Herdeira Demoníaca
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Não poderia dizer que não fiquei surpresa com aquele desfecho, para alguém que só queria saber sobre uma ligação entre duas pessoas consegui mais do que queria. Não sei muito sobre demônios, meu padrasto tinha relatado poucas coisas sobre eles em seu diário e foi tudo baseado no demônio que ele tinha um pacto, que é a minha atual governanta. Mas Alice Michaelis não parecia ser um demônio qualquer, a aura que vinha dela, o que eu sentia,parecia ser diferente de um demônio, o que exatamente ela é?
– Alice Michaelis contenha-se, não é civilizado da sua parte agir assim, principalmente sendo uma dama – manter a calma nesses tipos de situação é o mais correto, não posso me deixar ser abalada por qualquer coisa, foi isso que a Criss me ensinou – Convenhamos, meu pai é um péssimo ser, mas ele parece agir conforme a situação e sendo um demônio, com toda certeza ele se aproveitou de alguma situação, seja qual ela for. – meus olhos demoníacos eram visíveis, queria que ela soube-se que eu não era uma simples mortal, embora sendo filha de um demônio, simples é a ultima coisa que eu sou.
Tem algo que incomodando, que marca o meu pai colocou nela? E como ela sabe que Sebastian Michaelis é o meu pai? Preciso descobrir.
– Menina, você mal sabe o que seu pai fez a mim — a voz de Alicie saiu cheia de mágoa e amargura. Aos poucos sua áurea demoníaca foi suavizando, porém ainda perceptível. Meu mordomo estava um pouco afastado.
– Realmente não sei, mas destruir minha mesa não resolverá nada — disse encarando-a — E a algo que eu quero saber, como sabe que ele é o meu pai?
– Você é idêntica a ele — Ela riu de forma irônica. — A mesma forma de trata as pessoas, o mesmo cheiro e o mesmo sorriso cínico. Você não nega que ter o sangue dele correndo em suas veias. – respondeu
– Ah, então é só por isso, pura dedução. Que decepção – disse decepcionada – Esperava algo diferente, mas analisando dessa forma....
– Tanta arrogância, mal sabe que a relação do seu pai comigo é bastante íntima — seu olhar ficou cheio de malicia e cinismo — Pode me considerar sua tia.
Tudo o que eu sentia era repugnância, sua voz e seus olhos me faziam querer matá-la e deixá-la em pedaços.
– My landlady, sua sombra – disse Canterbury, senti medo em sua voz, olhei para a sombra que fazia e ela estava na minha forma demoníaca, suspirei. Comecei a me acalmar, fechei meus olhos e respirei fundo, não podia me descontrolar também ou teríamos sérios problemas. Depois de me acalmar, olhei novamente para a minha sombra e ela tinha voltado ao normal.
– Sua falta de elegância e postura trás o que eu mais odeio em um demônio, só não te faço em pedaços aqui e agora, por que não quero sujar o tapete com o seu sangue impuro. – seu rosto mostrava sua raiva – E serio? – disse em um tom debochado – Além de ser um demônio, assistente de funerário ainda é amante do meu pai? Os demônios são mesmo deploráveis.
– Eu demônio? — gargalhou Alicie — Você é muito inocente. Estou um nível diferente de vocês, e, por favor, não diga que sou amante de um homem como seu pai. — a expressão de indignação de Alicie chegou ser cômica. — Ainda sou pura como anjo, Lady Thatcher.
– Se você não é um demônio, o que você é então? Um anjo eu tenho certeza que não é, e creio que também não tenha a pureza deles, eu vi um bem de perto, e nesse momento você exala essência demoníaca. – disse a Alicie – E meu pai é o tipo de ser que não se apega a nada e difama qualquer coisa que toca, será que foi isso que lhe aconteceu? Foi tocada pela impureza daquele demônio.
Alicie desviou o olhar para suas mãos, uma lágrima pingou em seu vestido. — O que você quer saber, Sasha? — disse minha convidada — Vamos diga o que você quer saber sobre seu pai. . .
Sua mudança repentina foi uma surpresa para mim, eu fiquei sem reação. Em um minuto ela estava com tanto ódio que poderia ter destruído minha sala e começado uma luta comigo e em menos de dois segundos ficou triste e começou a chorar. Dei um longo suspiro.
– Canterbury, quero que sirva a sobremesa em meu escritório – disse me levantando – Essa é uma conversa que devemos ter em um lugar mais apropriado. Venha Alice – chamei, em quanto me retirava e seguia em rumo ao escritório.
***
O escritório tinha uma decoração um tanto extravagante para uma Lady, as paredes eram pintadas em vinho com detalhes em dourado de pequeninas flores , as linhas douradas na parede contornavam as bordas da parede ; as cortinas vermelhas dançavam conforme o vento . Apesar da cor forte nas paredes os moveis em são sofisticados, a mesa de madeira envernizada reluzia com os raios da lua que entrava pelas grandes janelas de vidro, a poltrona continha belas almofadas de bordadas com fio de ouro e o toque final para completar a beleza do lugar, rosas amarelas decoravam os vasos de porcelana.
Com um pequeno gesto Sasha me pediu para sentar na poltrona na minha frente, ela observava cada movimento meu, como se eu representasse qualquer perigo a ela. Criança tola se soubesse que esse selo me impede de machucá-la.
– Então Sasha, o que deseja saber sobre o seu pai? — perguntei encarando os seus olhos castanhos.
– Minha curiosidade agora esta em você, Alicie – respondeu – Não consigo entender o que você é. – disse me encarando – Mas é claro que eu ainda quero saber que tipo de relação você tem com o meu pai.
– Sou uma mera humana amaldiçoada, você pode não acreditar, mas ainda sou uma humana. — segurei as lágrimas que tentavam escorrer em meu rosto, eu sabia que aquilo era uma mentira contada para mim mesma.
– Você tem aura demoníaca, como pode ser humana? – perguntou a lady
– Vou te contar uma história, minha lady. — Limpei os vestígios das lágrimas e a encarei. — Um pobre comerciante a beira da falência Suplicou alguém lhe ajudasse, mas a única pessoa ou melhor ser que ouviu suas suplicias foi demônio faminto. O anjo das trevas ofereceu ajuda, porém essa ajuda tinha um pequeno preço a ser pago.
– Deixe-me eu adivinhar, sua alma – disse Lady Sasha
– Exatamente. O pobre o homem ficou apavorado e sugeriu um acordo com o demônio — Desviei o meu olhar para as paredes vermelhas do cômodo.
– Acordo?
– Quando ele conseguisse tudo que queria, o demônio poderia levar a alma de sua esposa e fazer o que quiser com seu herdeiro. — respondi a condessa. — Claro que o demônio ficou interessado na proposta daquele humano covarde. Uma alma por duas.
– O humano construiu seu império no ramo da exportação de matéria prima, se casou com uma bela moça da alta classe inglesa e teve uma bela filha chamada Alicie. — Sorri ao mencionar a minha mãe — A pequena herdeira desde criança frequentou as melhores escolas inglesas, mas a menina tinha certa dificuldade nas matérias exatas. A pedido da senhora Michaelis ao colégio Santa Rita, a escola mandou o seu melhor professor.
A jovem Lady ficou um tanto surpresa ao ouvir o meu sobrenome na história.
– Alphonse era nome dele, era um homem bastante elegante e frio. A pequena Alicie admirava seu professor e essa admiração se transformou em um amor platônico, chegava ser cômico a atitude da futura herdeira do império Michaelis.
Engoli o nó que começava a se formar em minha garganta.
– Em comum lady Michaelis voltava para casa, da biblioteca de Londres, ao chegar em casa Alicie foi a procura da de sua mãe , mas a condessa não se encontrava em nenhum cômodo da casa. A moça subiu a escadaria até os quartos da casa, caminhou até ao quarto de seus pais... — meus olhos arderam ao lembrar aquela cena, para continuar a história foi preciso que eu respirasse fundo várias vezes. — Sua querida mãe estava nos braços de seu amado professor, ele a beijava, entretanto o corpo da sua mãe estava começando a ficar pálido e o ruivo de seus cabelos perde a cor. Em ato desespero a lady gritou chamando atenção do homem. Alphonse se levantou e caminhou em direção da jovem, ela tentou fugir, mas aquele ser a segurou e a jogou contra a parede do corredor a machucando. Ele explicou toda história para pobre e menina... E por final a transformou em sua serva para toda eternidade.
– Isso só reforça a ideia que eu tenho sobre os demônios, eles são abomináveis – disse a Lady com desprezo. Seus olhos dirigiram para os meus, mostravam bondade e solidariedade, eram sentimentos tão puros – Embora eu seja filha de Sebastian eu o odeio, minha história com ele não é nada comparada a sua. Uma coisa você pode ter certeza Alicie, você acabou de ganhar uma aliada. Farei o impossível para que você consiga se libertar dele, é uma promessa!
– Obrigada Lady Thatcher, espero essa liberdade há 20 anos.
– Nem precisa, agradecer uma coisa a senhorita pode ter certeza, jamais deixarei que os demônios saiam ganhando. – disse seria, mudando sua expressão logo em seguida, para uma mais amena — Agora vamos comer essa torta maravilhosa para trazer um sorriso a esse rosto, e que dessa vez seja um sorriso sincero.
–Tenho que mudar meu julgamento sobre você — sorri para a Lady,que sorriu também em resposta.
Depois de comermos a sobremesa lady Thatcher me deu um titulo de credito correspondente ao valor que deveria ser pago pelos serviços prestados.
Na manhã seguinte era muito cedo quando me preparava para sair da mansão Thatcher, desci as escadas junto com Canterbury, pobre mordomo ainda temia minha presença. No final da escada se encontrava Hannah e Sasha.
– Obrigada pela hospitalidade, Sasha — agradeci a condessa — Sentirei sua falta.
– Não foi nada Alicie, sempre será bem vinda em minha mansão. Eu lhe faço uma visita um dia desses — sorriu a jovem condessa
***
Alicie tinha acabado de ir embora quando eu voltei ao meu escritório, junto da minha governanta. Tinha muitas perguntas para ela sobre os demônios, e ela iria me responder todas.
– Hannah você ouviu minha conversa com a senhorita Michaelis, não ouviu? – nem esperei uma resposta, também nem precisava, tinha sentido sua presença perto do escritório na noite anterior – Tenho muitas perguntas para você sobre os demônios. – suspirei – Em pensar que ainda tenho uma reunião ainda hoje com os sócios da Phanton, aqueles idiotas vão fazer a empresa ir à falência se não produzirmos novos produtos.
Fale com o autor