Herança de Cinzas

13 A Marca do Guardião


POV TOBIAS

Uma semana antes do torneio

Já faz sete dias que não a vejo. Sete dias sem seus olhos desafiadores ou seu sorriso que, mesmo quando não é para mim, me mantém preso a ela. Mas, mesmo assim, não deixei de estar presente em sua vida.

Durante todos esses dias, ordenei que um dos meus funcionários enviasse caixas de peças e instruções sobre o projeto para ela.

Eu sabia que, por mais que Ártemis fizesse o possível para me manter ocupado, tentando me impedir de pensar nela, nada conseguir fazer isso. Porque Luna é minha única motivação para continuar de pé.

Depois que peguei Ártemis no acampamento, caímos na estrada rumo a um destino que não visitava há muito tempo: Atenas. Minha mente se perde por um instante, relembrando a primeira vez que pisei na cidade do conhecimento.

Tinha apenas sete anos quando Ártemis me levou até lá. Foi logo após receber a marca que me tornaria guardião de Luna. Naquela viagem, minha mãe apenas me apresentou à cidade e às pessoas que seriam fundamentais para meu treinamento.

Depois disso, voltamos frequentemente. Todos os finais de semana, Ártemis me levava para lá.

O trajeto era exaustivo, e como gastávamos horas viajando do acampamento até a Grécia, a primeira coisa que ela me ensinou foi a usar um portal. Dessa forma, não precisaríamos viajar por dias.

Bastava algumas horas de carro até o parque Upper Canada Village, às margens do Rio São Lourenço, na fronteira do Canadá com os Estados Unidos, e então usar o portal escondido ali.

Foi assim que minha vida se transformou. Durante onze anos, minha rotina se resumiu a duas coisas: treinar até perder as forças e estudar a pequena Luna.

Sempre que eu aprendia algo, Ártemis me fazia treinar até ser o melhor que ela já havia conhecido naquilo. E mesmo depois de atingir a perfeição, ela ainda insistia que eu podia melhorar.

Ela me ensinou a caçar como um verdadeiro predador, rastrear alguém na floresta com a precisão de quem enxerga pegadas invisíveis, e a ser completamente furtivo, desaparecendo como um fantasma quando necessário. Sob sua tutela, aprendi a mentir, enganar, sobreviver sem deixar rastros e a me tornar parte do ambiente sem ser percebido. Além disso, tornei-me hábil em escalar, correr e, se preciso, matar sem hesitação, dominando cada técnica como se fossem instintos naturais.

Conheci Ares, o deus da guerra e das batalhas, e treinei com ele até que ele admitisse que eu não tinha mais nada para aprender. Mas, acima de tudo…

Ártemis me ensinou como é ter uma família.

Mesmo contra a vontade de Zeus, nos últimos cinco anos do meu treinamento, Ártemis sempre dava um jeito de me fazer encontrar Posseidon, meu pai. Ele não era como eu imaginava.

Posseidon me ensinou tudo sobre a água, desde a habilidade mais simples—como manipular um córrego—até as técnicas mais avançadas, como usar a água para me curar.

Ele nunca hesitou em compartilhar seu conhecimento comigo. Por isso, durante cinco anos, aprendi a me tornar uma extensão da própria água, o que me tornaria a última linha de defesa de Luna caso tudo desse errado.

Quando completei dezoito anos, Ártemis finalizou meu treinamento. Passamos a treinar apenas na floresta ao redor do acampamento, e desde então nunca mais vi meu pai.

Também nunca voltei a Atenas. Mas agora, depois de tanto tempo, estamos voltando.

O silêncio de Ártemis durante todo o trajeto não me escapa. Quando chegamos ao portal, ela não fala nada. Quando atravessamos para Atenas, ela continua calada.

Fizemos todo o percurso até o topo da montanha onde costumávamos treinar, e ainda assim ela não disse uma única palavra. Mas quando nos aproximamos do rio, ao lado da casa onde guardamos nossas coisas…

Eu finalmente entendo o motivo do silêncio dela.

Meu peito vacila. Minha respiração oscila por um segundo.

— Pai?!

Minha voz escapa antes que eu possa processar. Caminho rápido na direção dele. Ele está sentado em uma pedra na margem do rio, observando as águas correntes. Quando ele me olha, seu sorriso cresce automaticamente.

— Vejam só como você cresceu!

Ele salta da pedra, sua postura relaxada.

— Já está um homem!

Seu abraço é firme, e por um instante, eu me esqueço do peso da responsabilidade que Ártemis colocou em mim durante todos esses anos.

Quase sou apenas um filho, mas o momento não dura muito. Quando ele me solta, solto uma risada e disparo a provocação habitual.

— Não posso dizer o mesmo do senhor, continua o mesmo coroa!

O tapa na minha cabeça vem instantaneamente, e eu rio ainda mais. Mas então, minha expressão se fecha.

— Como você conseguiu escapar do olhar atento de Zeus?

Ele sorri, como se a resposta fosse óbvia.

— Digamos que sua mãe sempre consegue dar um jeitinho de enganar o senhor todo poderoso.

Ele pisca para mim.

— Vulgo seu tio.

Meu peito pesa minimamente. Ele não deveria estar aqui. Mas Ártemis fez questão de trazê-lo.

Por quê?

Poseidon suspira profundamente, e então seu tom se torna sério.

— Adoraria colocar todo o papo desses últimos cinco anos em dia, mas temos pouco tempo e muito o que aprender.

Minhas sobrancelhas se franzem.

— Achei que já tivesse me ensinado tudo.

Caminho para a cabana, pronto para guardar nossas coisas, mas ele me acompanha.

— Tudo o que era necessário para proteger Luna.

Ele faz uma pausa, seu tom agora carregado de um peso maior.

— Mas temos que contar com a possibilidade de ela se machucar.

Ele me encara diretamente.

— E, nesse caso, você vai aprender a curá-la.

O significado das palavras me atinge com força inesperada. E então…

Ártemis sorri. Mas não um sorriso qualquer. Seu olhar carrega algo cruel, impiedoso, determinado.

— Exatamente.

Seus olhos brilham com antecipação.

— Além do fato de que teremos que elevar as suas habilidades a níveis além do perfeito!

Eu expiro pesadamente, meu corpo preparando-se para o que está por vir.

Depois disso, não houve mais tempo para conversas. Foi apenas treino. E mais treino. E ainda mais treino.

Quando a quinta-feira chegou, pedi a todos os deuses que não permitissem que eu tivesse que usar as técnicas que aprendi nesses dias.

Agora, estamos arrumando nossas coisas, guardando tudo nas bolsas para voltar ao acampamento. Já está quase anoitecendo, o que significa que vamos chegar pouco antes dos primeiros raios de sol da sexta-feira.

A tempo da primeira tarefa.

Termino de ajeitar minha mochila e saio da casa, indo até o rio para me despedir do meu pai. Ele está sentado na mesma pedra de antes, mas dessa vez de frente para a água, observando a correnteza.

Me aproximo e me sento ao seu lado, sem dizer nada. Por um instante, apenas acompanhamos o fluxo do rio, em silêncio. Até que ele quebra o momento.

— Como está Kaique?

Seu tom não é acusador, mas me faz soltar um grunhido de desgosto.

— Não me diga que vocês ainda estão sem se falar?

Ele me encara, esperando minha resposta. Respiro fundo.

— Digamos que nossa relação se tornou… um tanto quanto mais complicada depois que Luna passou a sair do acampamento.

Poseidon assente, como se compreendesse perfeitamente.

— Entendo.

Por um momento, penso que ele vai aprofundar o assunto, mas então ele sorri de leve e diz algo completamente inesperado.

— Diga a ele que mandei lembranças.

Minha expressão se fecha. Ele realmente não ouviu nada do que acabei de dizer?

Mas antes que eu possa contestar, voltamos a ficar em silêncio. Meu olhar retorna ao rio. A correnteza é tranquila, mas minha mente não está. Então, finalmente pergunto.

— Pai?

— Sim.

Minha voz vem baixa, carregada de um sentimento que não sentia há muito tempo.

Medo.

— Vai doer?

Ele não me olha de imediato. Seus olhos permanecem fixos na água, antes de finalmente responder.

— Depende do quanto você quiser curá-la.

Sua voz é firme, mas há um peso oculto em suas palavras.

— Às vezes, o desespero nos atinge em níveis inimagináveis, e quando encontramos uma forma de resolver a situação que nos causou tal aflição…

Ele me encara pela primeira vez.

— A dor e o medo se tornam apenas detalhes.

Minhas mãos se fecham sobre minhas pernas, absorvendo seu significado.

— É a primeira vez que ensino essa técnica para alguém.

Ele solta um suspiro leve, mas carrega um brilho orgulhoso nos olhos.

— E você aprendeu com maestria, o que já era de se esperar.

Durante os últimos dias, ele me ensinou a usar a água para curar outra pessoa. Mas deixou claro que essa técnica não pode ser usada levianamente. A água, por si só, não tem poder de cura. Ela é apenas um condutor.

O que realmente acontece é que uma parte da minha energia vital é transferida para a outra pessoa através da água. E, se algo der errado no processo… posso ser drenado completamente.

Engulo seco antes de perguntar:

— Quando vou lhe ver de novo?

Poseidon solta uma risada leve e coça a barba rala.

— Isso vai depender de quando sua mãe resolver me ajudar novamente.

Seu tom se torna despreocupado, mas percebo a sombra oculta em sua voz.

— Digamos que ela ainda está um pouco ressentida pela nossa última discussão.

Meu olhar se fixa nele por um momento. Porque eu sei exatamente do que ele está falando. Desde que me encontrou, Ártemis cuidou de mim como um filho. Ela foi minha mãe. Mas, quando comecei a ter contato com Poseidon, algo mudou.

Ela também se aproximou bastante dele. E eu tenho quase certeza de que algo aconteceu entre os dois. Mesmo que nunca admitam.

Mas no último dia do meu treinamento, eles discutiram feio. E mesmo que meu pai tenha tentado de tudo para que ela o perdoasse…

Ela ainda guarda ressentimento. Ártemis surge atrás de nós, sua voz interrompendo meus pensamentos.

— Vamos?

Me levanto, sentindo o peso da despedida.

— Claro.

Posseidon me acompanha enquanto descemos da pedra.

— Obrigado pela surpresa. Foi incrível poder revê-lo.

Ele sorri genuinamente antes de me envolver em um abraço forte.

— Não tem de quê.

Seu tom carrega algo mais profundo, algo que não precisa de palavras.

— Estava com saudade de você.

Permaneço ali por mais alguns segundos, até que Ártemis pigarreia, chamando nossa atenção. Posseidon solta um riso de pura provocação.

— Não fique com ciúmes, querida. Você também faz parte dessa família.

Ele estende o braço e puxa Ártemis para o abraço, e no início, ela resiste. Mas então, finalmente, cede. Seu toque não é hesitante. Ela nos abraça completamente. E, por um instante, sou apenas um filho cercado pela minha família.

Fecho os olhos, absorvendo o momento.

— Eu amo vocês.

Minha voz é baixa, mas carregada de tudo que não consigo colocar em palavras.

Posseidon sorri.

— Nós também te amamos muito, meu garoto.

Seu tom é orgulhoso.

— Tenha cuidado e volte para nós no domingo.

Ele beija minha testa, e eu sorrio levemente.

— Pode deixar.

Então, ele começa a caminhar para o rio. E no instante em que a água cobre sua cintura, um feixe de luz dourada desce do céu, levando-o de volta ao Olimpo.

Ártemis solta um suspiro antes de falar:

— Hora de voltar para a realidade, garoto.

E então, voltamos para a cidade.


****


Durante todo o percurso de volta ao acampamento, Ártemis dirige em silêncio. Mas seu desconforto fica evidente pelo modo como aperta o volante. Não preciso perguntar o motivo, porque eu sei que, no fundo, ela só está tentando ignorar o fato de que ele ainda mexe com ela.

Assim que chegamos ao acampamento, Ártemis se afastou rapidamente, indo se juntar ao conselho, que já seguia para o local onde seria anunciada a primeira tarefa.

Eu, por outro lado, não me importei com o conselho ou com a competição. Havia apenas uma pessoa que eu precisava encontrar. Caminhei direto para os semideuses, meus olhos varrendo cada rosto na multidão. Até que finalmente a encontrei.

Luna.

Me aproximei em silêncio, parando diante dela, de cabeça baixa. Não disse nada. Não precisava. Só queria sentir sua presença e ter certeza de que ela estava bem.

Depois de alguns segundos, levantei o rosto, encontrando seus olhos. Eles sempre foram intensos, vibrantes, desafiadores. Mas agora…

Agora que sei que eles são assim por minha causa, consigo achá-los ainda mais lindos. Desvio o olhar antes que fique evidente demais o que estou pensando. E então vejo Kaique.

O paspalho.

Ele a puxa para perto dele, como se fosse direito dele protegê-la. Luna o encara, e eu aproveito a deixa para me misturar na multidão.

Quando a primeira prova é anunciada, sei exatamente para onde ir, mas minha missão aqui não é ganhar.

Minha missão é protegê-la.

Entro na floresta, apenas o suficiente para me esconder, observando Luna e o paspalho. Ela é esperta. Enquanto todos disparam para caminhos aleatórios, ela espera.

E só depois de analisar o movimento do grupo, começa a caminhar calmamente na direção da cachoeira. Espero que eles estejam longe o suficiente antes de começar a segui-los, mantendo uma distância segura.

Me concentro até no menor ruído, garantindo que não seja notado. Quando já estão perto da cachoeira, corro antes deles, passando na frente sem que me vejam. Verifico todo o caminho à frente, me certificando de que está seguro.

E então, vou direto para o destino da prova. Sou o primeiro a chegar. Me dou ao luxo de conversar um pouco com a ninfa Lucina, garantindo que tudo esteja certo antes da chegada de Luna.

Mas, quando ela finalmente aparece, meu objetivo está cumprido. Ela está bem. Recebo minha recompensa, e então saio da cachoeira, sumindo novamente na floresta.

Espero até que eles se afastem, e então sigo-os novamente, mantendo a estratégia. Quando estamos perto o suficiente do acampamento, passo na frente e chego antes deles. Falo com Thoth, e ele transforma meu pingente em uma pulseira.

Vou direto para a tenda dos semideuses, escolhendo o primeiro quarto disponível. Retiro os sapatos e a camisa, trocando minha calça molhada por outra seca, azul-claro. Me deito no pequeno colchonete, encarando o teto, ouvindo o som da movimentação ao redor.

Quando eles entram na tenda, permaneço atento. A conversa deles é banal, mas sigo escutando. Até que Kaique sai, deixando Luna sozinha para descansar.

Espero alguns minutos, e então me levanto. Me dirijo ao quarto dela, ao lado do meu.

Thoth deixou bem claro que eu deveria me manter afastado dela, mas eu não concordo com isso. Sei que, em algum momento, vou precisar me aproximar.

E preciso que ela aceite minha presença. A melhor forma de conseguir isso é falar com ela. Resolver as coisas.

Mas, quando entro…

Ela está dormindo.

Puxo uma cadeira e me sento ao lado da cama, apenas observando-a. Fico assim por cerca de meia hora, esperando. Até que finalmente, ela acorda.

Seus olhos se arregalam ao me ver, e ela se levanta abruptamente, assustada.

Meu corpo tensiona na mesma hora.

Porque Zeus sabe o quanto me controlei para não avançar sobre ela naquele instante. Ela está apenas com uma minúscula lingerie azul-escuro, que realça ainda mais sua pele clara. Mas não é isso que me faz prender a respiração.

É o que vejo em seus olhos.

Dor.

Eu a magoei de verdade. Mais do que imaginei que faria. Mais do que esperava.

E sei que a única forma de me aproximar novamente dela é sendo honesto. Nos últimos anos, aprendi muito sobre ela, mesmo sem estar diretamente ao seu lado.

E uma coisa é evidente: Luna odeia que escondam algo dela.

E odeia ainda mais que mintam para ela. Então, eu abro o jogo. Revelo tudo o que posso contar.

Cada palavra é um fragmento da verdade, exposto sem filtros.

E quando acabo de falar… Ela desaba.

Minha reação é imediata. A seguro, conduzindo-a para a cama. Me deito, puxando-a para o meu peito, sem hesitar.

Ela não resiste.

Só precisa de um porto seguro, e eu me recuso a deixá-la cair. Minhas mãos deslizam pelo seu cabelo, fazendo carinho até que adormeça.

Quando finalmente vejo sua respiração tranquila, aproveito um pouco mais o momento. E então, sem perceber, também pego no sono.

Sou acordado pelo movimento dela. Luna me balança, seus olhos agitados enquanto pede que eu saia do seu quarto.

Não demora para que eu entenda a situação. Meu irmão entrou e nos viu juntos. E Luna, como a boa amiga que é, sente a necessidade absurda de ir atrás dele para se explicar.

Eu reviro os olhos, mas não discuto. Dou-lhe um último beijo, segurando sua mandíbula suavemente.

Meus olhos seguram os dela por um segundo. E então prometo:

— Vou fazer de tudo para te ter só para mim.

Ela não responde, mas vejo o brilho oculto em seus olhos.

Então, saio do quarto.

Volto para o meu cômodo, terminando de me arrumar e organizando minhas coisas para a próxima prova. Saio da tenda e fico esperando o anúncio.

Assim que o canhão dispara, todos começam a correr para o labirinto. E eu não sou uma exceção. Mas, desta vez, não vou seguir a Deusa.

Quem está atrás dela sabe que eu a estou vigiando. E por isso, não ousou tentar nada. Então, decidi me afastar.

Deixaria Kaique cuidar dela dentro do labirinto. Conversei com ele, e decidimos que eu chegaria à sala dos tronos primeiro e esperaria por eles. Kaique faria sua parte, garantindo que ela estivesse segura durante o trajeto.

Tudo estava indo perfeitamente bem. Eu cheguei à sala dos tronos antes dos outros e esperei.

Mas então…

A primeira fisgada veio. Minha mão foi automaticamente para minha coxa. A dor é intensa, mas quando examino a pele, não há ferimento algum.

Então, eu sei imediatamente o que aconteceu. A dor não é minha. É dela.

Luna se machucou.

E de alguma forma, conseguiu me passar a dor. Isso sempre aconteceu, desde que recebi a marca.

Mas agora…

Agora é diferente. Antes, eu apenas sentia quando ela havia se ferido—como na noite em que foi atacada pela criança da noite em frente à cafeteria.

Mas agora…

Agora eu sinto exatamente o que ela sente. Me levanto rapidamente, meus olhos correndo pela sala.

Observo todas as entradas, tentando encontrá-la. Mas, antes que eu possa agir, vejo Kaique correndo para a sala.

E ele está sozinho.

Minha voz dispara, carregada de raiva.

— Cadê ela?!

Meu corpo já se aproxima dele, exigindo uma resposta. Kaique para ofegante, sua expressão pesada.

— Nós nos separamos, não sei dizer como ela está.

Meu peito se aperta. Meu controle se desfaz completamente. Antes que eu possa pensar, agarro ele pelo pescoço. Minha vontade de acabar com ele é imediata.

Mas, no último instante, me contenho.

Então, simplesmente o empurro, jogando-o para o trono de Posseidon. Seu corpo cai no assento, e ele desaparece, teletransportado de volta ao acampamento.

Meu tom é seco antes de ele sumir.

— Nos vemos no acampamento.

Ficar sem notícias dela vai ser pior do que qualquer surra que eu poderia dar nele.

Minha mente trabalha freneticamente. Cogito voltar para o labirinto, mas antes que possa decidir… Eu a vejo.

Luna entra correndo na sala dos tronos. Ela está carregando alguém nos braços.

Meu peito treme.

Corro em sua direção, sem hesitar. Ela desaba no chão assim que chega à entrada da sala. Minhas mãos estão prontas para segurá-la, mas seu foco não está em si mesma.

Ela tenta reanimar o corpo que agora reconheço.

Kelvia.

Luna tenta levantar seu corpo, mas eu a impeço com um olhar firme. Seguro Kelvia antes dela e a carrego até o trono de Afrodite.

Assim que ela toca o assento, seu corpo desaparece, retornando ao acampamento. Luna continua ofegante, e sem hesitar, me viro para ela.

— Agora é sua vez.

Seus olhos estão nublados, exaustos. Ela avança lentamente para os tronos, mas quando ela finalmente se senta no seu…

Algo está errado. A luz é diferente. O brilho não é comum. Meu coração afunda. Algo não está certo.

Sem pensar duas vezes, corro para o meu trono. Em questão de segundos, sou transportado de volta ao acampamento.

Assim que chego, começo a procurar por ela, mas não a encontro. Meu peito aperta. Meu corpo se move automaticamente. Não perco tempo e invado a tenda do conselho.

— Temos um problema!

Apollo levanta os olhos, sua expressão cheia de desgosto.

— Concordo. Sua falta de educação é um grande incômodo.

Meu olhar se estreita imediatamente.

— E você é um fracassado.

Ignoro ele completamente e me dirijo a quem realmente importa. Meus olhos encontram Thoth.

— Ela já deveria estar aqui. O trono a mandou para outro lugar.

Apollo começa a reclamar, Dionísio solta um "eu avisei que era uma péssima ideia", e então todos começam a falar ao mesmo tempo.

Não consigo entender nada. Até que uma única voz corta o caos.

— CALADOS!

Thoth se ergue, seu tom afundando o cômodo em silêncio absoluto. Ele me encara diretamente.

— O que aconteceu?

Minha explicação é rápida e precisa, expondo minha suspeita. Quando termino, Thoth solta um suspiro lento, cruzando os braços.

— Não podemos fazer nada. Apenas esperar que ela consiga voltar para o acampamento.

Minha expressão se fecha completamente.

— O quê?!

Minha voz cresce em incredulidade.

— Então nós vamos apenas sentar e esperar que ela apareça? Isso, é claro, SE ela aparecer!

Friso o "se", e o impacto é imediato. O conselho fica em silêncio por um instante, até que Dionísio fala.

— Mas você pode encontrá-la.

Seu olhar se mantém firme em mim.

— Se ela ainda estiver na floresta, você pode conseguir rastreá-la, não é?

Minha mandíbula trava.

— Eu já pensei nisso, mas ela está machucada. — Minha voz vem pesada. — E está perdendo muito sangue.

Solto um suspiro baixo, tentando controlar o peso da situação.

— Eu mal consigo senti-la. — Minha voz treme minimamente. — Só sei que ela ainda está viva porque eu também estou.

Ártemis intervém.

— E as ninfas? — Ela olha diretamente para Apollo. — Elas podem sentir a presença dela.

Apollo sacode a cabeça imediatamente.

— Elas não vão ajudar. As ordens vieram do Olimpo. Elas não podem interferir de forma alguma nas provas enquanto o torneio estiver acontecendo.

O silêncio fica pesado. Até que uma única voz interrompe. Thoth se levanta, caminhando pelo cômodo.

— Mas a floresta pode.

Todos o observam imediatamente. Meu corpo tensiona.

— O que você tem em mente? — Minha voz vem afiada e ansiosa.

Thoth mantém sua expressão calculista, mas seu tom é certeiro.

— Luna é esperta. Assim que perceber que não está no acampamento, vai tentar se orientar para chegar até aqui.

Ele cruza os braços, analisando as possibilidades.

— Provavelmente, vai usar instrumentos de orientação básica—os ventos e as constelações.

Dionísio sacode a cabeça, pensativo.

— Podemos fazer as constelações brilharem mais, facilitando sua visibilidade. — Ele solta um pequeno sorriso cínico, como se soubesse algo que os outros não sabem. — E podemos tornar os ventos mais intensos. Embora ela sempre tenha sido péssima ao se orientar através deles.

Apollo não se convence tão facilmente.

— Isso se ela estiver mesmo na floresta.

Ártemis ergue uma sobrancelha, sua postura firme.

— Nenhuma magia conseguiria romper os limites da floresta. — Seu tom é absoluto. — Apenas Zeus poderia derrubar as barreiras e permitir um portal dentro da área.

Apollo não hesita.

— E ainda temos que pensar no fato de que a floresta não é confiável. — Ele cruza os braços, como se isso finalizasse a discussão. — Pode guiá-la para outro caminho.

Mas Dionísio rebate imediatamente.

— As constelações não enganam.

Thoth assente, sua voz sem hesitação.

— Exatamente.

Então, ele dá sua ordem.

— Mãos à obra.

Seguimos para dentro da mata. Eu me concentro, tentando sentir Luna. Mas sua energia parece fraca. E então, sem aviso—Sinto um impacto avassalador.

Minha respiração falha, e uma dor insuportável atravessa minhas costelas. Meu corpo perde o fôlego, e caio de joelhos, tentando recuperar o controle. Minhas mãos pressionam o solo, meu coração disparado.

Ártemis corre até mim, sua voz carregada de urgência.

— Tobias! O que foi? O que você está sentindo?!

Minha voz vem fraca, cortada pela dor.

— Eu... Lu— Luna...

Tento falar, mas algo está errado. Meus pensamentos começam a se desordenar. De alguma forma, os pensamentos dela estão interferindo nos meus.

Ártemis me segura, seu toque firme.

— O que tem ela, Tobias?

Antes que eu possa responder, Apollo se antecipa, seu olhar afiado.

— Ela se machucou, não foi?

Minhas mãos apertam o solo, e apenas assinto com a cabeça. O olhar de Apollo se fecha.

— A ligação deles já saiu do controle. — Ele respira fundo, passando as mãos pelos cabelos de forma nervosa. — Ele já consegue sentir as dores dela.

Suas palavras saem afiadas.

— Se continuar assim, tudo que fizemos até agora terá sido em vão.

Dionísio não perde tempo.

— Eu sei que isso é preocupante, Apollo, mas nossa prioridade no momento é outra.

Há uma repreensão sutil na sua voz. O conselho fica em silêncio por um momento. Eu finalmente recupero parte do fôlego e me levanto, com a ajuda de Ártemis.

Mas mal consigo ficar de pé antes de sentir uma segunda onda de dor. Minha mente fica confusa novamente.

E então…

De repente, tudo se acalma. Isso me preocupa. Minha voz vem baixa, mas chama a atenção de todos.

— Eu... — Engulo seco. — Eu acho que ela desmaiou.

Thoth tensiona a mandíbula, e sua calma quase se desfaz.

— Como assim?

Respiro fundo, tentando colocar em palavras o que sinto.

— O que Apollo falou é verdade.

Minhas mãos apertam os lados da minha cabeça.

— Nos últimos dias, tenho sentido nossa ligação diferente. — Minhas palavras se tornam calculadas. — É como se ela fosse um cabo de energia e estivesse recebendo uma sobrecarga continuamente, tornando tudo mais intenso.

Meu olhar corre para Thoth, e vejo a preocupação crescer nos rostos ao redor.

— Um sinal disso é que consigo perceber os pensamentos dela dentro da minha cabeça. — Meus ombros se contraem. — Não é como se eu conseguisse saber exatamente o que ela está pensando…

Solto um suspiro.

— Mas consigo sentir quando sua mente está confusa. Ou quando está tranquila.

Dionísio assente, seu tom interessado.

— Continue.

Minha respiração oscila, mas mantenho minha clareza.

— Assim que senti a primeira dor, minha mente estava uma confusão completa. — Meus dedos passam pela lateral da minha cabeça. — Mas logo depois da segunda pontada…

Faço uma pausa.

— Tudo ficou calmo.

Meus olhos encontram Thoth diretamente.

— O que me leva a crer que ela possa ter desmaiado.

O ambiente fica em silêncio absoluto. Cada um perdido em seus próprios pensamentos. Estou prestes a perguntar se não vão fazer nada quando minha mente volta a ficar confusa.

Mas, dessa vez… Duas palavras se sobressaem e se tornam nítidas.

"Vento" e "glamour".

Começo a correr para o quadrante, mas não encontro ela. Minha mente se afunda ainda mais na conexão, e percebo que ela continua correndo. Mas seus pensamentos…

Estão confusos.

Ela não sabe para onde está indo. Minha voz explode no ar.

— Ela não está nos vendo, mas consegue sentir os ventos!

Apollo me encara, desconfiado.

— Como você sabe disso?

Respiro fundo, minha resposta imediata.

— Eu não sei explicar. Apenas sei.

Meu olhar se volta para Thoth, esperando que ele acredite em mim. E então, sem hesitação, ele age.

— Aumente a intensidade dos ventos, Apollo.

Meus ombros relaxam minimamente, e sorrio em agradecimento. Thoth não hesita.

— Vamos voltar para a entrada do acampamento.

Ele ajusta a postura, sua voz firme.

— De lá, teremos uma visão melhor para vê-la chegando.

Todos concordam com o plano, e começamos a caminhar rapidamente para a entrada do acampamento, onde estão montadas as estruturas do torneio.

Meu corpo segue tenso, e mesmo agora, ainda sinto vestígios das dores de Luna. Isso me incomoda profundamente.

Ártemis chega com Kaique, que passa por mim sem hesitar e se posiciona ao lado de Thoth.

E então…

Eu sinto.

Minha mente dispara um alerta no mesmo instante em que Luna atravessa a barreira do glamour. Meu olhar se ergue, e a vejo caminhando mais rápido na nossa direção.

Mas seus passos estão falhando.

Ela vai cair.

Não penso.

Não hesito.

Eu corro até ela.

— Luna!

Ela está prestes a desmoronar, e no segundo exato em que seu corpo cede, eu a seguro. Seus olhos me encontram por um instante, e um sorriso fraco toca seus lábios.

— O que eu perdi?

Ela tenta manter a consciência, mas seu corpo não aguenta mais. Antes que eu possa responder… Ela desmaia em meus braços. Minha mente dispara em urgência, e minha voz explode para Kaique.

— KAIQUE! — Seguro Luna mais firme, meu tom afiado. — O lago mais próximo, onde?!

Sua respiração vem falha, mas ele não hesita.

— Alguns metros ao sul daqui. — Ele já começa a me acompanhar. — O que ela tem?!

Minha mandíbula trava.

— Ela está muito machucada. — Me viro para Thoth, minha voz firme e determinada. — Volte para o acampamento e resolva tudo.

Minha cabeça se inclina levemente na direção do grupo de semideuses observando a cena.

— Estaremos de volta antes da próxima prova. — Meu tom não permite questionamentos. — Procurem quem colocou esse encanto no labirinto e aqui.

Me viro para Kaique.

— E você! — Minha voz é afiada. — Vem comigo.

Estou prestes a seguir para o lago, quando paro de repente. Minha mãe me chama. Seu olhar é direto, mas não duro.

— Tome cuidado.

Ela não diz mais nada.

Porque ela sabe.

Porque eu sei.

Porque todos sabem.

— Você entende as consequências da sua decisão.

Minha resposta é mínima. Apenas balanço a cabeça e volto a andar.

Kaique me observa, sua expressão carregada de incerteza.

— O que você vai fazer?

Minha resposta vem automática.

— A energia vital da Luna não é só dela. É nossa.

Minhas mãos seguram seu corpo com força, protegendo-a mesmo agora.

— Ela passou por muita coisa.

Meu olhar se fecha, e minha voz desce um tom.

— E de alguma forma, essa energia está muito fraca.

Kaique continua me encarando, mas sua mente já está tentando entender. Eu não paro.

— Se não resolvermos isso agora, quando sua energia se esgotar, ela vai começar a drenar a minha.

O entendimento surge em sua expressão.

— Digamos que eu sou uma espécie de reserva de vida dela. — O choque passa por seu rosto, mas ele não interrompe. — Se alguma coisa tenta matá-la, acaba me matando no lugar dela.

Kaique solta um suspiro tenso.

— E o que acontece se você morrer?

Minha resposta é direta.

— Não sei ao certo. — Meu olhar continua afiado. — Mas sei que não será nada bom para ninguém.

Ele hesita, mas então engole em seco.

— Mas… mesmo você morrendo, ela ainda vai continuar sendo…?

Sua frase não se completa, não sei como ele ficou sabendo, mas eu sei exatamente ao que ele se refere.

Enquanto estava treinando, Poseidon me contou algo que mudou tudo. A existência de Luna implica em muito mais do que imaginamos. Existe uma profecia. E nela, Luna é a causadora do fim do Olimpo.

— Exatamente. — Minha voz vem fria. — O que deixa tudo muito mais complicado.

Kaique solta um suspiro baixo.

— E como vamos impedir isso?

Minha resposta é imediata.

— Akvo de Vivo.

Seus olhos se arregalam.

— A técnica da água da vida. — Ele solta uma risada descrente. — Mas apenas Poseidon sabe usá-la.

Eu olho para ele, meu rosto impassível.

— Não mais.

O entendimento explode em seu rosto.

— Ele te ensinou?! — Seu tom é quase uma acusação. — Espera aí! Você o viu? Quando?!

Eu não perco tempo explicando. Apenas respondo.

— Ele mandou lembranças.

Kaique continua tentando processar, mas então sua mente retorna ao momento.

— E por que você precisa de mim?

Solto um suspiro pesado.

— É preciso fazer uma câmara d’água. — Meu olhar é afiado. — Eu poderia muito bem fazer sozinho, mas a cada minuto que passa, Luna suga mais da minha energia.

Meu corpo já sente o impacto disso.

— Estou enfraquecendo.

Minha voz se mantém firme.

— Então preciso que você faça. O resto, pode deixar comigo.

Kaique não hesita mais.

— Entendi.

Chegamos ao lago. Minhas mãos não soltam Luna nem por um segundo. Quando paramos, minha voz vem certeira.

— Pode começar.

Me sento à beira do lago, observando enquanto ele executa o processo. Kaique cria a câmara, ajustando cada detalhe com precisão.

Quando ele termina, coloco Luna dentro dela, e então ele fecha completamente. Pequenas bolhas de oxigênio permanecem na estrutura, garantindo que ela possa respirar.

A câmara funciona como uma incubadora. Ela manterá Luna protegida, impedindo que seres do rio interfiram no processo. Suas paredes parecem flexíveis, mas na verdade são rígidas e impenetráveis.

Só as bolhas de oxigênio criadas por Kaique podem atravessar. Meu olhar se fixa nele.

Minha voz vem afiada.

— Mantenha as bolhas de oxigênio até o processo terminar. — Minha expressão é firme. — E sob hipótese alguma interrompa.

Kaique apenas assente, entendendo o peso da missão. E eu respiro fundo, preparando-me para o próximo passo.

Tiro os sapatos e a roupa, ficando apenas de cueca. Meu corpo já está exausto, mas não há tempo para hesitação.

Entro na água, sentindo o frio invadir minha pele. E então avanço, caminhando para o fundo do lago, levando a grande bolha d’água onde Luna está protegida.

Quanto mais afundo, menos consigo tocar o chão. Quando finalmente não há mais apoio sólido, mergulho por completo. Levo Luna comigo, seu corpo imóvel dentro da câmara de água.

E então…

Me concentro em tudo que meu pai me ensinou.

Fecho a mente, expulsando qualquer pensamento desnecessário.

O mundo ao meu redor desaparece, e tudo que importa agora é Luna. Crio pequenos canais na água, ligando-me à câmara onde ela está protegida.

Minha conexão com ela se fortalece, e então vejo o que está errado. Cada ferimento. Cada dano. Cada sinal de fraqueza em seu corpo. Ela lutou até onde pôde, mas o peso da batalha está destruindo suas forças.

Respiro profundamente, ignorando o impacto da água ao meu redor. E então começo a técnica de verdade. Me concentro nos lugares onde ela está ferida, e início o processo de cura.

Começo pelos ferimentos mais leves, restabelecendo sua pele, restaurando o que foi perdido. Depois avanço para os mais graves, sentindo o peso real da técnica.

No início… não dói.

Mas então… A dor vem em ondas.

Cada parte dela que curo, sinto como se estivesse sendo arrancada de mim.

Cada fibra muscular rasgada.

Cada fratura.

Cada respiração fraca que estabilizo.

É como se seu corpo estivesse sugando pedaços de mim. Porque é exatamente isso que está acontecendo. Minha força começa a vacilar, mas não paro.

Cada segundo que se passa, Luna se fortalece. Cada fragmento de minha energia que ela absorve, a aproxima da vida novamente.

E então…

Finalmente…

Termino.

Desmoronando

Meu corpo cede imediatamente. Volto para a superfície, trazendo a bolha comigo, mas não tenho forças para levá-la de volta à terra.

Minhas mãos tremem, minha mente vai se apagando aos poucos. Começo a caminhar para a margem…

Mas minhas pernas falham. E então eu caio.

Kaique corre na minha direção, sua expressão cheia de preocupação. Ele tenta me ajudar, mas eu dispenso sua ajuda. Minha voz vem fraca, mas determinada.

— Estoure a bolha e leve-a de volta para o acampamento.

Meu olhar se fecha, meu peito pesado.

— Ela vai ficar bem. Só precisa descansar um pouco.

Kaique hesita, como se não quisesse me deixar sozinho. Mas então, eu reafirmo.

— Estou bem. Apenas leve ela.

Por fim, ele concorda e vai pegá-la.

Meu corpo não tem mais forças, e cada movimento parece desesperadamente difícil. Chego à margem do lago, movendo-me lentamente, e começo a vestir minhas roupas.

Minha mente nublada, meu corpo esgotado. Vejo Kaique passar por mim, carregando Luna nos braços.

Ele segue para o acampamento, e eu tento fazer o mesmo.

Mas então, minha visão escurece completamente. Minhas pernas cedem, e caio novamente. Antes que possa tentar lutar contra a inconsciência, a água me arrasta de volta para o fundo do lago.

E então…

Eu apago.

Meu corpo acorda lentamente, mas não abro os olhos imediatamente. Minha mente trabalha para reconstruir os últimos acontecimentos. E então percebo…

Eu tenho que correr.

Se eu quiser chegar ao acampamento a tempo da próxima prova, não posso perder tempo. Finalmente abro os olhos e encaro o céu. Ainda está escuro, então ainda devo ter algum tempo.

Me levanto, e então percebo algo estranho. Todos os ferimentos que eu tinha… sumiram.

A água fez seu trabalho, restaurando cada fragmento do meu corpo. Provavelmente tive ajuda de alguma ninfa, mas não posso me dar ao luxo de refletir sobre isso agora.

Preciso seguir.

Preciso chegar ao acampamento.

Então, sem hesitação…

Corro.



Notas finais
Nos vemos no próximo! XOXO