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26 Capitulo vinte e cinco (Felipe)
Notas iniciais
Olá pessoal!!
Eu sei que vocês provavelmente não vão gostar desse capítulo, mas eu escrevi mesmo assim é estou muito orgulhosa dele e no que ele leva a acontecer! :3
Então relaxem e leiam... Hehe
Eu não queria ter raiva de Caio, mas eu não conseguia controlar. Claro que ele não sabia o que eu sentia por June, mas eu não conseguia não me sentir chateado.
Para evitar me sentir com raiva, comecei a vagar pela cidade e agora estava em uma praça que acabara de ser inaugurada e estava bem iluminada. Eram dez horas da noite e eu ainda estava sentado no banco, tomando coragem para voltar para casa. Eu tinha esquecido meu celular e podia visualizar minha mãe morta de preocupação.Me levantei para ir embora, mas antes de dar o primeiro passo sentei de novo, apoiando a cabeça nas mãos.Sentia uma dor imensa no fundo do peito. O que June me disse ainda estava ardendo. Eu nem sabia por que tinha tentado me envolver com eles, mas sabia agora que iria parar. Talvez pararia até de falar com Pedro.– Felipe? — ouvi alguém me chamando. Suspirei levantando a cabeça e me deparando com a última pessoa que queria ver naquela hora.– Amanda.Ela ficou me encarando pelo que pareceu uma eternidade.– Posso sentar?Me afastei um pouco para abrir espaço para ela.– Você não parece muito feliz.Olhei para ela. Tinha a maquiagem borrada e a blusa tinha a manga rasgada.– Você também não parece nenhuma Cinderella.Ela retornou meu olhar. Seus olhos estavam baixos e ela estava séria.– Não vamos falar sobre isso certo?– Eu não pretendia nem perguntar nem dizer nada a você, Amanda. – Eu sei. Ficamos calados bom um bom tempo, só olhando para o vazio e presos em nossos próprios pensamentos.Olhei para o relógio e já eram quase meia noite. Suspirei me levantando.– Acho que está na hora de irmos para casa. Vai ficar perigoso.Ela continuou sentada.– Por favor Felipe — disse ela me olhando com os olhos cheios de lágrimas — Não me deixa sozinha, Felipe! Por favor!Paralisei. Aquela não era nada parecida com a Amanda que tinha falado todos os boatos sobre mim, que tinha ficado com o diretor para entrar na turma especial e muito menos a Amanda que na última semana estava me lançando olhares assassinos do outro lado da sala.Mas mesmo assim, me sentei ao seu lado novamente.– Tem certeza que não quer falar?Ela olhou para baixo.– Desculpe, eu não quis dizer aquilo que acabei de dizer. Com licença.Então ela se levantou bem no momento em que um homem magrelo passava e esbarrou nela.– Desculpa — começou ela mas ele puxou uma arma e apontou para ela.– Passa tudo — falou ameaçando — Bora, bora, bora! Celular, carteira, dinheiro, passa tudo!Amanda estava paralisada de medo. Eu me levantei e passei a carteira para ele.– Bora mocinha!Ela não parecia ter ação. Estava completamente estática.– Calma — falei levantando as mãos devagar em sinal de rendição — Ela está assustada. – Calma nada vetin! — falou ele encostando o revólver na minha bochecha — Não me manda ficar calmo...Então eu fiz algo que eu provavelmente não deveria ter feito, mas que no filme que eu aprendi parecia algo muito maneiro: eu dei um tapa na arma, o que a fez voar para o outro lado do parque, e dei um soco no queixo do bandido, o que o fez cair no chão nocauteado. Fiquei olhando minha mão, descrente, e então caí na risada.– Eu não acredito que eu fiz isso!– É, nem eu...– E nem nós.Olhamos para trás e vimos dois homens vestidos com o uniforme da polícia.– Desde quando vocês estão aí? — perguntei indignado.– O que você fez foi algo extremamente perigoso, garoto.– Eu não pensei exatamente no que eu estava fazendo...– Vocês vão ter que nos acompanhar para a delegacia.E assim foi feito. Eles algemaram o homem, recolheram seu revólver e nos colocaram no banco de trás da viatura.Chegamos à delegacia e tivemos que dar nosso testemunho pelo menos umas três vezes. E quando eu digo nós, quero dizer eu, já que Amanda ainda estava paralisada.Olhei o relógio e eram duas e meia da manhã. Podia até visualizar minha mãe e Caio se matando de preocupação.– Com licença — falei no balcão — Será que eu poderia usar o telefone?A mulher da secretaria com um crachá de nome "Sharlene" me olhou de cima a baixo enquanto mastigava seu chiclete e disse que eu não podia dar telefonemas dali e que procurasse um orelhão. Eu quase a desafiei a achar um orelhão para mim, mas supus que também não estaria no meu melhor humor se eu trabalhasse em uma delegacia de madrugada.Voltei para o banco de espera e me sentei, esparramado. Ainda teríamos que esperar o delegado vir e nos liberar. Ele estava analisando nossos documentos.– Obrigada.Olhei para o lado. Amanda olhava para baixo e parecia envergonhada.– Pelo quê?– Por não me deixar sozinha. Por me defender com o ladrão... — os olhos dela se encheram de lágrimas e ela começou a chorar — Eu não entendo por que tudo de ruim está acontecendo comigo...Amanda estava com o rosto vermelho e com gordas lágrimas descendo pelas bochechas, além de catarro escorrendo pelo nariz. Era a visão mais deprimente que eu já tinha presenciado.Passei o braço em volta dos ombros dela que por sua vez encostou a cabeça no meu peito.
– Eu não quero ficar sozinha... — disse ela entre soluços.– Me conta o que aconteceu.– É o meu namorado. – O diretor?– Não. Eu só fiquei uma vez com o diretor. Você teve sorte de nós pegar — ou eu simplesmente tenha passado muito tempo do lado de fora da sala esperando a deixa e tirado printscreen das telas da câmera do diretor na hora que, coincidentemente, a secretaria também estava ocupada — Eu namorava um cara. Ele é da UFC, faz engenharia. A gente se conheceu em uma festa de adoradores de Harry Potter.– Harry Potter?Ela se levantou e me olhou.– Algum problema com isso?Sorri.– Nada, madame. Só não imaginava que você gostaria de Harry Potter.– Eu amo.– Então... encontro de adoradores de Harry Potter...– Nós ficamos e depois ele me pediu em namoro, mas de uns tempos para cá ele tem ficado violento. Não que ele me bata, mas ele tem me insultado bastante. Depois do seu show, eu fiquei com os nervos à flor da pele e ele também então temos brigado muito — ela olhou para baixo — Hoje ele queria muito que eu fizesse o que eu não queria fazer e quase me obrigou. – Quase?– Sim. Ele não conseguiu por que o vizinho apareceu e me socorreu. Ele estava drogado. Suspirei.– Você tem um ótimo gosto para namorados... um drogado agressivo, um homem de meia idade...Ela riu.– Eu nem sei por que eu fiquei com o diretor, na verdade. Acho que foi por que meu pai disse que eu devia.– O seu pai o que?– Não ria.– Não vou.– Promete?– Sim.– Meu pai é o dono do XXX.– O strip clube mais conhecido da cidade?Ela deu de ombros.– Ele está abrindo uma franquia em Recife também.– E ele agencia a própria filha também?– Tá, eu tenho uma vida de merda. Eu sei que isso não é motivo para ser idiota com todo mundo.Olhei para ela. No fundo, Amanda estava construindo uma carapaça para proteger ela mesma do mundo de fora.– Lembra do que eu disse no meu "show"? — falei fazendo as aspas com os dedos.– Sobre ser você mesmo?– Sim. Você devia tentar às vezes. Ficamos algum tempo assim, só nos olhando.– Você precisa do celular emprestado? — disse ela finalmente — Desculpa, ouvi você falando com a mulher do balcão. Pode pegar o meu.Ela me entregou o telefone dela e eu o peguei agradecido.– Obrigada! — falei digitando o número de celular de Caio.– Alo? — falou a doce voz conhecida do outro lado da linha.– Oi.– Felipe! — gritou ele — Caramba cara, cadê você? A gente está se matando de preocupação!– Desculpa, eu deixei meu celular em casa e aconteceu um imprevisto de modo que só consegui ligar agora.– O que houve?Expliquei rapidamente a situação para ele, escondendo a discussão com June. Se ele quisesse saber, ele perguntaria para ela.– Mas você está bem?– Sim.– Que susto.– Desculpa preocupar vocês.– Tudo bem. Você volta que horas?Olhei para o lado. Para Amanda, que parecia incrivelmente frágil.– Eu vou ficar um pouco mais. Minha colega está um pouco abalada — ela me olhou imediatamente, assustada.Caio riu.– Eu entendo. Vou falar com a mamãe, ela vai entender.– Obrigada Caio. Desculpa mais uma vez.– Não tem problema. Estou feliz que esteja bem.Desliguei e devolvi o celular para a dona.– Você vai ficar um pouco mais por mim?– Você está abalada e parece precisar de alguém para conversar. Além do mais, eu estou um pouco chateado com meu irmão e não queria vê-lo hoje.Ela sorriu.– Meu pai está em Recife essa semana, pode dormir lá em casa.Pisquei.– Não era exatamente o que eu estava planejando.– Mas não tem problema, de verdade.O delegado finalmente apareceu com nossos documentos em mãos.– Pronto. Felipe Sarazate, não é mesmo?– Isso.– Amanda Novaes.Ela acenou.– Pronto, aqui está deus documentos. Eu teria que chamar um responsável se o senhor não fosse maior de idade.– Obrigado Delegado.– Vão para casa e descansem.– Pode deixar.Saímos na delegacia e chamamos um táxi do lado de fora.– Você é maior de idade? — perguntou ela finalmente.– Sou. Tive que mudar muitas vezes de escola no primeiro ano e isso me atrasou. Acabei perdendo um ano. Tenho dezoito.– Por que você mudou tanto?A verdade era que eu tinha mudado por instabilidade emocional. Essa foi a época sombria de Caio é nosso relacionamento ficou obscuro. Acontece que Caio sempre foi meu único amigo e eu fiquei bem perdido nessa época. Então eu arranjava brigas e mudava de escolas só por querer. Eu odiava falar sobre isso.– Eu não quero falar sobre isso — declarei.– Tudo bem.O táxi nos deixou em um luxuoso apartamento no bairro chique da cidade.A sala era espaçosa e completamente branca, com apenas um objeto destoando dessa cor: um lindo piano de calda.Eu pude sentir meus olhinhos brilhando. Pianos são minha praia.– Você toca? — perguntou Amanda vendo minha expressão.– Sim — falei admirado — Ele é lindo.Ela riu.– É da minha madrasta, mas ela desistiu de aprender a tocar há séculos. Hoje é objeto decorativo. Quer água?– Por favor.Então ela me serviu e bebemos nossos copos de água enquanto conversávamos. A verdade era que Amanda podia ser muito legal. Ela sabia falar sobre música, livros, filmes e fotografia. – Tenho que perguntar — disse ela finalmente — Casa de Hogwarts?– Corvinal — falei — Não foi nenhuma surpresa quando recebi o resultado. E você?– Soncerina.Eu ri.– Não estou surpreso. Você é a cara do Draco.– Ei! Ele fica inofensivo e até arrisco dizer, bonzinho, no final!Levantei as mãos.– Não falei nada além de que você parecia com ele.Estava amanhecendo quando fomos para a cama. Ela me mostrou um dos cinco quartos de hóspedes e eu dormi incrivelmente bem na cama super macia. Quando acordei, o relógio marcava quatro da tarde. Quase pulei da cama com o susto. Amanda já estava de pé, tomando um café com cara de sono, então supus que não tenha sido melhor.– Obrigado — falei.Ela me olhou e sorriu.– Pelo quê? Você que me socorreu.– Por me deixar dormir aqui.– A casa está com as portas sempre abertas.Algo me disse que ela estava sendo completamente sincera e eu achei aquilo legal. Peguei um bloquinho de papel no balcão da cozinha e anotei meu endereço.– Se quiser visitar, esse é meu endereço. Ficarei honrado em recebê-la.Ela sorriu e acenou.– Você já vai, não é?– Tenho que ir. Minha família deve estar preocupada.– Até amanhã então.– Até amanhã Amanda — apontei para o bloquinho — Sempre que precisar.Ela sorriu e acenou quando eu deixei sua casa.
Notas finais
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