Herdeiro Imperfeito
9 Festa
Notas iniciais
Deixei o meu corpo cair no sofá, eu estava exausto de ser carregado de um lado para o outro sendo ‘embelezado’, não sei como que as mulheres aguentam isso.
— Oh, Kyan, não se preocupe, tudo vai dar certo. — Zeno passou a mão no meu cabelo, bagunçando os cachos e me fazendo suspirar. — Tenho a impressão que a sua noite não foi das melhores.
— Como adivinhou? — resmunguei, sentindo o peso de uma noite mal dormida nos meus ombros.
Até hoje, acredito que tenha sido a pior. Eu tive pesadelos envolvendo reis franceses enlouquecidos, Alexei com raiva de mim, um carrasco e muitas pessoas querendo me matar. Não no sentido literal, mas... É quase a mesma coisa.
— Sabe, eu me lembro da primeira vez que eu sonhei, foi muito interessante, sabe? Acho que já falei sabe, não é? Talvez tenha se tornado um vício de linguagem, ou será que estou usando palavras demais? A noite é feita para descansar, uma noite mal dormida requere uma soneca durante o dia, sabia que tem vezes que nossas sonecas podem ter sonhos tão intensos quanto um longo período de sono? Eu digo isso por experiência própria. — algo em sua voz no começo tinha parecido bem melancólico, mas num segundo passou para forçado e agora estava na animação e agitação de sempre.
Ele falou e falou, tanto que em algum momento eu me perdi por completo e fiquei apenas assentindo, sem prestar a mínima atenção, ele continuou penteando o meu cabelo enquanto isso. Realmente acredito ter tirado um cochilo, porque estavam servindo o almoço quando abri os olhos e Zeno parecia ter desaparecido no ar.
— Olá, lindeza! Vamos comer? — o cabelo negro de Elliot fez cócegas na minha bochecha quando ele se inclinou para chamar minha atenção.
— Qual é o almoço de hoje?
— Não tenho ideia, mas não importa, não é? É deliciosa de qualquer jeito.
Ele estava certo, pelo menos no meu caso, ele pareceu em enjoado comendo a salada para falar a verdade. Não deixou sobrar nada, contudo suas caretas permaneceram até depois da sobremesa.
— Por que está assim?
— Já tinha molho na salada. — ele torceu os lábios e franziu o nariz. — E espinafre...
— Você não comeu a carne, não é?
— Minha dieta sempre foi mais vegetariana, mesmo que no início tenha começado por mal, meus pais também não ligam tanto assim para carne... — ele franziu a testa e balançou a cabeça. — Meu pai adora carne. Mesmo assim, eu só como peixe, se tornou um hábito e estilo de vida. Incrivelmente eu posso viver só de verdes.
— Não consigo imaginar a minha vida sem carne.
— Com alguns isso acontece, com outros não. — ele deu de ombros. — Alguma coisa aconteceu entre você e o Sasha?
— Quem?
— O Alexei.
— Por que você chama ele de Chacha? — eu realmente estava curioso, seria uma excelente maneira de evitar o assunto.
— Sa-sha. É o apelido de Alexandre ou Alexander na Rússia, como o nome dele também tem ‘Alex’ eu perguntei se estaria tudo bem chama-lo de Sasha, ele não reclamou e falou que seguindo a minha lógica estava correto.
— Você é historiador? — a pergunta fez ele estreitar os olhos.
— Você está tentando desviar a minha atenção, então realmente aconteceu algo entre vocês.
Lição do dia: nunca subestime uma pessoa que parece avoada para tudo, elas podem ser mais espertas do que realmente aparentam.
— Quem? Eu? Eu não fiz nada, por que você acha que aconteceu alguma coisa?
— Ele só estava fazendo um mantra, eu não sabia se ele estava mesmo bem ou não. — Alexei apareceu do nada do meu lado, fazendo eu pular. — Se assustou?
Não precisava ficar escutando mais conversas atravessadas sobre minha pessoa, mas nós deixamos o assunto de lado após eu me desculpar pelas ações estranhas de ontem. Logo os cabeleireiros apareceram e pegaram cada um de nós para ter uma limpeza geral como aquela de duas semanas atrás, não foi tão dolorida quanto, eu me senti renovado no final.
Todos os homens estavam praticamente iguais, apenas as cores do terno variavam. Ainda assim, a beleza deles ressaltava das mais diversas maneiras.
— Muito bem, agora vocês seguirão para o salão das mulheres, suas parceiras estão esperando lá. Claro, aqueles que tem. Os outros podem me seguir para o salão onde a festa ocorrerá. — uma figura conhecida fez uma reverência e abriu a porta após terminar a explicação.
— Acho que nós não temos pares...
As cores da decoração tocadas pelas luzes do entardecer ficavam fantásticas, os detalhes dourados pareciam sol líquido e as cortinas azuis escuras cintilavam levemente, à noite elas estariam simplesmente esplêndidas. A vista dos jardins também... Tudo estava em perfeito equilíbrio.
— Por que azul escuro? — perguntei para mim mesmo tocando o tecido leve.
— É a cor favorita do nosso pai. — virei com um sobressalto, a princesa Hipátia estava com os braços entrelaçados aos de Gael. — Assusta-se tão facilmente? Que pena que a seleção não vai durar até o Halloween, adoraria ver você passando pelas provas de coragem.
— Pátia, pare de atiçá-lo. — Gael sorriu com culpa. — Perdoe a minha irmã, ela ainda está frustrada por ter que me aguentar na primeira dança.
— É claro que estou, nossa irmã caçula dançará com o noivo e você não fez nada a respeito! — ela tapou os lábios quando percebeu o que falou. — Não conte para ninguém, isso ainda não é de conhecimento do público. Falando nisso, nós nem deveríamos estar aqui, então finja que não nos viu, está bem? — ela começou a puxar o irmão. — Falo com você outra hora, Ryan!
Acenei, nem sei se ela percebeu, ainda estava um pouco confuso.
Ela sabe o meu nome.
— Alguém poderia me dizer o motivo de pessoa tão linda estar sozinha observando o fim de tarde? — Elliot me entregou uma taça, arquei uma sobrancelha. — É água, eu estou quase desidratando aqui.
— Vá para a minha cidade e você vai saber o que é desidratar.
— Dispenso o convite no momento. — ele inclinou a cabeça.
— O que fizeram no seu cabelo? Ele está parecendo azul.
— Tão negro que parece azul, eles decidiram realçar essa minha característica, o terno dessa cor apenas enfatiza. — girou com os braços abertos para demonstrar. — O melhor é que se eu ficar do lado das cortinas ninguém me acha.
Ri de sua tentativa falha de camuflagem, ele tentou ficar emburrado, mas não conseguiu por muito tempo, caiu num ataque de riso comigo. Quando estava me recuperando eu percebi o quão estranha era a risada dele, parecia um gato engasgado.
— Para de rir!
— Você que tem que parar! A sua risada está me fazendo rir! — acusei.
— O mesmo para você! Parece uma hiena.
— E você um gato engasgado.
— Olha, gato eu sou mesmo, fico feliz por você concordar.
— Idiota. — bufei, sentindo as risadas sumirem no ar gradualmente.
Vestidos estonteantes passaram pelas portas chamando nossa atenção, nos despistamos e preparamos para conversar com os convidados. As relações com os outros membros da nobreza e amigos da realeza era necessária, ajeitei o terno. Mais um uniforme temporário, todos os selecionados usavam ternos azuis escuros, desenhados para serem idênticos. A camisa creme por baixo e as calças azuis ainda mais escuras faziam, também, parte do conjunto.
Cumprimentei alguns senhores que passaram acompanhados de belas damas, elas sorriam em resposta e acompanhavam os maridos e parentes. Reconheci a rainha italiana andando pelo salão com um deslumbrante vestido amarelo que ressaltava sai pele bronzeada, seu filho estava em seu colo, o que mostrava muito de sua natureza gentil e materna.
— Você acha que tudo vai dar certo? — Zeno se apoiou na parede e me olhou com os olhos verdes faiscantes. — Eu estou sentindo que algo ruim vai sair dessa festa.
— Intuição? — arqueei as sobrancelhas.
— Infelizmente eu tenho um incrível faro para desastres. — ele se desencostou e sorriu. — Brincadeirinha, só não faça nada de errado, okay? É bom você falar com alguém logo, já estão começando a pensar que é mudo. Se cuide. — desapareceu.
Como ele conseguia andar tão silenciosamente era um mistério ainda não resolvido.
O salão já tinha muitas pessoas em grupos conversando, comecei a sentir um sufoco, então para espantar a sensação incômoda andei até trombar com Alexei. Ele pediu desculpas automaticamente olhando para o chão e se preparou para continuar quando segurei seu braço.
— Sou eu, tá tudo bem?
— Muita gente. — ele estava tenso.
— É... Quer ir para perto da janela? Talvez ajude.
— A janela! É isso!
A tensão dele não era pela quantidade de pessoas, ele estava desconfiado e atento, mas não assustado. Sua postura estava impecavelmente ereta, parecia que ele tinha nascido para ser rei.
E talvez ele fosse.
— Como está gostando da festa?
Olhei para os lados procurando alguma coisa para comentar sobre, mas no final acabei apenas dando de ombros. Eu não estava gostando realmente, apenas estava lá porque nós éramos obrigados e eu estava curioso, eu nunca fui num evento tão grande. Meu pai me levava apenas algumas vezes à cidade para ajudar na venda das esculturas, telas e bordados.
— Eu estava procurando vocês! — Higor colocou as mãos nos nossos ombros. — O príncipe francês está te procurando de novo, Alexei. E o Elliot está chamando o Kyan.
— Obrigado pelo aviso. Eu tenho que dar uma sumida, de novo. — ele se enfiou no meio de um grupo, se afastando.
— Por que de novo? — questionei Higor que parecia saber das coisas muito melhor que eu.
— Sei lá, o francês mais velho está o dia inteiro atrás do Alex. Primeiro, apareceu no nosso quarto, depois no salão dos homens, no caminho para a festa os dois se desencontraram porque William está acompanhando Adarie.
Logo vi o Liot acenando para mim, ele tinha o braço ao redor de uma mulher alta que tinha arredondado e um sorriso com covinhas.
— Milady, esse é o Kyan, meu amigo artista. Kyan, está é a minha milady, Alicia Writer. — apertei sua mão, ela riu.
— Que graça, muito mais amigável que este flertador. Prazer em conhece-lo, Kyan, pode me chamar de Licy. — Elliot revirou os olhos, entrelaçou sua mão com a dela e levou aos lábios.
— Um beijo passa muito mais emoções, ela ainda é um aprendiz. — franzi as sobrancelhas, então percebi o meu erro. — Sim, Ryan, você fez o cumprimento de senhor para senhor, é uma decepção para os selecionados.
— Não precisa deixar ainda mais óbvio. — resmunguei, fazendo eles gargalharem. — O prazer é igual em conhecê-la.
— Espero que esteja aguentando bem este insuportável, não sei como a irmã dele consegue.
— Estou deixando o melhor para a Elite. — seu cabelo brilhou nos tons de azul. — Vamos ver quem me suporta lá.
— Tenho pena deles.
Ela era uma roteirista e atriz, Elliot foi seu ‘aprendiz’ quando foi acompanhar a filmagem em Lakedon, eles conviveram no ambiente de trabalho por meses, quando as filmagens finalmente acabaram, mantiveram contado por cartas. Eles se tornaram bons amigos ao final, ele dizia com muito orgulho que ela participaria do primeiro filme que ele fizesse o roteiro, nem que fosse apenas uma figurante andando na multidão.
A paixão dele pelo trabalho era admirável. A nossa conversa passou por diversas áreas da arte, foi bem leve e apaixonada.
— Senhoras e senhores, — Hayden chamou a atenção dos convidados, ele estava em pé próximo aos tronos. — Estamos reunidos nesta noite para comemorar o aniversário de vossa majestade, o rei Robson...
— Kyan. — um sussurro chamou a minha atenção, quando fiz menção de virar a pessoa apenas apertou as costas do meu blazer. — Não se mexa.
Fiquei congelado como uma estátua, a pessoa soltou deixou os dedos leves correrem para o meio das minhas costas. Tão tenso que conseguia sentir cada mísero movimento leve ao redor, até mesmo coisas que normalmente ignoraria, como os convidados se ajeitando para uma posição diferente.
— Obrigado. Estou te devendo uma. — assim que ele terminou a frase, começou uma salva de palmas.
Por educação bati palmas também e percebi todos se afastando da frente do trono dando espaço para o rei e a rainha passarem.
— O que está acontecendo?
— A primeira dança. — Elliot sorria. — Depois serão os filhos e então os convidados, esteja preparado porque a sua primeira dança vai ser comigo, lindeza. — ele se esticou olhando por cima do meu ombro. — Por que o Alexei estava se escondendo?
— Era ele?
— Vai me dizer que não reconheceu a criança? Até eu reconheci, mesmo ele falando em alemão.
— Você não estava prestando atenção no discurso?
Ele cruzou os braços e me encarou.
— Você acha que eu sou idiota? — ele passou a mão no cabelo arrumando os fios que começavam a arrepiar. — Uma das minhas dez qualidades é prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, sem falar que o discurso que ele faz é quase o mesmo todos os anos. Agora temos duas opções: ou assistimos à dança ou seguimos o Sasha, qual você prefere?
Algo no jeito como ele me perguntou acendeu uma lâmpada na minha cabeça, fazendo-me lembrar do que Higor falara há algum tempo.
— Vamos esperar a dança dos filhos, a princesa Adarie vai dançar com o William, certo? — ele assentiu franzindo as sobrancelhas. — Ele estava procurando pelo Alexei hoje cedo.
— Interessante. Então vamos participar da festa. — ele agarrou o meu braço, puxando até ficarmos perto do espaço aberto para a dança.
Algo me dizia que Elliot estava impaciente e desconfiando de algo, não tinha muita certeza, mas era o que parecia, o ar ao redor dele estava inquieto. Observei todas as danças realmente interessado, quando os convidados finalmente podiam participar ele me puxou.
Eu não sei nem como descrever o desastre, acho que a minha sorte foi que ele conduziu, fazendo caretas todas as vezes que eu pisava sem querer em seu pé. Depois de um treino tão bom no dia anterior eu me tornei mais uma vez, um amador.
— Ele está saindo daqui! — ele sibilou encarando a multidão.
— Quem?
— O príncipe William. Vamos atrás dele ou não?
Era quase uma questão de vida ou morte pelo seu tom, se eu recusasse ele me deixaria sozinho, provavelmente.
E foi o que eu fiz.
Ele se misturou entre os convidados, andei até uma mesa próxima satisfeito por ter alguns momentos sozinho.
— O que está acontecendo com você, meu jovem? — por um momento achei que a pergunta era para mim, mas percebi que a senhora conversava com outro selecionado, que estava de costas.
— Estou preocupado, as coisas parecem um pouco rápidas e fora de ordem. — ele riu no final. — Acha estranho?
— Tenho uma ideia de o porquê do príncipe estar agindo com tanta rapidez. Só não fique sem defesas, o ataque pode ser mais forte do que imagina. — ele assentiu, apoiando o cotovelo na mesa. — Caso se machuque será bem-vindo em meu reino.
Isto era estranho... Acho que toda a festa por si é estranha, são muitas pessoas reunidas por só um aniversário. Em casa era apenas uma frase de ‘feliz aniversário’ e um bolo. Acho que a minha cabeça já estava começando a ficar pesada e eu estressado.
Eu não me sinto seguro em multidões, é muito mais agradável quando você fica no seu canto em casa, ou numa galeria apresentando o trabalho você fica encostado na parede só observando. Não precisa ficar no centro, quanto mais notado, mais vulnerável. Isso é incrível.
— Você me deve uma dança. — senti uma mão leve tocar meu ombro fazendo eu paralisar. — Falei isso com você no início.
— Claro, vossa alteza. — me curvei, estendendo a mão para Hipátia, ela sorriu arrogante erguendo o queixo.
Toda a família real era mais baixa que eu, apesar de acreditar que ela é a menor de todas, mesmo sendo a segunda mais velha.
— Eu estava vendo a foto dos formulários, eles realmente podaram o seu cabelo, não é? — ela segurou o meu braço. — Acho que você ficava mais parecido consigo mesmo quando tinha o cabelo comprido.
— É... Os cachos ficam realmente muito curtos e é bem estranho não sentir caindo para a frente do rosto o tempo todo.
— Eu quero mesmo cortar o meu cabelo. — ela passou a mão pela franja loira. — Queria ter o cabelo curto igual ao do... Qual é o nome do médico? Do selecionado, digo.
— Não sei.
— Começa com Z, ele dança muito bem, chamei ele para ser o meu par na primeira dança. Depois que meu irmão decidiu dançar com aquele alto.
— Zeno?
— Esse mesmo, se ele for o meu cunhado... Que decepção, se ele fosse uma menina as coisas estariam muito melhores para mim.
— Você gosta de mulheres?!
Seus olhos nunca pareceram tão estranhos, a teia de castanho e azul me prenderam.
— Algum problema?
Acredito que descobrir a preferência sexual da princesa me deixou tão aturdido que nem lembro o que se passou depois. E os dois dias que se seguiram se resumiram em ajudar na limpeza, voltar com as aulas, nos preparar para o Jornal Oficial e...
— Ryan, eu achei jornais. — Alexei jogou uma pilha na minha frente, fazendo eu me sobressaltar. — Eu sei que nós teremos a entrevista no Jornal Oficial, mas não precisa ficar tão tenso. Está quase pior que o Elliot.
— Ele ainda está te ignorando? — questionei olhando para o baixinho que estava mexendo em alguma prateleira não muito longe de nós.
— Não seria ignorar, ele está me evitando.
— Tem diferença?
— Bastante. Nós temos duas horas até o jantar, quer dar uma olhada?
— Se o Higor chegasse agora e nos ouvisse você estaria perdido, sabe disso, não é?
— Um poliglota tem que treinar as várias línguas que sabe.
Revirei os olhos e peguei metade dos papéis, procurando por alguma manchete que nos desse uma pista do motivo do Gael ter convidado homens para a seleção.
Gael não, o rei.
A curiosidade não era tão feroz quanto no dia em que foi anunciado, na verdade, já não faria diferença alguma. Foi um acordo, no entanto, descobrir o motivo do que foi um fervor momentâneo há um mês.
Virar as páginas em preto e branco estava ficando ainda mais chato, já pensava em parar e desistir de toda a coisa quando Alex empurrou para mim um dos jornais.
O título não poderia ter me deixado mais surpreso, mas minha boca realmente caiu no chão quando ele mostrou outro jornal, com a data do ano em que eu nasci.
“As princesas nasceram! ”.
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