Herdeira Demoníaca
7 Capítulo 7
Notas iniciais
O Undertaker tinha sido chamado bem cedo nessa manhã, ele parecia descontente quando retirou o corpo do meu tutor, ele ficou reclamando de como eu só podia ter feito aquilo, o que me fez perguntar como ele sabia que tinha sido eu e como ele sabia o que eu era. Fiquei observando tudo de longe, na escadaria, apoiando minha mão no corrimão.
– Undertaker sabe muito mais do que aparenta, não fique tão surpresa – disse Sebastian atrás de mim, sua voz era inconfundível, e ainda ele tinha um cheiro diferente, que só reparei essa manhã.
– Você também não deveria ter ficado tão surpreso em saber que tem uma filha – disse me virando para ele.
– Eu tive motivos – disse Sebastian me encarando com seus olhos demoníacos – É muito raro um caso com um demônio e um humano gerar uma criança.
– Se é raro, já aconteceu antes – disse estreitando meus olhos
– Não vá atrás do que não sabe – disse passando por mim, e indo ao encontro do Ciel, que falava algo com Undertaker.
– Estou começando a odiar demônios – disse me retirando, e indo a caminho da sala de jantar, teria um ótimo café da manhã.
*
Depois do almoço Ciel e Sebastian vieram até a mim em meu escritório, eles estavam de partida. Eu era suspeita do caso que eles estavam, para o cão de guarda da rainha, e nessa madrugada tinha acontecido mais uma morte, sendo assim, eles chegaram à conclusão que eu era inocente.
– É uma pena que já estejam indo – disse encarando a paisagem pela janela – Gostaria de saber mais sobre você, Ciel – sim, eu estava ignorando o meu ‘pai’. Olhei para o reflexo do Ciel que mostrava na janela – Visite a minha mansão novamente – dei um sorriso e me virei – E dessa vez, venha sem um vestido – estava me segurando para não rir, Ciel estava morrendo de vergonha, Sebastian estava no mesmo estado que eu.
– Pode deixar Lady Thatcher – disse Ciel todo corado, chega a ser bonitinho.
– E vê se não faz muito estrago com esse caso, afinal será eu que vai limpar a bagunça depois..
Estava no jardim da mansão tomando meu chá das cinco, sendo servido pela Criss, quando aquele maluco ruivo apareceu,o Shinigami. Ele estava carregando uma serra, ele parecia um pouco irritado.
– Sabe que esta entrando em propriedade privada, não sabe Grell Sutcliff? – disse o observando.
– Eu vi o seu registro! – disse como se isso explica-se sua invasão e o motivo da sua raiva.
– Olha – disse limpando minha boca suja de bolo de chocolate – Eu não sei do que esta falando, e se ao quiser ser arrastado daqui, sugiro que saia da minha propriedade. – disse com os olhos semicerrados.
– Argh! Você é igualzinha! Como aquela freira pode ter uma filha com o meu Sebas-chan? – disse em quanto mordia um lenço e o esticava.
– Sabe Criss, nesse curto tempo de vida conheci dois Shinigamis, e tive o azar de ambos serem esquisitos, com um gosto pior ainda – disse me virando para minha governanta e em seguida me levantei e fui andar de volta para a mansão.
Com aquele Shinigami por perto eu não tinha paz, só sabia reclamar. Resolvi sair da mansão um pouco e passar à tarde na cidade.
*
Undertaker estava entretido com algumas caixas atrás do seu balcão, em quanto isso um homem de aparência suspeita entrou em sua loja carregando uma mulher em seus braços. A mulher tinha uma beleza pura, loira com belos cachos, pele clara e delicada como uma porcelana, vestia uma camisola azul-claro de seda. Já o homem misterioso que a carregava,vestia roupas sociais. Quando o sino da porta tocou Undertaker foi observar quem entrava. O que mas lhe chamou a atenção não foi a mulher que estava adormecida nos braços do homem,mas sim em reconhecê-lo.
*
A cidade estava agitada hoje, o que me irritava profundamente, quase que o cocheiro atropelou umas crianças de rua,se ele não fosse bom no trabalho que fazia,teria sérios problemas.
Passamos por varias lojas, mas uma em especifica me chamou a atenção, a loja do Undertaker, seria mais acima da loja, no telhado tinha dois homens lutando, um deles era o Undertaker, que estava com uma enorme foice de caveira, o outro tinha o tamanho do funerário, longos cabelos negros, preso em uma enorme e longa trança,carregava uma mini foice*, presa a uma extensa corrente no cabo.
Mandei o cocheiro parar a carruagem e com a ajuda da Criss desci em frente à loja. Uma mulher loira de olhos azuis, vestindo uma longa camisola de seda saía com um olhar de desespero da loja do funerário, fui até ela tentando acalmá-la e tentar me explicar o que tinha acontecido.
– Eu fui sequestrada! Por favor, me ajuda Lady Thatcher! – estava me lembrando dela, eu a vi na minha festa, ela era Pollyanna Angelic Damann.
– Acalme-se, entre em minha carruagem e não saía em hipótese alguma! – correi para trás da loja.
Tinha deixado Criss com a Condessa Damann, agora não teria como eu ir até o telhado, seria muito bom ter asas agora.
– O que faz parada em quanto a dois Shinigamis lutando? – perguntou uma voz atrás de mim, virei e encarei o demônio.
– Sebastian – disse irritada, o que ele fazia aqui?
– Tenho um caso para resolver, se me der licença – disse Sebastian passando por mim e pulando do chão até o telhado do prédio.
– Como ele fez isso? – perguntei admirada
– Todo demônio faz isso – respondeu Ciel do meu lado
– Minha pergunta foi retórica – disse olhando dentro dos olhos brilhantes de demônio do Ciel, instintivamente fiz o mesmo.
– Você nunca deve ter feito isso, venha eu te ajudo – disse Ciel ignorando minha fala e estendendo sua mão, a qual eu segurei. Demos um pulo, caí meio desajeitada no telhado, já o Ciel caiu normalmente, com um dos joelhos no chão.
Ciel foi para o lado de Sebastian que olhava para a seguinte cena. Undertaker estava apoiado no cabo da sua death scythe,encarava o corpo caído alguns metros a sua frente. Ele parecia entediado.
– Undertaker? – chamei
– Gostariam de ouvir uma trágica história de amor? – perguntou o Shinigami, mesmo não dando uma resposta ele falou mesmo assim. – Há muito tempo atrás, um jovem Shinigami foi encarregado de recolher algumas almas. Quando chegou à sua ultima alma não conseguiu deixá-la morrer, então impediu sua morte. Como não teria como ficar com ela sendo que tinha contra o regulamento, contou a jovem moça que era um Shinigami, de alguma forma ela reagiu bem sobre isso, passaram anos fugindo dos Shinigamis, um dia a moça não agüentou mas e deu fim a sua vida. Já o jovem Shinigami foi capturado antes de saber da morte de sua amada, mas prometeu que se encontraria com sua amada novamente.
– Então era isso – disse meio pensativa, o Shinigami que lutou com o Undertaker estava atrás da sua amada, mas quando achava que tinha a encontrado, viu que não era ela e possivelmente teve um surto e matou, e assim foi até achar a Condessa Pollyanna. Por que foi até o Undertaker era um mistério.
– O caso está encerrado – declarou Ciel, Sebastian concordou.
– Vou pensar em algo que possa explicar a morte das meninas – disse – Uma curiosidade – disse de repente.
– Sim? – disse Undertaker virando seu corpo e olhando para mim
– Quem foi o Shinigami que ceifou a alma da amada do jovem Shinigami? – perguntei. Undertaker me olhou dando um largo sorriso
– Acho que a srtª já sabe a resposta – disse Undertaker com seu sorriso.

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