Herdeiros E O Filho Do Lorde
11 Pincelada
Notas iniciais
POV.: Kate Stevenson
Foi um dia interessante, tanta coisa acontecendo antes mesmo do almoço... Neville me odeia, (Oba! Eu estou na curta lista negra dele), Hermione está do nosso lado, Severus perdeu sua capacidade de dar broncas quando olhou minha cara de anjo, Donovan é um gato que também está do nosso lado e, bem, ganhamos vassouras chamadas pincel de luz...
Mas o almoço foi o mais estranho. Sentei na mesa com Vlad, conversamos sobre como aquele dia tinha sido incrível, até que alguém tocou meu ombro. Ted Lupin, que, eu acabara de perceber, ficava ainda mais lindo com o uniforme da Grifinória. Seu cabelo estava verde, como uma oferta de paz à sonserina e seus olhos continuavam verdes como os de Harry.
– Oi, Kate!
Meu coração se apertou e eu sorri, ele estava tão fofo.
– Oi, Ted! – me afastei para o lado empurrando Vlad com o corpo – Senta ai! Esse é o Vladimir – Vlad sorriu acenando – Vlad esse é o Ted!
Ele sentou, incomodado de estar na mesa da Sonserina, mas sorriu para mim, e cumprimentou Vlad com um sorriso de lado, tão lindo quanto o de Sevie quando estava achando algo muito idiota, tipo tudo que Bi e eu fazemos.
– Ouvi dizer que vai entrar para o time de Quadribol! – um burburinho seguiu pela mesa, aquilo chegaria logo aos ouvidos de todos os sonserinos. Um Grifinório e uma Sonserina. Um Grifinória na mesa da Sonserina. E eu no time – Beatrice também! O campeonato vai ser bem divertido esse ano. Sou goleiro e Fred é artilheiro. Vai ser legal!
– Sem duvida, estou pensando em me candidatar para apanhadora, minha vassoura é a mais rápida atualmente, então acho que a sonserina merece!
O burburinho ficou mais alto, mais assuntos sobre a vida dos outros, no caso eu, tanta gente sem nada para fazer...
Ele ofegou.
– Uma Pincelligth? – sua voz estava excitada, Vlad se inclinou para a frente, me olhando incrédulo – Snape deu uma Pincelligth pra você? Estamos perdidos! – ele cobriu o rosto com as mãos e riu, ficando mais encantador.
– Algum problema?
– Não! Só o fato de que vamos perder feio! Acho que ninguém mais tem uma Pincel... Tem certeza que vai ser apanhadora? – assenti – Lá se vai nossa taça! A Grifinória está com a taça desde o tempo do meu padrinho.
– Então está na hora de pegar de volta – disse Vlad, a voz cheia de orgulho, que fofinho. Meus boys...
Ted suspirou, já prevendo algumas humilhações... Isso ia ser mais divertido do que eu imaginei.
– Bem, não foi por isso que eu deixei minha mesa – ele me olhou – A gente ficou brigando a viagem inteira e eu gostei, talvez, um dia desses, nós poderíamos dar uma volta, ir ao lago, ou qualquer coisa assim. Que tal?
– É claro! É só escolher o dia, eu sou uma desocupada!
– Legal! – seus olhos param em um ponto acima do meu ombro e seu sorriso caiu – É melhor eu voltar para minha mesa, ou o Snape vem aqui ele mesmo. – Me deu um beijo no rosto e foi para perto do primo. Corei até o inferno e sorri, como uma doida.
Vlad gargalhou.
– Ele esta afim de você! – arregalei os olhos para ele. Pessoa indiscreta! – Não me olhe assim, sabe que é verdade, e você também gosta dele – olhei para a mesa, será? E nunca estive afim de alguém, e meu coração estava acelerado de verdade como todo mundo dizia que ficava, mas... Será? – Quem não gostou disso foi seu tutor – ele indicou com a cabeça a mesa dos professores.
Olhei Sev, ele estava pálido, olhos vidrados e sobrancelhas contraídas, furioso. Satanás... Olhei sua mão, uma faca, fincada na madeira com violência, provavelmente fizera aquilo quando ele me beijou... Isso ia ser complicado... Lhe mandei um beijo e sorri. Sua expressão caiu e soltou a faca, desarmado. #I´m diva!
– Ele não é problema, o problema de verdade... Vlad, eu nunca namorei... Nunca nem fiquei com alguém...
– E daí? Sempre há a primeira vez!
– Você é a Stevenson? – perguntou alguém de voz arrastada e arrogante atrás de nós. Me viro para quem peguntou. Ele é magro e alto, cabelos loiros e olhos de um estranho azul cobalto, rosto arrogante e nariz empinado. O distintivo de monitor chefe brilhando no peito, ele era uma mistura de Draco Malfoy e Percy Weasley... Não curti – A que quer entrar para o time?
Lancei-lhe meu melhor olhar de desprezo, e me virei para à frente, para minha comida, que estava uma delicia, aliais.
– Pode ser.
Ele tragou o ar com força, vendo que alguém conseguia ser mais arrogante que ele... Engula sua arrogância, infeliz.
– Desse jeito você não vai chegar a lugar algum – ele me ameaçou, aperto o cabo da varinha, ele nem veria o que o atingiu. Vlad segura meu pulso, quase consigo ouvir sua voz dizendo que não vale à pena. E tem razão.
– E daí? Você quem perde – coloco um pouco de carne da boca, saboreando algo mais que ela – Quantos do seu time tem uma Pincelligth 7.0?
Pude sentir seu vacilo, os olhos da mesa foram de mim para ele, sua respiração acelerou, ele não podia desperdiçar essa chance e sabia.
– Meu nome é Matthew Duran, é um prazer, os testes são amanhã, depois das aulas, não se atrase.
E saiu pisando firme, sorri, vendo algumas pessoas me acompanharem, Vlad sorriu para mim, me dando um “parabéns” silencioso, não por eu ter comprado aquela briga, mas por eu não ter matado aquele idiota.
POV.: Bi Stevenson
Essa era a Kate, se metendo em uma briga com o Monitor Chefe só por ele ser um idiota arrogante, mesmo que ele merecesse. Mas isso, sem duvidas a colocou na frente de qualquer um que quisesse o posto de apanhadora. Bom plano, mana. Mesmo que eu tenha visto sua varinha se mexer demais sob a mesa.
Minha conversa com a capitã do time tinha sido bem mais simples, e pacifica, meu teste seria hoje, e eu não conseguia comer nada. Fred comeu comigo, acho que foi um plano de Ted, mas não falei nada, quase não conversamos, só aproveitamos a companhia um do outro.
Minhas aulas seguintes passaram como um borrão. Poções, Transfiguração, Feitiços... E vôo, só tinha conseguido o teste para o dia porque teria aula de vôo, como se eu já não soubesse lidar com uma vassoura, na teoria, mas sabia. Foi fácil, subir, descer, virar para m lado, virar para o outro... Ver Kate dar um mortal para trás todas as vezes que a professora se virava, mesmo que eu brigasse todas as vezes... Normal.
Mas e não pude deixar de ficar nervosa para o teste, não tinha tempo para me habituar com a vassoura, e, de acordo com Kate, eu tinha um péssimo habito de me atrapalhar quando ficava nervosa, era bem capaz de matar alguém... Segurei a vassoura, olhando a madeira negra era linda, mas eu poderia fazer algo útil com ela?
– Você já percebeu que quando pensa de mais perde uma chance incrível? – Inferno para ter cão! Kate surgiu do meu lado, rosto sujo de terra, roupa rasgada e encardida, braços ralados, e os sapatos destruídos, eu virei o rosto por um segundo... – E não me olha assim, você sabia muito bem que eu ia fazer algo bem idiota, como é de meu feitio.
Falando como Severus, mas não com a maturidade dele... Essa é minha irmã!
– Na verdade já. Por isso estou nervosa, não consigo fazer nada sem pensar! Vou acabar caindo ou derrubando alguém, ou pior...
– Cala a boca! – me assustei, ela quase nunca era grosseira comigo – Você é boa sabe disso eu me estabaquei no chão quando fiquei em cima da vassoura e você sabe disso, viu, riu, me segurou quando eu avancei no Grifinório que ficou frescando... – Falo nada, só observo – Você não, simplesmente subir e ficou tudo bem, seu cuidado é o que falta em mim, eu simplesmente vou e que tudo se exploda, por isso eu digo que você vai conseguir é só respirar fundo e ir lá. Eu vou fazer de tudo para estar com você, mas, se não estiver, vou ficar sabendo se você deu uma de “eu”.
E saiu. Odiava quando tinha razão.
Eu simplesmente me apaixonei por aquela roupa, mais até que o uniforme do colégio. Os testes para artilheiros seriam os segundos, logo depois para os de batedores, então viria o goleiro e o apanhador. Percebi que tinham duas vagas para artilheiro, os antigos jogadores já tinham saído da escola, assim como o goleiro, um dos batedores e o apanhador. Metade do time...
Só haviam duas pessoas para candidatos a batedores. Um garoto alto e forte, do quinto anos, e uma garota magra e baixa, não muito maior que eu, do terceiro ano. Ela o olhou com certa admiração, montou na vassoura e deu um impulso. Parecia flutuar de tão leve que eram seus movimentos, enquanto o rapaz parecia fazer uma força descomunal em cada curva.
O teste era acompanhar o balaço e atingir nossa capitã, Elena, em movimento, cinco vezes, e ela era rápida, muito rápida.
Ele foi primeiro, acompanhou o balaço perfeitamente, mesmo que dando a impressão de estar se esforçando muito, e bateu o bastão com toda a força na bola. O balaço cruzou o campo como um borrão e atingiu-a bem no peito. Quase jogando-a da vassoura. Arregalei os olhos, mas ela parecia bem, por incrível que pareça.
A segunda bola não foi tão precisa, passou do lado da cabeça, fazendo seus cabelos acaju voarem; a terceira também acertou, sua perna, fazendo com que desse um mortal duplo antes de se equilibrar; a quarta acertou o ombro; e a quinta errou por pouco.
– Duas – ouvi um dos rapazes que concorriam para apanhador comentar –, ele é bom, será que Iolanda é melhor?
Iolanda. Então esse era o nome da garota, ela sorriu e se encaminhou para a bola. Foi mais rápido do que eu pude ver, apenas percebi que ela realmente tinha tocado no balaço quando esse atingiu as costelas de Elena. Nossa capitã se encolheu de dor, ela devia ser mais forte do que parecia, bem mais forte.
A seqüência de quatro acertos rápidos me deixou impressionada, o resto do pessoal pasmo, Elena pálida (dor ou surpresa?) e o concorrente furioso, tinha perdido.
Iolanda desceu, comemorando, abraçou algumas pessoas e cumprimentou Elena, mas só percebi aquilo com a visão periférica, minha atenção de verdade estava no garoto que concorrera com Iolanda. Ele foi ficando vermelho, deixando-o bem parecido com a bandeira do Flamengo, por causa dos cabelos negros, ergueu o bastão acima da cabeça e fez menção de avançar para as duas.
Inferno pra ter cão!
Foi mais rápido do que eu pude perceber, puxei minha varinha e apontei para ele.
– Impedimenta! – ele voou uns dois metros e caiu desmaiado no chão. Bitch, please! Eu poderia ter usado Sectumsempra, mas não estava afim de matar o cara...
Todo mundo me olhou surpreso, mas logo Elena percebeu o que tinha acontecido e mandou o outro batedor e Iolanda carregarem ele para a enfermaria, já que eu tinha jogado ele meio longe...
– Vez dos artilheiros – Elena nos olhou, se demorando um pouco em mim, acho que consegui chamar a atenção – Vou enfeitiçar a goles para fugir de vocês, quando pegarem, se a pegarem, devem marcar o gol, sem deixar que o outro jogador tome a bola, os dois primeiros que marcarem entram para o time. Preparar!
Montei na vassoura, tremula, me sentindo uma formiga comparada com os outros dois concorrentes. Eram dois gêmeos , morenos, altos, bonitos e sensuais, como diria Kate. Isso ia ser difícil.
POV.: Kate Stevenson
Observei, da arquibancada, eles levantarem vôo, Bi tinha talento, isso era mais do que óbvio pra mim. Os dois gêmeos contra quem ela ia jogar eram bem grandes e pareciam ter muita habilidade com a vassoura, ambos lindos, fortes, de cabelos negros contrastantes com a pele branca e os olhos cor caramelo, um pouco mais alto que o outro. Lindos!
A goles subiu com uma velocidade de balaço, fiquei me perguntando que feitiços eram postos naquelas bolas... A bola fugia com um desempenho extraordinário, deixando os três para trás facilmente.
Os dois irmãos cooperavam um com o outro na medida do possível, se e que isso era possível, os dois tentavam encurralar a bola, jogando-a de um lado para o outro, Bi apenas observava, calma, do alto, vendo os dois palermas lutarem com um feitiço que devia ser bem simples.
Vi o que ia fazer talvez antes de ela mesmo ver. Os dois idiotas vieram um de cada lado o que sem duvidas empurraria a bola para os lados opostos. Deviam estar há apenas três metros do chão e quatro de distancia um do outro, quando a bola estava pronta para subir, e Bi caiu como um borrão azul do céu, mão estendida e expressão confiante, a velocidade da Pincel era de impressionar.
Tudo aconteceu rápido, ela estendeu a mão para a bola, ao mesmo tempo que o irmão mais baixo acelerou para segurar a goles. A bola escapou para a frente sendo acompanhada pelos três, o irmão mais alto deu um impulso do nada saltou para frente na vassoura, se desequilibrando completamente, o mais baixo levantou a vassoura na hora fiando na frente de Bi, impedindo que fizesse o mesmo para impedir o impacto, ele agarrou a bola e foi na direção das balizas.
Minha irmã se choco com o rapaz a toda velocidade, sendo jogada da vassoura, caindo na grama fria em um som assustador. Ele não caiu longe, quicou uma ou duas vezes, soltando um gemido doloroso, Pincel se enterrou na lama. Mas nada disso era meu foco, apenas notei com a visão periférica.
Percebi que tinha soltado um grito e que puxara a varinha, mas que não tinha tentado nenhum feitiço. Tentei correr até ela, mas dois braços me prenderam no lugar com força, arrancando a varinha da minha mão, fechei os olhos, lutando com o fato de não poder ajudá-la e com o medo de estar ferida. O cheiro de ervas e grama de Sev me deixou quase sem ação, por que ele estava me segurando? Por que não me deixava ajudá-la?
– Calma, Katherina! – sua voz grossa e calma me fez chorar, o que ele estava fazendo – Acalme-se, ela está bem, abra os olhos.
Entreabri os olhos, com medo do que estava para ver. Bi já estava de pé, montando na varinha, olhos na goles que estava do outro lado do campo, olhou para mim, meio preocupada, mas quando viu que eu estava com Sev sorriu e levantou vôo.O outro gêmeo levantou mancando e montou apressado em sua vassoura.
A goles ziguezagueava pelo campo, deixando Bi muito atrás. O gêmeo estava com o rosto contorcido em dor, mão na lateral do corpo, provavelmente sentindo as costelas incomodarem. Aquilo não ia acabar nada bem.
Sev estava com as mãos em meus ombros, firmes, nervosas, sés olhos iam de um lado para o outro do campo, observando cada detalhe cada fator que poderia influenciar na nossa garotinha.
Os dois seguiam emparelhados, a goles a vários metros de distancia. Ele com o rosto vermelho de dor e raiva, ela com uma expressão de duvida que não fazia sentido. Ela estava pensando muito. Ele lhe dá uma cotovelada que quase a derruba de novo, mas nem isso tira a expressão preocupada, duvidas, que não eram boas.
Me liberto de Severus e me agarro às grades de segurança.
– Vai lá, Bi! – meu grito ecoa no campo, a Corvinal inteira me olha como se e fosse doida – Não pense! Vai com tudo! Não pense! Vai!
Seus olhos caem em mim por um segundo e ela acelera com tudo, virando apenas um borrão azul e prateado, deixando um rastro de luz por onde passa, um verdadeiro pincel de luz, ultrapassa o cara, quase derrubando-o da vassoura, e agarra a bola, prendendo-a no peito e avança nas balizas, marcando bem na do meio.
– Gooool! – grito saltando, braços erguidos – Essa é minha irmã! Minha irmãzinha! Bi, e te amo! Uhhuuuuuull!
Sev tapa minha boca, me puxando para si, rosto orgulhoso e divertido. Cruzo os braços e olho pra ele. Coisa opressiva!
Minha irmã desce gritando de alegria entre o time, ela é apertada e abraçada de vários jeitos diferentes, recebendo, com certeza, os elogios que merecia. Olhei Sev, ele sorria bobamente, tão disperso quanto Severus Snape poderia estar.
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