Herói Anônimo
34 Profecia For Free parte 2 (final) - Aliança
Capítulo 34
*Comentários do registro*
— Certo, recapitulando os acontecimentos anteriores: Depois de passar algum tempo fora do acampamento pra reunir informações sobre Percy, finalmente consegui uma pista com uma dracaena, ao me separar de Annabeth e Peggy acabei por encontrar Archie, um velho conhecido.
— O encontro com Archie foi bastante inesperado, mas consegui informações sobre uma outra profecia dos livros sibilinos romanos, seguindo essa pista perdi mais algum tempo antes de chegar onde estou: Uma caverna subterrânea cheia de tesouros com um pequeno lago e uma voz tenebrosa.
*Narrativa*
A voz chacoalhou toda a estrutura da caverna, o rapaz rapidamente olhou ao redor buscando o que causara aquilo, correndo a lanterna por toda a extensão da caverna.
— Quem é você? Onde está você?- Não sabe quem sou eu? – A voz pareceu exasperada e com um profundo sussurro que parecia vir direto da terra continuou – Suponho que um mero humano como você não saberia, é novo demais, inexperiente demais... Ilumine em sua frente.
O jovem levantou a lanterna e fez o que a voz mandou, deixando escapar um exclamação com o que via: Uma forma azulada se movia na parede, era enorme, tinha por volta de 7,2m e parecia fazer parte do ambiente.
— Sou Lothaenorixius, guardião eterno dessa caverna que contém parte do tesouro de Lendys.
Analisando melhor, o jovem percebeu que se tratavam de rochas que formavam um dragão azul enorme.
— Como você protege esse lugar se está preso nas rochas?
Um fiapo de fogo escapou da boca do dragão-rocha, iluminando o ambiente todo, uma onda de calor transpassou o corpo gelado de Ernest, o deixando imediatamente seco.
— Certo – O rapaz percebeu que poderia ser frito sem o menor esforço – Entendi.- Muito bem rapaz, como chegou aqui?
— Encontrei uma profecia, com o desenho de uma espada sobre uma agulha e a escrita de “Lendys” no verso. Segui as pistas até aqui.
O jovem percebeu um brilho diferente surgir nos olhos do guardião, isso é, se olhos de pedra conseguirem ganhar brilho.
— Entendo, você foi bom o suficiente para rastrear até aqui. O que quer, já que nos encontrou? O tesouro?
— Na verdade – O jovem coçou atrás da orelha – Vim por curiosidade. Estamos em uma guerra com Gaia, então talvez encontrasse algo de útil.
— Gaia... – O velho guardião parecia ponderar – Ela sempre nos deu trabalho, desequilibrava o universo com seus filhos, não é o desejo de Lendys, posso afirmar.
— Uma pergunta: Quem é Lendys?
— Bom, não posso exigir que um humano tão novo conheça a religião dos dragões, muito menos o grande Lendys. Vou explicar para você.
O mestiço sentou-se e, antes que o dragão tornasse a falar, fez uma nova pergunta:
— Outra coisa: Os dragões que encontrei até aqui sempre eram praticamente irracionais, apenas predadores. Por que você consegue conversar e os outros não?
— Os mais evoluídos de nós sempre se tornam guardiões, para preservar a cultura draconiana, os irracionais são usados em guerra por monstros que são igualmente irracionais, como titãs, gigantes e esses deuses medíocres – O dragão respirou fundo e continuou a falar – Voltando à sua pergunta anterior, Lendys é a divindade que é responsável pelo equilíbrio, a balança da justiça, o pesador de vidas. Esse tesouro todo é consagrado a ele, mas a vontade do meu senhor não é que fique aqui pra sempre, mas que ele seja consumido para que a cultura draconiana seja reanimada e equilibrada de forma a coexistir com o mundo atual.
— Você disse que esse tal Lendys é contra o avanço de Gaia, não é?
— De certa forma, sim.- Se eu ajudar nessa reconstrução que você falou, será que eu conseguiria alguma habilidade para combater a deusa?
Se dragões de pedra pudessem sorrir, Ernest juraria que viu um sorriso aparecer no velho Lot.
— Aproxime-se do altar.
— Que altar?
— Aquele em que você mexia no emblema de Lendys, embaixo das moedas existe um altar de mármore.
— Entendi.Ernest espalhou algumas moedas e subiu no altar, mantendo seu olhar fixo no dragão azul.
— Ó grande Lendys, você que mantem o equilíbrio desse mundo, pesando as vidas aqui presentes, punindo e honrando a forma de viver de cada ser, estabeleço um vínculo com esse novo servo – O ancião proclamava uma espécie de prece – Agora ofereça um pouco de sangue sobre o altar, como oferenda de amizade.
O rapaz assentiu, decidido a confiar que receberia ajuda divina em sua empreitada contra a deusa da terra. Desenrolando sua mão que estava no processo final e cicatrização, espetou a base do dedo indicador com a ponta da faca, fazendo com que um fino fio de sangue caísse sobre o altar branco. Os cristais das paredes pareciam brilhar de forma mais forte, o cheiro de ozônio e os estalos também ecoavam com mais força.
— Agora eu selo a aliança entre Lendys e esse humano, a partir de agora um dracólito, com o fogo sagrado – O dragão soprou fogo sobre o jovem, porém não o feriu, apenas derreteu o tesouro ao redor, transformando tudo em pedra carbonizada, uma fumaça espiral que circundava o jovem parecia protege-lo.
— É isso? – O mestiço achou tudo relativamente simples.
— Sim, agora você receberá o anel da amizade e seu companheiro.
— Oi? – No mesmo momento, a fumaça que o protegia se solidificou sobre a ferida aberta no indicador, formando um anel azul em forma de um dragão enrolado.
— Pronto, o anel está feito – O dragão parecia satisfeito – Agora seu companheiro.
— Calma, que companheiro?
— Como um acólito de dragões, um amigo dos dragões, terá um dragão que estará com você para batalhar e crescer, é uma grande honra.
— Calma, eu preciso alimentar ele ou coisa do tipo?
— Ele é seu amigo, não um bicho de estimação – O ancião pareceu levemente aborrecido – Ele saberá se virar, não ficará te acompanhando 24h, apenas se quiserem.
— Melhor assim.O dragão de pedra se dissolveu, a fumaça tomou uma forma menos e mais compacta, pousando ao lado do garoto: Um dragão azul de 90cm de altura.
— Prazer – Uma voz mais final, jovem ecoou sem o dragão mexer a boca, mas claramente era dele – Sou Candeian, vou te acompanhar.
— Ahn, sou Ernest... – O rapaz se sobressaltou ao perceber que o dragão pousara no seu ombro, parecendo uma arara, exceto que apenas as patas dianteiras o seguravam, as traseiras e o rabo se apoiavam em suas costas – O que está fazendo?
— Estabelecendo vínculo – O jovem resmungou, a voz grogue – Sou uma renovação da alma do guardião daqui, então mantenho algumas memórias e habilidades, tipo o ventriloquismo. Infelizmente terei que ficar em contato com você por um tempo, assim nos conectaremos melhor e poderei te ajudar com as habilidades de um dracólito, amigo de Lendys.
— Certo, acho que entendi – O rapaz estava surpreso com a leveza do dragão, talvez fosse culpa do tamanho – Como saímos daqui?
— Ah, é verdade, vocês humanos não voam... Suponho que vamos ter que escavar.
— Escavar?
— Como acha que essas galerias são feitas? Os dragões azuis são excelentes escavadores, produzimos muita eletricidade estática pelo atrito com a areia, aí fica esse cheiro de ozônio junto, é a prova na nossa habilidade como escavadores.
— Entendi... Pode escavar até a câmara acima pelo menos? De lá consigo andar.
O jovem dragão saltou para o chão e cutucou a parede com uma pata.
— Consigo.
*Comentários do registro*
— Só não sei como Cronos não protestou quando o dragão falou mal dos titãs.
(...)
*Narrativa*
O frio noturno da região desértica açoitou o rosto de Ernest ao finalmente alcançar o mundo externo.
— Nossa, parece que fazem eras que estou lá dentro!O dragão tornou a saltar para o ombro do jovem, cochilando exatamente.
“Bom trabalho, amiguinho” – Pensou o garoto.
“Agora vou ter que aturar dois idiotas? ” – A voz gélida do titã parecia irritada.
— Nossa, tinha esquecido que você estava aí, nunca vi você ficar tão quieto por tanto tempo.
“Achei melhor assistir” – O senhor do tempo parecia contrariado – “Achei melhor manter as chances de vencer minha mãe em vez de abrir a boca e atrapalhar uma negociação por poder”.
— Entendo... Se eu não te conhecesse, diria que estava com ciúmes por ter que me dividir com outro deus – Provocou o mestiço.
“Cale-se, idiota” – O titã retrucou.
— Bom, de volta ao acampamento então, até eu voltar vai dar por volta de um mês de missão, acho.
O garoto se espreguiçou e caminhou em direção à rodovia, seriam muitos dias de caronas ainda, torcia para que o dragão se parecesse com uma mochila, arara ou qualquer coisa do tipo, seria difícil demais explicar o que era aquilo em seu ombro.
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