Herdeira Demoníaca
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Na manhã de Londres as ruas estavam agitadas, pessoas normais, empregados, comerciantes comentavam sobre o atentado a Lady Thatcher, um garotinho andava na rua vendendo vários exemplares de jornal, que tinha saído aquela manhã, o povo londrino ficou surpreso com a matéria.
Atentado na empresa Phanton!
A condessa Sasha Thatcher, presidente da empresa Phanton, é envenenada em uma reunião da empresa, que foi realizada na casa de seu noivo. Até agora a substância que envenenou a condessa não foi identificada, os peritos estão trabalhando a todo vapor para descobrir qual veneno foi usado para aniquilar a vida dessa jovem. Todos que estavam presentes no dia estão sendo interrogados pela Scotland Yard, até o momento não há suspeitos. O motivo contra o ataque a vida da Lady ainda não foi esclarecido. Os investigadores trabalham em cima da hipótese que alguém dentro da empresa tenha envenenado a Condessa. Todos os cidadãos londrinos perguntam a mesma coisa. Quem é o crápula que envenenou a pobre Condessa Sasha Thatcher?
***
Na mansão Thatcher
Deitada em sua cama estava a condessa, vários aparelhos médicos estavam ligados ao seu corpo, inclusive um tubo de oxigênio, sua condição estava fraca, os médicos não tinham descoberto o veneno que tinha sido usado, a lady poderia morrer a qualquer momento. Seu noivo andava de um lado para o outro, ele não sabia o que fazer, só ficava relembrando a cena daquela fática reunião, onde sua noiva começava a passar mal. Seu desespero era enorme, mas fazia o possível para se manter calmo.
Depois de ter sido interrogado pela Scotland Yard, foi ver sua noiva no hospital, fez questão de pedir transferência para ela ser tratada em casa, os médicos não tinham muita esperança em salva-la, então cuidaram da transferência sem interferir, ajudaram a jovem lady para que ela ficassem confortável em seu leito.
Uma batida na porta foi ouvida, era o mordomo dos Thatcher, Grell Sutcliff. Ele trazia uma bandeja com chá.
– Conde Lawrence, trouxe um pouco de chá para o senhor – disse o mordomo cabisbaixo, colocando a bandeja em uma pequena mesinha que tinha no quarto, o conde foi se sentar em quanto era servido.
O shinigami estava para sair do quarto quando foi chamado pelo conde.
– Deseja mais alguma coisa Conde Lawrence? – perguntou
– Você que é o mordomo dela, você não saberia em dizer quem poderia ter feito isso a ela? – perguntou o conde, com uma expressão sofrida.
– Não sou mordomo da lady Thatcher há muito tempo mas tenho uma hipótese de quem tenha sido – comentou o Shinigami, chamando a atenção do conde
– Quem? – perguntou desesperado
– O senhor não conseguiria fazer nada contra ele conde Lawrence, ele não é humano – respondeu o shinigami serio
– Do que você esta falando? Como assim não é humano? – Perguntou o conde confuso
– Uma pergunta de cada vez conde – disse o Shinigami dando um lardo sorriso, mostrando seus dentes de tubarão – Sebastian Michaelis, é um demônio bem astuto...
– Demônio?
– Como eu ia dizendo – continuou — ... E perigoso, um oponente que nem eu, um deus da morte consegue derrotá-lo, então não vamos nos focar nele, mas sim em fazer a sua querida noiva se levantar, ela pode se vingar depois.
– Você sabe como ajudá-la? – perguntou deixando seu chá de lado e se aproximando do shinigami
– Talvez, pode ser que a ajude ou que ferre ela de vez – disse o shinigami com seu sorriso sinistro
– Se puder salva-la farei qualquer coisa! – disse o conde convicto, o sorriso do shinigami aumentou.
– Prepare-se, veremos uma velha amiga minha.
***
Grell não sabia ao certo por que ajudava aquela meio demônio, afinal ele a odiava, era filha daquela mulher, a mulher que teve o seu precioso Sebby-chan, poderia ser da sua pequena suspeita?
No dia que foi visitar o seu amado Sebby-chan, ele estava com um humor pior do que o de costume, e nem reparou na sua maravilhosa aparição, depois só o chutou para fora da mansão, mas uma coisa lhe deixava mais inquieto, como Sebastian sabia que na direção que ele tinha lhe jogado daria na mansão de sua filha?
E no trágico dia que a pequena hibrida foi se encontrar com os outros humanos, ele sentiu a presença de Sebastian lá, foi por pouco tempo mas sentiu e aquele veneno, era extremamente raro, vinha de um dos nove círculos do inferno, que era cuidado por Asmodeus, um dos sete príncipes do inferno.
Poderia querer Sebastian matar a própria filha? O Shinigami precisava saber, saber se o seu amado Sebby-chan estava por trás disso, nem que ele precisa-se salvar aquela hibrida irritante.
Parou a carruagem em frente a uma belíssima mansão escarlate. Camille não gostava de visitas surpresas, ainda bem que tinha trago sua Death Scythe. Largou as rédeas do cavalo e foi ajudar o conde a sair da carruagem.
– Venha conde, irei lhe apresentar a Lady Camille – disse em quanto o conde saia para fora, antes de fechar a pequena porta, pegou sua Death Scythe.
– Quem é essa Lady Camille? – perguntou o conde curioso e desconfiado
– Uma antiga amiga minha, ela que salvará sua preciosa noiva – respondeu o shinigami
Assim que chegaram à porta da mansão foram recebidos pelo mordomo da casa, que o shinigami logo dispensou, sabia onde Camille estava não precisava de nenhum humano o guia-se, foi andando logo para sala de estar, teria que esperar um pouco, por isso foi se sentando no lindo sofá carmesim, deixando sua Death Scythe ao seu lado, o conde observava tudo atentamente, o que deixou o shinigami um pouco irritado, puxou o conde que caiu sentado no sofá.
– Você pode observar as flores sentado – disse o shinigami entediado
Cinco minutos se passaram até lady Camille aparecer, ela entrou na sala com um lindo vestido vermelho, seus cabelos loiros estavam soltos, mas arrumados perfeitamente, usava um lindo batom vermelho, que realçava sua palidez, Camille era a verdadeira Madame Red.
– Grell, que surpresa – disse a lady dando um sorriso falso – O que lhe trás até aqui? Seria a trabalho? – perguntou em quanto caminhava até um sofá de frente para os seus visitantes – Não, se viesse a trabalho não estaria acompanhado de um humano, então por que veio?
– Vou direto ao ponto, estou aqui para lhe cobrar um antigo favor – disse o shinigami serio
– Quer que eu transforme esse humano? – perguntou apontando para o conde
– Arg! Não, quero que transforme a noiva hibrida dele – respondeu o shinigami
– Hibrida? – perguntou a lady confusa
– Ela é filha de um demônio com uma humana – explicou o shinigami
– Se eu fazer o que me pede, sabe que provavelmente o lado demoníaco dela ficará mais forte, podendo fazer ela perder o lado humano completamente – disse Camille
– Sei dos riscos, mas ela foi envenenada por algo do reino de Asmodeus, seu lado humano já esta bem comprometido e seu lado demoníaco também – disse o shinigami
– Esta disposto a correr o risco então – disse Camille um pouco seria – Se permite perguntar quem seria o pai dela? – perguntou a lady curiosa
– Um demônio conhecido atualmente pelo nome Sebastian Michaelis – respondeu Grell
– Oh! – se surpreendeu a lady – Isso vai ser interessante, irei me preparar, partimos ao anoitecer – disse a lady se levantando
– Espere! – pediu o conde Lawrence – Você disse transformá-la? E como assim meio demônio? – perguntou confuso
Lady Camille olhou para o Grell com um olhar confuso, logo o shinigami entendeu, tinha dado poucas informações ao conde. Dando um largo sorriso apresentou a lady ao conde.
– Elliot Lawrence lhe apresento Camille, ela é uma vampira, seja bem vindo ao submundo.
***
Assim que anoiteceu Camille, Grell e Elliot partiram para a mansão dos Thatcher, como os dois seres sobrenaturais queriam conversar, a vampira usou um dos seus servos para ser o cocheiro no lugar do Grell. Não demorou muito para que eles estivessem na estrada, como iria demorar até chegarem à mansão, não foi problema começarem uma conversa. Grell tinha contado um pouco sobre alguns seres sobrenaturais para o conde Lawrence, como os shinigamis, demônios e vampiros, mas nada muito especifico só para ele entender no que tinha se metido.
– Grell, você sabe que o vampirismo é uma doença originada dos demônios, como você acha que o nosso sangue poderá ajudar essa hibrida? – perguntou Camille
– A situação da condessa esta bem critica como eu tinha dito – começou o shinigami – Seu lado humano esta sendo consumido pelo seu lado demoníaco que não foi afetado ainda, pelo veneno, e o seu lado demoníaco esta trabalhando para que o veneno não a consuma. Suas duas partes foram afetadas por formas diferentes, mas com o mesmo motivo.
– Ainda não me respondeu – disse Camille começando a se irritar com o Shinigami
– Seu lado demoníaco esta fraco, seu sangue irá fortalecê-lo – explicou o shinigami – Sendo assim, esse lado dela terá mais força para se livrar do veneno e se tivermos sucesso, poderá curá-la, mas creio eu que ela pode perder o seu lado humano e se tornar uma meia vampira no processo – disse
– Que situação problemática – comentou a vampira com um olhar triste
Sentia pena daquela jovem, mesmo não a conhecendo. O tal de Sebastian deveria odiá-la muito pra fazer isso.
– Ela não mudará caso isso der certo? – perguntou Camille
– Sim, mas será melhor que ela morrer ou perder seu lado humano – respondeu o Shinigami
O conde Lawrence ficou um pouco perdido dentro da conversa daqueles dois, mas conseguiu entender um pouco do que falaram. Em quanto esperavam o anoitecer, o Sutcliff lhe explicou um pouco sobre o submundo e um pouco dos seres sobrenaturais que ele estava rodeado e não sabia, claro que tudo foi um choque, no começo não conseguia acreditar que sua noiva era fruto de um demônio com uma humana e nem que a Lady Camille era uma vampira, mas o shinigami se esforçou muito na explicação, e no fim ele acreditou em suas palavras. Outra coisa que o shinigami explicou foi sobre o Sebastian, quem ele era e por que ele tinha feito aquilo com sua noiva, naquele instante ele passou a odiar profundamente aquele demônio, mesmo sendo o que fosse não conseguia imaginar que ele fosse tão longe para punir a filha, demônios não se importavam com nada mesmo.
No fundo de sua mente pensou em sua noiva, será que ela também não tinha sentimentos? E que atuava como uma boa moça só para esconder sua verdadeira natureza? Sua mente estava muito confusa.
– O que acha de tudo isso conde Lawrence? – perguntou Camille
– É um mundo novo para mim – respondeu o conde
– Nada mudou você só esta enxergando a verdade – disse Camille com uma voz calma – É difícil de acreditar, eu sei, alguns teriam enlouquecido você até que esta aguentando muito bem. – elogiou
A carruagem tinha parado, significava que eles tinham chegado, o shinigami foi o primeiro a sair, ajudando a vampira em seguida. O conde saiu logo depois.
– Chegamos! – disse o shinigami animado
Na porta da mansão estava os quatro empregados da lady Thatcher, o conde não conseguia mas vê-los como antes, agora era só demônios fantasiados de humanos.
– Bela mansão essa Lady tem –comentou Camille dando um largo sorriso
– Seja bem vindo de volta conde Lawrence – cumprimentou a governanta – Sutcliff, quem seria a jovem madame?
– Ela é quem poderá salvar a Lady Thatcher, Camille – apresentou o shinigami
Sem querer enrolar, fez Hannah lhe dar passagem junto de Camille e o conde Lawrence, subiram as escadas e atravessaram um longo corredor até chegar ao quarto da jovem condessa.
Camille se aproximou da jovem, ela parecia sofrer em seu sono profundo, sua face estava suada e fazia pequenas caretas de dor.
– Grell, pede para o mordomo fechar todas as janelas da mansão – disse se sentando do lado da condessa – Pode ser que demore aqui e eu não quero ser surpreendida com os raios solares.
– Pode deixar – disse o shinigami se retirando
– Ah, mas uma coisa – disse Camille virando seu rosto para o shinigami – Tire o humano daqui, não é seguro para ele – pediu
– Compreendo – disse o shinigami, levando o humano junto, deixando Camille sozinha com a condessa.
– Condessa Thatcher, sou Camille – apresentou-se mesmo sabendo que ela poderia não ouvir – Grell Sutcliff foi até a mim pedir a minha ajuda, tentarei lhe livrar de seu sofrimento. Não sei se dará certo, mas é a única opção que você tem, espero conseguir ajudá-la – disse Camille
A vampira deu um longo suspiro, se o shinigami estivesse certo, ela a salvaria, mas poderia acontecer de que a condessa que dormiu não fosse à mesma que acordaria, não poderia dizer se seria bom o ruim.
Com gestos delicados removeu suas luvas, deixou suas presas aparecerem e fez elas perfurarem seu pulso esquerdo, com um pouco de rapidez, deixou o sangue que saía do ferimento cair na boca da jovem condessa, que deixou um pouco aberta para que o sangue caísse e fosse engolido em seguida, com a unha da sua mão direita manteve o pequeno ferimento aberto. Depois de cair sangue o suficiente deixou seu pulso se curar e ajudou a condessa a engolir o sangue que estava em sua boca.
Olhando para sua face delicada viu poucas diferenças, a jovem já não fazia as caretas de antes, talvez o sangue funcionasse, mas teria que esperar. Pegou suas luvas e as colocou novamente, se levantou e foi até a janela, faltava pouco tempo para o sol nascer, mas iria admirar a lua em quanto podia.
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