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47 Capítulo quarenta e seis (June)
Caio e Felipe apareceram mais tarde e pareciam ter feito as pazes. Chegaram sorrindo um para o outro e passaram a conversar no cantinho.
Eu fiquei com Julia e as mães, que ainda rezavam.
Então, com o passar da manhã, a sala começou a ficar mais cheia, até ficar lotada. E finalmente deu meio dia: o horário de visitas da UTI. Todos concordamos que a senhora Valdeva deveria ir primeiro.
Esperamos pacientemente. Caminhei até Caio e Felipe, ansiosa para conversar.
— Vocês acham que ele vai ficar bem?
Eles se olharam, cumplices. Caio deu um sorriso triste.
— Eu não sei June. De verdade. Mas acredito que o Pedro é forte o suficiente para tentar.
Acenei com a cabeça, olhando o relógio. Queria muito ver Pedro, mas achava que a família tinha o direito de vê-lo por mais tempo.
— Calma June – disse Felipe – Vai dar tudo certo.
Sorri, para tentar mostrar confiança.
— Acho que sim.
Então a senhora Valdeva saiu da sala às 12:45, parecia ligeiramente mais tranquila, mas ainda assim estava com linhas sérias no rosto.
— Ele quer ver você June.
Me levantei em um salto e caminhei quase correndo pela porta.
Pedro estava em uma cama perto da parede do outro lado da sala. Vários equipamentos estavam ligados nele e alguns fios também. Ele sorriu ao me ver e estendeu a mão esquerda. Apressei-me para segura-la.
— Pensei que você fosse querer ver Julia – falei quando cheguei perto.
Ele fez uma careta.
— Me chame de covarde, mas não tenho muita coragem para fazer isso agora.
— Eu entendo. E então, está tudo bem?
Ele deu mais um sorrisinho.
— Na medida do possível.
— Vai ficar tudo bem, não é?
Ele levantou a mão para segurar meu rosto.
— Eu gosto muito de você June. Sabe disso não é?
— Sei sim.
— E sabe que tudo o que eu mais quero é que você seja feliz.
— Sei sim.
— Pare de mentir para você mesma, então.
Pisquei.
— O que você quer dizer?
— Você sabe o que eu quero dizer. Pode até não querer admitir, mas você sabe.
Assenti.
— Acho que sei sim. Mas pare de falar comigo como se fosse morrer.
Ele riu.
— Está bem. Você é amiga da Julia?
— Um pouco.
— Posso pedir mais um favor?
— Claro.
— Seja mais amiga dela.
Pisquei.
— Você continua falando como se fosse morrer.
— Desculpe – disse ele sorrindo – Vou tentar parar.
— É bom mesmo.
Olhei o relógio. Eram 12: 50.
— Vou chamar Julia.
— Não. June, não faz isso. Eu não estou pronto.
— Para que? Você não vai morrer.
Cheguei perto e dei um beijo na bochecha dele.
— Eu te amo Juninha – falou ele quando me separei.
Um bolo ficou preso na minha garganta e eu sabia que se dissesse alguma coisa, eu me desmancharia em lágrimas. Não queria fazer isso agora.
Dei mais um abraço nele e fui para a porta.
— Julia – consegui falar apontando para a sala.
A menina se levantou em um pulo e correu para a porta da UTI.
Já eu, corri para o banheiro com pressa. Não queria chorar na frente de todos.
— June – escutei pelo corredor – June espere.
E eu esperei. Eu parei e me desmanchei.
— Ele falou comigo como se fosse morrer – choraminguei – Ele falou comigo como se fosse a última vez...
Ele envolveu os braços ao meu redor.
— Vai ficar tudo bem.
E ele ficava repetindo isso enquanto me abraçava e secava minhas lágrimas em sua camisa.
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