão. – Ai!
– Você beijou a Kimberly?! – ele sussurrou no mesmo tom, só que parecendo surpreso e um pouco... Ressentido?
– Beijei. – afirmei. – Agora dá pra se acalmar?
Ele se arrastou pela parede e se sentou no chão, fiz o mesmo. Ele ficou olhando o vazio por um tempo. Resolvi falar.
– Eu sempre nutri esperanças de um dia poder chegar nela por anos, acho que desde sempre. – riu nasalmente. – Mas esse não é o caso, o caso é que eu gosto dela, mas quando nos beijamos não teve química sabe?
– Hum... – ele parecia analisar a questão. – então se não houve química, não existe amor.
– Como não?! – perguntei incrédulo. – eu sempre gostei dela.
– Mas talvez ela não de você, ou às vezes o seu amor podia ser algo platônico. – Noah me olhou com compaixão. – pêsames, amigo.
Fiquei atônito. Aquele menino parecia ter a resposta pra tudo. Será que o que eu sentia era mesmo um amor platônico? E se fosse... eu nunca estive amando verdadeiramente realmente alguém? Isso era frustrante, até pra um menino.
– Não fiquei assim, você é meu parceiro de alegria, se você fica triste eu me sinto desfalcado. – Noah tentou levantar meu humor.
– Bem, melhor só do que acompanhado por algo platônico não? – tentei sorrir, mas eu parecia ter levado um soco no estomago.
– Vamos, talvez algo relacionado à comida te ajude. – Noah colocou o braço ao redor do meu pescoço e nos levantamos.
– Ai, Ai, o que seria de mim sem o meu melhor amigo? – perguntou sorrindo fraco.
O que seria do mundo se não tivéssemos amigos?
POV Ravenna
Estava lendo tranquilamente na biblioteca quando vi Matthew, o garoto tímido e fechado da grifinoria tentar pegar um livro negro as escondidas dos outros, digamos que eu sempre observo as coisas a minha volta quando estou fazendo o dever da matéria mais chata existente nessa vida: Adivinhação.
Eu normalmente gosto de ficar na minha, sozinha, mas o menino parecia realmente precisar de ajuda, não que eu estivesse curiosa.
Levantei e fui até ele:
– Toma, assim é bem mais fácil sem ninguém ver. – disse lhe entregando o livro depois de apoiar o pé na mesa e impulsionar pra cima me fazendo alcançá-lo.
– Obrigado Ravenna. – Agradeceu.
–Porque quer esse livro? Ele parece ser estranho demais para alguém como você.
– Não é nada, só estou pesquisando algumas coisas.
– é sobre o colar? – pergunto descarada, ele arregala os olhos. – ora, vamos lá amigo, eu ouvi você e a May conversando no corredor aquele dia.
– Então se você ouviu a conversa sabe que algo poderoso esta em jogo?
– então tudo o que você disse a ela é real? – perguntei ao sussurro.
Ele afirma com a cabeça. No primeiro momento achei que fosse brincadeira, costumavam fazer coisas de mau gosto desse tipo quando eu estava por perto no orfanato, mas parece que tudo realmente acabou quando entrei pra Hogwarts.
Me encostei em uma das mesas, se isso realmente era verdade, e o colar continha todo o poder de Rowena, estávamos com mais 3 itens desses pela escola. E sempre que algo poderoso aparece, pessoas as querem.
– O que vocês pretendem fazer? – perguntou.
– Estou tentando descobrir um jeito de anular a emanação de poder dele, agora que esta em contato com algum humano. – ele me olha. – esse livro talvez ajude, mas desde sempre, nunca vi muita coisa sobre essas historias por aqui.
A cara dele me denunciava algo. Ele também pensava no pior que podia acontecer.
– Você também pensa nisso! – acusei. – você acha que o vilão que pode estar atrás disso é ele?!
– Shiu! – ele pediu. – Não fale alto, talvez isso possa acontecer... Não sei, não há nada que comprove isso realmente... Mas só Merlin pode nos proteger...
– Talvez não só ele. – falei tendo uma idéia. – Ok pequeno gafanhoto vai pro lado, vou te ajudar nisso.
– Mas e o seu dever? – ele parecia espantado.
– Ele não é lá tão interessante assim. – sorrio e me sento pegando um livro.
Parece que o trabalho estava começando.
POV Lucy
O almoço estava ótimo, comi de tudo um pouco... mas claro, a culpa tinha que surgir... A cada pessoa que me olhava era como se eles me xingassem. Gorda baleia era o pior deles.
Me tranquei no banheiro e chorei por um tempo, odiava isso. Eu era uma porca gorda mesmo! Eu havia comido tanto! Jamais emagreceria tudo aquilo! Não com exercícios.
Então utilizei o método mais fácil. Agachei na frente do vaso sanitário e enfiei meu dedo indicador na garganta. Sentia toda a minha culpa saindo em um jato de coisas trituradas e mexidas.
Tudo o que vai, volta. Ainda mais se tratando do meu corpo.
Quando a sessão tortura acabou, sai do banheiro e lavei o rosto. Só então percebi a presença de outra pessoa.
– Murta... – sussurrei.
– Aquilo que você fez foi muito feio. – ela balançou a cabeça negativamente.
– Me deixa sozinha... Por favor... – pedi.
– Você tem sorte que eu não sou o Pirraça, ou já estaria encrencada. – ela saiu de lá.
Por mais um deslize, outra pessoa havia descoberto o meu problema. Não tinha culpa se minha bulimia se propagou rapidamente durante toda minha vida, foi como se de uma hora pra outra isso aconteceu.
Pesquisas comprovam que família, relações sociais e traumas e genética são fortes ligações com isso, pelo menos 3 das 4 eu tenho. Seria estranho se eu não desenvolvesse algo desse tipo, o problema é que depois que começa, você não consegue parar.
Suspirei e sequei os olhos mais uma vez. Aquela seria a ultima vez que alguém descobriria isso. Quando eu atravessasse aquela porta, não deixaria que ninguém achasse imperfeições em mim.
Cansei de ser a estranha odiada da lufa-lufa, agora eles me temeriam ou me amariam.
Fale com o autor