Herdeiras do Fim
2 FDEM ( Força de exterminação matoire)
Bianca
Em outro lugar mais limpo e principalmente mais rico, uma menina brincava com seu castelo de brinquedo entediada, jogada no chão e movendo as bonecas como se estivesse sido sentenciada a isso. Finalmente se cansando de fingir que tava gostando da brincadeira ela se levantou e pensou um pouco no que faria, ela não podia ir ver seus pais porque estavam sempre ocupados com alguma coisa chamada “burocracia”? Enfim esse era seu precioso tempo livre, não queria que sua mãe interpretasse que estava curiosa com seu trabalho e a colocasse pra estudar.
Finalmente a garota tinha decidido ir atrás do mordomo que, segundo ela, era o único que a entendia, todos nessa casa a sufocavam com suas conversas entediantes de assumir os negócios da família, dizendo que isso deveria ser uma honra já que o patriarca, devido ao seu alto intelecto, decidiu relevar o fato que era uma menina e resolveu fazê‐la sua herdeira, mas a garota de apenas sete anos não estava nem aí para isso de ser uma “herdeira”. Aos cinco anos de idade já havia decidido o que queria ser e desde então nunca mais largou mão desse sonho.
Saiu correndo procurando o mordomo pela casa fazendo que as pessoas que estavam por ali a olhassem feio, sempre estava cheio de gente nessa residência que mal pode ser chamada de casa, acho que um nome mais adequado seria Palácio, até por que eles são praticamente uma família real para o povo do subterrâneo da área.
Bianca encontrou o mordomo em seu escritório analisando alguns papéis, ela imediatamente correu até ele e pulou pro seu colo.
— O que está fazendo? — falou olhando pros documentos.
O homem agiu calmamente já que estava acostumado com a energia da herdeira da casa.
— Alguns documentos sobre a FDEM, mas nada que seja do interesse de uma mocinha como você. — disse a provocando.
Em vez de sucumbir à provocação a menina focou em outro ponto
— Você tá fazendo trabalho que não é seu de novo.
O mordomo suspirou e sorriu ternamente pela preocupação tão evidente na voz da garota.
— Você sabe que seu pai gosta muito do meu trabalho, bom, em todos os aspectos, então tudo acaba vindo parar em minhas mãos, mesmo que seja só pra conferir.
— Eu não sei se você tá sendo exibido ou só realista— Bianca suspirou como se tivesse muito mais que sete anos, mas logo deixou isso de lado e disse entusiasmada. — Quais livros sobre medicina você tem pra eu ler?
O homem, que já havia preparado dois livros para ela, ficou feliz ao ver que a paixão dela por curar e cuidar não tinha se extinguido depois que ela tornou esse sonho público e recebeu várias reprimendas dos seus familiares.
Fez ela se levantar do seu colo e foi pegar os livros. A menina estava animada, mas, claro que ela não era de ferro, ficou triste e desanimada com a reprovação tão fervorosa dos seus pais dizendo que ela teria que herdar os negócios da família e ponto final, chorou muito a noite, mas pela manhã ela já estava alegre novamente decidida a ignorar os seus pais e seguir estudando para realizar seu sonho, como uma criança superdotada seus pais tinham altas expectativas nela, tudo que ela fizesse eles queriam que fosse excelente, só que ela simplesmente não conseguia estudar o que não a interessava Deixando seus pais frustrados e decepcionados.
Por fim Bianca decidiu jogar para o lado tudo que a aflige e fazer o que quisesse.
Aria
Aria viu um meio de transporte muito parecido com um ônibus para prisioneiros e lembrou-se da cena que tinha visto alguns dias antes, em que o seu vizinho tinha sido levado gritando e esperneando e no fim foi preso no banco algemado, como estava se sentindo atordoada com a rejeição de sua mãe, não fez menção de se mexer ou gritar só se deixou ser arrastada até o ônibus, se sentou e muito obedientemente e foi presa ao banco mesmo assim.
— Se comportou relativamente bem garota, continue assim até chegarmos lá e talvez você ganhe um prêmio. — passou a mão na minha cabeça num gesto que deveria passar conforto, ela só conseguiu ficar encarando as crianças presas nas outras cadeiras, eram todas quase do tamanho dela, algumas eram bem magras e tinham roupas sujas e rasgadas, bom, nem um pouco diferente de Aria.
O ônibus partiu para pegar a próxima criança.
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Depois de pegar mais três crianças o veículo finalmente se dirigia ao seu destino final, dentro dele todos os jovens garotos e garotas estavam em silêncio, muitos chorando afinal tinham sido rejeitados por sua família, Aria não era diferente, suas lágrimas escorriam silenciosas, pensando dramaticamente que sua vida tinha acabado até que uma garota ao lado dela soltou um suspiro e gritou como se estivesse desabafando.
—- Foda-se meus pais! Eles que vão para o inferno, por que eu gastaria minhas lágrimas com alguém que me vendeu?! Todos vocês parem de serem tolos!!! Nós vamos ter camas confortáveis, chuveiros com água quente, comida todos os dias, é claro que vamos passar por um treinamento rigoroso, mas vocês não acham que todas as outras coisas não compensam?! — A menina que gritou tudo isso era uma garota muito mais pequena que as outras, não parecia que tinha sete anos, ela tinha sido a primeira a ser pega então já deu tempo de surtar, chorar e principalmente pensar sobre a situação.
Ela gritou isso não por compaixão com os outros, mas porque estava de saco cheio de tanta criança chorando no seu ouvido, apesar de ser pequena ela era uma ano mais velha que o restante, tinha cabelo loiro ao qual estava imundo assim como ela, seu nome era Lina, seus pais moravam na rua com ela e como vocês já podem imaginar a venderam em troca de uma casa e dinheiro, acontece que vender uma criança de sete ou oito anos para a FDEM rendia um bom lucro.
— Eu ouvi falar que o lugar para onde estamos indo é horrível, que eles torturam crianças lá! — falou um garoto que devia ter uns oito anos, parecia ser o mais velho dali.
Com isso várias crianças começaram a debater umas com as outras e a chorar mais ainda, bom pelo menos agora Aria estava mais calma, não queria pensar em sua mãe, se esforçou tanto para ser reconhecida, no fim foi pra nada.
Lina que estava no banco ao lado da Aria tentou puxar assunto:
— Oi, quanto anos você tem? Eu tenho seis, meus pais imploraram para me aceitarem, eu nem fiquei triste sabe, meus pais eram uns bostas, tenho certeza que vou ser muito mais feliz na FDEM, então se anime. — falou se esticando pra bater no meu ombro.
— Você parece ser imperativa. — falei e ri um pouco sem graça.
— Eu não sei o que é isso, mas você poderia ser minha amiga? Eu adoraria ter uma amiga! Nunca tive uma! — falou muito rápido e fiquei confusa mas mesmo assim sorri para ela.
— Claro. — disse e se estendeu um curto silêncio entre nós.
— Você fala pouco né, tudo bem, não tem problema…
E assim Lina e Aria conversaram o resto da viagem, Lina lhe contou que sua família a fazia mendigar por comida e dinheiro e no final davam a menor porção pra ela, o que em sua concepção era um absurdo por que ela era a mais nova da família. Aria contou que nunca imaginou que sua mãe faria isso com ela, por que na sua cabeça apesar de sua dureza ela a amava.
Quando finalmente chegaram estava muito mais calma tanto ela quanto as outras crianças.
Os soldados entraram no ônibus e foram soltando os cintos das crianças deixando claro que quem se rebelasse ia levar uma surra, aparentemente já estavam dentro da instituição.
As crianças saíram em fila, algumas mais confiantes pois sempre souberam que iriam vir pra cá e outras amedrontadas justamente pela surpresa de ser abandonado.
Aria na fila estava ficando nervosa novamente, após saírem do ônibus foram conduzidos por um corredor escuro. Ninguém tentou correr ou fugir, afinal estavam cercados.
Chegaram a uma porta que foi aberta por um soldado, uma por uma as crianças foram passando e contemplando uma sala branca com sacos de pancadas, esteiras e aparelhos que só seriam encontrados em lugares muito rico, parecia uma dita academia de antigamente, depois de os matoires invadirem o planeta e a humanidade se mudar pra de baixa terra esses aparelhos só eram vistos em casas com muito dinheiro ou em histórias que os adultos passavam de geração a geração sobre o antigo mundo.
Os futuros soldados da FDEM foram enfileirados e ficaram de frente a um espelho. De repente ouviram um som forte de botas batendo no chão e finalmente dois soldados, que pareciam aos olhos dessas crianças mais dois gigantes, pararam em frente a eles.
— Atenção!— gritou o soldado mais novo. — Esse é o comandante geral da Força De Exterminação Matoire vocês não o veram novamente até se formarem então o saldem e reverenciem.
Todas as crianças fizeram o que foram ensinadas a fazer sempre que viam um soldado desse passando pela rua: abaixaram a cabeça e colocaram três dedos rentes ao peito.
O comandante geral olhou para eles como se os avaliassem logo depois saiu da sala sem dizer uma palavra.
— Eu serei o treinador de vocês, vocês treinaram comigo até o alto escalão julgar que vocês estão aptos a irem para a superfície combaterem os matoires. Vocês não são mais crianças são soldados em treinamento, quem não se adaptar ou se recusarem a se adaptar vão ser punidos até aprenderem a ser disciplinados. — falou o soldado que parecia ser o mais novo, no máximo uns 25 anos. — Agora me sigam, não dá pra treinar de barriga vazia e sujos como vocês estão.
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