A ferrugem inflama meus machucados,
Meus pequenos pulsos ambos atados
Extasiado, acordo ferido
Aqui me encontro, novamente detido
Sob a loucura do confinamento
A solidão traz esse horrível sofrimento

Na ponta das lanças, meu sangue
As trevas cobrem meu rosto exangue
Dentro do denso escuro o frio vem a mim
Resistência como algo ruim
Cego vejo o fim
Já claro, o vento traz pétalas, do que os anjos chamam de jardim

O estar aqui sem uma razão,
Deixa-as inquietas de insatisfação
Retorcendo-se de decepção
Não aceitas por frustração
Encharcadas de sangue elas se vão
Caindo por tanto tempo mas não vejo chão

Abrindo as nuvens, quebrando o abstrato,
Se aproximando do real, tenho o azul de retrato

Águas se abrem com a colisão,
Por instantes, prestigio minha visão
Indo a fundo, infernizado pela pressão.
Aflito quanto atordoado, caindo na ilusão
De estar sofrendo e acorrentado
Triste e machucado
Sangrando... de corpo e alma infectado.