Her Own Paradise
1 So she ran away in her sleep
Minha mãe me dizia que aquela biblioteca era sua Igreja. Em uma cidade pequena como a nossa, aonde todos eram cristãos, esse era o único meio de sair para fora de lá. Uma cidade com pouco menos de 1.000 habitantes, Furman era longe demais de qualquer lugar da Carolina do Sul para se ter um Burker King ou McDonald's. Ou um Starbucks. Ou um Taco Bell. Ou um Walmart. Ou qualquer coisa, você precisava sair da cidade. Aqui não tinha cinema, então nos juntávamos na casa do prefeito da nossa enorme cidade e assistíamos filmes que já teriam saído em DVD em Nova Iorque ou em Nárnia, muito tempo atrás.
Os únicos lugares que prestavam em Furman eram a biblioteca municipal, que tinha livros maravilhosos, mas nenhum deles era bom o bastante para a Igreja ou para a Instituição Estudantil. E era por isso que eu gostava de lá, e claro, meu quarto. Meu quarto era o único lugar que eu conseguia sair de Furman, pois era alí que eu tinha paz para ler o que eu quisesse. A biblioteca estava sempre cheia de velhas que faziam reuniões, ou professores que queriam acabar com a vida social que restava a seus alunos, ou pessoas que em pouco tempo, estariam se drogando e acabariam mortas. Eu ainda não sei o que essa gente fazia na biblioteca.
Recapitulando
Minha mãe me dizia que aquela biblioteca era sua Igreja. Em uma cidade pequena como a nossa, aonde todos eram cristãos, esse era o único meio de sair para fora de lá.
Mas eu não acreditava totalmente nisso.
Desde que meu pai morreu, eu não visito o cemitério de Furman, e desde então, minha mãe não sai de casa. O que fazer quando uma mulher de 40 anos, bonita e inteligente quer se trancar em casa?
Desculpem, não me apresentei: Angeline Katherine Boudegard. Bom, eu sou a pessoa errada para qualquer resposta. Eu sou apenas Angeline. Ou como me chamam aqui, Boudegard.
" Pisei na areia e abri os olhos. Sorri.
- Obrigada por me trazer para cá — falei e ela riu
- Não há de que, é isso que amigos fazem — sorri de volta
- É sério. Acho que esse é o melhor lugar que já conheci.
- É o que sempre dizem.
- Vem bastante gente pra cá?
- De vez em quando. Você, e mais umas três pessoas vem bastante, outros, uma vez ou duas, e depois, se esquecem completamente de nós
- Como se esquecem? Vocês são tão maravilhosos!
- Muito obrigada. — ela sorriu e olhou para o céu, que se fechava, em nuvens azuis escuras, rosadas e roxeadas — Vai chover
- Se a chuva dos Estados Unidos fosse assim, eu ia amar chuva.
- Estamos nos Estados Unidos
- Sério?
- Em Furman.
- Furman não é tão grande — falei rindo, e duvidando
- Também estamos em Washington. E Nova Iorque, Nova Jersey. Londres, Moscou. Todos os lugares que você, ou qualquer outra pessoa quiser.
- Como assim?
- Se você é de Furman, nós estamos com você em Furman, mas se você é de Moscou, nós também estamos lá. Isso aqui é seu inconsciente. — fiz uma careta — Eu sei, é complicado.
Assenti e comecei a caminhar na direção que ela ia. Entramos em um restaurante retrô, mas todo de madeira, como aqueles de filmes havaianos, em que os nomes dos restaurantes estão em uma prancha com folhas de bananeiras em volta.
- Big Mamma's?
- É a melhor comida do mundo
- Eu não duvido.
Ela se sentou na única mesa cheia, com várias pessoas ao seu lado
- Essas são as pessoas com quem você pode falar. Elas são legais.
Sorri e sabia que ali era o lugar perfeito.
- Vamos!
- Vamos onde, acabamos de chegar!?
- Vamos logo! Vai se atrasar!
- O que?
- Vamos de uma vez! — abri os olhos
- Mãe! Claro.
Ela saiu do quarto e eu percebi que aquilo era um sonho
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