Her Fake Love
4 Não's
Notas iniciais
6 de Novembro, 12:00 – Camarim Demi (é, ainda um dia antes)
“Queria falar com você, Demi. A sós.”
Bem. Essa não era a frase que eu queria ouvir depois de beijar o meu colega de elenco em cena, gostar bastante, ser zoada pelos meus colegas de elenco. O que eu queria ouvir?
“Demi, seu beijo com o Knight só me confirmou mais o que eu ia dizer mais cedo: eu te amo. Quer ser minha namorada?”
Claro que isso era viajado. Claro que nenhum cara em seu estado perfeito diria isso (o que é uma pena, alias). Claro que ele não diria isso depois de minha cara ter denunciado que gostei do beijo. Claro que não.
Então, basicamente, tive de segui-lo pelo estúdio rezando mentalmente pra não morrer de vergonha ou qualquer coisa assim. Quando entramos no meu camarim, sentei de costas pra o espelho e ele fechou a porta e ficou me encarando.
E aqui estou eu tentando pensar em algo pra quebrar o silencio enquanto encaro o chão.
-Ok, Demi. – disse Joe. – Já somos adultos. – quis rir ao ouvir o JOE dizer isso, mas preferi ignorar. – Você esta namorando o Sterling Knight?
Eu ri descontroladamente.
-Sabe que ele... – mas deixei a voz morrer. O que passou na minha cabeça mesmo? “Sabe que ele me perguntou se eu estava com você hoje?” Isso Demi. Aproveita e assina seu testamento.
-Que ele...? – ele ergueu as sobrancelhas significativamente.
Tive um leve devaneio (ou seja, voltei para a gravação do beijo) e pensei no Knight.
-Beija muito bem. – não. Por favor, não. Me diz que eu não disse isso em voz alta. Por favor. Diz que não.
-Ele faz o quê? – Joe repetiu como se não tivesse ouvido direito.
-Ele beija muito bem, ok? – berrei. O estrago já estava feito mesmo – Mas isso não significa que eu namore com ele.
-Não. Mas você parece apaixonada por ele. – ele apontou pra mim estreitando os olhos. – Não?
-Não! – ri. Ou melhor, forcei uma risada. – Quer dizer, não estou apaixonada.
-Sabe, as vezes os amigos escondem as coisas uns dos outros porque acham que é o melhor.
Minha vez de erguer as sobrancelhas. Ensaiei a fala mentalmente.
-E você Joe? O que queria me dizer mais cedo? – percebi que ele não ia falar. – Olha, se é sobre o Knight... Não há nada que eu esteja escondendo. Mesmo. – sorri pra ele.
-Bom. Então vou te falar logo. O Nick tem me falado pra eu falar logo isso pra você. Acontece que eu... – mas antes que ele terminasse de falar Knight invadiu o quarto.
-Demetria. Preciso de você. – falou. E se virando pra o Joe disse: – Desculpe interromper. Mas a Demi é a pessoa perfeita pra mim.
Encarei-o espetufada.
Quem é esse cara e o que ele fez com o Knight?
-Esse cara interrompe de novo. – murmurou Joe. Sei que Knight ouviu, mas ignorou.
-Vamos. – ele puxou, tentando me levantar.
-O que se ta fazendo? – perguntei.
-Tentando fazer com que você colabore. – então ele me encarou divertido e me pegou no colo.
Sério. Ele me pegou no colo.
Olha, ele é bem magro, se bem que tem malhado ultimamente. Só um pouco, ok? E eu vivo numa guerra contra a balança, apesar de dizerem que eu estou bem, vivo cuidando do meu peso. A minha pergunta é: como ele fez aquilo?
Então começou a sair andando ainda comigo no colo. E a ultima vez que vi Joe ele olhava pra mim desapontando enquanto movia os lábios.
-Esse é o seu não estou com ele? – e então Knight começou a virar pra fora do estúdio.
-Sério Knight, eu posso andar. – falei chacoalhando os pés como um bebê.
-Ok, então. – e me soltou desajeitado. – Mas anda.
-O que houve afinal? – falei enquanto fizemos uma curva.
-Um teste. Filme. Fora da Disney. – ele falou pausadamente. — Me ligaram agora. E eu preciso de uma parceira. Ia chamar a Tiffany, mas já me acostumei com você. Você é a minha chance.
-E eu faria isso por que...? – eu ia concordar, claro. Mas não sem antes implicar um pouco. Mais uma curva. Quase fora do estúdio.
-Porque o teste é pra você também, alias. É um bom dinheiro. E por um tempo largaríamos de ser as estrelas da Disney. Que nos impede de fazer um monte de coisa. – ele deu de ombros.
E parou se virando pra mim.
-O que? – dei de ombros.
-Não precisa se não quiser. – voltei a andar.
-Ah ta. Cala a boca e anda Knight, não quero perder a hora do meu teste. – sorri pra ele.
-Meu beijo é irresistível mesmo. – ele falou.
-Não achei, não, ô senhor metido. – revirei os olhos.
-Au. – ele brincou. – Assim você machuca, como você disse ontem mesmo? Ah sim. Assim você machuca meu “mega-ego digno de ator metido e ainda em ascensão”.
Corei um pouco pela briga do dia anterior. Algo a ver com ele não querer dividir o camarim dele por uma semana com o Doug ou com o Brandon.
-Cara, você grava cada palavra do que eu digo? – perguntei brincando enquanto finalmente saiamos do estúdio.
-Normalmente, sim. – ele deu de ombros. – Adoro citações. Então, geralmente guardo as frases úteis porque posso usá-las mais tarde. – olhei pra ele meio admirada. – Faça isso e se tiver que improvisar durante um teste, vai ser útil.
Ele abriu a porta pra mim e entrei no seu carro. Fiquei olhando o rádio enquanto ele dava a volta para entrar no banco do motorista.
-Lá vamos nós, baby. — brincou ele. – Ah. – vendo o que eu olhava. – Pode colocar uma música se quiser. Mas acho isso uma pena, afinal temos uma cantora no carro.
Sorri pra ele. Qual música eu deveria cantar? Ri lembrando de uma que o divertiria.
-Wake up to the blue Sky. – comecei e ele riu sabendo que letra era aquela. Alias, a musica era dele. Something about the sunshine. Ele começou a me acompanhar. – Grab you shades and let’s go for a ride.
Riamos bastante durante a música e mesmo sabendo cantar, desafinamos totalmente em algumas partes. Chegamos ao estacionamento do lugar onde seria o teste cantando músicas que íamos lembrando. Acho que a mais hilária foi “Here comes the Sun” dos Beatles.
Então entramos num prédio, que nunca me chamaria a atenção. O porteiro ergueu os olhos de sua revista e sorriu para nós.
-Teste para o filme. – falou o Knight. – Agendado por J. P. Knight?
O cara leu uma lista.
-Hã. Não tem esse nome aqui. – disse ele. Ele pareceu sem-graça.
-Ah. – disse Knight suspirando. – Estaria no nome de Rose Sandmann?
-Isso. – o cara sorriu e estendeu um passe, acho eu.
Andamos até o elevador e Knight franzia a testa como se tivesse prestes a vomitar enquanto apertava o botão.
-O que foi? –finalmente entramos no elevador. – Você sabe qual andar?
-Oitavo. – apertei o botão – Podemos não fazer o teste?
Olhei pra ele. Ele surtou? Crise de confiança?
-O quê? Você ta bem? Parece que você vai vomitar, cara!
-É, — ele disse — eu acho que vou mesmo.
-Por quê? — insisti.
-O diretor. – falou como um doido. Sério, pela primeira vez na vida, o Knight pareceu um doido. -É a minha avó.
-E daí? – dei de ombros. – Isso significa que já ganhou o papel, não?
-Não. Significa que ela vai achar que estamos namorando e colocar isso na capa de alguma revista. E que se não formos perfeitos não ganharemos o papel.
E então a porta do elevador abriu.
Ai não.
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