Herói Anônimo
6 Jornada de busca parte 1 - Colaboração
Notas iniciais
Capítulo 6
*Comentários do registro*
— Sabe, existem algumas vantagens em ter crescido sozinho, por exemplo, não preciso ir para o colégio, faculdade ou coisa do tipo, porém, isso pode se tornar uma grande desvantagem: Na época que cheguei ao acampamento meio-sangue eu era um dos poucos que não ia para casa, então adivinhem como passei esse período... Procurando por Nico di Ângelo, animador, não é? O melhor é que eu tinha uma super companhia: O senhor dos titãs! Ok, vou parar aqui, não sei se a ironia ficou clara.
*Narrativa*
O dia chegou rápido, talvez pelo cansaço, mas Ernest, agora adotado pelo chalé de Atena, se levantou preguiçosamente, vasculhou sua mochila até encontrar seus produtos de higiene pessoal e se arrastou até o banheiro para tomar um merecido banho depois de uma noite de calor e fadiga. Após trancar o banheiro, o garoto se olhou no espelho, sorriu e disse para si mesmo:
— Entendo como Narciso se sentia, se eu fosse uma garota eu correria atrás de mim...
— Ok, isso está ficando ridículo – O titã comentou em tom de deboche – Tem trabalho a fazer hoje, não? Pare de perder tempo sendo ridículo.
— Ah, tanto faz – Bocejou o filho de Atena, tirando sua roupa e entrando no chuveiro. A água quente descia por seu corpo, relaxando os músculos que ainda doíam por sustentar o peso do céu no dia anterior, os cabelos negros relativamente longos colavam em seu rosto, encobrindo os olhos castanho-esverdeados. Após terminar o banho, escovar os dentes e toda aquela coisa que um ser humano normal faz para parecer mais decente ao acordar, Ernest vestiu sua nova camiseta laranja do acampamento, um short jeans claro com um cinto de couro marrom e chinelos azuis, prendeu sua faca de bronze com a bainha de couro ao cinto e saiu do chalé. Do lado de fora, sua reação instantânea foi comprimir os olhos, tamanha a claridade do dia, nem parecia que toda a luta em São Francisco tivesse ocorrido no dia anterior.
Após esfregar os olhos com as costas da mão direita, o rapaz seguiu em frente, disposto a perseguir o local onde estaria o café da manhã, pelo caminho aproveitava a suave brisa, sentia seus cabelos ficando mais e mais bagunçados, não que tivesse penteado eles ou algo do tipo, mas também percebia alguns olhares sendo dirigidos a ele, claro, um novato no acampamento. Ao chegar no pavilhão principal, juntou-se à mesa de Atena, saudou Annabeth e acenou para Percy e Grover de longe, serviu-se, dedicou duas partes de seu café da manhã para os deuses, uma para Atena, uma para Ares. O resto da refeição seguiu-se tranquila, até que momentos antes de sair do refeitório, Quíron chamou o garoto, que foi ao seu encontro.
— Atenção a todos – O centauro projetava sua voz de modo que todos no recinto pudessem ouvi-lo – Gostaria que dessem as boas-vindas a um novo companheiro: Esse é Ernest Jensen, filho de outros dois semideuses, adotado por Atena.
Um murmúrio se espalhou pelo local, mas o diretor continuou:
— Não é algo comum para nós encontrar um semideus de segunda geração, acho que podemos chamar assim, mas o fato é que este é, de certa forma, um filho de Atena e Ares – Alguns sussurros dizendo “mestiço” puderam ser ouvidos após essa última fala – Agora, recebam seu novo companheiro e ajudem no que puderem para que ele se adapte ao acampamento.
Vermelho como nunca, Ernest desceu para o chalé rapidamente e trocou suas roupas: Coturnos pretos, calça jeans escura com o mesmo cinto marrom, manteve a camiseta do acampamento (era confortável) e, apesar do calor, uma jaqueta de couro preta. Sua faca pendia na bainha presa ao cinto, uma mochila pequena em seus ombros, devia parecer um motoqueiro de mau-caráter mirim, mas não se importava, andou até o chalé de Poseidon, onde Percy e Annabeth conversavam enquanto o filho do deus do mar fazia suas malas, batendo suavemente na porta, o filho de Atena interrompeu a conversa e disse:
— Estou indo.
— Ahn? – Os dois companheiros não pareciam ter entendido – Embora?
— Não – Ernest revirou os olhos – Colher maçãs.
— Diga logo o que tem que dizer – Percy fechou a cara – deuses!
— Rastrear Nico, idiota! Foi o que eu disse que faria hoje, lembra?
— Ahhhhh – Percy e Annabeth disseram em uníssono. Logo os três se olharam e caíram na risada, a cena parecia ter sido bem patética.
— Tem certeza que pode fazer isso? – Uma ruga de preocupação apareceu na testa de Annabeth – Entre em contato se precisar de algo, sempre podemos dar um jeito.
— Não se preocupe, peguei uns livros no chalé para estudar enquanto viajo – O garoto abriu a mochila, mostrando uns cinco livros de temas variados, desde assuntos do acampamento até matemática para o ensino médio – E faço esse tipo de coisa há anos, sempre tive que me virar.
— Roubar livros? – Percy respondeu, divertindo-se.
— Bom, isso também – Ernest sorriu – Mas estava falando de rastrear pessoas, animais, monstros... – Logo suas feições ficaram sérias — Também rastreio panacas, como acha que achei você aqui? – E com isso, começou a gargalhar de novo, arrancando risos da companheira de chalé e deixando o Cabeça de Alga desconcertado.
— Babaca, vai logo procurar o menino – Os ombros de Percy baixaram, como se segurasse o céu mais uma vez – Estou um pouco preocupado, não posso errar com ele como errei com Bianca.
Ernest assentiu, não sabia exatamente o que havia acontecido entre os três, mas se lembrava de Bianca, logo se despediu do filho de Poseidon com um aperto de mão e de sua meia-irmã com um breve abraço, seguindo para a floresta.
“Acha que vai ser fácil assim achar um filho de Hades? Sorte sua eu não ter contato com as outras partes da minha alma” – Cronos tagarelava, fazendo o garoto suspirar.
Logo o semideus se encontrava na área onde Nico havia desaparecido, com muita paciência e cuidado, Ernest olhou cada canto meticulosamente, percebeu uma região onde o mato estava mais baixo, como se alguém tivesse pisado com força, mas que não tivesse peso para esmaga-lo de fato... Era muito pouco, mas tinha que começar de algum lugar, resolveu na direção onde estava aquela pequena falha, encontrando pontos semelhantes no decorrer da floresta, mas até onde tinha conhecimento, podia ser de qualquer monstro. Após quase uma hora de caminhada, os pequenos amassados pareciam ter sumido, fazendo Ernest chutar uma árvore para descontar a frustração.
— Droga, como ele não deixou rastro nenhum? Estamos na merda de uma floresta, espero que um monstro tenha devorado a garoto – O filho de Atena, no calor do momento chutou outra árvore, dessa vez sentido a dor em seu pé direito – Filho da...
— Ei, se continuar com esse palavreado vamos ter um problema aqui!
O rapaz paralisou ao ouvir a voz, parecia de uma mulher, o que o fez girar em seu próprio eixo, procurando a dona da fala.
— Quem está falando? – Arriscou perguntar.
O garoto ouviu um suspiro e de uma árvore um pouco mais adiante surgiu uma ninfa que parecia tão assassina quanto Atlas com aqueles olhos furiosos.
— Desculpe, você é...? – Ernest tentava ser cauteloso, agora que não estava sozinho.
— Geralmente os bons modos pedem que nos apresentemos se queremos saber o nome de alguém – A resposta veio seca.
O garoto mordeu o canto do lábio inferior, respirou fundo e respondeu:
— Ernest, filho de Atena.
— Ótimo, Eleanor, ninfa daquela árvore.
— Certo, desculpe pelo mau palavreado, é que estou em uma busca e... Bem, as coisas não estão saindo como planejado.
A ninfa ergueu uma sobrancelha – Hm, continue falando, herói.
— Ahn – O rapaz começou a ficar um pouco nervoso, parecia que ia apanhar da ninfa de qualquer maneira e não estava a fim de brigar com uma mulher – Procuro um garoto que fugiu do acampamento, ele é poderoso, preciso achar antes que todos tenhamos problemas.
— Olhe garoto – A ninfa parecia de saco cheio – Eu fico aqui na fronteira mágica há muito tempo e garanto que, se o menino tivesse passado aqui, eu teria visto. Ninguém vem para essa região, é sempre quieto e você — Ela parecia sublinhar as palavras – Está acabando com a paz.
— Desculpe, não era minha intenção...
— Desculpe, chutar árvores e xingar tudo a sua volta não parece uma atitude pacífica e...
— QUER PARAR E ESCUTAR? – Respondeu o menino, levantando a voz – EU. PEÇO. DESCULPAS.
A ninfa, que estava estática, virou de costas e com um “Uhnf” se fundiu à sua árvore novamente, deixando o filho de Atena sozinho.
“Droga de ninfa” – Pensou o menino enquanto se sentava e encostava na árvore – “Droga de semideus, por onde ele saiu? O único rastro parecia acabar alguns metros lá para trás, a não ser que a terra tenha engolido ele e sumido com tudo... Ou um monstro, definitivamente um monstro teria sido bom”.
Olhando para cima, para o movimento das folhas ao receberem o suave sopro do vento, o garoto fechou os olhos e pôs as ideias no lugar, deixou as ideias fluírem livremente enquanto relaxava o corpo – “Certo” – A voz do titã ecoou, quebrando a harmonia que Ernest podia sentir com a natureza – “Encontrar o garoto é importante para nós dois, de certa forma, vou te ajudar”. Ouvir tais palavras foi o suficiente para fazer o rapaz abrir os olhos e encarar mais uma vez o cenário ao seu redor, talvez Cronos não fosse tão inútil quanto parecia.
— Muito bem – O garoto falava em voz alta – Por onde começamos?
— Pois bem, concentre-se e tente enxergar da mesma forma que fez com Nereu.
— Bom, acho que não tenho nada a perder... – Respondeu o filho de Atena, fechando os olhos por um momento. Ao abri-los, logo em seguida, tudo parecia ter uma definição melhor, as cores mais vivas, os detalhes mais certos, nenhum movimento escapava se estivesse em seu campo de visão, podia dizer em quais árvores estavam as ninfas – Uau, eu devia definitivamente fazer isso mais vezes.
— Foco, idiota – Ernest tinha certeza que se pudesse ver o senhor dos titãs nesse momento, estaria vendo um grande “face palm” – Procure por rastros no chão agora, se não encontrar, volte pelo caminho.
Assim fez o garoto, devagar foi voltando pelo caminho, examinando todos os detalhes que pareciam fugir da harmonia natural da floresta, andou até finalmente encontrar os amassados na grama onde iniciou a busca, vendo uma pequena quantidade de energia negra, como se fossem chamas sobre a vegetação pisada – Aqui, que tal? Está vendo? – O garoto achou estranho consultar o titã dessa forma, mas, talvez fosse interessante uma segunda opinião.
— Creio que seja um início, de fato é o tipo de energia que se esperaria de um filho de Hades, gravou como é? – Cronos parecia satisfeito com o achado – Vamos em frente.
— Acho que não será necessário – Murmurou Ernest.
— E por que acha isso?
— Lá – O rapaz apontou para uma árvore uns 10 metros além do local onde estavam, parecia estar impregnada com a energia negra, como se algo tivesse colidido com ela – É a mesma energia, mas mais concentrada.
— Certo, é um início, parece que além dessa árvore não há mais nada, nem acima, nem abaixo, nem mais à frente – Comentou o senhor dos titãs.
Ernest andou até a árvore e, relaxando um pouco, passou a ver com sua visão comum: Qualquer vestígio da energia negra sumiu, não parecia ter ocorrido nada ali, a árvore estava intacta, sem sinal de qualquer contato. O garoto sentou-se e encostou em outra árvore, próxima àquela que, a princípio era a maior pista que tinha e tirou da mochila um livro e folheou-o, era como se fosse um guia sobre os deuses e seus filhos mortais, poderes que foram observados, armas, bênçãos... Parecia algo bem genérico, mas era melhor que ficar quebrando a cabeça com teorias inúteis. Após alguns minutos de leitura na parte sobre Hades, que não tinha muitas coisas, só algumas informações sobre o Elmo das Trevas, o garoto fechou o livro e decidiu: Hora do cochilo.
— Você vai realmente dormir? – O titã não parecia acreditar naquilo.
— Quando tenho um problema que não é de vida ou morte e tenho tempo para resolve-lo, prefiro dar uma descansada quando me sinto encurralado. Fique atento, se algum monstro aparecer por aqui, ou algo do tipo, me acorde.
— Você é muito mole.
— Tanto faz.
*Comentários do registro*
— Considerações:
Eu não acredito que Cronos estava me ajudando, até hoje é um choque;
Dormir é bom,
*Narrativa*
Ernest acordou por volta das 15h, o almoço havia ocorrido há muito tempo, então pegou um sanduíche na mochila e comeu enquanto começava a ligar as novas ideias que surgiam em sua mente – Cronos, como funciona o tal do Elmo das Trevas exatamente – A pergunta parecia ser idiota, afinal o menino havia lido um belo capítulo sobre o tema logo antes de dormir, mas parece que faltava algo na explicação.
— Bom, até onde lembro, meu filho ou quem estiver usando o elmo fica invisível, ganha a possibilidade de viajar pelas sombras e... – O titã pareceu entender onde o garoto queria chegar – Você acha que...?
— É uma suposição, mas acho que faria sentido, pense bem, se os filhos de Hades pudessem viajar pelas sombras, seja com um item mágico, ou se o pai os carregasse de algum modo, a floresta a noite é um breu, o que mais tem é sombra, talvez Nico correndo assustado tenha aberto algum caminho para essa viagem sem perceber.
— Inteligente, explicaria a árvore com a energia impregnada, caso ela tenha sido usada como portal.
— Tem mais uma coisa – O garoto pareceu reviver seu sonho da última noite – Sonhei com um garoto correndo pela floresta, depois estava em um lugar abafado com alguma criatura alada... Seria possível que fosse...
— O mundo inferior – Interrompeu o senhor dos titãs – Claro, é totalmente possível.
Ernest olhou para o céu mais uma vez, pensando no trabalho que teria pela frente e, com um suspiro (que já estava se tornando quase que um hábito), voltou para o acampamento, precisaria estudar mais um pouco sobre o reino de Hades se fosse até lá e, claro, queria uma janta descente.
*Comentários do registro*
— Só queria deixar claro que não me frustrei por preparar a mochila toda e acabar voltando tudo sem usá-la. Sério.
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