Vulnerável


A viagem para o norte foi longa, mas Louise não sentiu o tempo passar. Sentada no banco traseiro do veículo oficial, olhava pela janela sem ver nada. As paisagens se sucediam colinas verdes, planícies douradas, florestas de pinheiros, mas seus olhos estavam fixos em algum lugar distante, dentro de si mesma.

Margo viajava ao lado de Cedric, respeitando o silêncio. Conhecia Louise o suficiente para saber quando as palavras eram bem-vindas e quando eram apenas ruído.

- Senhorita — disse, finalmente, quando o sol começava a se pôr no segundo dia. — Estamos nos aproximando de Cristal. Cedric disse que em algumas horas chegaremos à costa.

Louise piscou, como se acordasse de um sonho.

- Obrigada, Margo.

- A senhorita está nervosa?

- Não. — a resposta foi automática. Depois, suspirou. — Sim. Talvez. Não sei.

Margo sorriu, compreensiva.

- É muita coisa para processar.

- É. — Louise olhou para as mãos inquietas — Deixei tudo para trás. Meus pais. Minha casa. Minha vida. Tudo o que eu conhecia.

- Mas a senhorita também deixou para trás a humilhação. As fofocas. Os olhares de pena.

Louise a olhou, surpresa com a franqueza.

- É verdade — Margo continuou. — Em Ametista, a senhorita sempre seria a noiva rejeitada. Aqui, ninguém sabe o que aconteceu. Ou, se sabe, não se importa. Aqui, a senhorita pode ser quem quiser.

- E se eu não souber quem quero ser?

- Logo vai descobrir. — Margo remexeu no banco. — É para isso que serve um novo começo.

Quando o veículo começou a descer a última serra, Louise sentiu algo mudar no ar. O vento ficava mais úmido, o cheiro era diferente: salgado, fresco, desconhecido.

- Senhorita, olhe — Margo apontou pela janela.

Louise prendeu a respiração.

O mar.

Nunca vira o mar. Ametista ficava no meio do continente, cercada por colinas. O oceano era apenas uma ideia, algo que estudara em livros, que vira em documentários. Nada a preparara para aquilo.

Imenso. Cinzento. Infinito. As ondas quebravam nas rochas lá embaixo com um rugido que parecia vibrar dentro do peito. Placas de gelo flutuavam como ilhas minúsculas, chocando-se umas nas outras com sons que pareciam sussurros antigos.

- Podemos parar? — a pergunta escapou antes que pudesse controlar.

Cedric olhou pelo retrovisor.

- Senhorita, o protocolo...

- Eu sei. Mas, por favor. Apenas um momento.

Ele hesitou, depois estacionou no acostamento. Louise abriu a porta antes que o veículo parasse completamente, descendo com as pernas trêmulas.

O vento cortante golpeou seu rosto. Nunca sentira frio assim, um frio que entrava pelos pulmões, que gelava os ossos. Mas ela nem percebeu. Caminhou em direção à água, os sapatos afundando na areia congelada, o vestido fino de Ametista completamente inadequado.

Quando chegou à beira-mar, ajoelhou-se. Estendeu a mão e tocou a água.

Gélida. Viva. Real.

Uma onda maior molhou a barra de seu vestido, mas ela nem se mexeu. Estava hipnotizada. O som das ondas, o cheiro de sal, a imensidão cinzenta, tudo aquilo era tão maior do que ela, tão maior do que seus problemas, tão maior do que a humilhação.

E então, sem aviso, as lágrimas vieram.

As lágrimas que vinha segurando há tanto tempo. Eram lágrimas de alívio, de esgotamento, de finalmente poder baixar a guarda depois de dias fingindo força. Lágrimas por tudo o que perdera, por tudo o que deixara para trás, por tudo o que ainda estava por vir.

Chorou ali, ajoelhada na areia congelada, as mãos na água gelada, o vento golpeando seu rosto. E pela primeira vez em anos, não tentou controlar nada. Apenas sentiu. O choro de partir o coração de qualquer um.

Do alto do palácio, no mirante de vidro que se projetava sobre o mar, Liam Cristal observava a cena através de binóculos. A comitiva parara na estrada. Uma figura descera do veículo, pequena, distante, mas inconfundível com o vestido fino inadequado para o frio.

- Ela chegou — murmurou, sem se dirigir a ninguém.

Gus, que estava ao seu lado, também observava.

- A senhorita Valliere, alteza. Deveria ter avisado que ela chegaria, eu iria recebê-la na ponte...

- Espere. — Liam não baixou os binóculos. — Veja.

Ela caminhava em direção ao mar. Devagar, como se cada passo fosse uma descoberta. Depois, ajoelhou-se. Tocou a água. E então... começou a chorar.

Liam sentiu algo se apertar em seu peito. Não era pena. Era algo mais profundo, uma admiração misturada com uma ternura que ele não sabia nomear.

- Ela está chorando — disse, a voz mais baixa do que pretendia.

- Parece que sim, alteza. — Gus hesitou. — Devo enviar alguém?

- Não. — Liam baixou os binóculos. — Dê a ela esse momento. Ninguém merece ser observada enquanto chora.

- Mas, alteza...

- Eu disse não. — Liam virou-se, caminhando de volta para o interior do palácio. — Quando ela estiver pronta, traga-a. Eu a receberei.

Gus o seguiu, confuso.

- Alteza, a senhorita Valliere não sabe que o senhor a viu.

- E não precisa saber. — Liam parou, olhando pela janela do corredor. O mar continuava lá, imenso e cinzento. — O que vi foi um momento privado. Não vou invadir isso com formalidades.

- Como quiser, alteza.

Liam ficou em silêncio por um momento, pensativo.

- Gus — chamou, antes que ele se afastasse.

- Alteza?

- O que aconteceu com ela? Em Ametista. Eu sei o básico, mas... o que realmente aconteceu?

Gus suspirou. Cedric havia mandado o dossiê de Louise para ele, com o intuito de começar a proteção da sulista. Tinha todas as informações de antes até o dia que Louis a abandou.

- Foi público, alteza. O príncipe Louis entrou no salão com uma plebeia, ameaçou suicidar-se com uma adaga caso o obrigassem a casar. A senhorita Valliere desfez o noivado graciosamente e saiu de cabeça erguida.

- Disso eu sei, quero saber antes disso?

- Antes? — Gus franziu a testa. — Pelo que apurei, ela foi treinada desde os treze anos para ser princesa consorte. Protocolos, etiqueta, causas sociais. Era a noiva perfeita, alteza. Mas o príncipe Louis a tratava com frieza, às vezes com desprezo. Dizem que ele mal olhava para ela.

Liam sentiu o peito apertar novamente.

- E ela? Como reagia?

- Mantinha a compostura. Sempre. — Gus hesitou. — Dizem que era a única no palácio que todos amavam, menos o noivo. E que ele a culpava por sua própria infelicidade.

- Culpava?

- Achava que ela se aproveitava dos privilégios reais, que queria o trono. — Gus baixou a voz. — Pelo que vi, alteza, ela não queria nada disso. Apenas cumpria o dever. Como sempre fez.

Liam ficou em silêncio por um longo momento. A imagem dela ajoelhada na areia, chorando sozinha, não saía de sua mente.

- Ela não merecia isso — disse, finalmente.

- Não merecia, alteza.

- E agora está aqui. Sozinha. Em um lugar desconhecido. Vamos dar tempo a ela. — Liam virou-se para Gus. — Quero que os aposentos dela estejam impecáveis. Flores, chá quente, roupas adequadas. E quero que Catherine seja sua mentora. Ela é melhor do que eu com essas coisas.

- Sim, alteza.

- E Gus?

- Alteza?

- Ninguém sabe que eu a vi. Está claro?

- Claro, alteza.

Gus saiu, deixando Liam sozinho no corredor. O príncipe voltou-se para a janela, observando o mar. A figura já não estava mais na praia. A comitiva recomeçara o caminho em direção ao palácio.

- Louise Valliere — murmurou, experimentando o nome.

[...]

- É lindo, não é? — uma voz soou atrás dela.

Louise sobressaltou-se, perdendo o equilíbrio e caindo sentada na areia. Uma figura aproximou-se, não era um guarda real, como ela esperava, mas uma mulher jovem com jaqueta acolchoada, botas de cano alto e cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Trazia uma luva na mão e um sorriso no rosto.

- Perdão, não quis assustá-la. — a mulher estendeu a mão. — Sou Catherine. Princesa de Cristal.

Louise aceitou a mão, levantando-se, envergonhada.

- Louise Valliere. — enxugou o rosto com a manga, sentindo-se ridícula. — Desculpe, eu... o mar...

- Pegou você de surpresa? — Catherine completou, com um sorriso que não era de escárnio, mas de compreensão. — Acontece com todo mundo. Principalmente quem nunca viu o oceano antes.

- É... imenso.

- É. — Catherine olhou para o horizonte. — Meu pai dizia que o mar ensina humildade. Mostra o nosso lugar no mundo.

- Seu pai?

- O antigo rei, morreu há alguns anos. Mas as palavras ficaram. — Catherine voltou a atenção para Louise, examinando-a com curiosidade. — Você está molhada. E tremendo.

- Estou. — Louise riu, sem graça. — Meu vestido não foi feito para este clima.

- Isso é mesmo coisa de sulista. — Catherine tirou a sua jaqueta e colocou sobre os ombros de Louise, os instintos protetores de Catherine falou mais alto. — Vamos. O palácio é perto. Vou te levar pessoalmente.

- A princesa não precisa...

- Eu quero. — Catherine pegou seu braço com naturalidade, começando a caminhar de volta para o veículo. — Além disso, tenho curiosidade de conhecer a mulher que fez meu irmão ficar tão... diferente.

- Diferente?

- Cedric, o assistente dele, me ligou com a notícia. — Catherine abriu a porta do veículo para Louise. — Disse que Liam só falava de números durante as negociações. Mas quando o assunto era você, os olhos dele brilhavam.

Louise sentiu o rosto aquecer.

- Eu... não sei o que dizer.

- Não precisa dizer nada. — Catherine entrou no veículo ao seu lado. — Só precisa saber que, em Cristal, as coisas são diferentes. Aqui, valorizamos quem é. Não quem finge ser. Pode ir para o palácio Cedric.

O veículo partiu, seguindo a estrada que margeava a costa. Louise olhou pela janela, vendo as torres do palácio se aproximarem.

- Obrigada — disse, baixinho.

- Pelo quê?

- Por não ter pena. Por não perguntar o que aconteceu.

Catherine a olhou com seriedade.

- Bobagem, não me importo com o passado das pessoas. O importante é com o que elas fazem com o futuro. — ela sorriu. — E você, Louise Valliere, tem um futuro inteiro pela frente.

O veículo parou na ponte levadiça. Louise desceu, ainda com os olhos vermelhos, mas com a postura ereta de quem já se recompunha devedo ao seu treinamento de anos.

O palácio de Cristal era uma fortaleza de pedra clara sobre um promontório, cercada pelo mar em três lados. Pontes levadiças, torres altas, bandeiras azuis e prateadas tremulando ao vento. O mar e o castelo pareciam estarem em uma luta constante.

- Impressiona, não é? — Catherine comentou, enquanto atravessavam a ponte levadiça. — Meus antepassados construíram para resistir a invasões. Hoje, resiste ao inverno.

- É lindo.

- É. E vai ser seu lar pelos próximos meses. — Catherine olhou para ela. — Se você quiser, claro. Não há obrigações aqui. Você pode ficar o tempo que precisar, e se decidir voltar... ninguém vai julgá-la.

- Seu irmão e o rei de Ametista disse o mesmo.

- Liam é assim. Direto. — Catherine riu. — Às vezes, direto demais. Mas é confiável. Se ele disse que vai cuidar de você, vai cuidar.

Dentro do palácio, o calor das lareiras a recebeu como um abraço. Madeira escura, tapeçarias grossas, cheiro de pinho e sal marinho. Tudo era novo, estranho, mas também acolhedor. O frio que antes havia infiltrado nos ossos agora ficou mais ameno. Enquanto subiam as escadas e passava por corredores que faziam ecos Louise olhava para os quadros nas paredes e os tapetes no chão. O palácio do norte era totalmente diferente do sul.

- Seus aposentos — Catherine indicou, conduzindo-a por uma escada de pedra. — Espero que goste.

O quarto era espaçoso, com uma lareira crepitante, uma cama enorme coberta por mantas de lã e uma janela que dava diretamente para o mar. Havia flores ao lado da cama.

Mesmo o palácio sendo tão antigo quanto o tempo havia modernidade nos janelões de vidro e no aquecedor que parecia fora de contexto com a lareira acessa.

- É lindo — Louise respirou.

- Há roupas no armário. Adequadas ao clima que foram separadas para sua estadia... — Catherine apontou. — Descanse hoje. Mais tarde você vem jantar comigo!

- Certo!

- Amanhã começamos.

- Começamos?

- Seu treinamento. Para ser princesa de Cristal. — Catherine sorriu. — Vai ser intenso. Mas também divertido. Prometo.

Quando ficou sozinha, Louise sentou-se na cama e olhou pela janela. O mar estava lá, como uma promessa. Sentia um pouco de medo também.

- Você consegue — murmurou para si mesma. — Vallieres não desistem.

Mas pela primeira vez, acrescentou:

- E Vallieres também podem chorar. Podem sentir. Podem ser humanas.

Catherine fechou a porta silenciosamente e desceu o corredor, os passos abafados pelo tapete grosso. O palácio estava mais quieto do que o habitual, como se a tempestade iminente tivesse ensinado até as pedras a respeitar o silêncio.

Mas, em vez de seguir direto para seus aposentos, fez uma pausa na janela do final do corredor, observando o mar escuro. Foi então que ouviu vozes baixas, quase sussurradas vindas do nicho uma das alas frequentadas por funcionários.

- ...ela está bem? — a voz de Cedric estava mais suave do que o habitual. Catherine estranhou.

- Está. Cansada, mas vai superar. Ela é forte! Cresceu assim... — Margo, a dama de companhia de Louise, respondia com um tom de carinho. — Ela chorou no mar. Acho que precisava.

- O príncipe viu. Ficou preocupado.

- Sério? Como você soube? — houve um tilintar de xícara. — O príncipe Liam se preocupa com ela?

- Sei de tudo que acontece no palácio, ele quis saber tudo o que havia sido descoberto sobre o que aconteceu em Ametista. — Cedric hesitou. — E pediu para ninguém contar que ele a viu.

- Ele é bom. — Margo suspirou. — Diferente do outro.

- Você não precisa me convencer. — a voz de Cedric baixou ainda mais.

- Já percebi que o norte é diferente. E as pessoas também. — confessou ela.

Silêncio. Depois, o som de passos, não de afastamento, mas de aproximação.

- Senhorita Margo...

- Senhor Cedric, não podemos. — a voz dela era séria, mas trêmula. — Ela precisa de mim agora. E você... você tem suas obrigações.

- Eu sei. — o tom dele era resignado. — Mas só queria saber se você está bem. Se está se adaptando.

- Estou. Eu escolhi acompanhar Louise — houve uma pausa. — E você?

- Estou... melhor, quando você está por perto.

Outro silêncio, mais longo. Catherine, que não queria ser vista espionando, afastou-se silenciosamente. Então o sério e inatingível Cedric estava interessado na dama de companhia de Louise. Pelo jeito a viagem ao sul tinha trazido muitas novidades.

No nicho, Cedric e Margo permaneceram lado a lado, sem se tocar, mas próximos demais para serem apenas colegas.

- Amanhã começa o treinamento dela — Margo disse, mudando de assunto.

- Sei. O príncipe quer que ela se sinta em casa. A princesa Catherine que vai treiná-la, apesar de ser um pouco estranho, já que as duas tem quase a mesma idade.

- Ela vai se adaptar. Ela não tinha amigas da mesma idade em Ametista — Margo olhou para ele, um sorriso tímido nos lábios. — Nós vamos ajudar.

- Nós? — Cedric ergueu uma sobrancelha.

- Nós. — Ela repetiu, e havia algo naquela palavra que ia além do dever. — Até amanhã, senhor Cedric.

- Até amanhã, Senhorita Margo.

Ela se afastou primeiro. Ele ficou, observando-a partir, com a xícara de café esfriando em suas mãos.

No corredor, Catherine já havia desaparecido, ela não conseguiu deixar de pensar no que ouvira.

- O norte realmente muda as pessoas — murmurou, com um sorriso.

Ao chegar próximo a entrada principal do palácio, uma figura alta recostava-se à parede de pedra. Gus estava lá, os braços cruzados sobre o peito, o uniforme impecável, o olhar fixo nela.

- Espionando? — Catherine provocou, aproximando-se.

- Protegendo. — ele não se moveu, mas seus olhos acompanharam cada passo dela. — O príncipe pediu que eu verificasse a segurança dos aposentos da visita.

- E já verificou?

- Verifiquei. Tudo em ordem. — ele desencostou-se da parede, caminhando ao lado dela. — Como ela está?

- Cansada. Assustada. De coração partido. — Catherine suspirou. — Como qualquer um estaria depois do que passou.

- E a princesa acha que ela vai se recuperar?

Catherine parou, olhando para ele com uma sobrancelha erguida.

- Desde quando você se importa com convidados?

Gus manteve a expressão neutra, mas havia algo em seus olhos, uma suavidade rara, que ele reservava apenas para ela.

- Importo-me com o que importa para a princesa. — a voz era baixa, quase íntima. — E ela parece importar-se com a visita.

Catherine sentiu o rosto aquecer, mas não desviou o olhar.

- Ela é diferente, Gus. Das pessoas que vêm ao palácio. Das nobres sulistas que só querem festas e títulos. — Catherine retomou a caminhada, e Gus a acompanhou. — Ela chorou no mar. Sozinha. Como se ninguém tivesse permissão para ver. E depois se levantou, enxugou o rosto, e veio comigo com a cabeça erguida.

- Isso é... admirável.

- É. — Catherine parou novamente, agora diante de uma janela que dava para o mar escuro.

- Príncipe Liam ficou comovido. Eu vi o olhar dele quando a observou do mirante. — Gus deu a informação a Catherine.

- O Liam se comoveu? Que inesperado! — Catherine virou-se para Gus, os olhos brilhando com uma mistura de esperança e diversão. — Acho que meu irmão finalmente vai aprender o que é sentir alguma coisa além de números e deveres.

- E a princesa? — Gus perguntou, com um tom que ia além da formalidade. — Já aprendeu?

O silêncio entre eles foi breve, mas carregado. Catherine sustentou seu olhar.

- Ainda estou aprendendo. — ela tocou o peito dele com a ponta dos dedos, um gesto rápido, quase imperceptível. — Mas estou mais perto do que imaginei.

Gus prendeu a respiração. Por um momento, pareceu que ia dizer algo. Mas Catherine já se afastava, o sorriso nos lábios.

- Vamos. A noite está fria. E amanhã temos muito trabalho.

- Sempre temos. — Gus a seguiu, mas agora seus passos estavam mais próximos, o silêncio entre eles mais confortável.

Catherine não olhou para trás, mas sentiu sua presença como um calor nas costas.

- Gus? — chamou, quando já estavam perto da escada.

- Princesa?

- Obrigada. Por verificar a segurança.

- É meu trabalho.

- Eu sei. — ela subiu os primeiros degraus, depois parou, olhando para baixo. — Mas não é só por isso que você faz.

Gus não respondeu. Mas quando ela continuou subindo, ele ficou ali, imóvel, observando-a desaparecer no corredor.

E, permitiu-se sorrir.

Naquela noite... Horas depois, quando o palácio já dormia, Liam ainda estava em seu escritório. Não conseguia se concentrar nos relatórios. A imagem de Louise ajoelhada na areia, chorando sozinha, não saía de sua mente.

- Cedric — chamou, pelo interfone.

- Alteza? Ainda acordado?

- Ela está bem?

- A senhorita Valliere? Sim, alteza. Jantou com a princesa Catherine e foi descansar.

- Ela perguntou por mim?

- Não, alteza. — Cedric hesitou. — A senhorita Valliere pareceu... cansada. Mas bem.

Liam desligou o interfone e levantou-se. Foi até a janela. O mar estava escuro, mas lá longe, as ondas batiam nas rochas com o mesmo rugido de sempre. Tudo parecia igual, mas ao mesmo tempo tão diferente.

— Louise Valliere — murmurou novamente o nome que ele tanto gostava de dizer.

Liam fez uma promessa silenciosa a si mesmo: faria de tudo para que ela nunca mais precisasse chorar sozinha...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.