Herança de Amor
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Obrigada!
Vocês me incentivaram muito a continuar escrevendo essa fic.
Espero que gostem desse capitulo também.
Bjinhus ;D
Carolina espreguiçou-se lentamente no casulo de calor e abriu devagar os olhos, por causa do sol que iluminava o interior da cabana. Conteve a respiração ao perceber que não estava sozinha na pequena cama. Uma mulher dormia meio que por cima dela, um dos braços em volta de sua cintua e uma das pernas sobre as suas em um gesto claro de possessão. Os lábios dela estavam tão perto do seu ouvido que cada respiração fazia os nervos de Carolina reagirem.
Tudo o que via na posição em que estava eram cabelos negros, e braços fortes envolvendo-a. Não conseguia compreender aquela completa intimidade, menos ainda como se encontrava nessa situação e por que a aceitara. Seu marido fora a única pessoa com quem dormira, e ele nunca a abraçara daquela forma. No entanto, parecia tão natural estar assim com aquela mulher!
Não que Carolina fosse uma pessoa preconceituosa ou algo do gênero, mas estar naquele lugar e sentindo aquele turbilhão de sentimentos, que para ela até então eram desconhecidos, a deixava no mínimo assustada.
Então, sua salvadora se moveu e Carolina descobriu que o abraço dela estava se tornando mais íntimo ao sentir as mãos de Laura deslizando sobre seus seios de maneira sensual.
O rosto de Carolina ficou em chamas. E para completa mortificação, sentiu que seu próprio corpo correspondia. Seus mamilos enrijeceram sobre as mãos de sua salvadora e uma dor estranha, lá no fundo, fez com que desejasse movimentar seu ventre o mais colado possível contra o corpo dela.
Como se pudesse ler-lhe os pensamentos, Laura começou a despertar. Uma de suas mãos deslizou até o encontro das coxas de Carolina acariciando-a, enquanto sua respiração começava a ficar alterada.
Desejo puro percorreu seu corpo, e sem perceber, soltou um gemido alto. Um som de resposta partiu de Laura, quando seus lábios moveram-se para os seios de Carolina.
Então, seu lado racional se impôs. Carolina protegeu os seios com um dos braços e baixou o outro com a intenção de afastar a mão que a acariciava.
Um gemido de frustação saiu da garganta de Laura e Carolina gemeu ao sentir a língua dela deslizar entre seus dedos que tentavam cobrir seus seios.
Laura tentava chegar neles e sugá-los sem controle, sem pudor, de uma forma desesperada. Com uma fome que não sabia de onde vinha.
— Laura, pare! — exclamou.
Pretendia dar à voz um tom firme de comando, mas suas palavras soaram mais como encorajamento.
Ao ouvir seu nome, Laura abriu os olhos. De súbito percebeu onde e com quem estava: reparou, no ato, que tanto as cobertas quanto seu juízo tinham desaparecido. Relutante, Laura desviou os olhos da imagem tentadora do seio que a pequena mão de Carolina não conseguia cobrir. Apoiou o rosto sobre os dedos dela e procurou afastar o desejo que escorria entre suas pernas.
Apesar dos protestos de Carolina, Laura percebia que ela correspondia ao seu desejo. Sabia também que se insistisse um pouco mais, talvez ela acabaria cedendo. Mas o difícil seria afastar a idéia de que estaria se aproveitando da situação. Tinha tirado a roupa de Carolina e deitado na cama com ela para aquecê-la, para impedir que ficasse doente. Não tinha coragem de trair a confiança tentando seduzi-la.
Sim... Ela confiara nela, apesar de não saber de suas opções sexuais. Bem, agora sabia!
Praguejando por ser uma idiota certinha, Laura afastou-se do corpo convidativo e saiu da cama. Recolheu as roupas e começou a se vestir.
A boca de Corolina ficou seca e a dor estranha no íntimo de seu ser tornou-se mais forte. Sabia que devia virar o rosto para o outro lado, mas não pôde desviar os olhos do corpo nu à sua frente.
Em alguns momentos esquecia-se de respirar admirando as belas formas de sua salvadora, agora com mais clareza em plena luz do dia.
O corpo de Laura, como pode constatar na noite anterior era musculoso sem deixar de ser feminino, sua cintura era estreita, sua pele bronzeada e sua barriga...Carolina podia ver claramente os músculos de sua barriga se contraindo enquanto ela ainda tentava recuperar a respiração.
Inevitavelmente Carolina soltou um suspiro, pois tinha ficado muito tempo sem respirar.
Laura tinha o corpo mais sensual que ela jamais imaginara uma mulher ter: firme, feminino e com formas perfeitas.
Sua salvadora estava tão perto da cama que poderia tocá-la facilmente se estendesse o braço. Desejava fazê-lo e queria que Laura a tocasse, tão profunda e completamente.
\"Deus! Devo estar ficando louca.\"
Calada, Carolina continuou observando o corpo que desejava ser escondido pelas roupas.
Laura imaginava o que ela estaria pensando. Do modo como via as coisas, as possibilidades eram duas: estava zangada por ela ter se levantado e não ter a satisfeito ou estava lá sentada, como imagem da virtude ofendida por ser tocada daquela forma por outra mulher, à espera de que ela se atirasse aos seus pés para implorar perdão. Bem, ela teria de esperar muito para ouvir um pedido de desculpas!
— Desculpe...
No ato, Laura parou de abotoar a camisa, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir. Lentamente, virou-se para olhá-la e o que viu a fez conter a respiração.
Camila estava sentada, a colcha puxada sobre os seios, com os olhos baixos e o rosto vermelho. Era a mulher mais linda que jamais vira. Os cabelos loiros desciam até a cintura, seu rosto podia-se comparar como o de uma moça de capa de revista, o busto firme, cheio...Enfim era a fantasia sexual de qualquer pessoa.
Mas a maioria das pessoas não tinha ido e voltado do inferno como Laura Bittencout. Anne a ensinara a associar beleza com decepção e traição. Mas as horas que passara com Carolina haviam-na convencido que ela não era como Anne. Era inteligente, honesta e meiga.
Livrando-se da desconfiança despertada pela aparência dela, Laura acertou a imagem mental que fizera da mulher com quem passara a noite e continuou a vestir sua camisa.
— Por que está me pedindo desculpas, Carol?
— Eu não queria incentivar você desse modo — disse ela, mantendo os olhos baixos.
Laura ficou surpresa com a resposta. Imaginou que Carolina fosse no mínimo tratá-la com irônia, dizendo que não \"curtia\" mulheres.
Carolina não suportava aquele olhar vidrado de Laura, que lhe dizia claramente que ela não a via como uma pessoa que tinha cérebro, alma e coração, mas apenas como um objeto criado para oferecer o máximo de gratificação sexual.
Laura considerou o que Carol acabava de dizer mais surpreendente do que a aparência dela e sentiu vergonha do modo como se portara e da atitude que mantinha com as mulheres em geral. Limpou a garganta antes de falar:
— Bem, eu não tinha o direito de agarrá-la. Quando deitei na cama com você, ontem à noite, nem mesmo pensei...Eu não sabia que ia acordar e...
Foi a vez de Carolina ficar surpresa. Desde que começara a usar sutiã, quase todas os homens a agarravam sem ser convidados e quando ousava diser-lhes que não queria aquele tipo de atenção, eles afirmavam que os provocara, que era irresistível.
Achava que aconteceria o mesmo com Laura, mas em vez de acusações e insultos, ouvia um pedido de desculpas.
Ergueu o rosto querendo ver o que havia nos olhos daquela mulher. Mas nada poderia tê-la preparado para o que viu.
Imaginara um rosto que espelhasse a compaixão e gentileza das ações dela, mas o que se deparou foi um rosto rude e olhos azuis mais sem vida que ja vira.
Os cabelos de Laura lisos e negros caiam sobre os ombros. Ela possuia um nariz arrebitado, lindo. Lábios cheios e sensuais. E uma cicatriz...
A cicatriz percorria a face direita, da têmpora ao queixo.
Laura observou os olhos verdes de Carolina tornarem-se maiores pela surpresa e sentiu o impacto do que parecia um soco no estômago. Era incrível, mas desde que a encontrara, Laura esquecera a cicatriz, talvez porque no escuro ela deixasse de existir.
Por muitas vezes sentia-se solitária pois algumas pessoas sentiam medo, mas sempre acabava encontrando mulheres que a achavam fascinante...Diziam que gostavam do que era sombrio e perigoso.
Mas a mulher que tinha diante de si nesse momento não era desse tipo. Tensa, Laura esperou por algum sinal de repulsão que ela devia estar sentindo.
Carolina teve vergonha da apreensão que a invadiu no momento em que fitou o rosto de Laura pela primeira vez. Desde cedo, ela própria aprendera como o aspecto físico pode ser enganoso. Mas não pode evitar o choque, pois em sua imagem mental de Laura, não existia uma cicatriz!
Sem jeito, Carolina envolveu o corpo com a colcha e se levantou. Fez uma careta quando o tornozelo machucado doeu. No mesmo instante Laura estava ao seu lado.
— O que pensa que vai fazer? — inquiriu Laura, esquecendo-se da própria aparência por causa da preocupação com ela.
— Isto — declarou Carol.
E antes que Laura pudesse reagir, ergueu o rosto e deu um beijo na cicatriz.
— Que diabos significa isso? — trovejou Laura, sem saber se ficava contente ou zangada.
— Acho que quero demonstrar-lhe que gosto de você assim do jeito que é.
Um sorriso suavizou os lábios de Laura, e seus olhos ganharam um pouco de brilho.
— Também gosto de você — respondeu. — Há algum lugar onde você gostaria de ser beijada?
Laura se colocou diante dela e de súbito Carolina sentiu-se abraçada. Seu coração acelerou e seu olhar foi atraído de forma enexorável para os lábios de Laura. Não planejara que o beijo espontâneo que dera no rosto dela se tornasse um recado sexual, mas achava-se novamente presa no campo magnético que aquela mulher exercia sobre ela. De repente imaginou como seria ser beijada por sua salvadora.
Resoluta, Carolina empurrou-a com uma das mãos, enquanto a outra continuava segurando a colcha:
— Quero ir embora o mais depressa possível, para ver meu filho.
— Iremos em alguns minutos, mas antes sente-se e deixe-me olhar seu tornozelo.
Laura falava em tom calmo, compreendendo por que Carolina a recusava. O que não entendia era a sensação de perda que a recusa provocou nela. Ajoelhou-se e tocou o tornozelo machucado. Quando ergueu o pequeno pé, a colcha separou-se inesperadamente e revelou sua fonte de prazer, onde seus dedos haviam estado pouco antes. Carolina ajeitou a colcha, depressa, corando até a raiz dos cabelos. Seu olhar fugiu dos de Laura, mas não antes de ver o desejo brilhar nos olhos azuis. O coração dela passou a bater descontrolado; nunca reagira desse modo com outra mulher. Devia estar pensando em seu filho e não assanhando-se desse jeito! O que havia de errado com ela?
O sexo de Laura mais uma vez correspondeu à visão do corpo nu de Carolina. O que estava lhe acontecendo?, perguntou-se. Há muito tempo não sentia-se tão descontrolada daquela forma diante de uma mulher.
Carolina fechou os lábios, com força enquanto Laura examinava o tornozelo dolorido, mas o exame foi tão rápido e gentil que quase não houve dor.
— Há um corte aqui em cima e o tornozelo está roxo. Mas não acho que tenha quebrado.
Dizendo isso, Laura foi para o canto da cabana que servia de cozinha. Bombeou água fria para a pia, lavou o rosto e a nuca. Fez um esforço enorme para não ficar pensando em Carolina e aos poucos conseguiu relaxar. Quando terminou de se enxugar com um lenço, já se sentia mais humana do que um animal.
Com um suspiro retornou, Carolina aceitou com um agradecimento murmurado o lenço úmido e a caneca com água que ela lhe estendeu.
Laura colocou as roupas de Carol sobre a cama, comentando:
— As minhas também não secaram completamente, mas melhor do que nada.
Seus olhares se encontraram; ambas lembraram-se dos detalhes do corpo uma da outra e questionaram se as roupas eram, mesmo, melhor do que nada.
Carolina foi a primeira a baixar os olhos e pediu, falando baixinho:
— Você não quer me deixar sozinha um instante?
Laura imaginou o que Carol faria se dissesse que não. Se não fosse a situação com o garoto dela, tentaria para ver o que aconteceria.
— Claro. Vou colocar a sela no Zack. Mas tome cuidado com onde pisa. Em alguns pontos essas tábuas estão podres como as do telhado — disse ela e pegou as meias, as botas e saiu da cabana antes que mudasse de idéia.
Depois de vestir-se, Carolina conseguiu ir até a porta. Laura já preparava o cavalo e a esperava em frente da cabana. Ela ergueu os olhos e observou-a.
Era difícil acreditar que aquela Carolina se tratava da mesma mulher que vira momentos antes.
O selvagem cabelos loiros foram presos num coque. O vestido tinha um tom suave de verde que realçava os olhos dela.
Estava linda mais linda ainda.
Laura piscou várias vezes e fechou a boca rapidamente. Tentando não gaguejar perguntou:
— Onde achou os grampos? — Aquela fora a única coisa que lhe veio à mente depois de ter uma visão como aquela.
— Que grampos?
— Os q...que usou p...para prender o cabelo. — perguntou gaguejando. Fechou os olhos com força.
\"Merda...Não acredito que fiz isso\"
Carolina sorriu.
— Ah, esses grampos. Ainda estavam no meu cabelo. Eles só...mudaram um pouco de lugar durante a noite.
Carolina olhou para Laura e pigarreou com delicadeza, para firmar a voz: depois de tantos momentos embaraçosos compartilhados com essa mulher, não entendia por que não se livrara daquele desconcerto que sentia diante dela.
— Eu... — Carolina falou, por fim. — Bem, não consigo achar o banheiro.
A seriedade de Laura foi substituída por um sorriso:
— O velho Peter realmente detestava coisas modernas — comentou. — O banheiro fica fora, lá atrás.
Pensando no que seria caminhar até la, Carolina comentou:
— Não entendo como um homem pode viver sem eletricidade e água encanada...
O sorriso de Laura tornou-se triste:
— Quando Peter se aposentou, meu pai construiu esta cabana para ele. Mas nem mesmo Ben Bittencourt conseguiu convencer o velho cabeça-dura a aceitar instalações modernas. Peter foi o último dos homens antigos. Devia estar com mais de noventa anos quando morreu. Ninguém sabia com certeza. Isso faz mais de um ano e não creio que esta cabana tenha sido usada desde então, até ontem à noite.
Carolina perturbou-se com a alusão à noite que haviam passado juntas entre aquelas quatro paredes. Toda hora precisava lembrar a si mesma que não tinha motivos para se acusar. Havia usado o contato físico apenas para sobreviver e nada mais. Então, por que sentia como se tivesse acontecido muito mais do que isso?
Virou a cabeça antes de ter a tentação de procurar a resposta nos olhos de Laura. Já haviam perdido tempo demais: tinha de ver se seu filho estava bem.
Resignando-se ao inevitável, Carolina mancou até o lugar indicado. Quando, afinal, estava sobre o cavalo, emitiu um suspiro de alívio: aquela situação incômoda ia terminar.
Mas esquecera de considerar a cavalgada de sete quilômetros e meio que tinham pela frente.
Apesar de Laura manter o cavalo num passo lento, o balançar parecia aumentar a dor no tornozelo e a que surgira na cabeça. Ainda assim, a proximidade de Laura lhe parecia mais perturbadora do que as dores. Entre os braços dela, encostada em seu corpo, sentia o cheiro, a textura e a presença da mulher. O calor do corpo feminino ateava nela o fogo de uma paixão que Carolina não sabia existir.
Por que nunca se sentira assim com o marido? Desde a primeira noite com Erick, ela percebera que havia algo de errado. Não o desejava e sentia uma estranha culpa quando ele a tocava. Amava-o como irmão e logo percebera que esse tipo de amor não era base firme para um casamento.
Os esforços dele para agradá-la era tão desesperados que só aumentavam a ansiedade dela. Finalmente, para preservar o frágil ego de Erick, Carolina passara a fingir um prazer que não sentia, tentando aprender a gostar das carícias dele. Mas, em vez disso, acabara presa num círculo vicioso de fingimento e frustação.
Agora se deparava com uma mulher estranha capaz de excitá-la apenas com o olhar. Não era direito. Mas Laura era realmente uma estranha? A crise que tinham superado juntas na noite anterior não a ensinara sobre Laura mais do que poderia aprender em semanas ou meses de convívio superficial? Gentileza, força, consideração, determinação, coragem...Sua salvadora demonstrara todas essas qualidades e ainda mais. Que diferença fazia se ela era uma mulher ou onde nascera? Coisas como estas eram superficiais.
— Você e seu irmão vivem sozinhos no rancho? — perguntou, procurando livrar-se dos pensamentos perturbadores.
— Minha mãe mora conosco. Meu pai teve um ataque cardíaco e morreu cerca de dez anos atrás. Minha mulher...
Carolina girou a cabeça tão depressa que a dor resultante embaçou-lhe a visão por um momento.
— Sua mulher? — indagou.
Sabia que estava com expressão estúpida, olhando para Laura, mas de súbito isso não a incomodou: descobrira nessa noite que detalhes insignificantes podiam importar muito.
O rosto de Laura permaneceu inexpressivo enquanto perguntou:
— A idéia de eu ter uma companheira a incomoda?
— Sim! — exclamou Carolina e notou o quanto revelava. — Quer dizer, você não age como uma mulher com algum tipo de compromisso amoroso. Se eu soubesse...
— Não me diga que nunca dormiu com alguém casado!
— A única pessoa com quem dormi foi meu marido!
Laura fitou-a por um instante, até que pareceu concluir que ela dizia a verdade.
— Você me interrompeu depressa demais, Carol. Eu ia dizer que minha companheira morreu num acidente de carro, há três anos.
Uma série de emoções conflitantes abalou Carolina profundamente: empatia pelo sofrimento de Laura, raiva por ela não ter dito logo o que tinha a dizer e alívio por saber que, afinal de contas, ela não estava com ninguém.
— Lamento muito por isso — disse Carolina, sem jeito.
Daí por diante, resolveu não falar mais, pois percebera que Laura usava as palavras e frases como uma espécie de teste de caráter. Inquieta, Carol imaginou se havia sido aprovada ou não.
Laura estava avaliando a mesma questão. Não gostava de jogos verbais, mas queria ter certeza de como Carolina pensava. Era evidente que ela acreditava em honestidade e fidelidade.
Quando a tirara do córrego, na noite anterior, o passado parecera irrevelante e o futuro era algo nublado à distância. O presente parecera a única coisa segura, a única coisa que importava. No isolamento da cabana, fora fácil esquecer que outra realidade também existia.
Mas agora o breve interlúdio acabara. A palavra responsabilidade começava a se fazer ouvir. Claro que podia ignorá-la e convidar Carolina para ficar no rancho até recuperar-se. Assim que ela visse o filho, poderia dar um jeito de continuarem do ponto que tinham parado naquela manhã.
Mas Carolina era uma mulher muito especial e nada tinha para oferecer a uma mulher assim, que merecia um relacionamento, e não ser amada sobre o feno. Mas a necessidade de Laura por amor e dedicação, sua crença na vida a dois haviam terminado com Anne.
Mesmo que não fosse assim, uma relação durável entre uma mulher com a aparência de Carol e uma outra com sua aparência teria pouca chance. Se o bom senso não fosse o suficiente para deixar isso claro, seu relacionamento com a bela Anne a convencera disso.
Carolina sentiu que Laura começava a se distanciar dela que ficou bem clara em seu silêncio, na sua recusa a fitá-la, no modo como seus braços gradualmente iam deixando de ampará-la. Carolina não compreendia o porquê. O que tinha dito? O que fizera de errado?
Antes que pudesse perguntar, chegaram ao alto de uma colina e a paisagem exigiu toda sua atenção.
— Este é o meu rancho — foi tudo o que Laura disse.
No entanto, Carolina percebeu que havia muito orgulho nestas simples palavras. Bem que Laura tinha do que se orgulhar.
Carol admirou admirou a bonita casa em estilo espanhol, os currais, os estábulos, as cocheiras, os celeiros, todas construções pintadas de branco, e o solo fértil coberto por plantações e pastos que iam até onde a vista alcançava.
— É lindo! — exclamou.
Então, percebeu o garoto sentado na cerca branca do curral central e seu coração ameaçou parar.
— Dudu... — suspirou, incapaz de acreditar no que via. Em seguida, gritou o mais alto que podia: — Dudu!!
A cabeça loira do garoto voltou-se para cima. Ele saltou da cerca e saiu correndo na direção delas.
Um grito de alívio e felicidade escapou da garganta de Carolina quando Laura fez o cavalo descer a colina ao encontro de seu filho.
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