Notas iniciais
Tudo começou ir de mal à pior há algumas semanas atrás…
Na primeira vez que Percy esteve na ilha de Circe, o local era um paraíso tropical no meio do Mar de Monstros. Naquela ocasião, Percy estivera com Annabeth e fora transformado num porquinho-da-índia pela feiticeira maluca.
Hoje, mais de cinco anos depois, tudo estava diferente. Desta vez, estava acompanhado de Frank Zhang, e não tinha intenção alguma de se tornar um roedor novamente.
— Esse lugar é assustador. — Frank tentou soar o mais corajoso possível.
Percy concordou. A ilha também havia mudado — e muito. Agora, fazia jus à ilha do Mar de Monstros. As árvores eram retorcidas e velhas, as folhagens sem cor e o seu nublado fazia da ilha um pântano em alto-mar.
Mas o pior mesmo era o silêncio. Estava tudo quieto demais. “Sinal de encrenca” pensou Percy.
— Acharam alguma coisa!
Frank e Percy sobressaltaram. Percy arrancou o walkie-talkie — ou walkie-maneiro, como Leo carinhosamente nomeou —, de seu cinto.
— Não, Leo, não achamos ainda — disse, o tom de voz entre fala e cochicho. — Mas fique atento. Deixe o barco pronto para partida imediata.
— Deixar o quê pronto para partida? — Leo provocou.
Percy suspirou. Leo preferia que todos se referissem ao seu novo barco pelo nome.
— O Resgate da Rainha Calipso.
— Pode deixar, capitão Jackson — Leo esbanjou satisfação em sua voz. — Câmbio, desligo.
Percy prendeu o comunicador ao cinto. No segundo seguinte escutou o grito de Frank.
— Percy!
Percy seguiu a voz do pretor, disparando pelos caminhos que cortavam a floresta sombria.
Saiu de frente a um enorme templo em ruínas. Colunas e paredes negras encobertas por líquens e musgos. Grama crescia das rachaduras no piso e cipós desciam das fissuras no teto.
— Percy, aqui! — Frank estava no fundo do santuário.
Enquanto atravessava o salão, Percy observou grandes estátuas que pareciam abrir caminho para ele. Algumas ele jurava serem familiares. Gaia? Tártaro? Percy afastou esses pensamentos quando encontrou Hazel.
Ela estava sentada num trono de pedra, acorrentada pelos pulsos e tornozelos. Seu rosto estava sujo e fraco. Frank desatou o pano que tampava sua boca.
— Hazel você está bem? — Percy sabia que era uma pergunta idiota, mas naquele momento, ele pouco importava com as perguntas idiotas.
— Frank — murmurou Hazel, abrindo fracamente os olhos. Frank abriu um meio sorriso.
— Nós vamos te tirar daqui — disse. — Vai ficar tudo bem, agora.
— Vou avisar ao Leo…
— Percy, cuidado! — Hazel gritou.
Sem saber o que vinha, Percy sacou Contracorrente do bolso, e levou a espada acima da cabeça. A lâmina tiniu contra uma outra.
Percy não tinha ideia do que era aquilo, nunca havia visto coisa parecida. Eram quatro no total. Pareciam com soldados da antiga infantaria greco-romana. Elmo, escudo e lâminas eram negras como sombras, assim como sua pele. Não havia um rosto por baixo do capacete, apenas um amontoado inexpressivo de sombras.
Percy o empurrou para trás e partiu para a luta. Dois guerreiros correram para cima de Frank. O combate não demorou mais que alguns segundos. Percy girou Contracorrente do ar e a lâmina decapitou de uma vez ambos os soldados que se desfizeram em sombras.
— Frank! — Hazel gritou atrás dele.
Percy conseguiu ver um soldado-negro acertar a nuca de Frank. O pretor caiu desacordado. Quando o guerreiro ergueu a pesada sobre a cabeça, Percy arremessou Contracorrente. A espada voou como uma lâmina giratória e dissolveu o combatente em sombras.
— Mandou bem, Percy — Hazel arquejou.
Percy apanhou Contracorrente e quebrou as correntes que a prendia. Hazel se pôs de pé, massageando os pulsos doloridos.
— Obrigada — agradeceu com um abraço. Percy retribuiu com um meio sorriso.
— Que lugar é esse? — Ele perguntou.
— Eu não sei. — Hazel observou o templo com um olhar frio e temeroso. — Só sei que quero ir embora o mais rápido possível. Antes que mais aberrações como aquelas apareçam.
Hazel partiu caminhada para fora. Percy se dirigiu até Frank. O pretor respirava normalmente, nenhum ferimento lhe-era visível.
— Ele parece estar bem — Percy anunciou. — Só está desacordado.
Hazel freou e girou seus tornozelos para ele.
— Percy, não temos tempo — disse ela. —
Percy se levantou, os olhos estreitos fixos nela.
— Frank é o seu namorado, Hazel — disse. — O que deu em você?
Hazel pareceu engoliu uma bola de gude. Seus olhos fitaram nervosos o piso de pedra sob seus pés.
— Desculpe, Percy — choramingou. As lágrimas desceram por suas bochechas. — É que… — Ela fungou. — Eu fiquei presa aqui por duas semanas. Estou muito nervosa, assustada… Me perdoe, eu não queria parecer tão fria.
Percy continuou a encara-la por um longo minuto em silencioso. Quando Frank gemeu alguma coisa atrás, Hazel correu para acudi-lo.
— Tudo bem — Percy suspirou, puxou o walkie-maneiro. — Garoto-de-Reparos, precisamos de você aqui embaixo! A Hazel está bem, mas o Frank levou uma pancada e está desacordado.
— Entendido — Leo respondeu em meio aos chiados. — Mais alguma coisa?
— Tem sim — Percy se distanciou um pouco e falou o mais baixo possível. De soslaio, por cima do ombro, bisbilhotou Hazel acudindo Frank. — Ah… Mande uma mensagem de Íris à Reyna. Diga-lhe que ela terá um interrogatório.
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