Herói Anônimo

36 Troca de informações


Notas iniciais
Bom, depois de quase desistir da fic, aqui estamos mais uma vez! Devagar e sempre!

Capítulo 36

*Narrativa*

— Achei meio bizarro, você não? – O jovem comentou com o dragão. Ambos estavam parados em frente à dois túneis com uma entrada entre eles, parecendo dois olhos e o nariz de uma caveira. Um pouco adiante, dentro do próprio túnel menor podia-se ver um brilho metálico, devagar o rapaz seguiu em sua direção, torcendo pra não ser alvo de nada.

— Parado aí, identifique-se – Uma voz esganiçada grasnou para o jovem, que prontamente atendeu e levantou as mãos, mostrando que não pretendia lutar.

Dois garotos saíram do túnel trajando armaduras romanas completas, o da direita portava uma espada curta, o da esquerda uma lança, ambas douradas. O da lança apontou a arma para o queixo de Ernest, perguntando com uma voz firme e grave, diferentemente do outro:

— Nome, idade, afiliação e motivações. Rápido, antes que eu perca minha paciência.

— Ernest Jensen, não sei minha idade exatamente, filho de semideuses de Minerva e Marte. Estou procurando por Reyna.

— Como não sabe sua idade? Você é burro? – A voz esganiçada do outro zombou, mas apesar das aparências, o garoto estava visivelmente nervoso, a espada tremia em suas mãos.

— Primeira vez que encontra alguém em campo aberto rapaz? Relaxe, não farei nada com vocês.

— Não mesmo – O de voz firme retrucou – Porque somos nós quem ditamos as regras aqui. Agora, o que quer com nossa pretora? E como chegou aqui?

— Tenho assuntou urgentes a tratar com ela, confidenciais. Cheguei aqui andando – O semideus segurou um risinho ao responder dessa forma.

— Você não está construindo uma boa imagem, sabe disso não é? – O da lança suspirou.

— Relaxe, estou só brincando – Sorriu o filho de Atena – Agora, pode chamar sua pretora? Assim não preciso entrar no acampamento e causar transtornos pra vocês.

— Acha que está em posição de exigir algo, seu insolente? – O rapaz da espada tentou cutucar o jovem para intimidá-lo, mas Ernest apenas bateu com a lateral da mão para desviá-la no melhor estilo badass.

— Fique quieto na sua e não passe vergonha Lars – Ralhou o rapaz da lança, recolhendo a mesma e virando-se pro companheiro, prosseguindo – Vá chamar Reyna, se tivermos que matar ele, não vai fazer diferença vê-la ou não.O jovem correu para o túnel, vermelho de vergonha, deixando os dois para trás e rapidamente sumindo na escuridão.

— Obrigado pela cooperação – Ernest agradeceu – Não tenho intenções de trazer violência para seu acampamento, as coisas já estão difíceis o suficiente.

— Nem me fale, antigamente não precisávamos nem nos esforçar na guarda aqui em cima, mas agora os monstros não morrem... Cada vez fica mais complicado – O rapaz parecia preocupado, mas não com o estranho em sua frente. Ambos conversaram por alguns minutos até que uma garota com túnica roxa apareceu no túnel, acompanhada pelo jovem que saíra correndo.

Os olhos severos da garota pareciam medir meticulosamente cada parte do corpo do rapaz, fitando-o de cima a baixo. Dois cães de metal a acompanhavam e faziam um barulho baixo estranho, parecia vir das gargantas dos mesmos.

— O que você quer? Nosso recruta diz que é filho de Minerva. Por que não está no acampamento?

— Senhorita Reyna – O jovem tentou ser o mais cortês possível, inclinando a cabeça em respeito à pretora – Devemos falar a sós, tenho assuntos importantes a tratar com você.

— Acredito que você não esteja em posição de exigir nada.

— Estou em missão diplomática, peço que me escute apenas – O garoto achou melhor não dizer que estava sempre em posição de exigir algo.

A pretora pareceu perceber que o rapaz não iria mexer um dedo daquele lugar, então ordenou: — Vocês dois, voltem lá para baixo, irei conversar com o estranho – A jovem fez sinal para que Ernest a seguisse, fazendo-o sentar-se em um caixote de madeira na entrada do túnel, ficando à sombra com ela – Ficaremos de olho nos monstros enquanto isso. Comece a falar.

— Certo, meu nome é Ernest Jensen, filho de semideuses de Minerva e Marte, adotado por esses deuses. Não sei minha idade exatamente, mas devo ter por volta de 19 ou 20 anos e estou aqui para conseguir algumas informações.

— Informações para que?

— Para os esforços nas batalhas que virão, como já devem ter notado, os monstros não morrem, os deuses estão em silêncio e forças ancestrais estão despertando.

— De fato os monstros não estão mais seguindo os padrões antigos, como posso confiar em vocês?

— Lupa me enviou.

— Muito bem, ela disse que chegaria um maltrapilho aqui, mas estava esperando algo pior.

— Isso foi um elogio?

— Cale-se, prossiga.

— Muito bem, primeira pergunta: O que sabe sobre Percy Jackson?

A garota pareceu hesitar, tamborilou os dedos na lateral do túnel antes de responder. Voltando seu olhar aos arredores do túnel, Ernest percebeu que havia sido recém reformado.

— Por que quer saber sobre ele em específico?

— Se estiver ocorrendo com ele o mesmo que está com um colega nosso, podemos dizer que sou parte do passado dele. Estamos tentando salvar o mundo também.

— Certo – Suspirou a jovem, por um minuto, o mestiço podia jurar que viu um princípio de lágrima – Ele passou por aqui, está em uma missão no Norte.

— Puta merda, esse cara não consegue ficar fora de nada – O jovem fez um muxoxo, Reyna parecia um pouco melhor após essa cena, parecia estar se divertindo – Certo, sua vez.

— Você disse que tem um colega na mesma situação de amnésia – A pretora desviou o olhar, fitando as rodovias que seguiam túnel afora – Quem é?

— Eu nunca disse que o problema era a amnésia – O jovem percebeu a garota corar, mas ignorou – Mas, sim, esse é o problema. O nome do rapaz é Jason, de Júpiter.

— Imaginei.

A resposta fez o rapaz imaginar que, quem sabe, Reyna tivesse um envolvimento a mais com Jason, mas sua feição era tão dura quanto a de seus cães de metal, quase impossível de ler.

— Deve saber que não posso entrar no acampamento, foi meu acordo com Lupa. Assim como apenas você deve saber que eu vim.

— O que espera que eu faça?- Quero permissão para acampar nos arredores, para que você possa me contatar caso precise de ajuda com algo ou Percy chegue.

— Posso conceder isso, existe outra entrada para o acampamento, recomendo que a encontre e fique por lá. Não posso te dar a informação da localização.

— Certo. Quanto aos seus soldados que estavam aqui, faça-os ficar de bico calado, ninguém deve saber que estive aqui.

— Muito bem – A jovem levantou-se e virou de costas – Antes que eu esqueça, qual é a do dragão?

— Longa história – Candeian revirou os olhos, soltando alguns estalos de eletricidade estática – Esse humano é complicado.

— Hmm, você fala – A garota olhou por cima do ombro, mas suspirando guardou suas dúvidas para si – Que seja, não cause problemas para nós.

(...)

Já de volta à mata, o jovem mordeu uma maçã que encontrara em uma das árvores nos arredores.

— Achei que fosse perguntar pelos seus pais – Cronos comentou.

— Não posso, o trato com Lupa era não entrar em contato com ninguém do acampamento além de Reyna nesse encontro, agora já posso aparecer por lá em uma próxima vez.

— Essa foi inteligente, boa – Candeian não pode deixar de elogiar o amigo.

*Comentários do registro*

— Na verdade, eu até poderia ter entrado no acampamento, mas achei mais seguro ficar onde estávamos. Entrar poderia acarretar encontrar mais pessoas e isso seria uma quebra no juramento. Além de que, como descobri depois, pode ser que eu não conseguisse entrar passando pelos rios.

*Narrativa*

Já anoitecia quando Ernest parou em um riacho para lavar-se, mil pensamentos passavam por sua cabeça: Percy estava por aí resolvendo missões, seus pais estavam próximos, não sabia como estavam Peggy e Annabeth.

— Certo – O rapaz sentia a água fria trazendo a si próprio de volta para o presente, finalizando o banho e pegando suas roupas – Resolvo isso amanhã.

O jovem colocou sua calça jeans preta, que estava mais pra cinza de tão desbotada, a camisa de flanela xadrez vermelha e preta e os coturnos pretos, passou as mãos pelo queixo, sentindo a barba que agora já devia ter uns 2 dedos de altura, deveria parecer um mendigo, já que as roupas não estavam nas melhores condições.

— Vamos dormir por aqui – Anunciou para o dragão, que já estava deitado e encolhido – Mas parece que você já decidiu isso...

— Uhnn – Resmungou Candeian – Me deixa dormir.