Herói Anônimo
28 Flashes de um passado
Notas iniciais
Capítulo 28
*Comentários do registro*
— Eu realmente tinha esperança de que teríamos uma folga. Infelizmente existe aquela velha história de que os padrões se repetem e, claro, depois da guerra contra os titãs teríamos que ter a batalha contra os gigantes. Depois do verão terminar todos seguiram suas vidas “normais”, eu e Peggy fomos para a faculdade, consegui uma bolsa graças às boas notas nos testes de admissão e fazia uns bicos de vez em quando para ajudar nas despesas da casa.
— Ah, eu devia comentar que eu e Peggy havíamos alugado um apartamento em New Hampshire, decidi ir pra lá, talvez encontrasse meus pais e claro, era onde a faculdade ficava.
*Narrativa*
A cena parecia um de-já-vu, um casal passeava pelos arredores de New Hampshire em meio à neve: Um jovem com seus 19 anos, cabelos negros bem curtos, os olhos castanho-esverdeados e a barba negra com alguns fios ruivos já lhe conferiam uma aparência mais velha do que de sua idade, usava uma jaqueta de couro marrom por cima de uma camisa de flanela xadrez branca e preta, ainda com uma camiseta térmica por baixo de tudo. As botas sob a calça jeans azul lhe deixavam alguns centímetros mais alto. Ao seu lado estava uma garota morena, com seus 18 anos, os cabelos morenos caíam sobre seus ombros e desciam até um pouco além do meio das costas, suas orelhas protegidas com abafadores felpudos brancos e os olhos castanhos pareciam sorrir ao observar uma paisagem tão bela. As vezes soltava a mão do namorado para arrumar a luva preta que escorregava de sua mão por ser de um número maior, luva que contrastava com seu casaco de esqui branco, mas combinava com a calça jeans preta e com as botas de cano alto, também pretas.
— Já arrumou as malas? – Peggy perguntou ao acaso para o namorado, o rapaz geralmente era super organizado, mas costumava esquecer de algumas coisas conforme ficava ansioso ou nervoso.
— Uhum – Ernest assentiu – Não vejo a hora de encontrar o pessoal de novo, temos muito a conversar!
— Está realmente animado, não é?
— Demais! – O rapaz se adiantou em um passo e ficou frente à frente com a namorada – Agora somos um casal da saúde, podemos cuidar de todo aquele povo que gosta de se machucar!
— Aquele povo? Você é quem vive machucado! – Riu a jovem – Mas gostei dessa de “casal da saúde”.
— Ei, você prescreve, eu manipulo! Vantagens de conhecer uma futura médica e um futuro farmacêutico!
A garota sorriu e puxou o filho de Atena para um abraço, aquecendo-se junto a ele.
(...)
— Ei maninha! – Ernest deu um berro ao ver a cascata de cabelos louros na varanda da Casa Grande, fazendo a garota virar-se em um pulo.
— Estão atrasados! – Sorriu a filha de Atena ao avistar o casal que se aproximava, abrindo os braços para um abraço – Como foi esse final de período?
— Passei em tudo – O irmão piscou, maroto – Não posso decepcionar a mamãe, não é?
— Não seria sábio – Concordou a loira – E você Peggy? Aturando bem ele?
— Até que não dá tanto trabalho quanto eu esperava – Respondeu a morena, divertida.
— Ei! – O jovem já se preparava para protestar, mas a namorada apenas revirou os olhos e deu um leve empurrão no rapaz.
— Vamos, eu ajudo vocês com as malas – Ofereceu Annabeth – Temos que colocar o papo em dia!
— Não precisa se incomodar Annie – Peggy levantou sua mala.
— Imagina! Percy está me esperando na parede de escalada, aproveitamos e já conversamos todos juntos.
(...)
A noite já caía sobre o Acampamento Meio-Sangue, após um belo jantar e a rotineira cantoria ao redor da fogueira os campistas foram aos poucos se dispersando, alguns cansados iam para seus chalés, outros procuravam locais para baterem um papo até o toque de recolher. Ernest resolveu mostrar os frutos de um ano de bicos e buscou sua nova aquisição: Um violão de nylon usado, era aquele Gianinni clássico de corpo amarelado com as laterais marrons, o headstock entalhado à mão e com tarraxas já enferrujadas. Era lindo.
Juntamente com Peggy, Percy, Annabeth, Grover, Juníper, Malcolm e alguns outros semideuses, o filho de Atena sentou-se próximo ao braseiro que ficava em meio aos chalés e tocou algumas notas, até que, após algumas canções desajeitadas e divertidas, todos resolveram dormir.
*Comentários do registro*
— Os próximos dias foram no mínimo estranhos, começou com o café da manhã: Percy não estava lá, mas ninguém se preocupou, afinal é comum alguns dos campistas perderem o horário ou optarem por dormir até mais tarde e pular o café, ainda mais pensando que o rapaz ficava sozinho no chalé de Poseidon.
— Depois disso Annabeth disse que foi buscar o cabeça de alga, mas que ele não estava no chalé, buscamos pelo acampamento todo e nada... Até dei uma olhada nos arredores usando minhas habilidades de análise, mas era como se ele nunca tivesse estado no acampamento, não havia nem resquício de alguma energia diferente. Claro que a partir daí Annie só ficou mais nervosa e estressada, até que saí por aí para buscar pistas, fiquei uns dois dias fora nos arredores do acampamento, mas não consegui muita coisa, até que finalmente resolvi voltar e conversar sobre a situação.
*Narrativa*
Ernest não quis falar com ninguém ao entrar no acampamento, absorto em seus pensamentos e teorias, apenas queria encontrar sua irmã para discutir os próximos passos na busca por Percy. No caminho o rapaz viu Drew andando com um rapaz loiro, logo acenou para que ambos parassem.
— Ei Drew, sabe onde está Annabeth?
A filha de Afrodite revirou os olhos, como se uma mosca zumbisse e seus ouvidos, mas respondeu:
— Saiu com a outra menina nova, enquanto isso estou levando nosso novo campista para falar com Quíron – A garota puxou o jovem para mais perto – Não seja rude, cumprimente-o!
— Como se você ligasse para boas maneiras – Suspirou o mestiço, mas estendeu a mão ao novo garoto – Prazer, Ernest, seja bem-vindo. Desculpe não te dar muita atenção agora, mas estou resolvendo uns problemas...
— Claro, tudo bem – O loiro aceitou o cumprimento, apertando a mão do filho de Atena – Prazer, Jason.
Ao sentir o toque de Jason, um estalo pareceu ocorrer no interior de Ernest: Seus olhos rapidamente escanearam o garoto, registrando os detalhes da tatuagem em seu braço, o filho de Atena não conseguia entender o que estava acontecendo. Seu coração acelerou como se fosse uma situação de vida ou morte, flashes passaram por sua mente: As velhas memórias de New Hampshire antes de ser sequestrado, detalhes vívidos ganharam destaque, como tatuagens parecidas com as do loiro no antebraço de seus pais.
Tentando esconder o desconforto, o mestiço soltou a mão do jovem e despediu-se, logo os dois partiram para a Casa Grande, enquanto Ernest seguiu seu caminho.
“Talvez a Rachel tenha chego, vou ver se ela tem alguma pista do que está acontecendo” – O jovem não sabia mais se estava preocupado com Percy, consigo mesmo ou com o garoto novo, ou seja lá quem fosse. Mesmo sabendo que provavelmente a garota ainda não teria voltado de suas aulas, resolveu subir a colina onde ficava a gruta-moradia da garota, mas não a encontrou lá, em compensação, duas garotas vinham ao seu encontro: Uma loira que o rapaz bem conhecia e uma morena que nunca tinha visto na vida.
— Ernie! – Annabeth abraçou o irmão, apertando-o o suficiente para deixar suas costelas doloridas – Diga que conseguiu algo, por favor!
O jovem abanou a cabeça.
— Nada muito útil, desculpe.
A respiração da filha de Atena pesou, o jovem sabia que ela estava prendendo o choro, mas não disse nada, apenas apertou o abraço em torno da irmã, que logo o soltou e, esfregando os olhos, recomeçou a falar com a voz ainda um pouco trêmula:
— Bem... Ernest, essa é Piper McLean, ela chegou hoje ao acampamento, deve ser reclamada na fogueira ainda hoje. Piper, esse é Ernest Jensen, filho de Atena, um de meus irmãos.
— Prazer – Ambos disseram em uníssono, arrancando uma risada espontânea dos três que, logo voltaram para acomodar a nova campista em algum lugar.
(...)
— Pra onde irão agora? – O mestiço levantou uma sobrancelha para as garotas enquanto chegavam à área comum do acampamento.
— Ao galpão, Piper precisará de uma arma – Annabeth respondeu, sem parar de andar.
— Entendo – O jovem segurou o cabo de sua espada – Vou falar com Quíron, já que Rachel não está.
Piper apenas observava a conversa dos dois filhos de Atena, ao mesmo tempo em que parecia absorta em seus próprios pensamentos.
— Caso precisem de mim, me procurem. Piper, foi um prazer! – Com um último sorriso para a novata, o semideus partiu rumo à Casa Grande.
(...)
— Mas o quê...? – Murmurou o jovem ao espiar pela porta da sala e ver tudo parado, uma mulher vestida de preto com uma pele de cabra e Jason com a espada dourada em mãos. Foram poucos segundos dessa cena antes que tudo voltasse ao normal, mas foi o suficiente para preocupar Ernest, que começava a suspeitar do novo integrante do acampamento.
Antes que entrasse e tirasse tudo à prova, o moreno ouviu passos e percebeu Annabeth chegando com Rachel e, em conjunto, as duas carregavam Piper.
— Pelo jeito será um longo período – Suspirou o rapaz, descendo para amparar as garotas.
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